segunda-feira, 18 de maio de 2009

MISTÉRIOS DA ATUALIDADE

Misterios sobre el origen de la “Gripe Porcina”

fuente: http://agenciadin. com.ar
07-Mai-2009

Expertos alertan sobre guerra biológica y negocio de Donald Rumsfeld con la “gripe porcina”
Sabía usted que el virus de la influenza porcina apareció por primera vez en Estados Unidos y que el único medicamento al que parece responder es producido por un laboratorio del que es directivo y propietario Donald Rumsfeld?
Un revelador trabajo de investigación del Informativo Pacífica, elaborado por el colectivo periodístico con base en California Pueblos Sin Fronteras, plantea varias interrogantes que los medios hegemónicos de comunicación han obviado, en su afán por generar terror entre la población.
Cuál es el origen del nuevo virus que ya ha matado a más de cien personas en México?
A quién beneficia esta epidemia?
Qué otras noticias está sepultando?
Para qué se está utilizando la emergencia en México?
El reporte de Fernando Velázquez menciona un artículo de la investigadora Lori Price en el sitio web Globalresearch.ca , titulado “La gripe acaba con los memos de la tortura”, en el que ésta señala que la influenza porcina, fabricada probablemente en laboratorios militares de Estados Unidos, ha acabado con la noticia de los memos sobre la tortura ordenada por la Agencia Central de Inteligencia (CIA) contra prisioneros en Guantánamo, Abu Ghraib, y cárceles secretas.
El artículo mencionado señala que un investigador de biodefensa indonesio declaró el año pasado que Estados Unidos ya podía fabricar armas biológicas en el laboratorio de Los Álamos, usando muestras de la gripe aviar enviadas por Indonesia a la Organización Mundial de la Salud. Detalles sobre el tema aparecen en el libro “Es tiempo de que cambie el mundo: manos divinas detrás de la gripe aviar”, escrito por el ministro de Salud indonesio.
Lori Price subraya que la actual histeria provocada por el virus porcino podría dar grandes ganancias a Donald Rumsfeld.
El ex secretario de Defensa de Bush es directivo desde hace 20 años del laboratorio Gilead Sciences, Inc.
la firma con sede en California que fabrica y tiene los derechos de “Tamiflu”, el supuesto remedio contra la influenza que aterroriza al mundo.
Fernando Velázquez también entrevistó para su reporte al periodista Ralph Schoenman, productor del programa radial “Taking Aim” (Apuntando) que se transmite en la emisora WBAI de Nueva York.
Schoenman afirma que los laboratorios militarizados a lo largo de Estados Unidos han estado perfeccionando armas biológicas con el virus porcino, aviar, el asiático y otras enfermedades para las que no hay respuesta inmunológica.
“En laboratorios de nivel 4 y 5 en todo el país las enfermedades más virulentas han sido alteradas de tal forma que no hay defensa contra ellas, y han sido arrojadas en varias partes del mundo. Se han dispersado en África, y han sido monitoreadas por militares estadounidenses”, afirma Schoenman.
Velázquez también menciona en su reporte el libro “Clouds of Secrecy” (Nubes de secretos), del profesor de políticas de Salud Pública Leonard Cole, quien documenta que por 40 años el Pentágono ha estado esparciendo billones de vacilos I en el metro de Nueva York, en las escuelas públicas de Minneapolis y Saint Louis y, en particular, en la bahía de San Francisco.
En esa ciudad, los efectos fueron un incremento en un 10% de meningitis de la espina dorsal.
El número de personas impactadas por el vacilo I asciende a 10 millones. Velázquez recuerda el libro “Matando la esperanza”, donde William Bloom describe que en 1971 la central de inteligencia proveyó a exiliados cubanos con un virus que causa fiebre porcina africana.
Seis semanas después, un brote de la enfermedad obligó al gobierno cubano a sacrificar a medio millón de puercos.
Diez años después la población fue atacada por una epidemia de dengue transmitida por mosquitos, que se extendió por la isla enfermando a más de 300 mil personas y matando a 158 (de los que más de un centenar eran niños menores de 15 años).
Reporta también Fernando Velázquez que documentos desclasificados en 1956 y 1958 revelan que el ejército estadounidense crió grandes cantidades de mosquitos en La Florida y en Georgia para ver si los insectos podían ser usados como armas diseminando enfermedades, y que en 1969 más de 500 estudiantes de 36 países se graduaron en cursos sobre guerra epidemiológica en la escuela de química del ejército en Fort McClellan en Alabama.
A epidemia de gripe suína que dia-a-dia ameaça expandir-se a mais regiões do mundo não é um fenómeno isolado. Faz parte da crise generalizada e tem as suas raízes no sistema de criação industrial de animais dominado por grandes empresas transnacionais.
No México, as grandes empresas de criação de aves e suínos têm proliferado amplamente nas águas (sujas) do Tratado de Livre Comércio da América do Norte.
Um exemplo é a Granja Carroll, em Veracruz, propriedade da Smithfield Foods, a maior empresa de criação de porcos e processamento de produtos suínos no mundo, com filiais nos EUA, na Europa e na China.
Na sua sede em Perote começou há algumas semanas uma virulenta epidemia de enfermidades respiratórias que atingiu 60% da população de La Gloria, fato informado por La Jornada em várias oportunidades a partir das denúncias dos habitantes locais.
Desde há vários anos eles travam uma dura luta contra a contaminação provocada pela empresa e têm sofrido, inclusive, repressão das autoridades devido às suas denúncias.
A Granjas Carroll declarou que não está relacionada nem é a origem da actual epidemia, alegando que a população tinha uma gripe “comum”.
Por via das dúvidas, não fizeram análises para saber exactamente de que vírus se tratava.

Em contraste, as conclusões do painel Pew Commission on Industrial Farm Animal Prodution (Comissão Pew sobre Produção Animal Industrial), publicadas em 2008, afirmam que as condições de criação e confinamento da produção industrial, sobretudo em suínos, criam um ambiente perfeito para a recombinação de vírus de diferentes estirpes.
Mencionam inclusive o perigo de recombinação da gripe avícola e da suína e como finalmente podem chegar a recombinar-se em vírus que afectem e sejam transmitidos entre humanos.
Mencionam também que por muitas vias, incluindo a contaminação das águas, pode chegar a localidades afastadas, sem aparente contacto directo.
Um exemplo do que devemos aprender é o surgimento da gripe avícola – ver, por exemplo, o relatório da GRAIN, que ilustra como a indústria avícola criou a gripe avícola: http://www.grain.org/ .

Porém, as respostas oficiais à crise actual, além de tardias (esperaram que os Estados Unidos anunciassem primeiro o surgimento do novo vírus, perdendo dias preciosos para combater a epidemia), parecem ignorar as causas reais e mais contundentes.

Mais do que enviar estirpes de vírus para o seu sequenciamento genómico a cientistas, como Craig Venter, que enriqueceram com a privatização da investigação e dos seus resultados (sequenciamento que certamente já foi feito por pesquisadores públicos do Centro de Prevenção de Enfermidades em Atlanta, EUA), o que é preciso entender é que esse fenómeno irá continuar a repetir-se enquanto existirem as incubadoras destas doenças.

Já na epidemia, são também transnacionais as que mais lucram: as empresas biotecnológicas e farmacêuticas que monopolizam as vacinas e os antivirais.
O governo anunciou que tinham um milhão de doses de antígenos para atacar a nova variedade de gripe suína; porém, nunca informou a que custo.

Os únicos antivirais que ainda têm acção contra este novo vírus estão patenteados na maior parte do mundo e são de propriedade de duas grandes empresas farmacêuticas: o zanamivir, com nome comercial Relenza, comercializado pela GlaxoSmithKline, e o oseltamivir, cuja marca comercial é Tamiflu, patenteado pela Gilead Sciencies, licenciado de forma exclusiva pela Roche.
A Glaxo e a Roche são, respectivamente, a segunda e a quarta empresas farmacêuticas à escala mundial e, igualmente como no restante de seus remédios, as epidemias são as suas melhores oportunidades de negócio.

Com a gripe avícola, todas elas lucraram centenas ou milhões de dólares.
Com o anúncio da nova epidemia no México, as acções da Gilead subiram 3%, as da Roche 4% e as da Glaxo 6%; e isso é só o começo.

Outra empresa que persegue esse sumarento negócio é a Baxter, que solicitou amostras do novo vírus e anunciou que poderia dispor da vacina em 13 semanas.
A Baxter, outra farmacêutica global (22º lugar), em Fevereiro de 2009 teve um “acidente” na sua fábrica na Áustria, Enviou um produto contra a gripe para a Alemanha, Eslovênia e República Tcheca contaminado com vírus da gripe avícola.
Segundo a empresa “foram erros humanos e problemas no processo”, do qual não pode dar patenteados, “porque teria que revelar processos patenteados”.

Precisamos não só enfrentar a epidemia da gripe como também a do lucro.

29/Abril/2009
[*] Investigadora do grupo ETC
Ver também:
• Como um laboratório médico “socialista” no Canadá salvou o mundo de uma nova pandemia de gripe
• A food system that kills
O original encontra-se em La Jornada
Este artigo encontra-se em http://resistir.info
Texto: Silvia Ribeiro [*]

sexta-feira, 15 de maio de 2009

MOMENTO DE REFLEXÃO

Frases para refletir

"Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque esta escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o."
Buda

“Nada há encoberto que não venha a ser revelado; e oculto que não venha a ser conhecido.”

SENHOR JESUS CRISTO, Lucas 12:2

http://verdade1945.blogspot.com/2009/03/os-soldados-judeus-de-hitler.html

quinta-feira, 7 de maio de 2009

TORTURA, TORTURADOS E TORTURADORES

“Vários detidos morreram sob tortura”

Entrevista com Abdelyabar al-Kubaysi, secretário geral da Aliança Patriótica Iraquiana: IraqSolidari
Al-Basra, 28 de dezembro de 2005

Faça um resumo de seu período de detenção

Estive detido durante 16 meses no cárcere de Camp Cropper, situado no Aeroporto Internacional de Bagdá, onde também se encontra a maior base ianque do país. No início de minha detenção, os interrogadores ianques me mostraram pastas que diziam conter informações sobre mim desde 1960. Meu interrogatório durou seis meses e era, em sua quase totalidade, de caráter político. Inclusive me perguntaram sobre personalidades políticas árabes e estrangeiras. Na última parte do interrogatório me disseram que não acreditavam em nada do que lhes dizia. Minha resposta foi: "Isto é problema de vocês."
Nos primeiros seis meses de minha detenção me introduziram em uma cela construída em um habitáculo de madeira um pouco maior. Mas passei os primeiros dias em uma caixa (de madeira) onde cabia apenas meu corpo.
Depois desses 6 primeiros meses me transferiram para onde estavam os presos políticos.
Durante meu tempo de detenção eu pude falar com todos eles, com exceção de Tareq Aziz e Taha Yasín Ramadán 1, que via de longe, mas com quem nunca coincidia haver ocasião em que pudéssemos nos falar. Entre os com quem conversei muito estão Qays al-Aazami, Humam Abdel Kader, Humam Abdel Jalek, Abdel Ata-wab Hwich, Ahmed Mortada, Hus-sam Mohamed Amin, Sutam Alham-mud e Abd Hammud, além de vários oficiais dos serviços secretos iraqui-anos. Havia um total de 103 detidos neste cárcere.
Antes de nos colocar em liberdade nos perguntaram se tínhamos um destino de preferência. Eu e ou-tros cinco escolhemos Bagdá, ou- tros cinco Tikrit; outros escolheram Aman, inclusive as senhoras Huda Saleh Ammach e Rihab Taha, porque temiam ser assassinadas pelas milícias de Badr2.
Na prisão (do aeroporto de Bag-dá) há uns 65 detidos (dirigentes do governo deposto e do partido Baath) a espera de julgamento. Mas é provável que se liberte alguns deles, como Mohamed Mahdi Saleh (que foi ministro de Comércio), Abdel Atawab Hwich e Saad Abdel Majid al-Faysal (ex-funcionário do ministério do Exterior), Fadel Mahmud Gharib e Jalil Sarhan (membros da direção do Partido Baath), e Hamed Challah (comandante das Forças Aéreas). São um total de 12 os detidos que ainda não compareceram perante nenhum juiz, mas é possível que acabarão por fazê-lo no futuro.
O que caracteriza essencialmente a este centro (de detenção) é que está totalmente isolado do resto do mundo. O preso não vê mais que aos soldados ianques - ainda que posteriormente me permitiram contactar com minha família durante dez minutos a cada 40 dias e o mesmo fizeram com os demais detidos, que podiam ver sua família durante 20 minutos a cada quatro meses. Estas medidas afetavam todo mundo.



Que tratamento recebeu dos ocupantes durante os dias anteriores a sua libertação?



Antes de minha libertação os ianques pediram que eu assinasse uma declaração contra a violência e comprometendo-me a não atuar contra o governo iraquiano e as forças multinacionais de ocupação, estar contra qualquer atividade contra eles e comprometer-me de tudo isso ante as forças de segurança iraquianas, além de deixar de expressar-me politicamente nos meios de comunicação durante um ano e meio.
Perguntei-lhes se pretendiam que acabasse trabalhando como confidente e me neguei a assinar aquele documento. Também disse a um general ianque que se havia passado tanto tempo preso é porque havia rechaçado o que estavam me propondo agora, e perguntei se a estas alturas pretendiam me converter em seu espião. E acrescentei: imagina você que eu possa calar-me sobre o que se está passando em meu país? Abandonei então a sala de interrogatório e me dirigi a meu módulo. O general me seguiu e disse: "Bem, assine o que quiser e rabisque o que quiser".
Entre os pontos que continha aquele documento havia um que se referia ao "apoio a uma reconciliação nacional num Iraque unido", e outro ponto que afirmava haver "sido informado de que o partido Baath foi proscrito por lei" 3. Outro ponto fazia referência a minha "disposição de comparecer ante à justiça, se assim fosse preciso" - ainda que durante todo o tempo que durou minha detenção sempre tenha enviado cartas ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) solicitando ou minha libertação ou meu julgamento diante de um juiz iraquiano - assinei dando meu consentimento a estes pontos e rasurei os demais.
Ao sair da prisão me entregaram um certificado de ter sido detido, no qual consta um telefone pessoal para o caso de os soldados decidirem me prender novamente.



Interrogatórios



Que tipo de discussões tinhas com os interrogadores?



Os interrogatórios e seus procedimentos eram fatigantes. Os interrogadores eram mudados constantemente e as sessões duravam mais de 20 horas, tempo que sempre passávamos com as mãos e os pés amarrados e os olhos vendados. Os interrogadores estavam formados por grupos de quatro ianques da CIA ou de outras instâncias e iam mudando constantemente.
Nos pediam informações sobre a resistência ou sobre as mesquitas de Faluja e outras questões concretas. Logo as discussões passaram a ser em torno da ocupação em si e do dinheiro roubado do Iraque (lhes disse em uma ocasião que eram uns ladrões e o interrogador me contestou que isso não era verdade; seguidamente lhe joguei na cara que ele, seu pai e seu presidente eram todos ladrões)
Para justificar minha detenção os interrogadores elaboraram umas acusações que não chegavam a ser crimes, porque sabiam que não era verdade, não porque eu me negasse a confirmá-las, pois consistia em que eu me dedicava a mobilizar as forças árabes e européias contra a ocupação, ou que eu havia feito reuniões com Saddan Husseim para organizar a ação da resistência para depois da ocupação4, ou que eu era coordenador político de islamitas, sadristas5 e baathistas, além de ser um teórico político da resistência.
Um dos interrogadores me apresentou alguns escritos meus como prova de que eu era um teórico político da resistência, textos nos quais eu havia abordado alguns pontos para criar as condições da expulsão dos ocupantes. Eu não neguei que alento a resistência até a expulsão do último soldado ianque e iraniano de meu país, mas, por outro lado, disse desconhecer quem faça parte da resistência.
Assim, havia escrito em algum artigo meu que eram necessárias quatro condições para poder acabar com a ocupação:
1 ampliar a geografia da atividade armada da resistência e fazê-la crescer para que se converta em uma resistência nacional sem denominações confessionais;
2 fomentar as ações qualitativas para infligir maiores danos aos ianques, tanto a nível humano como material;
3 que o Iraque não está isolado de seu entorno, nem pela história nem pela geopolítica (regional) e que, portanto tudo o que acontece no Iraque faria efeito em toda a zona, o que levaria os governos leais ao USA no Oriente Médio a formular (à administração Bush) o risco que suporia continuar ocupando o Iraque e as consequências do fortalecimento da resistência iraquiana, de tal maneira que o USA se dará conta de que a entidade sionista na Palestina , que ele tem protegido, fazendo a guerra por ele (Israel), estará em perigo; e
4 que o USA perdeu sua credibilidade e isto levará a sociedade estadunidense a rechaçar a ocupação e a guerra no Iraque.
Logo me perguntou: "Por que não luta contra a ocupação iraniana?", e lhe respondi que a ocupação iraniana se acabará um minuto antes de sua retirada do Iraque, porque é uma ocupação velhaca que chegou depois da ianque e deixará de existir no momento em que o exército ianque desmoronar e fugir do Iraque. É uma ocupação coberta pelo capacete do soldado ianque e sustentada nos serviços secretos iranianos e em organizações e instituições controladas por esses serviços, que recebem dezenas de milhões de dólares. E ele me respondeu "Então, é possível que estale uma guerra civil?". Eu lhe disse: "retirem-se e deixe-nos matarmos entre nós. No Iraque nunca sentimos que haviam chiitas e sunitas e só começamos a escutá-lo quando vocês chegaram e trouxeram o governo iraniano de Al-Jaafari e os partidos iranianos, mas mesmo assim tudo isso terminará quando vocês se retirarem de meu país. Vocês são os inimigos agora e tua expulsão é a única saída que temos e será por meio da resistência". Logo ele me insultou e eu lhe insultei e lhe disse que não podia fazer nada comigo a não ser que me desse um tiro na cabeça.
Depois veio outro interrogador da CIA e me disse que o Iraque estava em perigo, que o USA está empantanado e repeitavam muito a análise que fazíamos da situação. Me prometeu inclusive fazê-la chegar a Washington.



Torturas



O que ocorre neste centro de detenção, sobretudo com relação à tortura?



Eu pessoalmente não vi ninguém que tenha sido torturado, salvo os casos de quatro pessoas: Taha Yasín Ramadán, vice-presidente da República, porque vi seu corpo ensanguentado e o mesmo tentando curar-se com água e sal; Jamis Sarhan, membro da direção do Partido Baath e morador de Faluja; o Dr. Hazem Achaij Arrawi, um cientista do programa biológico; e Mohamad A-Saghir, oficial dos serviços secretos. E não estou me referindo à prática habitual de vendar os olhos e amarrar as mãos nas costas dos detidos, para logo juntá-las com os pés durante dias, metidos em cubículo de madeira dentro de outro buraco pequeno e escuro. Não, não me refiro a essas práticas, que sofremos durante todos os dias do interrogatório e que eu pessoalmente também sofri.
É preciso destacar também que nem para comer nos desamarravam as mãos, nem nos tiravam as vendas dos olhos. Apenas em lugar de amarrar nossas mãos nas costas o faziam para a frente e aí era preciso comer como um cego. A comida durava dez minutos e depois as mãos voltavam a ser amarradas atrás.



Conheceu alguém que tenha sucumbido à tortura?



Sim, várias pessoas morreram sob tortura, entre eles Adel Al-Duri, que tinha mais de 60 anos e era membro da direção do partido Baath; Hamza Zubaidi, ex-primeiro-ministro, que tinha mais de 70 anos de idade; e Waddah Achaij, um oficial de serviços secretos, que tinha uns 58.



Havia quantas pessoas detidas no cárcere?



Há 103 detidos, além de membros da resistência que foram isolados em um pavilhão à parte, como eu durante os primeiros seis meses. [Este grupo] chegou a estar composto por uns 17 detidos e 9 detidas.
Quando fui libertado, eles seguiam isolados e não sabemos nada do que se lhes inflige.



Aparte a tortura, havia também tentativas de subornar os detidos? Recebeu alguma oferta nesse sentido?



Desde o começo, me ofereceram dinheiro e postos no [novo] governo. E mais, me disseram: "critique-nos, mas dê sua boa vista à participação no processo político e nas eleições [de 15 de dezembro] de 2005". Rechacei isso e assim me disseram que não ia ser posto em liberdade até que as eleições fossem celebradas, e assim foi.
Disse-lhes também que eu estou a favor da resistência e que se tivesse 30 anos lutaria contra eles. Um de seus generais me respondeu: "Forme dois batalhões e lute contra nós, mas não escreva contra nós". Aí, lhes disse: " Não sou um militar e tenho mais de 60 anos, sendo que a única coisa que posso fazer é escrever. É o que seguirei fazendo".



O que mais incomoda os detidos?



A alimentação. Os detidos sofrem de uma fome inimaginável. Era-nos servida uma colher de arroz e entre 20 ou 30 grãos de milho por detido, além de um pedaço de carne. E não estou exagerando. Quando mudavam de menú, nos davam três colheradas de macarrão. Essa é uma das preocupações dos detidos, que fica refletida em suas cartas dirigidas ao CICV.
_____________________________________
1. Respectivamente, vice-primeiro-ministro e vice-presidente do Iraque no momento da invasão.
2. As milícias de Badr são corpos paramilitares criados e fomentados no Irã. São o braço armado da chamada "revolução islâmica" e estão em semi-legalidade no Iraque.
3. Al-Kubaysi é dissidente do partido Baath há 25 anos.
4. Como secretário geral da Aliança Patriótica Iraquiana, Al-Kubaysi instou o governo de Saddam Hussein a abrir um processo de diálogo político com a oposição no exterior, não comprometida com os planos de invasão do Iraque que, depois de 12 anos de sanções, era já iminente. Al-Kubaysi voltou ao Iraque com este fim antes do início da invasão. Poucas semanas antes do início da guerra visitou o Estado espanhol.
5. Partidários de Al-Sadr, clérigo chiita, finalmente vinculado nas eleições de dezembro à lista confessional chiita hegemônica no governo anterior de Al-Jaafari.












A confissão do torturador
Eduardo Galeano
Porto Alegre 2003



Como uma compensação, o sistema de poder confessa sua verdadeira identidade através das torturas que inflige. Nas câmaras de tormento, os que mandam arrancam sua máscara.
Assim ocorre no Iraque, para citar um exemplo. Para apoderar-se do Iraque apesar dos iraquianos e contra os iraquianos, as tropas de ocupação atuam com realismo: pregam a democracia e a liberdade e praticam a tortura e o crime. Quem quer ao fim, quer aos meios. Ou por algum acaso alguém pode crer que existe outra maneira de roubar um país?
O resto é puro teatro: as cerimônias, as declarações, os discursos, as promessas e a transferência da soberania, que passa dos Estados Unidos aos Estados Unidos.
Ocorre que o poder não diz o que diz. Por exemplo: quando diz "terrorismo no Iraque", em muitos casos deveria dizer: "resistência contra a ocupação estrangeira”.
***
Quando se publicaram as fotos e estourou o escândalo, as cúpulas do poder político e militar cantaram em coro os salmos de sua auto-absolvição:
- "São casos isolados" - "São casos patológicos" - "São umas tantas maçãs podres" - "São perversos que desonram o uniforme".
Como de costume, o assassino pôs a culpa na faca.
Mas esses soldados ou policiais que enlouquecem o prisioneiro dando-lhe descargas de eletricidade, ou submergindo-lhe a cabeça em merda, ou partindo-lhe o cu, não são mais que instrumentos: funcionários que ganham o soldo cumprindo sua tarefa em horário de trabalho. Alguns trabalham com falta de vontade e outros com fervor, como essas entusiasmadas senhoritas que se fotografaram enquanto humilhavam seus torturados iraquianos e os exibiam como troféus de caça. Mas todos, os apáticos e os fervorosos, são burocratas da dor que atuam a serviço de uma gigantesca máquina de picar carne humana. Loucos? Perversos? Pode ser, mas o pretexto patológico não absolve o poder imperial que necessita da tortura para assegurar e ampliar seus domínios, porque esse poder está muito mais louco e é muito mais perverso que os instrumentos que utiliza. E nada tem de anormal que um poder atrozmente injusto se utilize de métodos atrozes para perpetuar-se.
***
Nada tem de anormal, tampouco, que esses métodos atrozes não se chamem por seu nome.
A Europa sabe que onde manda capitão não manda marinheiro. A declaração da União Européia contra as torturas no Iraque não mencionou a palavra tortura. Essa desagradável expressão foi substituída pela palavra “abusos”. Bush e Blair falaram de “erros”. Os jornalistas da CNN e de outros meios de massa não puderam utilizar a palavra proibida.
Anos antes, para que os prisioneiros palestinos fossem legalmente triturados, a Suprema Corte de Israel havia autorizado "as pressões físicas moderadas". Os cursos de torturas que há muito tempo recebem os oficiais latino-americanos na Escola das Américas denominam-se "técnicas de interrogatório". No Uruguai, que foi campeão mundial na matéria durante os anos de ditadura militar, as torturas se chamavam, e ainda se chamam, "processos ilegais".
Segundo a Anistia Internacional, a venda de aparatos de tortura no mundo é um brilhante negócio para umas tantas empresas privadas dos Estados Unidos, Alemanha, Taiwan, França e outros países, mas esses produtos industriais são "meios de autodefesa" ou "material para o controle da delinqüência".
***
Por sua vez, mencionaram sim a palavra tortura, com todas as suas letras, os pesquisadores que interrogaram a população dos Estados Unidos no ano de 2001, pouco depois da derrubada das torres de Nova Iorque. E quase a metade da população, 45 por cento, respondeu que a tortura não parecia má “se aplicada contra os terroristas que se negam a dizer o que sabem”.
Seis anos antes, no entanto, a ninguém havia ocorrido torturar o terrorista Timothy McVeigh quando ele se negou a dar o nome de seus cúmplices. A bomba que McVeigh pôs em Oklahoma matou 168 pessoas, incluindo muitas mulheres e crianças, mas era branco, não era muçulmano e havia sido condecorado na primeira guerra do Iraque, onde aprendeu a cozinhar purê de gente.
***
Contra o terrorismo, tudo vale. Isto tem proclamado o presidente Bush, em mil ocasiões; e o repetido o eco Blair. Ambos continuam brindando pelo êxito de suas cruzadas. Seguem dizendo: “O mundo é agora um lugar mais seguro”, enquanto o mundo estoura e a cada dia a violência gera mais violência e mais e mais.
***
Guantánamo é o símbolo do mundo que nos espera. Seiscentos suspeitos, alguns menores de idade, definham nesse campo de concentração. Não têm nenhum direito. Nenhuma lei os ampara. Não têm advogados, nem processos, nem condenações. Ninguém sabe nada deles, eles não sabem nada de ninguém. Sobrevivem em uma base naval que os Estados Unidos usurparam de Cuba. Supõe-se que sejam terroristas. Se são ou não são é apenas um detalhe que não tem a menor importância.
Ali foi onde o general Ricardo Sánchez ensaiou trinta e duas formas de tortura, chamadas "táticas de pressão e intimidação", que logo implantou nas prisões do Iraque.
***
Desde a derrubada das torres de Nova Iorque, a tortura vem recebendo numerosos elogios. Foi desencadeado um bombardeio de opiniões jurídicas e jornalísticas aberta ou veladamente favoráveis a este método institucional de violência, ainda que nunca, ou quase nunca, o chamem como se chama. Estas apologias da infâmia, que provêm do poder, ou de fontes próximas, sustentam que a tortura é legítima para defender a população desamparada ante as ameaças que espreitam, porque existem meios de luta de moralidade duvidosa que resultam inevitáveis contra os inescrupulosos assassinos que praticam o terrorismo e o promovem e que jamais dizem a verdade.
Mas, se foi assim, quem havia de torturar? Quem são os homens que mais têm mentido neste século XXI? Quem são os que mais inocentes têm matado, sem nenhum escrúpulo, em suas guerras terroristas do Afeganistão e Iraque? Quem são os que mais têm contribuído à multiplicação do terrorismo no mundo?
***
Agora abundam os surpreendidos e os indignados, mas a tortura não foi utilizada por erro nem por casualidade contra a população iraquiana. As tropas de ocupação a empregaram como era costume, por ordens muito superiores, sabendo do que faziam e para quê o faziam.
Para quê? Não há nenhuma prova de que a tortura tenha servido para evitar um só atentado terrorista. No caso do Iraque, nem sequer tem sido útil para capturar algum dos foragidos importantes. E mais, Saddam Hussein não caiu graças à tortura, e sim graças ao dinheiro que comprou um delator.
A tortura arranca informações de escassa utilidade e confissões de improvável veracidade. E, no entanto, é eficaz. Por isso foi aplicada e se continua aplicando: o que é eficaz é bom, segundo os valores que regem o mundo. A tortura é eficaz para castigar heresias e humilhar dignidades, e sobretudo é eficaz para semear o medo. Bem o sabiam os monges da Santa Inquisição e bem o sabem os chefes guerreiros das aventuras imperiais de nosso tempo: o poder não emprega a tortura para proteger a população, e sim para aterrorizá-la.
Será tão eficaz quanto o poder crê que seja?<>


Tradução: Tiago Soares


22/07/2004





Iraque
Saddam Hussein acusa EUA de mentir sobre tortura
Agência ANSA
Quinta-feira, 22/12/2005 - 12:17


Bagdá - O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein acusou hoje os Estados Unidos de "mentir" quando afirma que não foi torturado nas mãos dos carcereiros, assim como "mentiram sobre as armas químicas no Iraque".




A informação foi dada esta manhã pelo Tribunal Especial de Bagdá, onde foi retomado o processo contra ele pela matança de 148 xiitas na cidade de Dujail em 1982.




"Na Casa Branca são uns mentirosos", disse Saddam, que entrou no cercado destinados aos réus com uma cópia do Alcorão nas mãos.




"Disseram que o Iraque tinha armas químicas. Mentiram de novo agora, fingindo que não apanhei", expressou o ex-presidente, que está sendo julgado junto a sete de seus ex-funcionários de governo. Na audiência de ontem, quarta-feira, a sexta desde o início do processo em 19 de outubro, Saddam assegurou ter sido "torturado e apanhado" por seus carcereiros norte-americanos, e que ainda tem "marcas em todo o corpo".
Horas mais tarde o porta-voz da Casa Branca Scott McClellan expressou que as afirmações do ex-presidente "eram a coisa mais absurda" que já haviam escutado.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

HOMENAGEM AO POVO PALESTINO



Poesia Palestina de Combate

Talvez perca — se desejares — minha subsistência
Talvez venda minhas roupas e meu colchão
Talvez trabalhe na pedreira... como carregador... ou varredor
Mas não me venderei,
Ó inimigo do sol
E até a última pulsação de minhas veias
Resistirei
Talvez me despojes da última polegada da minha terra
Talvez aprisiones minha juventude
Talvez me roubes a herança de meus antepassados
Talvez queimes meus poemas e meus livros
Talvez apagues todas as luzes de minha noite
Talvez me prives da ternura de minha mãe
Talvez falsifiques minha história
Talvez ponhas máscaras para enganar meus amigos
Talvez levantes muralhas e muralhas ao meu redor
Talvez me crucifiques um dia diante de espetáculos indignos
Mas não me venderei
Ó inimigo do sol
E até a última pulsação de minhas veias
Resistirei
Ó inimigo do sol
O porto transborda de beleza... e de signos
Botes e alegrias
Clamores e manifestações
Os cantos patrióticos arrebentam as gargantas
E no horizonte... há velas
Que desafiam o vento... a tempestade e franqueiam os obstáculos
É o regresso de Ulisses
Do mar das privações
O regresso do sol... de meu povo exilado
E para seus olhos
Ó inimigo do sol
Juro que não me venderei
E até a última pulsação de minhas veias
Resistirei
Resistirei
Resistirei
Samih Al-Qassin



Nota do blog: Observe a degradação e a mutilação da Palestina (reduzida a enclaves - a Faixa de Gaza é a maior prisão a céu aberto do mundo), leia o texto abaixo e saiba porque o terrorismo de estado israelense não tem nenhuma intenção de reconhecer os direitos nacionais palestinos.
Israel não tem nenhuma intenção de admitir um estado palestino: Se o Hamas não existisse, por Jennifer Loewenstein
Deixemos uma coisa perfeitamente clara. Se a degradação e a mutilação por atacado da Faixa de Gaza for continuar; se a vontade de Israel é uma com a dos Estados Unidos; se a União Européia, a Rússia, as Nações Unidas e todas as organizações e agências legais internacionais espalhadas pelo globo vão continuar sentadas como manequins ocos sem fazer nada a não ser os repetidos “chamados” por um “cessar-fogo” de “ambos os lados”; se os covardes, obsequiosos e supinos Estados Árabes vão continuar de braços cruzados vendo seus irmãos serem trucidados de hora em hora enquanto a Super-Potência valentona do mundo olha-os ameaçadoramente de Washington, no caso de que digam qualquer coisinha que a desgoste; então vamos pelo menos dizer a verdade sobre por que está tendo lugar este inferno na terra.

O terror de estado disparado neste momento dos céus e do chão contra a Faixa de Gaza não tem nada a ver com o Hamas.

Não tem nada a ver com o “Terror”.

Não tem nada a ver com a “segurança” a longo prazo do Estado Judeu ou com o Hezbolá, a Síria ou o Irã, exceto na medida em que agrava as condições que levaram até a crise de hoje. Não tem nada a ver com alguma conjurada “guerra” -- um eufemismo cínico e gasto que não representa mais que a escravização por atacado de qualquer nação que ouse reclamar seus direitos soberanos; que ouse afirmar que seus recursos são seus; que não queira uma das obscenas bases militares do Império assentada em suas queridas terras.

Esta crise não tem nada a ver com liberdade, democracia, justiça ou paz.

Não é sobre Mahmoud Zahhar ou Khalid Mash'al ou Ismail Haniyeh.

Não é sobre Hassan Nasrallah ou Mahmoud Ahmadinejad.

Eles são todos peças circunstanciais que ganharam um papel na tempestade atual só agora, depois de que se permitiu por 61 anos que a situação se desenvolvesse até a catástrofe que é hoje.

O fator islamista coloriu e continuará a colorir a atmosfera da crise; ele alistou líderes atuais e mobilizou amplos setores da população do mundo.

Os símbolos fundamentais hoje são islâmicos – as mesquitas, o Alcorão, as referências ao profeta Maomé ou à Jihad. Mas esses símbolos poderiam desaparecer e o impasse continuaria.Houve uma época em que o Fatah e a FPLP eram a bola da vez, quando poucos Palestinos queriam ter qualquer coisa a ver com políticas ou medidas islamistas. Esta política não tem nada a ver com foguetes primitivos sendo lançados do outro lado da fronteira ou com túneis de contrabando ou com o mercado negro de armas, assim como o Fatah de Arafat tinha pouco a ver com as pedras e os atentados suicidas a bomba. As associações são contingentes; criações de um dado ambiente político. Elas são o resultado de algo completamente diferente do que os políticos mentirosos e seus analistas estão lhe dizendo. Elas se tornaram parte da paisagem dos acontecimentos humanos no Oriente Médio de hoje; mas incidências tão letais, ou tão recalcitrantes, mortais, enraivecidas ou incorrigíveis poderiam muito bem ter estado em seus lugares.Descasque os clichês e o blá-blá-blá estridente e vazio da mídia servil e de seu patético corpo de servidores estatais voluntários no mundo ocidental e o que você encontrará é o desejo nu de hegemonia, de poder sobre os fracos e de domínio sobre a riqueza do mundo. Pior ainda, você encontrará o egocentrismo, o ódio e a indiferença, o racismo e a intimidação, o egoísmo e o hedonismo que tentamos tanto mascarar com nosso jargão sofisticado, nossas teorias e modelos acadêmicos refinados, que na verdade ajudam a guiar nossos desejos mais feios e baixos. A insensibilidade com que nos rendemos a eles já é endêmica à nossa cultura; nela floresce como moscas sobre um cadáver.Descasque os atuais símbolos e linguagem das vítimas dos nossos caprichos egoístas e devastadores e você encontrará os gritos desafetados, simples e cheios de paixão dos pisoteados; dos “condenados da terra” implorando para que você cesse sua agressão fria contra suas crianças e seus lares; suas famílias e seus vilarejos; implorando que os deixe em paz para que tenham seu peixe e seu pão, suas laranjas, suas olivas e seu tomilho; pedindo primeiro educadamente e depois com crescente descrença no porquê de você não poder deixá-los viver sem serem incomodados nas terras de seus ancestrais, sem serem explorados, livres do medo de serem expulsos, violados ou devastados; livres dos carimbos e dos bloqueios de estrada e dos postos policiais de controle e cruzamentos; dos monstruosos muros de concreto, torres de guarda, bunkers de concreto e arame farpado; dos tanques, das prisões, da tortura e da morte.

Por que é impossível a vida sem essas políticas e instrumentos do inferno?

A resposta é: porque Israel não tem qualquer intenção de permitir um estado palestino viável e soberano ao lado de suas fronteiras.

Não tinha qualquer intenção de permiti-lo em 1948, quando arrancou 24% mais terra do que havia sido legal, ainda que injustamente, alocado pela Resolução 181 das Nações Unidas.

Não tinha qualquer intenção de permiti-lo ao longo dos massacres e complôs dos anos 1950. Não tinha qualquer intenção de permitir dois estados quando conquistou os 22% que restavam da Palestina histórica em 1967 e reinterpretou a Resolução 248 do Conselho de Segurança da ONU a seu bel prazer, apesar do esmagador consenso internacional que estabelecia que Israel receberia completo reconhecimento internacional dentro de fronteiras reconhecidas e seguras se recuasse das terras que havia recentemente ocupado.

Não tinha qualquer intenção de reconhecer direitos nacionais palestinos nas Nações Unidas em 1974, quando – sozinho com os Estados Unidos – votou contra uma solução biestatal.

Não tinha qualquer intenção de permitir um acordo de paz completo quando o Egito estava pronto para realizar, mas só recebeu, e obedientemente aceitou, uma paz separada que excluía os direitos dos palestinos e dos outros povos da região. Não tinha nenhuma intenção de trabalhar na direção de uma solução biestatal justa em 1978 ou em 1982, quando invadiu, bombardeou, esmigalhou e demoliu Beirute para que pudesse anexar a Cisjordânia sem ser incomodado. Não tinha qualquer intenção de admitir um estado palestino em 1987, quando a primeira Intifada se espalhou pela Palestina Ocupada, na Diáspora e nos espíritos dos despossuídos do mundo, ou quando Israel deliberadamente auxiliou o nascente movimento Hamas, como forma de implodir a força das facções mais seculares-nacionalistas.Israel não tinha qualquer intenção de admitir um estado palestino em Madrid ou em Oslo, quando a OLP foi superada pela trêmula e titubeante Autoridade Palestina, muitos de cujos chapas perceberam a riqueza e o prestígio que ela lhes dava, às custas dos seus. Enquanto Israel alardeava nos microfones e satélites do mundo o seu desejo de paz e de uma solução biestatal, ele mais que duplicava os assentamentos colonizadores judeus, ilegais, nas terras da Cisjordânia e em volta de Jerusalém Oriental, anexando-as na medida em que construía e continua a construir uma superestrutura de estradas e autopistas sobre as cidades e vilarejos sobreviventes, picotados da Palestina. Anexou o Vale do Jordão, a fronteira internacional da Jordânia, expulsando quaisquer dos “nativos” que habitassem a terra. Fala com uma língua de víbora sobre os múltiplos amputados da Palestina, cujas cabeças serão logo arrancadas do corpo em nome da justiça, da paz e da segurança.Através das demolições de casas, dos ataques à sociedade civil que tentavam lançar a cultura e a história palestinas num abismo de esquecimento; através da indizível destruição dos cercos aos campos de refugiados e dos bombardeios à infraestrutura na Segunda Intifada, através dos assassinatos e das execuções sumárias, pela grandiosa farsa do desengajamento até a nulificação das eleições livres, democráticas e justas da Palestina, Israel já nos fez saber qual é a sua visão, uma e outra vez, na linguagem mais forte possível, a línguagem do poder militar, das ameaças, das intimidações, do acosso, da difamação e da degradação.Israel, com o apoio aprovador e incondicional dos Estados Unidos, já deixou dramaticamente claro ao mundo todo, várias vezes, repetindo em ação atrás de ação que não aceitará um estado palestino viável ao lado de suas fronteiras. O que mais é preciso para que escutemos? O que será necessário para terminar com o silêncio criminoso da “comunidade internacional”? O que será preciso para ver mais além das mentiras e da doutrinação acerca do que tem lugar diante de nós, dia após dia, claramente, no raio de visão dos olhos do mundo? Quanto mais horrorosas as ações no terreno, mais insistentes são as palavras de paz. Ouvir e assistir sem escutar nem ver permite que a indiferença, a ignorância e a cumplicidade continuem e aprofundem, a cada túmulo, a nossa vergonha coletiva.A destruição de Gaza não tem nada a ver com o Hamas.

Israel não aceitará qualquer autoridade nos territórios palestinos que ele, em última instância, não controle. Qualquer indivíduo, líder, facção ou movimento que não aceda às exigências de Israel ou que busque genuína soberania e igualdade de todas as nações da região; qualquer governo ou movimento popular que exija a aplicabilidade da lei humanitária internacional e a declaração universal dos direitos humanos para seu próprio povo será inaceitável para o Estado Judeu. Aqueles que sonham com um estado devem ser forçados a perguntarem-se: o que Israel fará com uma população de 4 milhões de palestinos dentro de suas fronteiras, quando comete crimes diários, se não a cada hora, contra a humanidade coletiva deles enquanto eles vivem ao lado de suas fronteiras? O que fará mudar de repente a razão de ser, o autoproclamado objetivo e razão de existência de Israel se os territórios palestinos forem anexados a ele totalmente?O sangue de vida do Movimento Nacional Palestino jorra hoje pelas ruas de Gaza. Cada gota que cai rega a terra da vingança, do ressentimento e do ódio não só na Palestina, mas em todo o Oriente Médio e em boa parte do mundo. Nós temos uma escolha sobre se isso deverá continuar ou não. Agora é a hora de escolher.
Jennifer Loewenstein é Diretora Associada do Centro de Estudos do Oriente Médio de uma das principais universidades públicas norte-americanas, a de Wisconsin em Madison. Ela trabalhou durante meses, em 2002, no Centro Al Mezan de Direitos Humanos, em Gaza. Retornou a Gaza várias vezes desde então. Original, em inglês, aqui. Tradução ao português de Idelber Avelar. Ilustrações, daqui.

CONFISSÃO DE UM TERRORISTA
Ocuparam minha pátria
Expulsaram meu povo
Anularam minha identidade
E me chamaram de terrorista
Confiscaram minha propriedade
Arrancaram meu pomar
Demoliram minha casa
E me chamaram de terrorista
Legislaram leis fascistas
Praticaram odiado apartheid
Destruíram, dividiram, humilharam
E me chamaram de terrorista
Assassinaram minhas alegrias,
Seqüestraram minhas esperanças,
Algemaram meus sonhos,
Quando recusei todas as barbáries
Eles... mataram um terrorista!
Mahmoud Darwish
Para justificar-se, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.
Eduardo Galeano
Poesia da Resistência Palestina
Por Intifada Viva
A poesia palestina representa, um brado de combate e esperança para os palestinos que vivem sob a ocupação de Israel ou no exílio.
A poesia palestina representa, um brado de combate e esperança para os palestinos que vivem sob a ocupação de Israel ou no exílio. Apesar da forte repressão à arte popular
A "democracia israelense" não suporta que os palestinos cantem, disse uma vez o poeta Tawfic Zayyad o poema é, de longe, o mais popular gênero da literatura palestina.
Isto pode ser em parte atribuído à forte tradição oral da sua cultura.
Houve, desde o início, uma vontade de simplicidade na poesia de resistência.
Os artifícios de linguagem em favor da estética foram postos de lado.
O poeta Mahmud Darwish expressou claramente isso num de seus primeiros versos:
Se os mais humildes não nos compreendem será melhor jogar fora os poemas e ficarmos calados.
O poeta diz: se meus versos são bons para meus amigos e enfurecem os meus inimigos então é que sou mesmo poeta e devo continuar cantando.
Fontes: Poesia Palestina da Resistência , edição OLP/Brasil, 1986
COM OS DENTES
Tawfiq Zayyad
Com os dentes
Defenderei cada polegada da minha pátria
Com os dentes
E não quero nada em troca dela
Mesmo que me deixem pendurado
Nas minhas veias
Aqui permaneço
Escravo do meu amor...
à cerca da minha casa Ao orvalho...e às géis flores do campo
Aqui continuo
E não poderão derrubar-me
Todas as minhas dores
Aqui permaneço
Com vocês
No meu coração
E com os dentes
Defenderei cada polegada da terra da pátria
Com os dentes

terça-feira, 28 de abril de 2009

REFLEXÕES DA MADRUGADA

A Paciência é diretamente proporcional ao Propósito. Se você realmente quer,
sabe o que quer,você tem Paciência
*******
O HOMEM PRETENDE SER IMORTAL E PARA ISSO DEFENDE PRINCÍPIOS EFÊMEROS. UM DIA,INEXORAVELMENTE, DESCOBRIRÁ QUE PARA SER IMORTAL DEVERÁ DEFENDER PRINCÍPIOS ABSOLUTOS.NESTE DIA, MORRERÁ PARA A CARNE, EFÊMERA, E VIVERÁ PARA O ESPÍRITO, ETERNO. SERÁ IMORTAL
*******
Conta certa lenda, que estavam duas crianças
patinando num lago congelado. Era uma tarde nublada
e fria e as crianças brincavam despreocupadas.
De repente, o gelo se quebrou
e uma delas caiu,ficando presa na fenda que se formou.
A outra, vendo seu amiguinho preso
e se congelando, tirou um dos patins
e começou a golpear o gelo com todas
as suas forças, conseguindo por fim
quebrá-lo e libertar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram
e viram o que havia acontecido,perguntaram ao menino:
- Como você conseguiu fazer isso?
É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo,
sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis!
Nesse instante, um ancião que passava pelo local,comentou:
- Eu sei como ele conseguiu.
Todos perguntaram:
- Pode nos dizer como?
- É simples - respondeu o velho.
- Não havia ninguém ao seu redor,
para lhe dizer que não seria capaz.
Autoria desconhecida

domingo, 26 de abril de 2009

RESISTÊNCIA NACIONAL IRAQUIANA LEGÍTIMA REPRESENTANTE DO POVO IRAQUIANO

É motivo de júbilo para todos os povos, a valentia e a coragem do Povo Iraquiano
Faz-se mister reforçar a saudação à Heróica Resistência do Povo Iraquiano, Palestino e todos os Povos que combatem por sua Liberdade em todo o Mundo.

Viva a Heróica Resistência do Povo Iraquiano

Porta-voz da Resistência Iraquiana esteve em Lisboa


A Resistência Iraquiana não se deixa iludir pelas promessas de Obama. E continuará a lutar até à saída do último soldado estadunidense e à justa indenização do Povo Iraquiano pelos danos e os crimes dos EUA.
A convite do Tribunal-Iraque, esteve em Lisboa, o Dr. Abu Mohamad, médico iraquiano exilado na Síria, porta-voz oficial da Frente Nacional da Resistência Iraquiana (FNRI).

Num encontro informal com activistas da solidariedade com o Iraque, explicou a evolução da situação politica e militar no terreno e o programa político da Resistência.

O Dr. Abu Mohamad usou de forma sistemática a palavra colonização para se referir à ocupação do seu país pela coligação dos EUA.
O Passa Palavra, dada a importância da situação no Iraque e da Resistência Popular daquele país ao invasor-ocupante, limita-se aqui a transcrever os principais aspectos da intervenção e das respostas de Abu Mohamad às questões que lhe foram colocadas, em que sublinhou que a ocupação não é apenas militar.


“A ocupação é uma colonização”

“Não se tratou apenas de uma colonização militar. Se fosse assim, derrubava Saddam Hussein e saía do Iraque.

Sabemos que a presença americana era para um projecto mais alargado, no Iraque, na zona e, se calhar, no mundo inteiro. Por isso destruiu o Estado Iraquiano e as cidades iraquianas. Destruiu todas as instituições nacionais, para pôr no [seu] lugar instituições americanas.
“Essas instituições, as políticas sociais, os valores sociais fundamentais que os iraquianos sempre aprenderam – foi tudo mudado. Há uma estratégia para colocar novos valores e éticas na sociedade iraquiana. Foi instalado um governo, um parlamento, para realizarem este projecto. Acordos políticos, leis novas, para garantir os interesses americanos no Iraque.
“Uma das primeiras causas para eles estarem lá é controlarem o petróleo.
O Iraque está em cima de um lago de petróleo e tem as maiores reservas mundiais, em primeiro lugar antes da Arábia Saudita.
“Mas não tem só riqueza em petróleo. Tem uma grande riqueza histórica, um valor enorme na história e na origem da civilização humana.
Com mais de 7 mil anos de história, foi durante muitos séculos a capital do mundo e as primeiras civilizações nasceram lá.
“Hoje, quem tem o controle do petróleo tem o controle da energia básica do mundo que é o pilar da economia. Controlar a economia internacional é controlar o bocadinho de pão que vai haver para toda a gente neste momento.
“É este o primeiro objectivo da América com a colonização do Iraque.”

Resistência desde a primeira hora

A resposta do Povo Iraquiano a esta ocupação-colonização foi desencadeada desde a primeira hora, sem hesitações. Primeiro consistiu em atrasar o processo de colonização, com a resistência ainda organizada numa multitude de pequenos grupos dispersos.
Numa segunda fase, com o esforço de unificação politico-militar desses grupos, foi-se definindo um projecto político próprio da Resistência, com as condições para a retirada dos ocupantes e para o período de transição pós-retirada, assim como o tipo de regime (democrático e laico) a vigorar em seguida.

“Os EUA ficaram paralisados, sem solução, graças à Resistência e às baixas que causou.

Os números que vou referir são do Pentágono: há mais de 4.500 soldados mortos e 40.800 feridos. Destes, 3.000 morreram depois e 2.000 ficaram com problemas mentais. Mas os números da Resistência ultrapassam estes, porque o Pentágono não conta com os seguranças privados.

“A Resistência já neutralizou mais de um terço das forças armadas americanas, e causou muitos danos na economia americana, que foram uma das razões que levaram à crise económica mundial que está a causar o desemprego em todo o lado.
Os relatórios da administração americana dão conta de que os custos desta guerra chegam a 2 triliões de dólares. Cada hora que passa custa 10 milhões de dólares.”

O que é a Resistência Iraquiana?

“A Resistência Nacional Iraquiana tem um papel enorme nisto tudo, porque conseguiu pôr um travão no projecto de colonização global americano.
“A Resistência representa todo o Povo Iraquiano. Não está a lutar contra os americanos por serem americanos. Está a lutar contra os americanos por estarem a colonizar o nosso país.
Abrange todas as classes e todas as componentes da sociedade.
Há árabes, há curdos, há turcomanos; há muçulmanos, há cristãos.

Tem o apoio de 90% do Povo Iraquiano.

Estes dados foram anunciados pela CNN e pela USA Today.
Perguntaram aos iraquianos – muçulmanos, xiitas, sunitas, curdos, árabes – e chegaram à conclusão de que os que recusam a colonização americana representam 89% do Povo Iraquiano.

“A Resistência começou com facções divididas - como primeira reacção à colonização do exército americano – que já se começaram a unir para formarem duas frentes de luta.

“A Frente Nacional Islâmica do Iraque, com 36 secções militares e representação dos partidos que estão contra a presença americana, representa a maioria da resistência. Fazem parte dela a maioria dos moderados iraquianos, mesmo os sunitas cristãos.
A segunda frente, menos de 10% da Resistência, é composta por facções islamistas, com tendência para serem fundamentalistas.
O que une a Frente Nacional (que represento) e a Frente Islamista é o objectivo comum: libertar o nosso país.”

Um programa político para um Iraque livre

“A Frente Nacional Iraquiana tem um programa político muito claro. Tanto para a luta pela libertação, como para depois da colonização.
A cultura geral dos iraquianos é uma cultura humanista moderada.
Suponho que, quando houver eleições depois da partida das tropas, quem vai ganhar vai ser a Frente Nacional porque representa melhor a maneira de ver e de pensar dos Iraquianos.

“É por isso que o Programa da Frente Nacional Islâmica do Iraque, em que a maior força é o Partido Baas Nacional Iraquiano, tem como base:

libertar o Iraque, uma libertação total e completa. Organização do Iraque, o Estado e o povo. Libertação dos reféns e dos prisioneiros das prisões do governo iraquiano e das dos americanos. Anulação de todas as leis e decisões tomadas durante a colonização. Depois, a instalação de um regime iraquiano democrático, com participação dos partidos não comprometidos com a colonização. Terá de haver um período transitório de dois anos, com num governo provisório, para anular as consequências da colonização, instalar os serviços para os cidadãos iraquianos e preparar uma Constituição iraquiana independente da presença americana; bem como estabelecer uma lei que organize a vida dos partidos e as eleições. E, depois, realizar eleições.

“A FNI manterá as melhores relações com os países da zona e garante os interesses internacionais e a amizade com todos os povos da região e do mundo. E mesmo os interesses dos EUA, se aceitarem indenizar o Povo Iraquiano e pedir-lhe desculpas por todos os crimes cometidos contra ele.”
Obama pode estar muito enganado

“O novo presidente dos EUA tinha prometido na campanha eleitoral retirar as tropas e acabar com a colonização do Iraque.
O texto de Obama diz: “Vou entregar o Iraque ao seu povo”.
Se o senhor Obama considerar que o povo do Iraque são o presidente do actual governo e as pessoas que o rodeiam – todos sabem que essas pessoas estão ao serviço da colonização –, então deve estar completamente enganado relativamente à realidade.

O Povo Iraquiano é representado pela Resistência Iraquiana e por aqueles que a apoiam que, como já disse, são 90% da população.

“Segundo as leis internacionais, neste momento não há nada legítimo no Iraque a não ser a Resistência.

O artigo 51º da Carta das Nações Unidas diz que, quando um país está colonizado por parte de outro Estado, a resistência é completamente legal e legítima. E tudo o que for feito pela colonização é ilícito.”

Uma invasão baseada em mentiras, uma ocupação ilegal e desumana

“A colonização americana foi um acto ilegal, baseado em razões que já se provou que eram erradas. Falou-se de armas de destruição massiva e já se provou que não havia essas armas. Quanto à relação entre o regime iraquiano e a Al-Qaida, já está provado que não havia nenhuma. Disse-se que eles foram lá para estabelecer a democracia porque tínhamos um regime ditatorial.

Essa democracia transformou-se em crimes e em roubo de receitas públicas, em violações das mulheres e falta de respeito pelos direitos humanos; deslocação de mais de 5.000 iraquianos, a maioria estudiosos, cientistas, levados a sair do país. Mais de 5.000 médicos, engenheiros, professores, assassinados. Mais de um milhão e meio de iraquianos mortos. Mais de três milhões de pessoas perseguidas, com a acusação de pertencerem ao Partido Baas – a maioria delas com nível universitário. Um milhão de viúvas e de órfãos.”

Destruição da economia, dos serviços e do ambiente

“As fábricas foram fechadas, foi desinstalada a maioria das máquinas e ninguém sabe onde estão. A maioria dos médicos e dos engenheiros, pessoas com possibilidade de produzir, estão no desemprego. A percentagem do desemprego é de 62%.
“Não há agricultura. Tudo é importado do Irão, da Síria, da Jordânia – mesmo bens de base como tomates, cebolas. Não há serviços. Não há electricidade há seis anos. Os geradores, básicos para ter electricidade, não podem funcionar porque não há energia. É irónico dizer-se que o Iraque está em cima de um lago de petróleo e nem sequer termos uma gotinha de combustível em casa para termos energia. Todas as fábricas de acessórios foram destruídas.

“Estão a roubar o petróleo bruto sem darem conta a ninguém; não há registo das quantidades de petróleo que estão a sair do Iraque.

Em 1989, o Iraque recebeu o prémio para o melhor sistema de saúde no Médio Oriente, dado pela Organização Mundial de Saúde, em função do número de médicos, do rendimento, dos diplomas, tendo em conta o número de hospitais existentes e os serviços oferecidos aos cidadãos. Já não havia doenças contagiosas no Iraque há muito tempo. Hoje, por causa das águas mal tratadas, começamos a ter epidemias, problemas do fígado, e outras doenças que já não tínhamos há muito tempo. O nível dos serviços médicos no Iraque está numa decadência total, e continua porque já não temos médicos, já foram mortos ou perseguidos mais de 7.000 médicos, a maioria deles estão fora do Iraque, nem temos meios básicos para prestar serviços médicos adequados às pessoas.


“O ambiente está completamente poluído por causa do urânio e do fósforo branco usado pelos americanos na invasão. Há muitos casos de pessoas com cancro ou com problemas genéticos.

“Como é que é possível, depois disto tudo, continuarem a dizer que estão lá para instalar a democracia?

O próprio George Bush admitiu que as informações que tinha para desencadear esta guerra eram informações erradas.”

O governo de Obama não está interessado em acabar com a colonização do Iraque

“Então, não seria justo, não seria o mínimo, o actual presidente admitir que esta guerra foi errada e pedir desculpa ao Povo Iraquiano?
A um país que foi completamente destruído?

Não é um direito do Iraque e dos iraquianos, segundo as leis internacionais, não é um direito da humanidade ver os responsáveis por estes crimes serem julgados?
E que o povo seja indenizado por tudo o que sofreu?

“O senhor Obama não admitiu o erro cometido com esta guerra no seu discurso, quando falou da situação no Iraque. Mas disse que vai deixar 50.000 soldados até ao fim de 2011.
O ministro da Defesa americano disse que é possível ficarem para além de 2011.

“O senhor Obama não falou dos mais de 200.000 soldados que não pertencem às forças armadas e que estão a actuar no Iraque.

Vão também sair até 2011?
Participam em todos os combates ao lado das forças armadas. Têm armas, tanques, aviões, capacidade para ferir as pessoas e garantir a segurança das cidades onde estão. Qual é o interesse de retirar 100.000 soldados e deixar mais de 200.000 – cuja morte não é anunciada nas fontes oficiais, porque não têm nacionalidade americana, mas são pagos pelas forças americanas para garantir a sua presença lá?

“Esta é a posição da Resistência perante o último discurso do senhor Obama.
Não falou do destino de 50 bases aéreas que estão no Iraque – três delas consideradas das maiores no mundo. Helicópteros e aviões militares. Milhares de soldados, conselheiros, responsáveis americanos colocados nos ministérios e nas instituições políticas do actual governo iraquiano. Que será feito desses? Vão continuar no Iraque?

“Não é isto suficiente para concluir que a administração Obama não está interessada em acabar com a colonização do Iraque?
E que vão continuar esta colonização sangrenta?
Então?
Acham que nós já não temos razão para continuar a nossa luta, a nossa Resistência?”

A Resistência continua

O Povo Iraquiano vai continuar a luta, sejam quais forem os sacrifícios e as perdas.Até à saída do último soldado americano. Este é o único caminho para nos salvarmos.

“Os americanos estão a retirar os soldados das ruas, porque têm medo da Resistência, mas passaram a utilizar aviões para se deslocarem dentro do território iraquiano. Ainda ontem houve um ataque a uma cidade e foram presos muitos cidadãos, com a explicação de que estavam ali responsáveis da Resistência, informações que têm através de pessoas que trabalham para as forças armadas americanas.

“Se a nova administração americana respeita a legislação internacional, se está mesmo interessada em respeitar os valores humanos e as exigências dos conflitos internacionais – tal como o senhor Obama disse na rádio, que ‘vai difundir os verdadeiros valores americanos’ –, então será uma prova de coragem assumir a responsabilidade desta guerra que o senhor Bush iniciou. E que respeite realmente os direitos do Povo Iraquiano. E que o Iraque e o seu povo sejam indenizados pelos danos que sofreram. E que se afastem completamente do Povo Iraquiano. E que tenham negociações com a Resistência Nacional Iraquiana. Para que possamos instalar um novo regime iraquiano democrático. Para que possamos evitar a presença iraniana e o terrorismo no nosso território.

“A Resistência Nacional, quando estiver no poder, vai lutar contra o extremismo iraniano e o terrorismo, para que o Iraque possa ter a sua serenidade. E toda a zona também. Para que possamos garantir todos os interesses dos países nesta região com um valor enorme para todos. Se acontecer o contrário, os conflitos vão continuar nesta zona. E toda a gente vai perder os interesses que tem naquela zona.”

O aliciamento de chefes de tribo para o lado dos EUA

Para tentarem suprir as enormes dificuldades que os impedem de controlar grandes regiões do país, os ocupantes lançaram em 2007 uma campanha de aliciamento de chefes tribais para, a troco de dinheiro, se encarregarem de organizar o enfrentamento e o policiamento locais contra a Resistência. É o chamado Movimento Despertar. Baseia-se numa estrutura tradicional das tribos, com costumes e chefes próprios, que o regime do Baas conseguira secundarizar num primeiro tempo, com a laicização do Estado e a democratização dos serviços e dos sistemas de educação, transportes e saúde pública. Todavia, durante os 12 anos de embargo imposto ao país, entre 1991 e 2003, o próprio Saddam recuperou essa estrutura do tecido social como forma de compensar o deperecimento do Estado central.
Questionado sobre o Movimento Despertar, Abu Mohamad disse que “os americanos não estão a conseguir resolver os problemas de maneira militar. Já não conseguem deter a Resistência. Sendo assim, têm de procurar outras soluções. Pagam milhares de dólares aos chefes de tribos iraquianas para conseguirem apoio. Distribuem armas e fazem alianças, a que chamam “Sahwat” [Despertar], com o objectivo de dividir o povo e fomentar a guerra civil. Incentivam estes chefes para que sejam eles a perseguir a Resistência Nacional Iraquiana. E usam o termo de sempre: “terroristas”.
Antes da colonização não se falava de terrorismo, não tínhamos nada a ver com as redes terroristas. O terrorismo veio com a colonização, com as tropas americanas.
A Resistência Nacional não tem nada a ver com o terrorismo. Está contra o terrorismo e luta com todos meios contra o terrorismo e os terroristas. Foram os americanos que implantaram o terrorismo no Iraque para tentarem destruir os primeiros movimentos da Resistência. Agora lançaram este movimento que se chama Sahwat, comprando os acordos com milhares de dólares, dizendo aos iraquianos que devem lutar contra o terrorismo.
Infelizmente algumas tribos iraquianas integraram-se nesta união porque nas suas regiões não há trabalho, não há nada para fazer. Como já foi dito, mais de 60% dos iraquianos estão desempregados.

“Nós já sabíamos que os americanos estavam a jogar esta carta para dividir o povo iraquiano. A maioria dos que fizeram parte desta organização Sahwat, já deixou de trabalhar a favor das forças americanas. O resto são pessoas que são mesmo compradas pelo dinheiro americano.”

Os sindicatos iraquianos

Questionado acerca da situação dos trabalhadores e do papel dos sindicatos no Iraque actual, Abu Mohamad respondeu: “Segundo a lei internacional, todas as organizações – políticas, desportivas, etc. – criadas pela colonização são ilegais e não têm legitimidade para funcionar. Com a colonização, todos os sindicatos iraquianos deixaram de existir. Não existem por causa de tudo o que aconteceu, a deslocação, a morte das pessoas, as condições complicadas que se estão a viver. E todos os partidos que vieram com a colonização ajudaram a dividir estas associações segundo os interesses de cada partido, independentemente do interesse geral. Chegaram a usar armas entre essas instituições, segundo o interesse dos partidos. Sendo assim, todas as instituições sindicais já estão destruídas.

“Além disso, os Iraquianos não precisam de sindicatos, sobretudo ao nível dos funcionários, dos trabalhadores e dos agricultores. Agora, para trabalhar, a única hipótese é fazer parte do corpo de polícia ou das forças armadas. Todas as fábricas foram destruídas. E o desemprego representa mais de 60%. Então qual é a nossa necessidade de ter sindicatos?

“A função principal dos sindicatos é defender os interesses dos trabalhadores e dos agricultores perante um regime político.
No Iraque, não temos o nosso regime, não temos o nosso Estado, e não temos trabalhadores nem agricultores. Esta é a nossa realidade no Iraque.”