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domingo, 27 de dezembro de 2009

UM SITUAÇÃO UTÓPICA DE NATAL EM BELÉM

Sempre é tempo de REFLEXÃO

Antes do Natal,

no Natal e

após o Natal...

É NATAL



Uma situação-utópica
pintada no muro que rodeia Belém

É Natal

Belém está cercada por um Muro
Gaza respira pelos seus túneis
Cabul afoga-se na sua própria corrupção
a Zona-Verde de Bagdade também tem um Muro
mas só respira corrupção.

É Natal

30 milhões de americanos-pobres recebem finalmente um seguro de saúde
enquanto que os israelenses, que já têm seguro de saúde,
recebem 20 mil milhões de dólares para os seus défices orçamentais.

É Natal

Jesus, Maria e José estão presos dentro de Belém
não se podem refugiar no Egipto, porque Mubarak fechou as fronteiras em Rafá.

É Natal,

A Casa Branca tem um Natal Branco com um Presidente Negro.

Ramalá tem um Presidente que nem consegue governar a sua prisão-ao-ar-livre.

Copenhaga teve sucesso apenas na taxa de ocupação dos seus hoteis.

Tony Blair e George Bush ainda circulam livremente.

É Natal !!.....rejubilem!! rejubilem!!

só o Pai Natal está feliz.... e esperemos...... que vocês também !!



Raja Chemayel

Sherlock Hommos
Eng. Moustafa Roosenbloom
Publicada por Тлакскала

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

PELA JUSTIÇA E LIBERDADE DOS POVOS

A atitude de Evo e Chávez é um exemplo.

Por Pedro Echeverría.

1. O governo do índio Evo Morales na Bolívia acaba de expulsar o embaixador ianque por apoiar os setores racistas de Santa Cruz, Tarija, Pando e Beni, departamentos onde as campanhas de ódio dos terra tenentes e os ricos contra o governo central, os levou até a pedir sua independência.

O governo dos EUA, desde que Morales tomou posse do governo em janeiro de 2006 não param de sabotá-lo e de procurar a melhor oportunidade para derrocá-lo.

Durante quase três anos o governo de Evo tem pretendido negociar com a oposição para estabelecer a paz, mas os interesses desses setores, estimulados pelo embaixador ianque, determinaram o divórcio entre os governadores desses departamentos que praticam a oposição racista.


2. Para apoiar com toda sua força a atitude de grande valentia de Evo se levanta a figura do presidente venezuelano Hugo Chávez que da forma mais conseqüente possível também pediu que o embaixador ianque abandonasse o território venezuelano mandando “à merda o governo gringo de Bush”.

Esse exemplo de Chávez parece ter se entendido até a Nicarágua e Honduras.

Embora aquelas infaustas e ilusas declarações de Chávez e Castro sobre a guerrilha das FARC tenham causado desânimo entre a esquerda radical, esta atitude do presidente venezuelano o reivindica.

Estas coisas não acontecem por linhas retas nem conforme os desejos, senão que obedecem a realidades concretas. Mas nem sempre temos que ser críticos.

3. É elementar esclarecer que norte-americanos ou estadunidenses são os habitantes dos EUA que sofrem, como todos os povos da América, a exploração e a repressão de seu governo.

Pelo contrário, os ianques ou gringos são essa minoria de poderosos empresários e governantes que além de submeter o povo de seu próprio país (EUA), ordenam as invasões, os saqueios e os assassinatos nas nações que submetem.

Ao povo desse país, o único que pode se criticar, é que não tenha sido capaz de frear seus governos assassinos, mas são respeitados; pelo contrário, seus governantes e grandes empresários são repudiados no mundo todo, com exceção de alguns governantes submetidos que se arrastam como lacaios frente a eles.

4. Fidel Castro, foi o primeiro governante que desde 1960, sem pelos na língua, se enfrentou abertamente ao governo ianque e Cuba o primeiro povo que massivamente apoiou seu governante quantas vezes este o convocou para se defender das agressões gringas.

Não foi nada simples que desde uma ilha de 10 milhões de habitantes, bloqueada política e economicamente por toda parte, em longos discursos de 3 a 6 horas frente a dezenas de milhares de cubanos, se falasse da situação dos povos da América e o mundo e do papel guerreirista e explorador do império estadunidense.

Os discursos de Castro e pelo menos seus primeiros oito anos de governo, foram verdadeiras lições de educação política para os cubanos e o mundo.


5. A partir de 1998, para recuperar nosso ânimo, aparece no governo da Venezuela o coronel Hugo Chávez.

Achávamos que seria um governo burguês militarista; porém, como aconteceu com Fidel Castro em 1959, as condições concretas de exploração e saqueio ianque nesses países da nossa América, os obrigou a tomarem medidas para poder servir seus povos.

Foi então quando Chávez se transformou no melhor continuador da obra de Fidel Castro na América Latina.

Na Cuba de Fidel é explicável essa confrontação porque estava saindo de uma profunda revolução armada, muito violenta, em que o povo mantinha uma grande exigência das demandas pelas que tinha lutado.

Mas na Venezuela?


6. Nem Fidel nem Chávez eram marxistas ou socialistas quando assumiram o governo, embora não se possa negar que muitos companheiros deles eram.

Foram as condições concretas de cada país, em que os investidores ianques saqueavam abertamente as riquezas enquanto suas populações viviam na maior miséria, fato que os transformou.

Mas, como todos sabemos, essas são as mesmas condições em que vivem quase todos os países da América Latina, da África e a Ásia e as mudanças que se requerem não surgem como em Cuba, Venezuela, Bolívia ou o Equador.

Isto quer dizer que nossas análises devem ser mais profundas e cuidadosas.

O que aconteceu por exemplo com Lula no Brasil, Tabaré do Uruguai e Bachelet do Chile, conhecidos como socialistas?


7. A realidade é que o comportamento de Evo Morales e de Hugo Chávez frente ao poderoso assassino mundial que ocupa a Casa Branca, é um exemplo para outros governos e para os povos da América.

Quantas décadas mais de medo, covardia e dependência teriam passado se Fidel Castro (em nome de um pequeno país, de uma ilha empobrecida a umas quantas milhas do maior império da história) não nos tivesse ensinado a dignidade e a valentia, apesar de ameaças, invasões e um grande bloqueio econômico?

Fidel demonstrou na prática que “sim, se pode” lutar contra o monstro, enquanto outros países (como o México e da América Central) morrem de medo de levantar a voz ou por fazer uma breve declaração que ofenda o governo ianque.


8. Mas o arremate de Chávez foi ainda mais radical.

Disse que apoiaria inclusive um movimento armado, uma guerrilha, se o presidente Morales fosse derrocado pelo governo de Bush.

Me parece que essa declaração por si mesma é uma advertência ao imperialismo dos EUA.

Essas palavras poderiam pôr em guarda os governos da Nicarágua, Equador, os mesmos bolivianos ao se demonstrar até onde querem chegar os EUA e seus aliados racistas de Santa Cruz e outros departamentos.

Não creio que os ianques queiram se aventurar mais uma vez quando no Iraque e o Afeganistão estão sendo varridos pelas forças rebeldes.

No México e vários países a oposição de esquerda começou a despertar realizando protestos em embaixadas e consulados gringos.

Devemos fortalecê-las.


9. Os governos da Colômbia, México e Peru são os mais incondicionais aos interesses do presidente Bush.

Tanto Uribe como Calderón e García conformam um grupo duro disposto a defender como der a política dos EUA na região.

Por isso os meios de (des)informação dedicam diariamente muitas horas para fazer campanhas contra Chávez e Morales.

No México não se pode esperar outra coisa dos grandes monopólios televisivos e radiofônicos.

Com a assessoria de ianques e espanhóis, os meios de (des)informação, em nome da liberdade de expressão, desataram enormes campanhas contra as lutas de justiça e liberdade dos povos.

Por esse motivo, os meios e homens livres, embora com espaços limitados, temos a obrigação de levantar a voz para ajudar o povo.


Créditos: Alquimia.org
Versão em português: Tali Feld Gleiser de América Latina Palavra Viva.

http://turcoluis.blogspot.com/2008/09/ianques-de-merda.html

sábado, 13 de setembro de 2008

OS EXTRATERRESTES NA AMÉRICA

Este mundo é um mistério
por Eduardo Galeano


Um grupo de extraterrestres visitou recentemente o nosso planeta. Eles queriam conhecer-nos, por pura curiosidade ou quem sabe com ocultas intenções. Os extraterrestres começaram onde tinham que começar. Iniciaram sua exploração estudando o país que é o número um em tudo, número um até nas linhas telefónicas internacionais: o poder obedecido, o paraíso invejado, o modelo que o mundo inteiro imita. Começaram por aí, tentando entender o manda-mais para depois entender todos os demais. Chegaram em tempo de eleições. Os cidadãos acabavam de votar e o prolongado acontecimento havia mantido todo o mundo em suspenso, como se se houvesse eleito o presidente do planeta. A delegação extraterrestre foi recebida pelo presidente cessante. A entrevista foi no Salão Oval da Casa Branca, agora reservado exclusivamente aos visitantes do espaço sideral para evitar escândalos. O homem que estava a concluir o seu mandato respondeu, sorrindo, às perguntas. Os extraterrestres queriam saber se no país vigorava um sistema de partido único, porque eles só haviam ouvido dois candidatos na televisão, e ambos diziam o mesmo. Mas tinham, também outras inquietações:
Por que demoraram mais de um mês para contar os votos?
Aceitariam os senhores a nossa ajuda para superar este atraso tecnológico?
Por que sempre vota apenas a metade da população adulta?
Por que a outra metade nunca se dá a esse trabalho?
Por que ganha o que chega em segundo lugar?
Por que perde o candidato que tem 328 696 votos de vantagem?
Não é a democracia o governo da maioria?
E outro enigma os preocupava:
Por que os outros países aceitam que este país os examine quanto à democracia, lhes dite normas e lhes fiscalize as eleições?
Será porque este país os castiga quando não se portam como devem?
As respostas deixaram-nos ainda mais perplexos. Mas continuaram a perguntar.
Aos geógrafos: Por que se chama América este país que é um dentre muitos do continente americano?
Aos dirigentes desportivos: Por que se chama Campeonato Mundial ("World Series") o torneio nacional de beisebol?
Aos chefes militares: Por que o Ministério da Guerra se chama Secretaria da Defesa, num país que nunca foi bombardeado nem invadido por ninguém?
Aos sociólogos: Por que uma sociedade tão livre tem a maior quantidade de presos no mundo?
Aos psicólogos: "Por que uma sociedade tão sadia ingere a metade dos psicofármacos que o planeta fabrica?
Aos dietistas: "Por que tem a maior quantidade de obesos este país que dita o menu dos demais países?
Se os extraterrestres fossem simples terrestres, esta absurda bateria de perguntas teria acabado mal. No melhor dos casos, teriam batido com a porta nas suas caras. Toda tolerância tem limites. Mas eles continuaram a bisbilhotar, sem qualquer suspeita de impertinência, má educação ou azedume.
E perguntaram aos estrategistas da política externa: Se os senhores estão ameaçados por inimigos terroristas, como o Iraque, o Irã e a Líbia, porque votaram junto com o Iraque, o Irã e a Líbia contra a criação do Tribunal Penal Internacional, criado para castigar o terrorismo?
E também quiseram saber: Se os senhores têm aqui, muito perto, uma ilha onde estão à vista os horrores do inferno comunista, por que não organizam excursões ao invés de proibir as viagens?
E aos que firmaram o tratado de livre comércio: Se agora a fronteira com o México está aberta, por que morre mais de um trabalhador braçal por dia tentando atravessá-la?
E aos especialistas em direito trabalhista: Por que a MacDonald's e a Wal-Mart proíbem os sindicatos aqui e em todos os países onde operam?
E aos economistas: "Por que, se a economia duplicou nos últimos vinte anos, a maioria dos trabalhadores ganha menos que antes e trabalha mais horas?
Ninguém negava resposta a estes seres estranhos, que continuavam com os seus disparates.
E perguntavam aos responsáveis pela saúde pública: Por que proíbem que as pessoas fumem, quando os automóveis e as fábricas fumam livremente?
E ao general que dirige a guerra contra as drogas: Por que os cárceres estão cheios de drogados e vazios de banqueiros lavadores de narcodólares?
E aos dirigentes do Fundo Monetário e do Banco Mundial: Se este país tem a dívida externa mais alta do planeta, e deve mais que todos os demais, por que os senhores não o obrigam nem a cortar as suas despesas públicas nem a eliminar os seus subsídios?
Será para serem corteses com os vizinhos?
E aos politólogos: "Por que aqueles que aqui governam falam sempre de paz, enquanto este país vende a metade das armas de todas as guerras?
E aos especialistas em meio ambiente: Por que os que aqui governam falam sempre do futuro do mundo, enquanto este país gera a metade da poluição que está a acabar com o futuro do mundo?
Quanto mais explicações recebiam, menos entendiam.
Pouco durou a expedição.
Os extraterrestres começaram sua visita pela potência dominante, e aí terminaram.
A normalidade do poder não estava ao alcance daqueles turistas.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info


terça-feira, 13 de maio de 2008

O MUNDO ESTÁ MUDO

Hora de romper relações com Israel

“Até quando o seqüestro de um soldado israelense poderá justificar o seqüestro da soberania palestina?

Até quando o seqüestro de dois soldados israelenses poderá justificar o seqüestro de todo Líbano?

Até quando continuará correndo sangue para que a força justifique o que o direito nega?


Esta matança de agora, que não é a primeira e nem será, receio, a última, ocorre em silêncio.

O mundo está mudo?

Até quando seguirão soando em sinos de madeira as vozes da indignação?


Destina-se US$ 2,5 bilhões, a cada dia, para os gastos militares.


A miséria e a guerra são filhas do mesmo pai: como alguns deuses cruéis, come os vivos e os mortos.


Até quanto continuaremos aceitando que este mundo enamorado da morte é nosso único mundo possível?”
(Eduardo Galeano).


(Foto: Participantes da unitária, plural e solidária passeata em São Paulo, o domingo dia 6 de agosto de 2006, contra o bárbaro genocídio no Líbano).


“Sobretudo, sejam sempre capazes de se indignar contra qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. Esta é a qualidade mais linda de um revolucionário”. Carta de Ernesto Che Guevara aos seus cinco filhos.


Além da forte indignação humana contra o bárbaro genocídio no Líbano, os mais de 10 mil participantes da unitária, plural e solidária passeata em São Paulo neste domingo, dia 6, apresentaram como proposta concreta a exigência de que o Brasil rompa as relações diplomáticas com o Estado terrorista de Israel.
A cobrança das forças políticas e sociais que organizaram o protesto é plenamente justificada. Afinal, o que ocorre nesta região afronta todas as normas do direito internacional e representa um dos episódios mais tristes de agressão a uma nação soberana e de extermínio de um povo. Parece que os sionistas israelenses desejam repetir, com requintes de crueldade, a triste história do holocausto nazista contra o povo judeu.
Segundo informações oficiais, até o último dia 2 já morreram 200 crianças e 828 adultos libaneses, outros 3,2 mil ficaram feridos e um quarto da população do país – quase um milhão de pessoas – foi desalojado de suas casas pelos intensos bombardeios.
A ofensiva é implacável.
Além dos ataques aéreos, cerca de 10 mil soldados israelenses ocuparam cinco áreas ao sul do Líbano.
Toda a infra-estrutura do Líbano – redes de transmissão de energia,
reservatórios de água,
o aeroporto central,
rodovias e pontes – está sendo alvo da destruição, o que agrava ainda mais a situação deste sofrido povo.
Hospitais estão sem energia elétrica para realizar cirurgias, falta água em várias cidades e não há rotas seguras de fuga.
A devastação é total.
Do lado israelense, em três semanas de combate morreram 37 militares e 19 civis – o que prova a enorme desproporção desta “guerra”.
As justificativas apresentadas pelos nazi-sionistas também são escandalosas.
Alegaram que a criminosa ofensiva decorreu do “seqüestro” de dois soldados israelenses por militantes do Hezbollah, em 12 de julho.
Nunca a captura de tropa inimiga foi desculpa para uma ação desta magnitude.
A versão alardeada na mídia burguesa foi a de que o grupo libanês fez o seqüestro em território de Israel.
Fontes independentes, porém, garantem que o serviço de inteligência militar sionista (Aman) invadiu a região libanesa de Aita-al-Shaab e que seus soldados foram atacados e capturados pelo Hezbollah.
A mesma desculpa serviu como pretexto para a bárbara invasão do território palestino em junho passado.
Após o seqüestro do soldado Gilat Shalit – que o grupo Hamas pretendia trocar por 150 mulheres e 350 menores presos em Israel, sem julgamento –, o Estado terrorista de Israel bombardeou o país, prendeu um terço do Parlamento Palestino e vários ministros (inclusive o seu chanceler, Mahmoud Zahar), ameaçou publicamente assassinar o primeiro-ministro palestino Ismail Haniyeh e ainda anunciou sua pretensão de realizar ataques aéreos e navais contra a Síria, acusada de abrigar líderes do Hamas.
Ou seja: num curto espaço de tempo, os nazi-sionistas agridem o Líbano e a Palestina e ainda ameaçam a Síria e o Irã.
Daí a justa indignação do escritor Eduardo Galeano. “Até quando o seqüestro de um soldado israelense poderá justificar o seqüestro da soberania palestina? Até quando o seqüestro de dois soldados israelenses poderá justificar o seqüestro de todo Líbano? Até quando continuará correndo sangue para que a força justifique o que o direito nega? Esta matança de agora, que não é a primeira e nem será, receio, a última, ocorre em silêncio. O mundo está mudo? Até quando seguirão soando em sinos de madeira as vozes da indignação? Destina-se US$ 2,5 bilhões, a cada dia, para os gastos militares. A miséria e a guerra são filhas do mesmo pai: como alguns deuses cruéis, come os vivos e os mortos. Até quanto continuaremos aceitando que este mundo enamorado da morte é nosso único mundo possível?”.

Marionete dos EUA
Na verdade, a desculpa da “legítima defesa” visa escamotear os planos expansionistas de Israel – e do seu tutor, os EUA.
Como adverte reportagem da Carta Capital, a captura de soldados nunca gerou ações tão destrutivas.
“Em 1985, o governo do Likud trocou 1.150 prisioneiros por três soldados israelenses. Há pouco mais de dois anos, aceitou libertar 430 prisioneiros palestinos e árabes em troca de um empresário e coronel da reserva seqüestrado pelo Hezbollah”.
Além disso, o Exército de Israel sempre se utilizou do seqüestro e de outros métodos bárbaros.
Dias antes do recente ataque à Palestina, ele seqüestrou dois civis de suas casas em Gaza. Pouco antes, assassinou 90 palestinos – entre eles, sete membros de uma família que fazia piquenique na praia, incluindo três crianças e uma mulher grávida.
O pretexto é esfarrapado!

A razão do genocídio atual é que Israel não aceita a viabilização de qualquer acordo nesta região e que os EUA estão perdendo o controle desta área estratégica, rica em petróleo e decisiva no tabuleiro geopolítico mundial.
No momento em que o próprio Hamas discutia a possibilidade de aceitar a existência do Estado de Israel como única forma de viabilizar a paz duradoura, os violentos ataques abalam estas esperanças, atiçam o conflito e fortalecem os planos expansionistas dos nazi-sionistas. Como lembrou o jornal Avante, do Partido Comunista de Portugal, esta pretensão é bastante antiga.
Documento de 1957, elaborado pelo primeiro-ministro David Ben Gourion (1948-63), já pregava a ocupação de territórios palestinos e árabes.

Outro texto mais recente, de julho de 1996, intitulado “ruptura limpa: a nova estratégia para a segurança”, defendia abertamente “a anulação dos acordos de paz de Oslo; a eliminação de Iasser Arafat; a anexação dos territórios palestinos; a derrubada de Saddam Hussein no Iraque para desestabilizar a Síria e o Líbano; o desmantelamento do Iraque; e a utilização de Israel como base complementar do programa dos EUA de guerra das estrelas”.
Como se observa, além de sua obsessiva ambição, Israel sempre serviu aos interesses ianques.
Agora, com a generalização do conflito na região, George Bush usa sua marionete para emplacar o “plano de reestruturação do Oriente Médio”, com a rendição dos países que integram o “eixo do mal”.
Não é para menos que os EUA não aceitam qualquer recuo de Israel nesta ofensiva assassina e rejeitam as propostas de cessar-fogo da ONU.
“Não vejo qualquer interesse na diplomacia se for para voltar ao status quo anterior entre Israel e Líbano. Penso que isso seria um erro. O que nós estamos presenciando, de certa forma, é um começo, são as dores do parto de um novo Oriente Médio”, explicitou a cínica e abjeta serial killer Condoleezza Rice, secretária de Estado dos EUA.
O plano expansionista da “reestruturação” já está em curso, incluindo o “porrete diplomático”, o envio de armas ianques de última geração a Israel e ainda o veneno ideológico da mídia burguesa.
Líbano e Palestina já foram covardemente agredidos; em 28 de junho, aviões israelenses invadiram o espaço aéreo da Síria, inclusive sobre a área do palácio presidencial de Bashar Assad; já o Iraque está sob ocupação das tropas ianques; e o Irã sofre todo tipo de provocações.

A pressão internacionalista
Diante desta escalada, a reação mundial está crescendo, embora ainda muito aquém das necessidades.
As manifestações de repúdio à violência nazi-sionista são maiores na própria região.
Já na Europa ocorreram passeatas e atos em vários países.
Até em Israel, grupos pacifistas exigem o cessar fogo e a retomada das negociações de paz. Na América Latina, a ação mais contundente foi tomada pelo governo venezuelano.
O presidente Hugo Chávez ordenou a retirada do seu embaixador em Israel, “porque causa indignação ver como esse Estado continua bombardeando e esquartejando inocentes com os aviões gringos que eles têm. Como se explica que o mundo olhe isso de braços cruzados, que não faça nada para frear este horror?”.
O governo de Cuba também emitiu duro comunicado exigindo o imediato cessar-fogo. Segundo sua nota oficial, “a responsabilidade por esta selvagem agressão contra a população civil libanesa, que constitui um ato de terrorismo de Estado, é de quem apóia econômica e militarmente o agressor e de quem atua como vassalos servis e cúmplices. O governo americano, com o seu veto, impediu o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas de atuar. A sua pública e criminosa oposição à exigência de um cessar-fogo abortou outras iniciativas de paz. A União Européia, com raras exceções, serve de cúmplice e aceita as brandas declarações impostas pelo Império do outro lado de Atlântico”.
Já o governo Lula enviou carta ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, na qual manifesta explícita condenação aos ataques de Israel.
“O Brasil se sente diretamente atingido pela violência contra civis na região, que já vitimou sete cidadãos brasileiros, inclusive crianças. Repudiamos o terrorismo, não importa sob que justificativa, mas não podemos deixar de condenar, nos termos mais veementes, a reação desproporcional e o uso excessivo da força que tem resultado na morte de grande número de civis, inclusive mulheres e crianças, e na destruição da infra-estrutura do Líbano”, afirma o comunicado.
O Mercosul também rejeitou a assinatura de um tratado de “livre comércio” com Israel.
Apesar de positiva, a manifestação do governo Lula é insuficiente diante da radicalização do genocídio.
A proposta de retirar o embaixador brasileiro de Israel, num sinal de rompimento das relações diplomáticas, já seria cabível.
Afinal, o Estado sionista já desrespeitou 46 resoluções da ONU condenando Israel.
“Até quando o governo israelense exercerá o privilégio de ser surdo?
As Nações Unidas recomendam, mas não decidem.
Quando decide, a Casa Branca impede que decida, porque tem direito de veto.
A Casa Branca vetou, no Conselho de Segurança, 40 resoluções que condenavam Israel.
Até quando as Nações Unidas continuarão atuando como se fossem o outro nome dos Estados Unidos?”, indaga Eduardo Galeano.

Segundo Marjorie Cohn, integrante da Associação de Juristas dos EUA, a ação de Israel no Líbano é uma flagrante violação de todas as leis de guerra, incluindo a Quinta Convenção de Haia, de 1907 (artigo 50), a Quarta Convenção de Genebra sobre a proteção de civis em tempo de confrontos, de 1949 (artigo 33) e o Protocolo I de 1977, sobre a proteção de vítimas de conflitos internacionais armados (artigo 75).
Mais do que as normas jurídicas, as fotos de centenas de crianças destroçadas pelos bombardeios, publicadas no Portal Vermelho, reclamam uma ação urgente contra o Estado terrorista e bandido de Israel.

No atual conflito, os sionistas nem sequer respeitam o direito brasileiro de retirar os seus compatriotas da região em guerra.
O próprio ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, queixou-se à mídia de que o governo de Israel não ofereceu qualquer garantia para que os brasileiros e seus descendentes atravessem a fronteira em segurança, o que tem criado enormes dificuldades ao transporte. Diante destes fatos, José Reinaldo de Carvalho, secretário de relações internacionais do PCdoB, avalia que se “justifica que cresça o clamor pela retirada de nossa embaixada daquele país”.
Esse foi exatamente o clamor dos presentes na passeata em São Paulo, que deve incentivar uma massiva campanha de solidariedade no Brasil inteiro.

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição).
[Artigo enviado a www.galizacig.com polo autor, 07/08/2006]
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