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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

SOLIDARIEDADE COM O POVO HONDURENHO. NÃO À FARSA ELEITORAL APOIADA PELOS EUA

«A PÁTRIA DA DEMOCRACIA» Em todo o lado onde os EUA se metem há sempre democracia à fartazana - ou não fossem os EUA, como os média dominantes nos dizem todos os dias, «A PÁTRIA DA DEMOCRACIA»...Não vou falar do Afeganistão, nem do Iraque, nem do Médio Oriente, nem da ex-Jugoslávia (Kosovo incluído), nem da Colômbia...E muito menos falarei de Portugal, cuja modelar democracia vigente tanto deve ao «amigo americano» do Dr. Mário Soares...Falo apenas, das Honduras e de Guantánamo.No primeiro caso, para assinalar que o golpe militar fascista vai de vento em popa, graças a um notável serviço combinado entre os democratas que governam os EUA e os seus gémeos que governam as Honduras.Como estava previsto, dentro de dias vão realizar-se as «eleições» que «elegerão» o futuro «presidente» e... pronto: se há «eleições», há «democracia», não é verdade?...É claro que a quase totalidade dos países do mundo não reconhece essas «eleições», antes as considera mais um golpe - mas de que vale a opinião do mundo quando não coincide com a opinião do dono do mundo?...Acresce que, para dar à coisa, o necessário toque insolente e provocatório que é alimento básico da «democracia made in USA», o Presidente do Congresso hondurenho anunciou que o dito Congresso vai finalmente reunir para decidir se sim ou não restitui o poder a Manuel Zelaya - decisão que, como estamos lembrados, fazia parte do célebre «acordo» perpetrado pelos governos de Obama e do fascista Micheletti - «acordo histórico», assim lhe chamou a buliçosa Hillary Clinton.Ora, a dita reunião do dito Congresso foi marcada para o dia... 2 de Dezembro - isto é: para três dias depois das «eleições presidenciais» convocadas pelos golpistas e apoiadas pelo Governo de Obama.Ah!, já me esquecia: não obstante o seu apoio aos golpistas, o Governo de Obama considera que Manuel Zelaya é o «presidente legítimo das Honduras»... - cá está o tal toque insolente e provocatório que é pão de cada dia da «democracia made in USA».Quanto à prisão de Guantánamo, esse moderníssimo centro de tortura - tortura democrática, obviamente - cujo objectivo primeiro é levar os presos a confessar tudo o que os torturadores queiram: como estamos lembrados, a primeira decisão anunciada (e assinada) por Obama, após a tomada de posse como Presidente dos EUA, foi a do encerramento da prisão de Guantánamo, até Janeiro de 2010.Foi a primeira grande «promessa» de Obama.E é, também, a primeira a não ser cumprida: ontem, Obama anunciou o adiamento do fecho da prisão de Guantánamo - e recusou comprometer-se com uma nova data.É caso para dizer que à primeira cavadela, minhoca.Mas não há problema: em Guantánamo como nas Honduras, como no resto do mundo, a «democracia» está a salvo: a «pátria» dela zela por ela.E por nós...http://cravodeabril.blogspot.com/
Este video foi feito propositadamente para ser visto
nos 8 paises de língua portuguesa.


VITÓRIA DO POVO HONDURENHO: 70% DE ABSTENÇÕES NA FARSA ELEITORAL As eleições farsa promovidas a 29 de Novembro pelos golpistas de Tegucigalpa & Washington tiveram uma resposta à altura do povo hondurenho: 70 por cento de abstenções. O povo recusou-se a participar da farsa orquestrada pela oligarquia hondurenha e orquestrada/financiada pelo agente da CIA Simon Henshaw, o segundo homem da Embaixada dos EUA.

Os hondurenhos atenderam assim ao apelo da Resistência e do presidente Manuel Zelaya em favor do boicote maciço. Apenas os EUA, Israel, Costa Rica, Panamá e Peru anunciaram reconhecer o governo saído desta fraude gorilesca realizada num clima de terror, brutalidade e repressão

NÃO ao Golpe de Estado Fascista!NÃO VOTES em FARSAS ELEITORAIS preparadas pelos Golpistas na Embaixada dos USA!NÃO aos Golpes de Estado apoiados e financiados pelos Estados Unidos!NÃO á HIPÓCRISIA dos USA, quando dizem que reconhecemk Zelaya e apoiam a FRAUDE eleitoral!Os USA continuam iguais ! Nada mudou!Só que agora ha mais hípócrisia. As Honduras foram apenas o começo........

Israel junta-se aos governos, do Panamá, Peru, Costa Rica e Estados Unidos, que oficialmente dicidiram apoiar a farsa eleitoral organizada pelos Golpista hondurenhos.Esta ação é condenada pela maioria da Comunidade Internacional, que não apoiou o Golpe de Estado Fascista contra o Governo Legitimo das Honduras com o apoio da Administração do " Premio Nobel da PAZ " Barak Obama.

Zelaya denuncia apoyo estadounidense a comicios bajo el golpismo.Para el mandatario constitucional de Honduras constituye una contradicción enorme el hecho de que, por un lado, Washington dice reconocerlo a él como presidente; pero, por el otro, apoya los comicios sin la previa restitución presidencial, lo que evidencia el apoyo al golpe de Estado del pasado 28 de junio

Zelaya denuncia apoio americano a eleições feitas pelos golpistas.Para o Presidente Constitucional das Honduras, constitui uma contradição enorme. Por um lado a dupla Obama/ Clinton diz reconhece-lo como Presidente, por outro lado apoiam as eleições feitas pela ditadura golpista em evidente apoio do golpe de Estado Fascista que o derrubou!OBAMA não quer a DEMOCRACIA na América Latina!

Zelaya apenas convocou um REFERENDO para decidir se os hondurenhos queriam a eleição duma Assembleia Constituinte! Essa Assembleia nunca o iria beneficiar, pois ele terminaria o mandato quando ela é eleita!É essa a grande MENTIRA dos fascistas! Será que é crime consultar o povo?Será a democracia directa é um crime?Ou será melhor como em Portugal e noutros paises da Europa prometerem referendos e depois não os fazerem com medo da derrota?

Zedotelhado2009


Obrigado Brasil!! Estamos muy agradecidos con Brasil por tener a nuestro presidente en su Embajada aqui en Honduras...Cuando nos necesiten ahi estaremos, nunca olvidaremos su ayuda!

susiriarte

Zelaya afirmó que cada vez que se derroca a un gobierno electo por los pueblos de América, "la violencia y el terrorismo nos gana una batalla y la democracia sufre una derrota", reseñó ANSA

El presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, envió anoche una carta a los gobernantes de todo el continente solicitándoles su apoyo. Asimismo, reiteró sus críticas al gobierno de Estados Unidos que encabeza Barack Obama por "legitimar el gobierno de facto reconociendo las elecciones presidenciales" del próximo domingo.

Barack Obama, las Torres Gemelas y HondurasDespués de lo ocurrido con las Torres Gemelas, los Estados unidos se ha convertido en el abanderado de la lucha mundial antiterrorista, entonces, ¿cómo es posible que el flamante Premio Nobel de la Paz, Barack Obama, contradiciendo esa política, endosará unas elecciones efectuadas por los mismos que tienen a Honduras en cinco meses de terror?
banheirense

No cenário político mundial o que menos conta é o bom senso e a justiça. Apressa-se para legitimar o ilegítimo, justificar o injusto e dar apoio a uma situação que a História jamais registrará como dentro dos parâmetros democráticos.Os EUA têm se pautado muito mais pela marginalidade do que pela legalidade, muito mais pela arbitrariedade do que pela justiça. Os mecanismos da democracia estão todos sendo destruídos pelos EUA. Também vêm dos EUA os piores venenos contra o capitalismo. Parece que a democracia não é mais reconhecida como o melhor sistema de governo. Seus mecanismos vêm sendo ignorados sistematicamente pelos EUA. Os EUA não conseguem resolver nada dentro da democracia. Sempre há de se recorrer ao autoritarismo, a única lei que existe é a da força, e o único argumento “diplomático” - a guerra. PRESIDENTE BARACK OBAMA: prêmio nobel - da paz -, que envia mais tropas para o Afeganistão... Coerência? Tudo a ver? Tudo a ver com o quê? Certamente, nada a ver com a Democracia. Existe um conflito? Por que não se usa o diálogo, a diplomacia para resolvê-lo? Quando foi que representantes da diplomacia norte-americana dialogaram - ouviram - os representantes do Talibã? O governo norte-americano afirma “estar aberto para o diálogo”, ao mesmo tempo que apresenta continuamente uma enxurrada de ameaças. Os EUA entendem que existam eleições - livres - com tanques e tropas na rua, eleitores com parentes presos por motivos políticos atentados contra os moradores da “Zona Verde” (autoridades norte-americanas e o governo-fantoche, composto por indivíduos reconhecidamente corruptos) - como no Iraque, que eles administram e instauraram a “democracia”. Em Honduras, é óbvio que os EUA reconhecem total normalidade na situação lá imposta.--------------------------------------

…P.S.: E, contradizendo algumas afirmações aqui:Lula reafirma que não reconhecerá as eleições em Honduras(AFP) – Há 6 horas

ESTORIL — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou nesta terça-feira que o Brasil não reconhecerá as eleições de Honduras nem conversará com o vencedor, Porfirio Lobo, ao deixar Estoril antes do encerramento da Cúpula Iberoamericana, com direção a Kiev.Indagado se o Brasil vai reconhecer Lobo como presidente de Honduras, Lula negou, assim como descartou a possibilidade de o governo brasileiro vir a conversar com o novo presidente eleito no domingo."Esse cidadão tem o direito de fazer as gestões que considerar necessárias. Se acontecer algo novo, vamos ver, vamos esperar. O problema agora é muito mais de Honduras do que do Brasil".Sobre a advertência lançada na véspera pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, contra a "dupla moral" de reconhecer as eleições iranianas e não reconhecer as hondurenhas, em uma clara alusão ao Brasil, Lula respondeu que "são duas coisas diferentes"."O presidente do Irã participou nas eleições e obteve 62% dos votos, a Constituição não foi violada. É diferente de uma pessoa que deu um golpe repudiado por todos os países, pela OEA, que colocaram condições estabelecidas pelo próprio presidente da Costa Rica, que era a volta ao poder do presidente Zelaya"."O golpista atuou cinicamente, convocou eleições para as quais não tinha direito. Não se pode fazer concessões a um golpista", enfatizou. (Cont.)FONTE: http://www.google.com/hostednews/afp/art…

http://br.answers.yahoo.com/my/profile;_ylt=AhoAQgDcJsYtomaV2j.4tg0lIBh.;_ylv=3?show=2fRLEuzRaa

Hugo Chavez dice que Obama anda confundido y perdido

¡Viva la revolucion bolivariana!
¡Viva Hugo Chavez y el digno pueblo venezolano !
¡Viva Latinoamerica libre, anticapitalista y soberana!


OBAMA DON'T UNDERSTAND!!!!

YANKEES GO HOME!!!

THE WORLD NEEDS PEACE!

NO WARS!!!!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

ABECEDÁRIO DAS ELEIÇÕES IRANIANAS

Quem é quem na política iraniana
M.K. BHADRAKUMAR*

“A oposição cenográfica dos habitantes dos bairros ricos de Teerã cumpriu o papel de acrescentar cor, óculos ‘de griffe’ e hinos pró-mercado à campanha de Mousavi. Tido com reformador e progressista, Mousavi jamais foi nem uma coisa nem outra”, diz o indiano M.K. Bhadrakumar
A política iraniana nunca é fácil de decifrar.
A agitação criada em torno do resultado das eleições presidenciais da 6ª-feira passada intrigou muitos dos sempre presentes jornalistas e analistas autoproclamados decifradores bem informados dos códigos políticos iranianos.
Tanto se escreveu sobre tantas pistas falsas que, hoje, já ninguém parece saber quem é quem na disputa política no Irã, e o que mais interessa a cada um.
O grande vitorioso foi o Líder Supremo, o Aiatolá Ali Khamenei; esse, sim, alcançou vitória retumbante.
A ‘eminência parda’ da política iraniana, Akbar Hashemi Rafsanjani, é o perdedor, obrigado agora a lidar com os efeitos de uma acachapante derrota.
Resta saber se, afinal, estará caindo a cortina, depois de encerrado o último ato da tumultuada carreira do “Tubarão” –, apelido que ‘colou’ em Rafsanjani, desde o tempo em que nadava no poço sem fundo de intrigas que é o Parlamento ( Majlis) iraniano.
Naquele poço, Rafasanjani acostumou-se a nadar sem qualquer restrição, como predador político e como deputado porta-voz da Revolução Iraniana, desde os primeiros dias.

Com a enormíssima porcentagem de 64% dos votos, o presidente Mahmud Ahmedinejad venceu as eleições em 2009. E é difícil resistir à tentação de escrever que, como a grande baleia de Herman Melville em Moby Dick – a força, a fúria, a premeditação e a maldade –, Rafsanjani foi profundamente ferido pelo arpão eleitoral; e resta-lhe agora afundar, o mais silenciosamente possível, rumo ao esquecimento, no oceano da política iraniana. Isso, é claro, se a política iraniana fosse facilmente previsível; mas não é.

O governo do presidente Barack Obama nos EUA parece ter conseguido adivinhar o que viria, ou interpretou corretamente o significado alegórico da eleição iraniana; seja como for, antecipou-se ao terremoto que viria, desencadeado pelo vingancismo de Rafsanjani-Mousavi; e fez o melhor que havia a ser feito: manteve-se à distância, cuidadosamente afastado das eleições iranianas, resultados, protestos.
Começa agora a parte mais difícil, para Obama: seduzir o Conselho dos Anciãos que Khamenei preside como monarca quase absoluto.

Primeiro, um ‘abecedário’ das eleições.

Quem é Mir Hossein Mousavi, principal adversário que Ahmedinejad derrotou nas eleições?
É um enigma, travestido em mistérios. Impressionou a juventude e as classes médias urbanas como reformador e progressista. Jamais foi nem uma coisa nem outra.
Como primeiro-ministro iraniano, de 1981 a 1989, Mousavi jamais passou de político linha-dura, sem qualquer refinamento político. Estranhamente, a campanha eleitoral caríssima e over high-tech pôs em circulação outro Mousavi, que ninguém jamais vira antes, no Irã: como se o personagem tivesse sido desmontado peça a peça e, depois, se tivesse remontado, ele mesmo, para outras finalidades operacionais.
Para avaliar a mudança, basta ler as declarações de Mousavi, em 1981, depois da ‘crise dos reféns’ (como ficou conhecido o cerco de 444 dias à embaixada norte-americana em Teerã, quando estudantes, da jovem guarda revolucionária iraniana mantiveram presos, no prédio da embaixada, os diplomatas norte-americanos): “Foi o começo do segundo estágio da revolução islâmica. Depois da tomada da embaixada dos EUA descobrimos nossa verdadeira identidade islâmica. Depois daquela ação, sentimos que podíamos enfrentar cara à cara a política ocidental e analisá-la com a frieza com que o ocidente sempre nos analisou e avaliou ao longo de muitos anos.”
Há quem diga que Mousavi também participou da organização e criação do Hizbollah no Líbano.
Ali Akbar Mohtashami, mártir reverenciado pelo Hizbollah, foi ministro do Interior no governo de Mousavi nos anos 80.
Mousavi também teve participação no ‘affair’ conhecido como “Irangate” em 1985.
O caso conhecido como “Irangate” foi negócio costurado pelo governo Ronald Reagan, no qual os EUA forneceriam armas ao Irã; em troca, Teerã trabalharia para obter que o Hizbollah liberasse os reféns presos em Beirute.
Ironia é que, naqueles idos dos anos 80s, Mousavi aparecia como perfeita antítese de Rafsanjani; aliás, o primeiro ato de Rafsanjani, quando afinal assumiu a presidência em 1989, foi demitir Mousavi.
Rafsanjani não perderia nem um segundo de tempo, com os delírios “antiocidentais” de Mousavi, ou com suas manifestações de rejeição visceral ao ‘mercado’.
A plataforma eleitoral de Mousavi foi uma estranhíssima mistura de políticas contraditórias e interesses ocultados mas muito claramente dirigidos para uma única meta, como uma espécie de obscessão maníaca: retirar poderes da presidência da República, no Irã.

Por isso conseguiu reunir autoproclamados ‘reformistas’ que apoiavam o ex-presidente Mohammad Khatami, e, também as alas mais ultraconservadoras do regime.
Rafsanjani é o único político iraniano capaz de reunir grupos tão completamente diferentes; e sempre trabalhou ao lado de Khatami para fazer diminuir os poderes da presidência da República.

Se se deixa de lado a ‘oposição’ cenográfica feita pelos habitantes dos bairros ricos de Teerã (“multidão Gucci”, como se disse em Teerã), que cumpriu o papel de acrescentar cor, maquiagem, óculos ‘de griffe’ e hinos pró-mercado à campanha de Mousavi, o núcleo duro de sua plataforma política foram poderosos interesses que, nessa eleição, fizeram sua derradeira tentativa para derrubar o regime liderado pelo Aiatolá Khamenei.

Por outro lado, esses grupos de interesse sempre se opuseram furiosamente às políticas econômicas implantadas durante a presidência de Ahmadinejad, políticas que ameaçaram o controle que aqueles grupos sempre tiveram sobre setores-chave da economia, como comércio internacional, educação privada, propriedade da terra e produção agrícola.

Para quem conheça melhor o Irã, basta dizer que a família (clânica) Rafsanjani é proprietária de vários impérios financeiros no Irã, empresas de exportação-importação, latifúndios e da maior rede de universidades privadas do país.
O grupo, conhecido como “Azad” tem mais de 300 universidades espalhadas pelo Irã; não são unidades produtoras apenas de pensamento ‘privatista’, também chamado ‘neoliberal’; também serviram como importante instrumento de propaganda da candidatura Mousavi: no total, foram cerca de 3 milhões de estudantes ativistas anti-Ahmadinejad, organizados nas universidades da família Rafsanjani.

As universidades do grupo “Azad” e grupos associados foram a espinha dorsal da campanha de Mousavi nas províncias.
A ideia geral foi mobilizar os estudantes das universidades do grupo “Azad” para levar a campanha até os mais pobres nas provínciais e ‘desmontar’ as bases consideradas chave para a reeleição do presidente Ahmadinejad.

Rafsanjani é político cujo estilo sempre o levou a construir redes extensas em praticamente todos os escalões da estrutura do poder, com especial atenção a corpos político-administrativos como o Conselho de Guardiães, o “Expediency Council”, os clérigos Qom, o Parlamento, os tribunais, a burocracia, o bazar e, até, com elementos infiltrados nos grupos mais próximos de Khamenei.
Construídas suas redes, Rafsanjani põe-se a jogar com esses bolsões de influência.

O eixo Rafsanjani e Khatami foi a base da plataforma política de Mousavi, que reuniu reformistas e conservadores.
Tudo estava preparado para levar a eleição para um segundo turno, dia 19/6, com o Irã, sim, já completamente dividido ao meio.
A candidatura do ex-comandante do Corpo de Guardas Revolucionários Iranianos [ing. Iranian Revolutionary Guards Corps, IRGC] foi incluída na disputa para arrancar uma fatia de votos dos mais conservadores.

Esperava-se também que o programa “reformista” do quarto candidato, Mehdi Karrubi, contribuísse para arrancar votos de Ahmedinejad, mediante a propaganda de políticas econômicas de justiça social, como o programa imensamente popular de distribuição da renda do petróleo entre os cidadãos, em vez de esses lucros serem acrescentados diretamente no orçamento do governo.

O plano de Rafsanjani visava, de certo modo, a levar a eleição para fora da disputa eleitoral; esperava-se que Mousavi capitalizasse todos os votos ‘anti- Ahmedinejad’ – estimando-se que Ahmedinejad teria, no primeiro turno, 10-12 milhões dos 28-30 milhões de votos (de um total de 46,2 milhões de eleitores). Por esses cálculos – mas só se houvesse 2º turno – Mousavi seria o grande beneficiário, se os votos para Rezai e Karrubi fossem essencialmente votos ‘anti-Ahmadinejad’.

O regime já estava bastante envolvido na campanha eleitoral, quando afinal percebeu que, por trás do clamor por ‘mudanças’, Rafsanjani trabalhava, de fato, contra, sobretudo, a liderança de Khamenei; a batalha eleitoral não passava de simulacro e pretexto.
De fato, a luta entre Rafsanjani e Khamenei tem longa história, desde o final dos anos 80; e foi, então, vencida por Khamenei, que assumiu a liderança em 1989.
Rafsanjani foi um dos indicados pelo Imam Khomeini para o primeiro Conselho da Revolução Islâmica; Khamenei chegou bem depois, quando o Conselho aumentou o número de membros. Por isso, Rafsanjani sempre cultivou um ressentimento; sempre entendeu que Khamenei usurpou o lugar que seria seu, como Líder Supremo.
O establishment clerical mais próximo de Rafsanjani difundiu a ideia de que Khamenei não teria as credenciais religiosas necessárias; que seria indeciso; e que o processo eleitoral seria questionável, o que gerou dúvidas sobre a legalidade do poder de Khamenei.

Clérigos de prestígio, estimulados por Rafsanjani, insistiram na ideia de que o Líder Supremo não seria apenas autoridade religiosa ( mujtahid), mas deveria ser também fonte de emulação e proselitismo (marja ou um mujtahid com ‘adeptos’, seguidores religiosos) e que Khamenei não satisfaria esse requisito; mas Rafsanjani, sim.

Os ataques contra Khamenei passaram a ser construídos a partir do argumento, vil sob vários aspectos, de que sua educação religiosa não seria satisfatória. O trabalho de desconstrução, pelos clérigos ligados a Rafsanjani, continuaram até os primeiros anos da década de 90. Então, Khamenei escolheu recolher-se e permaneceu recolhido, consciente de que estava sob cerco, durante os anos em que Rafsanjani ocupou a presidência (1989-1997).

Resultado disso, Rafsanjani foi o presidente que mais poder teve, em todos os tempos, em Teerã. Mas enquanto isso, Khamenei, recolhido, também construía novos poderes.
Se não tinha prestígio entre a elite do establishment clerical iraniano, cuidou de atrair para seu lado o establishment da segurança, sobretudo o ministro da Inteligência, os Guardas Islâmicos Revolucionários e as milícias Basij.

Enquanto Rafsanjani mais e mais se envolvia com os clérigos e com o ‘mercado’, Khamenei procurou apoio num grupo de jovens políticos brilhantes, com experiência de organização e de luta, e que estavam voltando ao Irã depois da guerra Irã-Iraque; por exemplo, Ali Larijani, atual líder do governo no Parlamento; Said Jalili, atual secretário do Conselho de Segurança Nacional; Ezzatollah Zarghami, presidente da Rádio e Televisão Estatais; e, sim, também o próprio Ahmadinejad.

O poder político real começou a tender na direção de Khamenei, depois de ele ter atraído para seu campo os Guardas Revolucionários e as milícias Basij.
Quando o mandato presidencial de Rafsanjani chegou ao fim, Khamenei já comandava os três principais braços do poder governamental e toda a mídia estatal; já era comandante-em-chefe das Forças Armadas e, também, de várias instituições estatais, como a “Imam Reza Shrine” ou a “Fundação pelos Oprimidos”, máquinas praticamente ilimitadas para gerar apoios políticos.

Hoje, toda a estrutura de poder assumiu a forma de um complexo aparelho de liderança patriarcal.
Analistas bem informados e sensíveis anotaram, com precisão, que Ahmadinejad não teria qualquer interesse pessoal ou eleitoral que justificasse atacar diretamente Rafsanjani, durante o debate do dia 4/6, em Teerã, com Mousavi.
O ataque a Rafsanjani não foi ataque eleitoral: foi ataque em disputa política mais profunda.

Ahmadinejad disse, naquele debate: “Hoje, nesse debate, não enfrento apenas o Dr. Mousavi, nem ele está sozinho, aqui à minha frente. Aí estão três governos passados: do Dr. Mousavi, do Dr. Khatami e do Dr. Rafsanjani, todos reunidos contra a minha presidência e o desejo dos eleitores iranianos.”
Mirou e atirou diretamente contra Rafsanjani, acusando-o de organizar golpe contra as eleições.
Disse que Rafsanjani prometera à Arábia Saudita que não haveria segundo governo de Ahmadinejad.

Rafsanjani respondeu fogo com fogo, dias depois, em carta a Khamenei, em que exigia que Ahmadinejad se retratasse, “para evitar que [Rafsanjani] fosse forçado a tomar medidas judiciais cabíveis”.

“Espero que o senhor resolva esse impasse, e apague o fogo, cuja fumaça já se vê de longe; e que evite desdobramentos perigosos. Mesmo que eu estivesse disposto a relevar esse tipo de agressão, não duvide de que há gente, partidos, grupos, facções, que não a relevariam”Rafsanjani ameaçou Khamenei sem meias-palavras.
Simultaneamente, Rafsanjani convocou toda a sua base clerical: uma claque de 14 altos clérigos reuniram-se em Qom, à volta dele.

Já foi ato de desespero, acionado por interesses ocultos que já sabiam do crescimento muito significativo dos movimentos dos Guardas Revolucionários, nos últimos anos. Mas, se Rafsanjani supusera que seria fácil criar um ‘motim’ entre os clérigos, e que isso ‘desequilibraria’ Khamenei... errou muito gravemente no cálculo do poder político em Teerã.

Khamenei fez o que de melhor poderia ter feito para esvaziar o ‘movimento’ golpista de Rafsanjani: Khamenei simplesmente ignorou o “Tubarão”.
Dezenas de milhões de voluntários da Guarda Revolucionária e das milícias Basij foram rapidamente mobilizados para votar; somaram-se aos milhões de pobres das áreas rurais que se vêem manifestos em Ahmadinejad. Daí em diante, foi só esperar que se repetisse o que já acontecera nas eleições de 2005. O comparecimento às urnas – 85% dos eleitores votaram – foi o maior da história do Irã.
Esse comparecimento às urnas, não qualquer tipo de ‘fraude’ eleitoral, determinou a vitória de Ahmadinejad, sem 2º turno; horas depois de anunciados os resultados, aplaudiu o comparecimento dos eleitores às urnas, que, segundo suas palavras, mereceria “verdadeira celebração”.
Khamenei

Disse Khamenei: “Congratulo-me (...) com o povo iraniano por esse sucesso de todos. Todos temos muito o que agradecer, por tantas bênçãos recebidas”. Preveniu os jovens e “os que apoiam o candidato eleito e demais candidatos e apoiadores”, para que todos se mantivessem bem alertas, “para evitar os discursos e as ações de provocação.”

A mensagem de Khamenei a Rafsanjani foi bem clara: aceite a derrota e não volte a envolver-se em movimentos golpistas.
Os resultados da eleição de 6ª-feira asseguram que a casa do Aiatolá Khamenei, Líder Supremo, continuará a ser o ponto focal do poder político no Irã.
É o quartel-general do Presidente, das forças armadas iranianas e, sobretudo, dos Guardas Revolucionários. É fonte legítima do poder dos três braços do governo e é ponto nodal de todas as políticas econômicas, de segurança e de relações internacionais no Irã.

O presidente Barack Obama já deveria já estar pensando em construir caminho para aproximar-se (amistosamente, não beligerantemente, nem mediante sanções econômicas) e buscar vias de entendimento com o Aiatolá Khamenei.
Difícil imaginar desafio maior e mais complexo.
*M. K. Bhadrakumar é diplomata de carreira do MRE indiano. Serviu na União Soviética, na Coreia do Sul, no Sri Lanka, na Alemanha, no Paquistão, Uzbequistão, Kuwait e Turquia.

sábado, 7 de março de 2009

PELA SOBERANIA DO IRAQUE

O Iraque é um país soberano com instituições legítimas?

Obama confirma fim de combate no Iraque em 2010
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, confirmou nesta sexta-feira A RETIRADA DA MAIOR PARTE das tropas norte-americanas do Iraque e o FIM DA MISSÃO DE COMBATE no país até 31 de agosto de 2010, mesmo admitindo que o país não está totalmente seguro.
Retirada das tropas
O Iraque é um país soberano com instituições legítimas. Os Estados Unidos não podem - e não devem - tomar o lugar delas
"No próximo mês se completa o sexto aniversário da guerra no Iraque. Para todos os critérios, essa já é uma GUERRA LONGA", afirmou Obama diante de militares em Camp Lejeune, Carolina do Norte.
"Hoje, eu vim falar a vocês sobre como a guerra no Iraque vai acabar."
Obama disse que a estratégia de retirar as tropas se baseia no reconhecimento de que uma solução duradoura no Iraque precisa ser política, não militar, e destacou que "as mais importantes decisões a respeito do futuro do Iraque agora devem ser tomadas por iraquianos".
De setembro de 2010 até o fim de 2011, os Estados Unidos pretendem deixar no Iraque uma força militar composta de até 50 mil homens para treinar, equipar e assessorar as Forças de Segurança do Iraque.
Após este período, o governo do Iraque será responsável por manter a segurança no país. Apesar da retirada das tropas, o papel diplomático dos Estados Unidos no Iraque continuará "fundamental", segundo Obama.
A segunda parte do plano para o país consiste em "sustentar a diplomacia para que o Iraque se torne um lugar mais pacífico e próspero".
"Nós vamos ajudar o Iraque a estabelecer novos laços de intercâmbio e comércio com o mundo. E vamos criar uma parceria com o povo e com o governo iraquianos que contribua para a paz e a segurança da região", adiantou Obama.
Para isso, foi anunciada a nomeação de CHRIS HILL como novo embaixador dos Estados Unidos no Iraque.
Hill já trabalhou em Kosovo e na Coreia do Sul e, segundo Obama, mostrou capacidade para exercer a função no Iraque.Avanços e dificuldadesObama elogiou em seu discurso A ATUAL SITUAÇÃO DO PAÍS OCUPADO.
"A violência [no Iraque] foi reduzida, a capacidade das Forças de Segurança iraquianas aumentou e os líderes iraquianos avançaram rumo à consolidação política", disse o presidente norte-americano, apontando as ELEIÇÕES REGIONAIS DE JANEIRO como uma prova de fortalecimento democrático no país.Apesar do tom otimista, Obama destacou que o Iraque enfrentará DIAS DIFÍCEIS. Um dos maiores desafios que o governo local deverá combater será o econômico, diante da baixa no preço do petróleo."
A queda das entradas provenientes do petróleo deverá significar mais um empecilho para um governo que tem dificuldade em oferecer serviços básicos", admitiu o presidente dos Estados Unidos.
COMENTÁRIOS:
"Já foi, na época de Saddam Hussein. Hoje, tem um presidente que não tem um coração iraquiano (o curdo Jalal Talabani), um primeiro-ministro da maioria xiita, que pretenderá representar os interesses do Irã no Iraque. A prevalência dos interesses xiitas fazem com que os interesses verdadeiramente iraquianos sejam preteridos em nome da religião, fazendo com que os interesses de nações estrangeiras, como o Irã, prevaleçam sobre os interesses dos pensam o Iraque para os iraquianos. Exatamente por perceber isso que Saddam Hussein sempre tentou contê-los. Mas o Ocidente, sem mesmo tentar entender as peculiaridades do país e de seu povo, destruiu a possibilidade de convivência contrabalançada. O que antes era noticiado na mídia sionista como prática tão corriqueira quanto criminosa, hoje, sob o domínio dos xiitas e curdos, realmente ocorre mas sem que seja dado qualquer destaque por aquela mesma mídia.Os EUA cometeram e continuam em erro quanto ao Iraque. Porque, antes, sim, era uma nação soberana e com instituições legítimas. Hoje, não, pois não há quem consiga unir, pelo menos um grupo mínimo de pessoas, para que a maioria da população trabalhe por um objetivo comum. Nas mãos de curdos, que não são iraquianos nem árabes, mas indo-europeus (como os italianos, por exemplo); sob o controle de xiitas, que não pensam na nação, mas na religião e, para a preponderância desta, se aliarão com nações que igualmente não pensam o Iraque como nação, nem têm qualquer interesse de que ele seja um país soberano; nas mãos de corruptos, que veem o Iraque como moeda de troca para possibilitar seu locupletamento, isto é, como algo que pode ser vendido para o aumento de seu próprio patrimônio em prejuízo de todos os seus conterrâneos, fica realmente impossível acreditar que "o Iraque é um país soberano com instituições legítimas".

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

UM GENOCÍDIO ENCOBERTO NO IRAQUE



Não podemos nos tornar cúmplices de uma matança desenfreada, de um genocídio tal como no Iraque!!


Havemos de divulgar O OUTRO LADO DA HISTÓRIA que desejam ocultar do Mundo.


Quem responderá favoravelmente e exigirá punição a todos que fazem parte, foram e ainda são cúmplices desse genocídio?


Por que os meios de comunicação daqui do Ocidente não nos informam com a veracidade devida?


E o respeito às famílias das vítimas dessa guerra estúpida?


E o respeito às vítimas dessa guerra estúpida?

La Administración Bush y los candidatos presidenciales ignoran el nuevo informe
Un millón de víctimas civiles: Un genocidio encubierto


Documentos 2008 -‘World Socialist Web Site’ / IraqSolidaridad: 05-02-08


Notas de IraqSolidaridad:
1. Nota de la CEOSI: Más de un millón de iraquíes han muerto desde el inicio de la ocupación





Muertos civiles tras un ataque estadounidense en Baquba el 12 de junio de 2006



David Walsh *
World Socialist Web Site (http://www.wsws.org/), 1 de febrero de 2008IraqSolidaridad (http://www.iraqsolidaridad.org/), 5 de febrero de 2008



Traducido del inglés para IraqSolidaridad por Nadia Hasan




“Como ya sucedió en septiembre [de 2007], los medios de comunicación estadounidenses optaron por ignorar las conclusiones de ORB. Los sitios web del ‘New York Times’, del ‘Washington Post’, del ‘Boston Globe’ y de ‘ABC News’ emitieron una nota de ‘Reuters’ sobre las conclusiones de ORB. ‘Los Angeles Times’,’ Chicago Tribune’, ‘Detroit Free Press’,’ Wall Street Journal’, ‘CNN’ y’ CBS News’ no se refirieron al sondeo; tampoco Barack Obama o Hillary Clinton hicieron ningún comentario sobre la tasa de mortalidad. Obama, en su página web hace mención a iraquíes desplazados, pero no se refiere en lo absoluto a las muertes de civiles.”



Justo cuando el gobierno Bush —prácticamente sin oposición demócrata o de los medios de comunicación relevantes— afirma su éxito en Iraq y deja clara su intención de establecer bases permanentes en el país, se ha dado a conocer un nuevo estudio que subraya la dimensión de los crímenes de guerra estadounidense en Iraq.



La agencia de sondeos británica ORB (Opinion Research Business) dio a conocer el pasado 28 de enero los resultados de un estudio que confirma sus hallazgos anteriores [obtenidos en un estudio de agosto de 2007] de más de un millón de civiles iraquíes muertos como resultado de la invasión y ocupación estadounidense.



La agencia británica llevó a cabo este trabajo junto a su socio iraquí, el Independent Institute for Administration and Civil Society Studies (IIACSS) [1].
En septiembre de 2007, ORB hizo públicos los resultados de su investigación que calculaban en un millón doscientas mil [1.200.000] las muertes violentas ocurridas en Iraq desde marzo de 2003.



La agencia comentó que en aquel momento la ocupación estadounidense de Iraq tenía “[…] Un índice de muertes que actualmente sobrepasa el genocidio en Rwanda de 1994 (800 mil muertos),”



un millón de heridos y varios millones de iraquíes más expulsados de sus hogares hacia un exilio tanto interno como fuera del país.




Los medios de comunicación estadounidenses, como era de esperar, prácticamente no se hicieron eco del informe a pesar del incuestionable prestigio de ORB, la misma firma que realizó las encuestas para el Partido Conservador británico y para la BBC.



Los candidatos a la presidencia del Partido Demócrata también lo ignoraron.



Ni la Casa Blanca ni el Pentágono se sintieron obligados a hacer comentario alguno sobre la investigación.




Aval de estudios previos
Los resultados de ORB reivindican el estudio publicado en The Lancet —la revista médica británica— en octubre de 2006, que en ese entonces estimó el número de víctimas iraquíes en unas 655.000, aproximadamente.



En septiembre [de 2007] Les Roberts, como co-autor del estudio [de la Universidad John Hopkins de EEUU] publicado en Lancet, escribió un correo electrónico a MediaLens, en respuesta a la publicación del estudio de ORB, en el que indicaba que “[…] el estudio se ha realizado 14 meses después, habiéndose producido una escalada en el número de muertos.



Sólo este dato justifica la mayor parte de la diferencia (entre el estudio de Lancet de octubre de 2006 y el de ORB)”.



Roberts señaló que las investigaciones de Lancet y de ORB “parecen ser claramente afines”.




En el comunicado de prensa del 28 de enero, ORB explicó que “sondeos adicionales” confirmaron su cálculo preliminar de más de un millón de muertos iraquíes “[…] Como resultado del conflicto iniciado en 2003”.



La agencia alude a las críticas previsibles o a las “contestaciones” escépticas a su trabajo previo, que se basó en sondeos realizados, principalmente, en centros urbanos, y explicó que “[…] hemos realizado casi 600 entrevistas adicionales en comunidades rurales.



En general, los resultados [de esta última encuesta] coinciden con los “resultados urbanos” y, con estos [nuevos] datos, calculamos que el número de muertos habidos entre marzo de 2003 y agosto de 2007 haya sido probablemente en torno a un millón treinta y tres mil (1.033.000).



Si tenemos en cuenta el margen de error que suele haber en los datos de las encuestas de este tipo, la franja de variación se sitúa entre los 946.000 y los 1.120.000 muertos.
Los resultados se han basado en entrevistas personalizadas realizadas sobre una muestra de población representativa en el ámbito nacional de 2.414 adultos mayores de 18 años (con un margen de error del ±1,7%).



La pregunta realizada fue:



“¿Cuántos miembros de su familia (entendida como los que viven en su casa) han muerto debido al conflicto existente en Iraq desde 2003 (es decir, debido a la violencia y no a causas naturales como pueda ser la edad)? Por favor, fíjese que me refiero a familiares que estaban viviendo realmente bajo su techo”.




Promedio de 1,26 muertos por hogar




Alrededor de un 20,2% de quienes contestaron a la pregunta informaron de al menos una muerte en su hogar como resultado de la invasión y ocupación estadounidense.



De estos hogares, el promedio del número de muertos fue de 1,26 personas.



El último censo completo de Iraq realizado en 1997 daba cuenta de un total de 4.050.597 hogares.



Basándonos en esto, se deduce de los datos que se han producido un total de 1.033.239 muertos desde marzo de 2003.



El equipo de investigadores de ORB-IIACSS concluyó que más del 40% de los hogares de Bagdad habían perdido a un miembro de la familia, el porcentaje más alto de todo Iraq.



Entre las personas que han querido declarar su credo religioso, alrededor de un 50% prefirieron definirse a sí mismos simplemente como musulmanes.



Las familias sunníes fueron mucho más proclives a manifestar que el conflicto les había arrebatado a un miembro de su familia (el 33%), mientras que entre las familias shiíes sólo un 16% informó [de la muerte de un familiar a causa de la ocupación].




Las empresas llevaron a cabo 1.824 entrevistas en zonas urbanas y 590 en los alrededores de núcleos rurales.



La metodología de la encuesta utilizó un muestreo de probabilidad aleatoria en múltiples localizaciones que abarcaron 15 de las 18 demarcaciones de Iraq.



En conjunto, se trabajó en 112 lugares distintos de muestreo: 90 lugares estaban situados en áreas urbanas y 20 en zonas rurales.




Por razones de seguridad no se llevaron a cabo entrevistas en las provincias de Kerbala y al-Anbar.



En Irbil, las autoridades locales kurdas impidieron que el equipo realizara el trabajo.



Munqith Daghir, director de IIACSS, declaró a la revista Research que las fuerzas de seguridad kurdas pidieron “[…] acompañar a nuestros entrevistadores a las casas, sólo para estar seguros de que no los perjudicáramos o presionaríamos. Obviamente esto era sólo una excusa; querían saber lo que estábamos haciendo y querían vigilar a las personas para descubrir qué nos contaban”.




La actualización del estudio detectó que



el 40% de las muertes violentas se atribuyeron a heridas la bala,



el 21% a atentados con coche bomba,



el 8% a bombardeos aéreo,



el 4% a la violencia sectaria y



otro 4% a accidentes.



La cifra de muertes por bombardeos aéreos, cerca de 80.000 o más, debe hacer referencia a víctimas mortales producidas por operaciones estadounidenses o británicas, ya que sólo sus ejércitos están equipados con aviones de guerra y helicópteros.




Silencio en los medios



SILÊNCIO NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO




Como ya sucedió en septiembre [de 2007], los medios de comunicación estadounidenses optaron por ignorar las conclusiones de ORB.



Los sitios web del New York Times, del Washington Post, del Boston Globe y de ABC News emitieron una nota de Reuters sobre las conclusiones de ORB.



Los Angeles Times, Chicago Tribune, Detroit Free Press, Wall Street Journal, CNN y CBS News no se refirieron al sondeo; tampoco Barack Obama o Hillary Clinton hicieron ningún comentario sobre la tasa de mortalidad. Obama, en su página web hace mención a iraquíes desplazados, pero no se refiere en lo absoluto a las muertes de civiles.




El pasado jueves [31 de enero], en un discurso en Las Vegas, George W. Bush defendió sin paliativos la invasión de Iraq e ignoró la oposición pública a sus políticas.



Bush afirmó que:



“[…] La decisión de derrocar a Sadam Husein fue la correcta. El mundo está mejor sin Sadam Husein en el poder, al igual que el pueblo iraquí. Se han producido avances interesantes en Iraq: han hecho una constitución y la han votado. Imagínense ustedes a una sociedad que en un corto período de tiempo pasa de una brutal tiranía a poder votar”.



El presidente se jactó de que su decisión de enviar una ‘oleada” de soldados a Iraq,



“[…] Se basó en las consideraciones del personal militar” y no “[…] En ninguna encuesta de Gallup o de un grupo desorientado. [La decisión] Se basó en lo que era mejor para el futuro de Estados Unidos, y por ello, en lugar de retirar las tropas, enviamos más”.




Bush explicó que había intentado acatar el deseo popular:



“[…] Mucha gente dice ‘Bien, ¿Y ahora qué, señor presidente?’.



Y mi respuesta es que hemos llegado muy lejos en este importante escenario, en esta guerra contra el terrorismo para estar seguros de triunfar. Por lo tanto, cualquier futura reducción de las tropas se basará en las opiniones de los mandos militares y en las condiciones [existentes]. Iraq es importante para nuestra seguridad. Tomaré las decisiones para lograr el éxito en Iraq. Para las personas, desde luego, es tentador decir, bien, asegúrese de hacer lo que es políticamente correcto. Yo no soy así. Eso no es lo que vamos a hacer”.




El pueblo iraquí y miles de estadounidenses continuarán sufriendo la muerte y devastación hasta que la clase obrera internacional intervenga y ponga freno a la ocupación neo-liberal de Iraq.



O POVO IRAQUIANO E MILHARES DE ESTADUNIDENSES CONTINUARÃO SOFRENDO MORTE E DESTRUIÇÃO A MENOS QUE A COMUNIDADE INTERNACIONAL INTERVENHA E FREIE A OCUPAÇÃO NEOLIBERAL DO IRAQUE.