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sábado, 20 de junho de 2009

A HISTÓRIA DO POVO PALESTINO

Palestina: A história de um povo.
por Camila Martins
No período entre o final do ano de 2008 e janeiro de 2009 mais um banho de sangue aconteceu.
O exército israelense “em resposta” aos foguetes lançados pelos Hamas - Movimento de Resistência Islâmica, que em 2006 ganhou as eleições palestinas com 56% dos votos - promoveu um verdadeiro genocídio contra a população da Faixa de Gaza.
Mais de 1300 foram pessoas mortas, e entre elas mais de 400 crianças, desencadeando uma crise humanitária.
A violência foi tão absurda que foram bombardeados duas escolas da ONU, e um armazém que abrigava refugiados e armazenava mantimentos, inclusive os que foram enviados pelo governo brasileiro, tendo como pano de fundo a declaração da chanceler Tzipi Livnil, que disse “quando Israel for atacado, retaliará.”
E isso foi o mais ouvido nos últimos tempos.
Para a grande mídia e as principais potências, dando maior destaque aos Estados Unidos, Israel é uma vítima dos ataques terroristas do Hamas, tendo total direito de se defender, e invadir Gaza por terra para exterminar os membros da facção.
O que não é revelado, é que a ocupação israelense inclui áreas não legalizadas pela ONU.
A partir dessa afirmação o conflito muda de perspectiva, o Hamas, um grupo de milicianos armados, que se tornou um partido político, torna-se junto de todos os palestinos, um movimento de resistência contra o império militar e da tentativa de colonização.
A Palestina Histórica
A chamada Palestina Histórica é todo o território que engloba hoje Faixa de Gaza, Israel, e Cisjordânia.
Antes da decisão de construir lá um estado judeu, que implicaria na desapropriação de terras de árabes que a habitavam há séculos; a região fazia parte de uma grande extensão interligada ao mundo árabe.
Com o histórico de sucessivos golpes dos grandes impérios, no século XIX a Palestina fica sob o comando do Império Turco-Otomano, somando cerca de 500 mil habitantes.
Entre eles a pluralidade religiosa, muçulmanos, cristãos, e judeus conviviam em harmonia e tinham os mesmos direitos, mesmo sendo a grande maioria muçulmana, cristalizando a sua cultura na região.
Ainda na ocasião, o número de cristãos não somavam 10%, os de judeus, nem 5%.
Sionismo: o nacionalismo judeu
Ainda no final do século XIX os judeus sofrem um duro golpe: O governo czarista resolve culpá-los por todo mal que vinha sofrendo o povo russo, milhares são mortos.
Em meio a essa complicada situação, buscando refúgio nos outros países da Europa, o judeu nascido em Budapeste, Theodor Herzl, publica no final do século XIX, um documento que diz que os judeus deveriam ter a sua própria terra, onde eles mesmos sejam os senhores.
Tais idéias são inspiração para o Sionismo, corrente política que defendia a criação de um estado exclusivamente judeu.
Depois de estudarem lugares como Uganda, Argentina, e até mesmo a Amazônia, chegaram a conclusão que o melhor lugar seria a Palestina, já que essa era a terra prometida por Deus.
Assim, em 1897, é realizado o 1º Congresso Sionista, onde abertamente propuseram um projeto colonial para a Palestina, com a intenção de tornar ali definitivamente o seu lar. Nesse mesmo congresso fica instituída a criação de uma agência de propaganda, para divulgar e incentivar a imigração judaica para a Palestina, mobilizando cada vez mais pessoas que iam em busca da nova terra.
A adesão se intensifica quando em 1917 o governo inglês, agora exercendo seu comando sobre a Palestina, aprova a criação de um Lar Nacional Judaico naquelas terras.
“Isso foi uma grande loucura. O debate no âmbito do direito internacional não aceita essa reivindicação, porque se você considerar que quem morou há mais de dois mil e quinhentos anos atrás em determinada terra tem direito a ela, é preciso devolver os Estados Unidos aos índios cherokees, povo que morava lá originalmente. O direito a terra é de quem nela habita e toma conta”, diz o sociólogo e arabista Lejeune Mirhan, que tem uma coluna no site www.vermelho.org há sete anos inteiramente dedicada ao Oriente Médio.
Com tal notícia o povo árabe começa a se alarmar e perceber que com o fluxo imigratório, em poucos anos eles seriam substituídos pelos estrangeiros.
Diversos conflitos acontecem, prenúncio do que estaria por vir.
Com a ascensão de Hitler e a intensificação do anti-semitismo na Alemanha nazista, outro pico de imigração é registrado, só em 1935 são 65 mil judeus entrando na Palestina.
O governo inglês, percebendo a dimensão do problema que estava se formando, e os conflitos entre os grupos que poderiam acontecer, tenta barrar a entrada de mais judeus na região. E é nessa ocasião que os judeus rompem com a Inglaterra para aliarem-se ao país que é seu braço direito até hoje, os Estados Unidos
Israel: Estado Bandido
Visando expandir seu poder e influencia no Oriente Médio, os Estados Unidos tem um papel protagonista nessa história.
Ainda para Mirha, “Quando o comércio era basicamente marítimo, todas as rotas que saiam da Índia e da China para chegar a Europa passavam pela Palestina para atravessar o Mediterrâneo, tornando a região estratégica. Já no século XX, desgraçadamente os Estados Unidos fizeram um furinho e descobriram que o Oriente Médio é a região mais petrolífera do mundo, sendo necessário colocar ali uma cabeça de lança que defendesse seus interesses. A solução foi apoiar a criação de um Estado totalmente artificial.”
Incentivando a imigração para a Palestina, os americanos financiavam a compra de armamento pelos judeus, que embasados na idéia do “soldado cidadão” treinavam seu povo militarmente para combate. E é essa força militar que é usada em atentados contra aldeias palestinas, como no episódio do massacre da aldeia de DERIASSIM, dois anos antes da criação do Estado de Israel, onde 247 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram mortas pelo grupo judeu sionista Irgun.
Mas esse e outros atentados contra os palestinos não ganharam repercussão.
O mundo, principalmente a Europa, se sentia culpado pela conivência que tiveram com os crimes cometidos durante o Holocausto, e a maneira de se redimir foi colocar a questão judaica em primeiro plano.
A criação do Estado de Israel se tornou pauta na agenda internacional, até que em reunião na sede da Organização das Nações Unidas, em Washington, durante uma votação apertada, 33 votos a favor – incluindo o do Brasil e da União Soviética, e 30 contra; ficou declarado oficialmente que a partir de 14 de maio de 1948, o mapa do mundo ganharia mais um país, Israel.
Para o sociólogo a resolução da ONU foi polêmica, implicando na criação de dois Estados, o de Israel e o Palestino, sendo que o primeiro teria 52% das terras, e o segundo 48%.
“Todos os países árabes votaram contra Israel, pois aqueles que antes eram donos de 100% da terra perderam em uma assinatura 52% dela. Sem contar que as terras israelenses eram as mais aráveis, os palestinos ficaram com a parte mais seca. Hoje chamamos Israel de estado bandido porque a única resolução da ONU que o estado acatou foi essa, todas as outras ele descumpre. E isso foi possível ver nesta última ocupação em Gaza, com o uso indiscriminado de fósforo branco.”
A nakba
Enquanto os judeus comemoravam sua vitória, e os sionistas se preparavam para ser o grupo político hegemônico dentro do novo país, o dia 14 de maio de 1948 foi para os palestinos o dia da Anakba, que em árabe quer dizer catástrofe.
O território palestino foi limitado às regiões da Faixa de Gaza, Cisjordânia, e parte oriental de Jerusalém, e as pessoas que viviam onde se construiria o novo país foram violentamente retiradas de suas casas pelo embrião do poderoso exercito israelense, dando início à saga dos refugiados palestinos.
“Quando Ben-Gurion proclama o Estado de Israel, ele traz junto de seu projeto imperialista travar uma guerra contra seus vizinhos, e ocupar seus territórios, e é isso que vemos até hoje. Os Estados Unidos financiam as invasões israelenses, eles tem uma ligação umbilical tão estreita que todo o ano separam 5 bilhões de seu orçamento para ser enviado a Israel”, revela Lejeune Mirhan.
E o sociólogo continua: “Desde a fundação do Estado de Israel existia um projeto chamado ‘Grande Israel’, que consistia na ocupação de toda a Palestina, o Sinai, o Sul do Líbano, e parte do Egito. Tanto que em 1967, Israel monta uma grande ofensiva militar que fica conhecida como Guerra dos Seis Dias, momento em que o exercito israelense pegou todos os países árabes de surpresa, dizimando toda a força aérea egípcia, síria e jordaniana, sem antes delas terem conseguido decolar.”
Nesse momento Israel expande consideravelmente suas fronteiras – antes da Guerra dos Seis Dias o território palestino já estava restrito a 22%, conseqüência de constantes ocupações – limitando a Palestina àquilo que é hoje, apenas 8% de toda a terra.
Mesmo a ONU considerando totalmente ilegais as terras conquistadas nesse episódio, e votando a resolução 242 que exigia a retirada de todos os assentamentos israelenses em terras árabes, Israel nunca a cumpriu.
A Resistência Palestina
O povo palestino, ao perder seu território, perde também a sua dignidade.
A condição de refugiado em outros países árabes, ou mesmo dentro da pequena porção de terra que lhe sobrou é precária, sem infra-estrutura, mas mesmo assim a luta pela libertação é um sentimento em comum.
A resistência à ocupação israelense sempre existiu, mas foi só em 1958 que se constituiu a primeira unidade de luta palestina, o Fatah, frente popular fundada por Yasser Arafat. Mesmo com a morte de Arafat em 2004, seu nome e sua luta pela paz é uma referência ao povo palestino e ao mundo.
Mas nesse primeiro momento o Fatah é considerado uma organização ilegal, tendo como princípio negar a existência do Estado israelense. Para isso era preciso treinar seus militantes, sendo sua principal atuação os atentados com bombas. Logo após nacionalizar o Canal de Suez, enfrentando a Inglaterra, quando o líder egípcio Nasser propõe a criação de uma organização que trabalhasse pela libertação da Palestina, assim em janeiro de 1964 todos os líderes árabes se juntam para fundar a OLP, Organização pela Libertação da Palestina, cujo lema é “União, Mobilização, e Libertação.”
Em pouco tempo Arafat se tornaria presidente da OLP, e em decorrência das atrocidades geradas pela Guerra dos Seis Dias sua posição se radicaliza, seria preciso pegar em armas e lutar pela construção do Estado Palestino, lugar onde muçulmanos, judeus, e cristãos viveriam em paz.
Com isso o conflito armado se eleva ao primeiro plano, em um período de mais de vinte anos muitas pessoas sofrem com as calamidades provocadas por uma constante guerra, sem contar as milhares de mortes de ambos os lados.
Muitos líderes da OLP são mortos no mundo todo, em contrapartida atentados são cometidos contra os israelenses.
Yasser Arafat leva mais uma vez o assunto para a ONU tendo como arma de troca a exportação do petróleo produzido no Oriente Médio, Arafat faz um apelo a todos os países em prol da causa palestina, proclamando sua célebre frase: “Sou um rebelde, minha causa é a liberdade.”
Mais uma vez, nenhuma atitude da comunidade internacional.
Mobilizados contra os excessos da ocupação, os refugiados palestinos do campo de Jabaliyah iniciam, em 1987, a primeira Intifada, uma manifestação que levou pessoas ás ruas empunhando pedras e paus contra as armas e fuzis israelenses.
A Intifada ganhou repercussão internacional quando foram divulgadas fotos de soldados israelenses abusando de palestinos, quebrando suas mãos e braços, assim como determinavam as ordens de seu governo.
Ciente da batalha assimétrica, e do abuso de força promovida por Israel, a OLP recua a sua posição e Yasser Arafat vai a Genebra declarar o reconhecimento da existência de dois Estados, um Israelense e outro Palestino, e que a partir daquele momento rejeitaria todas as formas de terrorismo em favor da luta pela Paz.
A primeira reação de Israel é a desconfiança, além de manter a posição que a OLP era um grupo terrorista, por isso não a reconheciam nem dialogariam com a organização.
Mas devido às pressões internacionais em 1993 é assinado o acordo de Oslo, que consistia no esforço de ambos os lados para a criação do Estado palestino ao lado do israelense.Uma das resoluções do acordo é a criação da ANP, Autoridade Nacional Palestina, uma espécie de governo sem Estado, que através de eleições diretas elege seu presidente.
O primeiro foi Arafat, em 1996.
O Hamas
É durante a primeira Intifada, em 1987, que nasce o Movimento de Resistência Islâmica, o Hamas, fundado pelo xeque Àhmede Ýassin e seus tenentes.
A principal influência sobre o Hamas é a Fraternidade Muçulmana, movimento islâmico do Egito, religioso extremista, que atingiu caráter de grupo político.
Opondo-se à decisão do Fatah de reconhecer a existência do Estado de Israel, o Hamas resgata a origem do grupo de Arafat e diz em sua carta de fundação que não aceita a existência de Israel, preconizando uma Palestina islâmica que abrigue diversas religiões em seu território.
Seguindo a tradição dos grupos de resistência, o Hamas, além de se engajar no debate político e promover programas assistencialistas para a população, mantém o seu braço armado, as chamadas Brigadas Azzeddine AL-Qassam, responsáveis pela produção e lançamentos dos foguetes caseiros em direção ao território israelense.
Em pouco tempo a reação violenta do Hamas, em resposta a ocupação,foi considerada como prática terrorista pelos Estados Unidos, União Européia e Japão.
“Acontece que o conceito de terrorismo depende mais de quem o aplica que da realidade. Quando os israelenses ajudaram o Hamas a firmar-se, os terroristas eram os seguidores do arqui-inimigo Yasser Arafat, mas as posições se inverteram quando o Hamas venceu as eleições. Sem contar que se terrorismo for o ato de atacar o inimigo matando inocentes, então todos os lados praticam terrorismo, e se estes forem medidos quantitativamente a balança de atos de terror pende mais para Israel, praticando terrorismo de Estado.”, diz o Embaixador brasileiro Arnaldo Carrilho, que atua junto ao Mecanismo ASPA (América do Sul – Países Árabes), e é ex-representante junto à ANP.
As eleições a que o Embaixador se refere à cima foram as eleições para o Parlamento Palestino, em 2006, que o Hamas, já consolidado como um grupo político, atingiu 56% da preferência popular, tornando-se maioria.
E Carrilho acrescenta, “As eleições demonstraram o apoio do povo palestino ao Hamas, quando até cristãos depuseram seus votos nas urnas favoráveis aos candidatos do movimento. Com esses últimos ataques a Gaza o apoio deve ter aumentado, mas só um sufrágio límpido e transparente, como foi o de há três anos, poderia comprová-lo.”
A opção dos palestinos em eleger um grupo apoiado no fundamentalismo religioso, pode ser vista como uma nova tentativa da sociedade em buscar resoluções para a sua causa, já que os anos liderados pelo Fatah, de origem secular, nunca obteve sucesso efetivo em suas negociações.
O que aconteceu pós-eleições foi o total desrespeito ocidental contra a soberania dos palestinos.
Por ser considerado terrorista e desconsiderando as decisões democráticas, Israel junto de seus aliados impôs um bloqueio econômico à Faixa de Gaza, fechando suas fronteiras com o Egito, impedindo a entrada de alimentos e medicamentos, isolando ainda mais a região com maior densidade demográfica do mundo, com cerca de 1 milhão e 400 mil habitantes.
O bloqueio intensificou-se ainda mais quando o Fatah recusou-se a compor o novo governo, e ainda opôs-se a entregar parte da administração ao Hamas, gerando um conflito interno na região, que acabou com todos os membros do Fatah sendo expulsos da Faixa de Gaza.
“Por várias vezes, os líderes do Hamas sinalizaram sua disposição de filiar-se à OLP, mas os dirigentes do Fatah não aceitaram sua participação majoritária”, conta o Embaixador.
Quem saiu prejudicado dessa briga política foi mais uma vez o povo palestino, que viu seu governo fragilizado ainda mais ao ser dividido em dois pólos: um sob o comando da ANP e do Fatah na Cisjordânia, representado por Mahmoud Abbas, e outro sob o comando do Hamas e de seu primeiro-ministro Ismael Haniyeh, na Faixa de Gaza.
O modo encontrado de furar o bloqueio foi através dos túneis clandestinos ligando Gaza ao Egito, transportando através deles, além de itens básicos para manter a população, armas para o Hamas, vindas do país vizinho.
Com o fim do acordo de cessar-fogo, e a ação militar israelense em Gaza no dia 4 de novembro, o Hamas voltou a lançar seus foguetes, que atingem de 15 a 40 quilômetros de distância.
Como represália, e especula-se que seja uma manobra eleitoreira, já que as eleições em Israel se aproximam, seu exército invade em 27 de dezembro de 2008 a Faixa de Gaza por terra, e através de ataques aéreos com o objetivo de acabar com todos os membros do Hamas.
A operação ganha formato de massacre étnico, já que a desigualdade armamentista frente ao conflito é gritante.
Durante os mais de 20 dias da nova ocupação, 1.300 palestinos morrem, do lado israelense são 13.
De todos os lados as mortes são lamentáveis.
“Eu não apoio ações violentas do Hamas, no entanto consigo compreender um jovem que coloca dinamite no seu corpo porque teve sua casa destruída por um bombardeio, sua mãe estuprada por soldados, e seu pai preso e torturado. Que perspectiva esse jovem tem?” desabafa Lejeune Mirha.
As resoluções do conflito
Depois de muito diálogo no campo da diplomacia, liderados pela França com apoio do Egito, Israel optou no último dia 18 de janeiro, dois dias antes da posse de Barack Obama, por um cessar-fogo unilateral, reivindicado o fechamento dos túneis clandestinos.
Os Estados Unidos permaneceram quietos durante todo o período da ocupação, e o presidente Barak Obama disse apenas que os Estados Unidos não poderia ter duas vozes – pois na ocasião ele ainda não tinha sido empossado – decepcionando parte do mundo, e alertando ao novo presidente que a questão palestina terá que ser prioridade em sua agenda.
Em um primeiro momento a liderança do Hamas não aderiu ao cessar fogo, já que a sua luta é pela abertura total das fronteiras, mas depois cedeu e declarou que irá parar de lançar os foguetes durante sete dias.
O debate no mundo árabe sobre a paz é divergente, a proposta da ANP é a de que Israel recue para as fronteiras de 1967, fazendo o território palestino voltar aos 22%, desocupem todas as colônias na Cisjordânia, permitam a volta dos refugiados, e declarem a parte oriental da Jerusalém como a capital palestina..
Já para o Hamas essas reivindicações sinalizariam apenas uma trégua.
Israel se opõe a todos esses aspectos.
A filósofa judia - alemã, Hannah Arendt, refugiada nos Estados Unidos na perseguição nazista, dedicou grande parte de sua obra estudando a questão da liberdade e sua repressão nos momentos que emergem regimes totalitários.
Certa vez Arendt escreveu que “a essência dos Direitos Humanos, é o direito a ter direitos”, e o que se notou durante toda a história, ainda mais nesse último mês de janeiro, é que o poder imperialista nega ao povo palestino o direito à terra, e nela serem cidadãos.
Camila Martins é socióloga e repórter na revista Caros Amigos.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

TERRORISMO E TERRORISTAS


Quem disse que o Hamas é uma organização terrorista?
E quem disse que uma Imprensa Livre

não mentiria também ???

E quem disse que

um Regime Democrático

não mataria também ??

E quem disse que

uma Democracia Ocidental

não roubaria também outro país ??


"Terrorismo , terrorista termo criado pelos Judeus Sionistas q dominam a America junto com e Bush depois de 2001 para todos aqueles q se Opoem ao Grande Israel no oriente medio e nas politicas intervencionistas no mundo dos EUA."



"Convencionou-se chamar de terrorista" quaisquer grupos armados que ousassem ou ousem desafiar a ideologia anti-democrática ao planeta.

Assim aconteceu com as guerras de libertação das colônias africanas,onde os seus naturais pegaram em armas para defender sua soberania e identidade ;caso típico da guerra do Vietnan,onde os vietnamitas que formaram uma força armada contra seus invasores foram denominados de terroristas.

Não esqueçamos que "terrorista é aquele que leva, prática um ato de terror,portanto seria mais correto chamar de terrorista aquele que invade e não o que defende. Esses indivíduos permeados pelo sentimento nefasto do poder a quaisquer custos.

Não devemos esquecer ainda a existência a nível de política ideológica e de administração governamental que o método do terrorismo é amplamente utizado e o manipula como arma de controle,subserviência e subjugação de nações e povos.

A imprensa pode é e utilzada à mestria, aqui mesmo, no nosso país o terror psicológico com notícias falsas,manipuladas,plantadas afim de torcendo os fatos,dar-lhes uma roupagem totalmente inversa a original,contando com a boa intenção,ignorância e descaso com a vida do próprio país -- é a imprensa PIG - bem representada aqui.

O terrorismo econômico que utiliza a chantagem do maior sobre o menor é utilizada de forma vergonhosa no nosso país e apoiado pelos partidos da direita e os neoliberais,bem como os simulacros vendidos de outras siglas."



Salaam.

"Muitos ocidentais são desinformados, cabeças-duras e não aceitam a verdade, qdº esta verdade contesta os USA. Os ''puros''-sangue latinos são dignos de pena; pensam que sabe o significado da palavra utópica DEMOCRACIA.k¹

Sabes que eu sou pró Fatah, mas não posso deixar de informar que o Fatah usou de má fé e lançou foguetes como se fosse o Hamas.

O Hamas tem + é que lançar bombas de fósforo branco p/ fazer o Holocausto ''judeu'' acontecer de verdade.

O fósforo branco continua a queimar os órgãos internos das pessoas mesmo depois de elas estarem mortas há horas e serão 3 gerações com problemas respiratórios, se deixarem algum palestino de Gaza vivo.

Tudo pelo gás que há em Gaza.

Qdº os kazares começaram a usar fósforo branco eu sabia que eles não podiam ir à frente e estragaram a água de Gaza que eles tanto queriam: ''' não é do ISRAEL, NÃO É DE NINGUÉM''.

♦EUA e Arábia Saudita apoiaram Fatah al-Islam. Sexta-feira, Maio 25, 2007←P/ quem não sabe o Fatah al-Islam é outro grupo que fica dentro do acampamento de refugiados palestinos em Líbano.

Não é o Fatah de Arafat.

♦Soube da posição que a Arábia tomou? Não era sem tempo. Em 2007 também uniu-se ao Irã. Nós shias agitamos mesmo. Tudo p/ evitar a 3ª G.G.

↓ ↓ ↓ ↓ ↓

•23.01.2009+ 1 x a Arábia teve que unir-se ao Irã e impor condições p/ que Obama deixe de apoiar Israel e que sejam devolvidos não só os territórios palestinos mas que fundem 1 Estado Palestino com segurança e acordo assinado de que Israel não atacará again os palestinos ou a Arábia Saudita cortará relações com os USA e intervirá militarmente, por 1 Oriente Médio Unido.

♦Como os brasileños podem querer saber disto se viram a face e fingem que não vêm o comércio de crianças de 0 à 6 anos p/ o turismo pedófilo de Brasil, que, digo-o de passagem, ocupa o 1° luga no fornecimento de bebés p/ pedófilos. Eles estão muito ocupados assistindo TV

♣Os ''judeus'' voltarão à Gaza após as eleições israelenses".

Ma' Salaam



"Quem diz é a midia bandida! E tem midiota que acredita!"



"Partiu de governantes ocidentais e a imprensa colaborou".


"Os inimigos do Hamas e amigos de Israel é que dizem que o Hamas é terrorista, aquelas pessoas que odeiam o Lula e apoiam Israel e EUA incondicionalmente tambem dizem que o Hamas é terrorista".


"Os mesmos que dizem que Israel tem o direito a defesa, são os mesmos que chamam o Hamas de terrorista".

terça-feira, 13 de maio de 2008

O MUNDO ESTÁ MUDO

Hora de romper relações com Israel

“Até quando o seqüestro de um soldado israelense poderá justificar o seqüestro da soberania palestina?

Até quando o seqüestro de dois soldados israelenses poderá justificar o seqüestro de todo Líbano?

Até quando continuará correndo sangue para que a força justifique o que o direito nega?


Esta matança de agora, que não é a primeira e nem será, receio, a última, ocorre em silêncio.

O mundo está mudo?

Até quando seguirão soando em sinos de madeira as vozes da indignação?


Destina-se US$ 2,5 bilhões, a cada dia, para os gastos militares.


A miséria e a guerra são filhas do mesmo pai: como alguns deuses cruéis, come os vivos e os mortos.


Até quanto continuaremos aceitando que este mundo enamorado da morte é nosso único mundo possível?”
(Eduardo Galeano).


(Foto: Participantes da unitária, plural e solidária passeata em São Paulo, o domingo dia 6 de agosto de 2006, contra o bárbaro genocídio no Líbano).


“Sobretudo, sejam sempre capazes de se indignar contra qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. Esta é a qualidade mais linda de um revolucionário”. Carta de Ernesto Che Guevara aos seus cinco filhos.


Além da forte indignação humana contra o bárbaro genocídio no Líbano, os mais de 10 mil participantes da unitária, plural e solidária passeata em São Paulo neste domingo, dia 6, apresentaram como proposta concreta a exigência de que o Brasil rompa as relações diplomáticas com o Estado terrorista de Israel.
A cobrança das forças políticas e sociais que organizaram o protesto é plenamente justificada. Afinal, o que ocorre nesta região afronta todas as normas do direito internacional e representa um dos episódios mais tristes de agressão a uma nação soberana e de extermínio de um povo. Parece que os sionistas israelenses desejam repetir, com requintes de crueldade, a triste história do holocausto nazista contra o povo judeu.
Segundo informações oficiais, até o último dia 2 já morreram 200 crianças e 828 adultos libaneses, outros 3,2 mil ficaram feridos e um quarto da população do país – quase um milhão de pessoas – foi desalojado de suas casas pelos intensos bombardeios.
A ofensiva é implacável.
Além dos ataques aéreos, cerca de 10 mil soldados israelenses ocuparam cinco áreas ao sul do Líbano.
Toda a infra-estrutura do Líbano – redes de transmissão de energia,
reservatórios de água,
o aeroporto central,
rodovias e pontes – está sendo alvo da destruição, o que agrava ainda mais a situação deste sofrido povo.
Hospitais estão sem energia elétrica para realizar cirurgias, falta água em várias cidades e não há rotas seguras de fuga.
A devastação é total.
Do lado israelense, em três semanas de combate morreram 37 militares e 19 civis – o que prova a enorme desproporção desta “guerra”.
As justificativas apresentadas pelos nazi-sionistas também são escandalosas.
Alegaram que a criminosa ofensiva decorreu do “seqüestro” de dois soldados israelenses por militantes do Hezbollah, em 12 de julho.
Nunca a captura de tropa inimiga foi desculpa para uma ação desta magnitude.
A versão alardeada na mídia burguesa foi a de que o grupo libanês fez o seqüestro em território de Israel.
Fontes independentes, porém, garantem que o serviço de inteligência militar sionista (Aman) invadiu a região libanesa de Aita-al-Shaab e que seus soldados foram atacados e capturados pelo Hezbollah.
A mesma desculpa serviu como pretexto para a bárbara invasão do território palestino em junho passado.
Após o seqüestro do soldado Gilat Shalit – que o grupo Hamas pretendia trocar por 150 mulheres e 350 menores presos em Israel, sem julgamento –, o Estado terrorista de Israel bombardeou o país, prendeu um terço do Parlamento Palestino e vários ministros (inclusive o seu chanceler, Mahmoud Zahar), ameaçou publicamente assassinar o primeiro-ministro palestino Ismail Haniyeh e ainda anunciou sua pretensão de realizar ataques aéreos e navais contra a Síria, acusada de abrigar líderes do Hamas.
Ou seja: num curto espaço de tempo, os nazi-sionistas agridem o Líbano e a Palestina e ainda ameaçam a Síria e o Irã.
Daí a justa indignação do escritor Eduardo Galeano. “Até quando o seqüestro de um soldado israelense poderá justificar o seqüestro da soberania palestina? Até quando o seqüestro de dois soldados israelenses poderá justificar o seqüestro de todo Líbano? Até quando continuará correndo sangue para que a força justifique o que o direito nega? Esta matança de agora, que não é a primeira e nem será, receio, a última, ocorre em silêncio. O mundo está mudo? Até quando seguirão soando em sinos de madeira as vozes da indignação? Destina-se US$ 2,5 bilhões, a cada dia, para os gastos militares. A miséria e a guerra são filhas do mesmo pai: como alguns deuses cruéis, come os vivos e os mortos. Até quanto continuaremos aceitando que este mundo enamorado da morte é nosso único mundo possível?”.

Marionete dos EUA
Na verdade, a desculpa da “legítima defesa” visa escamotear os planos expansionistas de Israel – e do seu tutor, os EUA.
Como adverte reportagem da Carta Capital, a captura de soldados nunca gerou ações tão destrutivas.
“Em 1985, o governo do Likud trocou 1.150 prisioneiros por três soldados israelenses. Há pouco mais de dois anos, aceitou libertar 430 prisioneiros palestinos e árabes em troca de um empresário e coronel da reserva seqüestrado pelo Hezbollah”.
Além disso, o Exército de Israel sempre se utilizou do seqüestro e de outros métodos bárbaros.
Dias antes do recente ataque à Palestina, ele seqüestrou dois civis de suas casas em Gaza. Pouco antes, assassinou 90 palestinos – entre eles, sete membros de uma família que fazia piquenique na praia, incluindo três crianças e uma mulher grávida.
O pretexto é esfarrapado!

A razão do genocídio atual é que Israel não aceita a viabilização de qualquer acordo nesta região e que os EUA estão perdendo o controle desta área estratégica, rica em petróleo e decisiva no tabuleiro geopolítico mundial.
No momento em que o próprio Hamas discutia a possibilidade de aceitar a existência do Estado de Israel como única forma de viabilizar a paz duradoura, os violentos ataques abalam estas esperanças, atiçam o conflito e fortalecem os planos expansionistas dos nazi-sionistas. Como lembrou o jornal Avante, do Partido Comunista de Portugal, esta pretensão é bastante antiga.
Documento de 1957, elaborado pelo primeiro-ministro David Ben Gourion (1948-63), já pregava a ocupação de territórios palestinos e árabes.

Outro texto mais recente, de julho de 1996, intitulado “ruptura limpa: a nova estratégia para a segurança”, defendia abertamente “a anulação dos acordos de paz de Oslo; a eliminação de Iasser Arafat; a anexação dos territórios palestinos; a derrubada de Saddam Hussein no Iraque para desestabilizar a Síria e o Líbano; o desmantelamento do Iraque; e a utilização de Israel como base complementar do programa dos EUA de guerra das estrelas”.
Como se observa, além de sua obsessiva ambição, Israel sempre serviu aos interesses ianques.
Agora, com a generalização do conflito na região, George Bush usa sua marionete para emplacar o “plano de reestruturação do Oriente Médio”, com a rendição dos países que integram o “eixo do mal”.
Não é para menos que os EUA não aceitam qualquer recuo de Israel nesta ofensiva assassina e rejeitam as propostas de cessar-fogo da ONU.
“Não vejo qualquer interesse na diplomacia se for para voltar ao status quo anterior entre Israel e Líbano. Penso que isso seria um erro. O que nós estamos presenciando, de certa forma, é um começo, são as dores do parto de um novo Oriente Médio”, explicitou a cínica e abjeta serial killer Condoleezza Rice, secretária de Estado dos EUA.
O plano expansionista da “reestruturação” já está em curso, incluindo o “porrete diplomático”, o envio de armas ianques de última geração a Israel e ainda o veneno ideológico da mídia burguesa.
Líbano e Palestina já foram covardemente agredidos; em 28 de junho, aviões israelenses invadiram o espaço aéreo da Síria, inclusive sobre a área do palácio presidencial de Bashar Assad; já o Iraque está sob ocupação das tropas ianques; e o Irã sofre todo tipo de provocações.

A pressão internacionalista
Diante desta escalada, a reação mundial está crescendo, embora ainda muito aquém das necessidades.
As manifestações de repúdio à violência nazi-sionista são maiores na própria região.
Já na Europa ocorreram passeatas e atos em vários países.
Até em Israel, grupos pacifistas exigem o cessar fogo e a retomada das negociações de paz. Na América Latina, a ação mais contundente foi tomada pelo governo venezuelano.
O presidente Hugo Chávez ordenou a retirada do seu embaixador em Israel, porque causa indignação ver como esse Estado continua bombardeando e esquartejando inocentes com os aviões gringos que eles têm. Como se explica que o mundo olhe isso de braços cruzados, que não faça nada para frear este horror?”.
O governo de Cuba também emitiu duro comunicado exigindo o imediato cessar-fogo. Segundo sua nota oficial, “a responsabilidade por esta selvagem agressão contra a população civil libanesa, que constitui um ato de terrorismo de Estado, é de quem apóia econômica e militarmente o agressor e de quem atua como vassalos servis e cúmplices. O governo americano, com o seu veto, impediu o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas de atuar. A sua pública e criminosa oposição à exigência de um cessar-fogo abortou outras iniciativas de paz. A União Européia, com raras exceções, serve de cúmplice e aceita as brandas declarações impostas pelo Império do outro lado de Atlântico”.
Já o governo Lula enviou carta ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, na qual manifesta explícita condenação aos ataques de Israel.
“O Brasil se sente diretamente atingido pela violência contra civis na região, que já vitimou sete cidadãos brasileiros, inclusive crianças. Repudiamos o terrorismo, não importa sob que justificativa, mas não podemos deixar de condenar, nos termos mais veementes, a reação desproporcional e o uso excessivo da força que tem resultado na morte de grande número de civis, inclusive mulheres e crianças, e na destruição da infra-estrutura do Líbano”, afirma o comunicado.
O Mercosul também rejeitou a assinatura de um tratado de “livre comércio” com Israel.
Apesar de positiva, a manifestação do governo Lula é insuficiente diante da radicalização do genocídio.
A proposta de retirar o embaixador brasileiro de Israel, num sinal de rompimento das relações diplomáticas, já seria cabível.
Afinal, o Estado sionista já desrespeitou 46 resoluções da ONU condenando Israel.
“Até quando o governo israelense exercerá o privilégio de ser surdo?
As Nações Unidas recomendam, mas não decidem.
Quando decide, a Casa Branca impede que decida, porque tem direito de veto.
A Casa Branca vetou, no Conselho de Segurança, 40 resoluções que condenavam Israel.
Até quando as Nações Unidas continuarão atuando como se fossem o outro nome dos Estados Unidos?”, indaga Eduardo Galeano.

Segundo Marjorie Cohn, integrante da Associação de Juristas dos EUA, a ação de Israel no Líbano é uma flagrante violação de todas as leis de guerra, incluindo a Quinta Convenção de Haia, de 1907 (artigo 50), a Quarta Convenção de Genebra sobre a proteção de civis em tempo de confrontos, de 1949 (artigo 33) e o Protocolo I de 1977, sobre a proteção de vítimas de conflitos internacionais armados (artigo 75).
Mais do que as normas jurídicas, as fotos de centenas de crianças destroçadas pelos bombardeios, publicadas no Portal Vermelho, reclamam uma ação urgente contra o Estado terrorista e bandido de Israel.

No atual conflito, os sionistas nem sequer respeitam o direito brasileiro de retirar os seus compatriotas da região em guerra.
O próprio ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, queixou-se à mídia de que o governo de Israel não ofereceu qualquer garantia para que os brasileiros e seus descendentes atravessem a fronteira em segurança, o que tem criado enormes dificuldades ao transporte. Diante destes fatos, José Reinaldo de Carvalho, secretário de relações internacionais do PCdoB, avalia que se “justifica que cresça o clamor pela retirada de nossa embaixada daquele país”.
Esse foi exatamente o clamor dos presentes na passeata em São Paulo, que deve incentivar uma massiva campanha de solidariedade no Brasil inteiro.

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição).
[Artigo enviado a www.galizacig.com polo autor, 07/08/2006]
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