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domingo, 23 de novembro de 2008

RESPOSTAS DE UM BRASILEIRO FELIZ

"Sim, sou extremamente feliz em ser brasileiro. Não gostaria de ser de nenhuma outra nacionalidade. O Brasil não é perfeito, mas nenhum país é. Embora tenhamos fama de um país corrupto, hoje está a se evidenciar que nenhum país emergente foi mais corrupto do que os sete países mais industrializados do mundo. A crise financeira tem sua origem na corrupção, na ganância, nos gastos excessivos com os seus CEOs, que recebem salários estratosféricos. E a justificativa para tais salários é que esses senhores seriam gestores que manteriam ou multiplicariam os lucros das respectivas empresas que representam igualmente na estraostera - o que não ocorreu. Muito ao contrário, eles levaram suas empresas à falência e levaram os clientes destas à total desconfiança. Milhões de pessoas em todos os países do G-7 e da Comunidade Européia, já perderam ou perdem seus empregos; milhões de outras certamente perderão seus cargos dentro das próximas semanas ou dentro dos próximos meses. A crise financeira atual, que atinge, principalmente, os principais mercados do mundo industrializado, nasceu no cerne do mercado financeiro da nação que é a locomotiva desse mesmo mundo: os EUA. Centenas de milhões de pessoas nos EUA e nos países aliados conhecerão a miséria extrema - irreversível. Essas nações, por muito tempo, não voltarão a vivenciar a riqueza. Eu não ouço nem leio ninguém criticando o Bush por ter transformado o país mais rico do mundo no país mais endividado do mundo, no país mais atolado em guerras injustas e, portanto, completamente, desnecessárias; no país mais submerso em despesas gigantescas - graças à corrupção, pois as despesas no Iraque e no Afeganistão, são todas permeadas pela corrupção; as duas eleições - que elegeram e reelegeram George Walker Bush, foram fraudadas; o dinheiro que deveria ter sido gasto salvando vidas em Nova Orleans, logo após os furacões Katrina, Wilma e Rita, as verbas que deveriam ter sido destinadas para promover a boa saúde e a boa educação das crianças norte-americanas foram incinerados no Afeganistão e no Iraque... E eu raríssimamente vejo alguém criticando a administração Bush... O que haverá por trás dessa total indiferença diante de tantos erros incomensuráveis? Total afinidade com os crimes? Muitos estão preocupadíssimos em se lamentar por serem brasileiros, por estarem sob a administração Lula (gente que nunca lê, que não consegue escrever uma frase sem erros crassos, que não sabe administrar nem a casa onde mora, que não consegue manter organizado nem o quarto onde dorme, vive chamando o Lula de "analfabeto", de "inguinorante" (sic!)); quantos não vivem a manifestar profunda mágoa, enorme frustração por não pertencerem ao "primeiro" mundo, por não serem caucasianos etc., etc., etc.? Quantos não deixam seu país para serem maltrados nesses países de populações extremamente preconceituosas, racistas? Quantos não saem do Brasil para serem expulsos desses países ainda nos aeroportos, passando por enclausuramentos tão ilegais quanto humilhantes? São considerados ilegais até quando estão com os documentos em dia com exigências legais. E mesmo depois de expulsos - eles voltam! E tornam a ser expulsos; às vezes, são até assassinados pela polícia. Ainda assim, esses inconscientes desprezam o Brasil!Sim, eu me sinto muito feliz em ser brasileiro neste momento da História mundial. Jamais gostaria de ter nascido em qualquer outro país e estou recusando, terminantemente, qualquer proposta para fazer turismo ou trabalhar naqueles países. Detesto gente injusta, arrogante, prepotente, preconceituosa; odeio países invasores e usurpadores das riquezas de nações militarmente inferiores e geográfica e populacionalmente muito menores".
Infelizmente, os neo-liberais ladram - isto é, falam sem sentido - falam do que ouviram outros desinformados ou mal-intencionados falarem. Observe que os que mais criticam o Lula o fazem baseados em informações oriundas de preconceitos. E o preconceito o que é? É o conceito formado antes de ter os conhecimentos adequados. Os que ladram que o Lula é ignorante jamais entenderiam as medidas por ele tomadas. São pessoas que não sabem administrar nem o dinheiro que lhes chega às mãos, mas que criticam o Lula porque "acham" - baseados em conceitos válidos entre as décadas de 50 e 80 - que o modelo econômico brasileiro está errado. Eles criticam, por exemplo, o Bolsa Família, sem jamais terem sabido que a prestigiada revista inglesa "The Economist", elogiou esse projeto. A mass midia brasileira, comprometida (pois financiada) com outros interesses também jamais repercutiu essa reportagem em seu principais veículos. Ainda assim, é possível lê-la na Internet:http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/02...Pesquisar, não raro, evita sermos injustos e nos manifestarmos sem quaisquer fundamentos.Os meios através dos quais essa "direita neo-liberal" se informa (ou deforma?) é sempre por intermédio de "verdades estabelecidas" (tais como: o Lula "é ignorante", o Lula é "analfabeto", o Lula "é bebado" - ou seja, as tais idéias preconcebidas que não encontram respaldo na realidade). Essas "verdades" encontram eco nas mentes neo-liberais devido à preguiça (e desinteresse político) destes em apurar devidamente os fatos. E também porque as grandes empresas jornalísticas encontraram nas matérias acusatórias um grande filão para manter leitores, ouvintes e telespectadores sempre fiéis... Digamos que a "mass media" descobriu que as massas adoram "novela", isto é, o repetir cotidiano de fantasias, ilusões e... intrigas.Amoldar a realidade de acordo com seus próprios interesses (ou os interesses daqueles que os patrocinam) se tornou a grande especialidade da mídia dominante (e, às vezes, também da imprensa "anã").
A verdade é que se o Lula fosse analfabeto ele não conseguiria ler seus discursos e nem conseguiria improvisá-los; se Lula fosse ignorante teria se aliado a George Walker Bush - como fizeram os - "letrados e sábios" - Angela Merkel (Alemanha), Tony Blair e seu sucessor, Gordon Brown (Grã-Bretanha), os primeiros-ministros japoneses (todos os que ocuparam esse posto durante os dois mandatos de Bush, a ele se aliaram e, por coincidência todos, ou quase todos, cairam em decorrência de corrupção...), os primeiros ministros canadense e australiano (o atual venceu seu predecessor porque prometeu desfazer a aliança política com a atual administração norte-americana), os primeiro-ministros italianos - países que hoje se encontram submersos na crise financeira que teve sua origem nos EUA. Comentaristas econômicos de TV e alguns representantes de grandes empresas de consultoria ainda recriminam Lula por não tomar as mesmas medidas tomadas pelos países do chamado "primeiro" mundo... Se Lula fosse tão burro quanto estes, certamente o Brasil estaria a naufragar como os neo-analfabetos-liberais vivem a alardear. Hoje os paulistanos sairam às compras, aglomerando-se na rua 25 de março - bem diferente do que está a ocorrer nas ruas de maior comércio das principais economias mundiais - a começar pelos EUA. Quem é, afinal, o ignorante, o analfabeto, o incompetente?

sábado, 22 de novembro de 2008

CRIMES CONTRA A HUMANIDADE E O PLANETA


... e estes da guerra no Iraque !
A mãe deve pensar que a rajada não trespassa o corpo dela e que os filhos irão a seguir. Valentes combatentes da Liberdade e da Democracia !
Quem será o David e quem será o Golias?

Seremos Todos Iguais? - Invasão do Iraque
Imagens da Guerra no Iraque - David contra Golias
Idênticas às de todas as guerras
Visão não aconselhável a Pessoas Sensíveis












SOMOS TODOS IGUAIS?
* Fritz Utzeri.


A tragédia humana no Iraque tem nome.

É Razek al-Kazem al-Kahaf.

Ele perdeu, em poucos segundos, a mulher, seis filhos, o pai, a mãe, três irmãos e suas cunhadas.

Quinze vítimas, mortas pelo exército de George W. Bush. Razek, certamente, agradecerá a Alá pela liberdade em que passará a viver quando o assassino Saddam tiver sido eliminado.
.
Como todo mundo sabe, Saddam preparava-se para enlutar famílias americanas usando poderosas armas de destruição em massa.

Razek ainda acabará entendendo as razões dos ianques que detiveram a tempo a mão assassina do monstro.

E, afinal, como diria Peter Arnett: "Quinze mortos não são tantos assim". Por que chorar?
.
Não se deixem enganar pelas imagens de bebês destroçados, ensangüentados, jogados entre trapos sujos e cheios de moscas em rústicos caixotes de madeira.

Não se preocupem.

Não chorem por eles.

São apenas iraquianos, pobres diabos de vida barata, que não merecem sequer uma flor. Meros "danos colaterais", estatísticas de uma guerra contra a barbárie, movida em nome de Cristo e da Civilização.
.
Indignados estaríamos se as vítimas fossem crianças brancas, nutridas, que brincam de guerra com seus videogames, usam tênis Nike (aqueles feitos por pequenos escravos chineses), bebem Coca-Cola e freqüentam o McDonald's; ou seja, "nossas" crianças.

Imaginem a indignação na terra de Tio Sam se um helicóptero árabe disparasse um míssil sobre a família de um certo John Taylor, eliminando-a.

Crime contra a humanidade!
.
O local se entupiria de flores, como santuário.

As TVs passariam e repassariam a cena.

Os EUA não descansariam enquanto não punissem exemplarmente o terrorista e seus mandantes.

Graças a Deus, isso não aconteceu.

Morreram apenas civis iraquianos e, como se sabe, são necessários muitos iraquianos mortos para equivaler a um único americano perdido.

Ninharia... .

Não entendo por que sociólogos ou antropólogos não pleiteiam bolsas para fazer estudos comparativos sobre o valor das vidas dos seres humanos. (Sou candidato a uma, vou precisar.)

Diz a lenda que somos todos iguais.

Será?

Para começar poderíamos estabelecer como referência a vida dos norte-americanos.

Quanto vale uma vida ianque?

Os EUA já fizeram essa conta há 59 anos e esta resultou em duas bombas atômicas.

Hiroshima e Nagasaki.

Milhares de crianças, mulheres e velhos japoneses (meros amarelos) foram vaporizados no holocausto nuclear para evitar a morte de GIs do Texas, Califórnia, Ohio etc.
.
A vida de um norte-americano vale, certamente, mais do que uma vida inglesa, francesa ou alemã, mas não muito (as duas últimas desvalorizaram um pouco em função da posição da França e da Alemanha nesta guerra).

Ousaria dizer que a vida de dois europeus ocidentais (portugueses, espanhóis e italianos valendo menos) equivale a uma vida ianque.

Vidas israelenses andam perto dessa cotação.

Se tomarmos russos como parâmetro será preciso matar uns cinco, talvez seis.

E quantos brasileiros terão que ser eliminados para equivaler a um norte-americano?

Agora imaginem árabes, negros ou vietnamitas...
.
E o mais irônico é que os assassinos dos filhos de Razek batizaram o sinistro helicóptero que os matou com o nome do povo índio que exterminaram, sem piedade, para roubar-lhe a terra: Apache!

Jerônimo deve dar pulos de indignação em sua tumba.
.
E a imprensa continua com a ficção das "bombas inteligentes".

São bombas serial killers, tão inteligentes quanto Hannibal Lector.

A bomba que "libertou" a família de Razek é de fragmentação.

Ela carrega 200 minibombas que se espalham e explodem na superfície do solo lançando uma onda de fragmentos, afiados como navalhas, que ferem e matam num raio de 200metros.

Não demole, nem danifica, prédios ou pontes.

É feita para matar.

Equivale a minas terrestres jogadas de avião.

É arma assassina.
.
O que diz disso a Convenção de Genebra, zelosamente invocada pelos ianques quando os iraquianos mostram prisioneiros norte-americanos na TV?

Presos tratados a pão-de-ló, quando comparados à maneira nazista como são torturados os afegãos em poder dos esbirros de Bush & cia, na base de Guantanamo, terra roubada de Cuba em...
.
Mas isso já é outra História...



*Fritz Utzeri é jornalista, nascido na Alemanha há 58 anos, 50 dos quais passados no Brasil.

Este texto foi publicado originalmente no Jornal do Brasil de 06/04/2003, e está disponível, para leitores cadastrados, em
.
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/colunas/fritz/
http://www.nao-til.com.br/nao-78/futzeri.htm
.
in Jornal do Brasil, 06/04/2003
kantoximpi.blogspot.com/2007_08_01_archive.html

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

OITO ANOS DEPOIS


o poder do mal.
George Bush quis levar a democracia ao Iraque
em vez disso, ele levou a destruição, a Haly-Burton e a Al Ka'eeda.
George Bush quis fazer a Guerra ao Terrorismo no Afeganistão
em vez disso, ele provocou um aumento da plantação e exportação de ópio.
George Bush quis trazer a Paz à Palestina
em vez disso, ele trouxe-nos um Mapa que nos conduziu
de nenhum lado até à longínqua Annapolis.
Hoje, 4 de Novembro de 2008
os EUA
estão a eleger outro George Bush
só mudará o nome
e provavelmente também a cor da pele.

Sherlock Hommos
04.11.2008

domingo, 9 de novembro de 2008

IRAQUE ANTES E DEPOIS DO PRESIDENTE SADDAM

Antes e depois... do Presidente Saddam


Adivinhem que está de visita ao Iraque,
incógnito !!
Na ocasião de nenhuma ocasião especial
eu gostaria, hoje, de olhar para trás e refletir.
Qualquer apreciação tem se ser contextualizada
e acompanhada de uma comparação.
Depois de qualquer comparação, o consequente contraste
ajuda bastante no estabelecimento de um juízo.
Então reflito sobre o Iraque
e sobre a guerra que foi feita contra ele
e eu comparo o Iraque , antes do Presidente Saddam Hussein
e depois.
Se perguntarem aos cristãos do Iraque, eles vão recordar
que o vice-presidente era um cristão e que
o próprio Presidente estava a construir as suas igrejas.
Hoje a Mossad e os curdos fazem o contrário.
Se perguntarem às mulheres, elas vão recordar
o alto grau de literacia e as posições profissionais
e de gestão que eles tinham.
Hoje os Mullahs de todas as seitas estão a mandá-las
para casa.
Se perguntarem a qualquer minoria eles respondem
o mesmo que as mulheres e que os cristãos
Não perguntem aos curdos porque 30% não é uma minoria
e serem armados por potências estrangeiras não faz deles
fracos nem indefesos......mas antes colaboradores,
se não mesmo traidores.
E os meus irmãos xiitas foram sempre uma maioria,
logo, nunca uma minoria.....e têm de começar por limpar
os seus próprios elementos, primeiro.
Perguntem aos académicos!! aos que pelo menos sobreviveram
a todos aqueles assassinatos feitos por agentes da Mossad.
Perguntem à imprensa !! àqueles que já não estão dependentes
do Ministério da Informação, mas dependentes
de indivíduos milionários, de embaixadas estrangeiras sujas
e de ricos Senhores da Guerra.....
Perguntem aos médicos e pessoal da saúde !!
que estavam disponíveis, de forma abundante e grátis
e hoje nem uma nem outra coisa.
Perguntem a qualquer simples sinaleiro !!
que já nem tem semáforos a funcionar.
Perguntem a qualquer Enfermeira !!
se ela se atreve a ir a pé para casa de noite,
e se é paga como deve ser.
Perguntem às crianças da escola !!
que nunca tiveram de pagar a sua refeição escolar
nem os livros.
Perguntem a qualquer taxista !!
que nunca precisaram de andar com armas.
Perguntem aos agentes iranianos e aos agentes de israelenses !!
que já não se escondem atualmente.
Perguntem a uma viúva iraquiana, e se não encontrarem uma,
perguntem a uma viúva americana.
Em breve George Bush vai para casa livre e inocente
vai-se reformar no seu iate.....outro idiota o vai substituir
e vai dizer-nos "Foi errado, mas não fui eu que fiz !"
Raja Chemayel
26.10.2008

domingo, 15 de junho de 2008

CRIMINOSOS DE GUERRA


Falou e disse


"Não há um candidato mais apropriado para o título de principal criminoso de guerra que George W. Bush.
O único que se aproxima disso é Tony Blair (ex-primeiro-ministro do Reino Unido). Ambos são desprezíveis"“Bush deveria ser detido e enviado a Guantánamo --base e prisão dos EUA em Cuba-- onde apodreceria para sempre".
Harold Pinter, Nobel de Literatura

sábado, 26 de abril de 2008

SANGUE POR PETRÓLEO DO IRAQUE

















Na “Nova Cruzada” de George W. Bush, pouco se comenta sobre as
vítimas dos ataques estadunidenses.

Tal realidade não representa
simplesmente um “dano colateral” da frustrada “Guerra Contra o
Terrorismo”, como a mídia ocidental insiste em explicar.



As vítimas da “Nova Cruzada”


Enquanto bombas continuam a cair sobre os territórios marcados
pela “Nova Cruzada” de George W. Bush, pouco se comenta sobre
as vítimas civis dos ataques estadunidenses.

Fato é que o número
delas é incalculavelmente maior do que de supostos “terroristas”.
Tal realidade não representa um “dano colateral” da frustrada
“Guerra Contra o Terrorismo”, como a mídia ocidental insiste em
explicar, mas sim a sua verdadeira natureza.
Não é mais novidade que a maioria dos invasores, militares ou não,
são destituídos de qualquer noção sobre inimigos e aliados.

Isso se
torna ainda mais evidente e perigoso quando “pilotos” de veículos
aéreos não tripulados em uma base em Las Vegas (nos Estados
Unidos) são escalados a conduzir missões pelo Iraque, Afeganistão,
Somália e áreas tribais do Paquistão, derrubando mísseis sobre
residências de “homens suspeitos”.

Um exemplo evidente
aconteceu em 23 de março desse ano, em Baquba, no norte do
Iraque, em que 16 pessoas de uma mesma família (homens,
mulheres e crianças) foram mortas por um veículo aéreo não
tripulado estadunidense.

Segundo a história oficial, produzida pelos
militares, “homens suspeitos armados abriram fogo”.

Na realidade,
tratava-se do fim de uma festa de casamento, enquanto a família
comemorava o que poderia ser um dia de paz em tantos anos de
injustiças e incertezas.

Fato é que, não importa o quão “preciso” as
“armas inteligentes” possam ser, guerras aéreas sempre foram – e
continuam a ser – o meio mais duvidoso e devastador de se
conduzir uma guerra.
No terreno montanhoso do Afeganistão, e mais recentemente no
Iraque, além de escassas incursões ilegais em áreas tribais do
Paquistão, o uso desse “poder aéreo” tem aumentado.

Desde os
últimos meses de 2007, o número de vítimas civis também voltou a
crescer, simultaneamente às operações militares estadunidenses
sem o uso da força aérea, que se tornaram inexistentes.

Isso
significa mais “erros de precisão”, e mais “investigações” sobre as
mortes de “insurgentes” e “militantes” que, em solo, parecem se
transformam em crianças, mulheres e idosos tentando levar uma
“vida normal” em meio ao caos criado pela invasão do país.
Um dos resultados naturais dessa violência alheia é que uma força
gera uma resistência.

O uso desnecessário de força, especialmente
a imprecisão dos bombardeios aéreos, é um gerador de inimigos.
Toda vez que um bombardeio é ordenado, sabe-se que em
decorrência existirão maridos, esposas, irmãos e irmãs de luto,
atrás de vingança

– uma verdadeira união de potenciais candidatos
consumidos pela fúria de uma genuína injustiça.

De acordo com o
estudo do conceituado jornal médico britânico The Lancet, a única
análise científica realizada sobre o número de civis mortos no
Iraque, desde a invasão do país, conta com
“pelo menos 655 mil
civis iraquianos mortos como resultado direto da invasão e
ocupação do país”, desde 2003.

Outro estudo com credibilidade,
mais atualizado em termos de data, realizado pela
organização
britânica Opinion Research Business
, anunciou em setembro de
2007 que
“cerca de 1,2 milhões de pessoas foram mortas como
resultado da guerra”.

Considerando isso, é difícil de imaginar todas
as conseqüências dessa devastação.

Isso constitui algo implacável:
inocentes foram mortos e talvez
não tenham estado nos planos,
talvez não foram assassinados
com intenção, mas os
criminosos são responsáveis de
qualquer maneira – isso é

incontornável.

Mesmo se os culpados se recusarem a reconhecer
isso (e é o que acontece com os militares estadunidenses),
aqueles
que sofrem as conseqüências nunca esquecerão o que realmente
aconteceu.

E essas vítimas sem rostos, sem nomes, são
simplesmente esquecidas em meio às centenas de notícias e
propagandas militares disseminadas pela mídia ocidental – mais
uma vez abandonados pelos causadores de toda a tortura.
Afinal, o que não sabemos, ou não nos importamos de saber, outros
podem saber e se preocupar intensamente.


Quem esquece quando
um ente querido é inesperadamente morto?

Certamente muitos
estão contando cada corpo deixado para trás pela máquina de
destruição em massa que é o exército dos Estados Unidos.

É
intrigante que as vítimas do 11 de setembro se consideram
especiais, mas eles não são os únicos que perderam suas vidas por
um ataque aéreo.

Portanto, as famílias e conhecidos daqueles
classificados como “dano colateral”, os mais de 650 mil deles,
sabem muito bem o que e porque aconteceu.

E toda ação tem uma
reação. 




As vítimas da “Nova
Cruzada”
Sangue por petróleo resume a ocupação do Iraque

quinta-feira, 24 de abril de 2008

A HONRA DO LÍBANO

Norman Finkelstein - Hezbollah, the Honour of Lebanon
Norman Finkelstein, a Jewish American political scientist and author, specializing in Jewish-related issues and the Israeli-Palestinian conflict in particular talks about the Lebanese militia Hezbollah and openly supports and praises their resistance:
"They (Hezbollah) show courage, they show discipline, I respect that "On Israeli defeat and consequential withdrawal from Lebanon in 2000, Finkelstein says:
"But the reality was -- and everyone understood it -- that the Israeli attitude was:
We are going to knock out Hizbullah.
They began planning for a new war right after they were forced to leave in 2000.
They found their excuse, their pretext, in July 2006, but there is no question among rational people that Israel was never going to let the Hizbullah victory go by."
"There is no way that the United States and Israel are going to tolerate any resistance (to their hegemony) in the Arab world."
On the damage caused to Lebanon as a result of the resistance:
"It's better to die on your feet than to walk crawling on your knees....how can I not respect those (Hezbollah) who say they would rather die on their feet?
How can I not respect that?"
Finkelstein then goes on to slam the stances taken by some sell out Arabs who continue to admire George Bush like 'Servants' despite Bush being the man behind the carpet bombing of Lebanon and says that Bush should be classified as 'persona non grata':
"Who (would) roll out the red carpet less than two years after your whole country was destroyed by them (the US)? "
"You (sell out-arabs) have NO self respect"---------------------------------------------------
How Hezbollah achieved victory over Israel
Part 1: The Intelligence War
Part 2: The Ground War
Part 3: The Political War
Duração: 09:46

domingo, 16 de março de 2008

CONSIDERAÇÕES DE VERDADE

Mais de 200mil colombianos sairam às ruas para protestar contra o ato irracional de seu presidente orientado pelos EUA e vocês vem dizer que ele tem apoio total na Colombia? Em que planeta vocês vivem? Deixem de ser cômicos! A situação para ele no meu modo de pensar, e pela besteira que fez é muito séria! Ele não acaba com os rebeldes das FARCS nem dentro da Colombia onde devia erradicar e que ela lá atua há mais de 40 anos. E vai querer acabar no quintal dos outros e sem autorização? Se as Farcs entraram clandestinamente no Ecuador, é o seu governo, ao ficar ciente disso, que deve tomar providencias contra as mesmas. E se ele fez coisa certa, porque pediu desculpas? Então é um homem inseguro e não assume o que faz.
by Jota
O problema de Uribe não é só a queda de sua popularidade que o preocupa, mas principalmente a possível libertação de Ingrid Bitencourt, que ele conseguiu frustrar 2 vezes, desta feita de forma bisonha, ao invadir um país vizinho, cujo presidente lhe passou uma descompostura, diga-se de forma elegante, que lhe desconstruiu até nos seus aliados americanos. Mas o governo francês ainda não desistiu das negociações e é possível que o fim dos dias de prisioneira de Ingrid, estejam acabando para desespero de Uribe, que sabe que ela será imbatível nas próximas eleições, por isso ele fará de tudo, de tudo mesmo, para que Ingrid não sobreviva ao cativeiro.
by Memélia
Amigo vc viu esta: Denuncia do Departamento de defesa dos EUA publicado na revista NEWSWEEK sobre a relação de Alvaro Uribe (atual presidente da Colombia) com o cartel de medelin e Pablo Escobar, no período em que foi senador da Colombia.http://youtube.com/watch?v=NxvkopL7jzE&f...Colombianos denunciam a formação de uma Guerrilha Uribe (as CONVIVIR - mais conhecido como paramilitares) para tomar o poder na Colombia. São uma FARC oficial, que chantageia, persegue e mata adversários políticos. A maioria do Congresso colombiano está envolvido com os paramilitares.http://youtube.com/watch?v=hmsuHVmC13k&f...Entrevista de Uribe a uma radio colombiana a respeito de denuncias sobre o seu relacionamento com Pablo Escobarhttp://youtube.com/watch?v=dYjVjAHqxfo&f...Qual o interesse do terrorista George Bush, presidente dos EUA, em apoiar um narcotraficante num dos países da America do Sul e que tem por objetivo promover conflitos com os países vizinhos?
by Nimrod
Terrorista é meia dúzia de brancos no comando daquele pais e sonegadores de direitos da maioria. Receberam outorga informal dos EUA para serem narcotraficantes exclusivos dos EUA e para os EUA, país que desenvolve e pratica todas as formas do verdadeiro terrorismo e que ignora leis e instituições nacionais e ou internacionais.Quanto ao Uribe, não passa de um fantoche, como aquele que governou aqui de 1995 a 2002, quando estiver queimado, o Uribe, será substituído por outro similar e também mamulengo, da mesma forma que o tal de Bush que não foi eleito e para completar reelegeram algo que nunca foi eleito.Então, chegará o momento em que esse estado de coisas será reclamado pelas populações de qualquer lugar quando essas chegarem aos seus limites de tolerância.Isto é histórico na mundo todo desde os primódios da humanidade.O governo colombiano, uma espécie de Israel da América do Sul, está aí para isso mesmo: desestabilizar a região e garantir que sejamos roubados em todos os sentidos por governos menos esclupulosos.Da nossa parte, os brasileiros do bem e que enxergam além do nariz, cabe ficar atentos e reagir imediatamente a qualquer tentativa de nos desreipeitarem.A propósito, o presidente Luiz Inácio estará negociando com a representante do EUA a respeito desse assunto. Ele o fará tete-a-tete e não entrará "de quatro" na sala, nem lamberá os sapatos da tal só porque é dos EUA como o fazia certo boca de caçapa no passado. O presidente Luiz Inácio sabe qual o país e a população do bem que representa e para que está no cargo que ocupa.
by Ieda
O Jürgen só não pensou, quando escreveu a réplica, que na América do Sul a maioria dos presidentes eleitos é de esquerda. Como eles foram votados, supõe-se então que o povo que os elegeu também está tendendo a apostar nos políticos de esquerda. Chega de direita e ditadura, de golpes. Portanto, o que deve prevalecer é a tendência de achar o Uribe um fanfarrão que abriu as pernas do seu país por 30 moedas!Enquanto o povo é desapropriado de suas terras no interior, ele as dá para que seus seguidores plantem palmito para exportação. Entrou em seu segundo mandato alardeando que acabaria com as Farc, mas não pode fazê-lo, porque senão acabará com seu bode-expiatório. E aí vai acusar quem de narcotraficante? Seus amigos paramilitares, que estão no governo?O quadro político latino-americano vem registrando importantes acontecimentos que representam uma disputa intensa pelo rumo do continente: manter a secular submissão a Washington ou apostar na integração latino-americana? Os povos estão cada vez mais optando pelo segundo caminho!E não podemos nos esquecer de que o Brasil "posiciona-se como um contrapeso à influência norte-americana e que está tendo uma dura postura na negociação dos acordos comerciais, ganhando aplausos em casa e no exterior!
by Dora
Se não houver uma tomada de posição pelo povo colombiano será o total sucesso desse fantoche do Bush e como consequência a submissão da Colombia e seu povo aos mandos e desmandos do USA. Uribe está enterrado até o pescoço ma manutenção.proteção e proveito próprio do narcotráfico.É comodo, bem simples jogar pedra em telhado alheio. As FARCs foi/ é um movimento de guerrilha contra a opressão sofrida pela maioria do povo colombiano descendente de indios locais. Roubaram-lhes tudo a séculos e continuam explorando essa fatia da população,vista de somenos pela minoria branca de origem européia. ávida na manutenção do "status quo",ou seja chibata.A disvirtuação hoje protagonizada pelas FARCs é de total responsabilidade do governo fascista eternizado no poder.Foram embargadas até no seu direito de vida,subsistência e saúde - o que querem? que sejam isolados e mantidos a mingua sem quaisquer retalhiação.A grande massa da Al. a exemplo dos russos durante o problema e consequente vitória dos bolshevistas está acordando para seus direitos não só de cidadãos colombianos,mas para o direito indelével do ser humano de ser tratado com respeito e dignidade.A luta será árdua e é muito remota a vitória definitiva da extrema direita e seus currais.Ocorrerão altos e baixos,mas ao final e não sei em quanto tempo isso ocorrerá a extrema-direita será estrangulada em todas as paragens onde insistem em ser o sal da terraA "Elite" como hoje conhecida e estruturada está chegando en seu ocaso.Todos os que se julgavam grandes cairam e não será diferente nos tempos atuais.Se será pior ou melhor só os atos praticados e suas intenções poderão dizer. Mas, verdade seja dito,não se faz omelete sem quebrar ovos - foi necessário anos de governo melífluo da extrema direita aqui no Brasil para o povo acordar e começar a tomar os destinos da nação em suas mãos.Ocorrerá lá também e em outros locais. Também é verídico afirmar que os povos de origem espanhola,sua tradição e cultura dá de 10 a zero na carneirada aqui do Brasil(salvos as grandes exceções conscientes que estam se formando aqui e que cresce dia a dia).Independente da queda do muro de Berlim e aparente derrota do Comunismo na Rússia, podemos afirmar que o regime monarquico e absolutista da Rússia virou pó,bem como em outras paragens, já mais voltou,ou voltará, e de tudo, o mais importante criou semtimento de fraternidade,solidariedade,cidadania e acima de tudo o Direito da Dignidade Humana;o que por si só representa estrondosa vitória.O Brasil está caminhando em passos largos na ambição de se tornar um país para todos;de qualquer forma o caminho é irreversível e a Al. não fugirá de seu destino ,apesar de todos os Uribes e Aves de Rapina, bem nossa conhecida,aqui no Brasil.Jogo de cintura para o engodo e manipulação da verdade e intenções êle tem e muita,como manteúdo do fantoche/mentiroso e 666 Bush,por quanto tempo,depende da garra dos povos envolvidos.Mas, que beleza o início magnificente a marcha dos 200 mil,não é?
by Marobu
É MENTIRA QUE O POVO COLOMBIANO APROVA O GOVERNO DE URIBE!!! Como se vê neste link, o povo jà nâo aguenta mais!
http://www.cartamaior.com.br/templates/m...MAIS DE 200 MIL MARCHARAM CONTRA URIBE NA COLÔMBiA. Ele deve cair.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

DEMOCRACIA E TERRORISMO

Democracia e terrorismo: os equívocos iraquianos
Paulo Casaca
[28-11-2007]
Foi com o maior atentado terrorista até hoje cometido que o presidente norte-americano deu uma volta completa ao seu discurso e programa de acção.
De um programa muito próximo da tradição isolacionista republicana temperada por algum intervencionismo "real-politik" com que se tinha apresentado ao eleitorado passou para a problemática da democracia no Médio Oriente como forma de combate ao terrorismo.

Essa viragem, que foi apenas esboçada com a intervenção no Afeganistão, em que, mais do que qualquer preocupação ideológica, o bom senso realista ditava que não era possível tolerar a organização de operações de guerra como a do 11 de Setembro a partir de um Estado legalmente constituído, assumiu-se na sua plenitude com a operação militar do Iraque e o aumento da pressão sobre todo o Médio Oriente no sentido da democratização.

Se bem que seja ainda cedo para fazer um balanço final dessa política, não há hoje ninguém, incluindo George Bush, que não tenha concluído que ela até agora falhou espectacularmente.

Muitas razões foram avançadas até hoje para explicar o falhanço, mas ninguém parece ter até hoje olhado com atenção para o aspecto essencial da equação: a forma como o terrorismo foi promovido em nome da democracia no Iraque.

É certo que já em 2005 o relatório oficial do Congresso Norte-Americano sobre o 11 de Setembro concluía que não se tinha provado nenhuma relação orgânica entre o regime de Saddam e a "Al-Qaeda", contrariamente ao que se poderia constatar acontecer entre essa organização e o Irão.
Realmente, quem olhar para a principal biografia não autorizada de Zarkaoui (Brisard, Jean-Charles, Zarkaoui, Le nouveau visage d'Al-Qaida, Fayard, 2005) constata que este passou os anos que antecederam a formação da "Al-Qaeda no Iraque" entre o Irão e a Síria.
A opinião de que a "Al-Qaeda no Iraque" obedece a Teerão é, de resto, unanimemente partilhada pelos dirigentes de todas as facções parlamentares iraquianas que são conhecidas como "sunitas" e que são, não por acaso, o alvo privilegiado desta organização.

O terrorismo tal como definido pelo antigo secretário geral das Nações Unidas Kofi Annan, como violência política dirigida contra não combatentes – ultrapassa em muito o quadro desta organização mais mediática, e tornou-se um verdadeiro fenómeno de massas no Iraque quando um dos líderes das brigadas Badr (Bayan Jabr) se tornou Ministro do Interior e promoveu o rapto, tortura e execução de milhares de civis pelas brigadas infiltradas nas forças de segurança, utilizando para isso não só os recursos oficiais mas também uma extensa rede de cárceres privados.

As brigadas Badr são identificadas – no que a meu ver continua a ser a melhor obra global sobre o fanatismo terrorista fanático (da autoria da equipa dirigida pelo juiz Galeano como acusação pelo atentado terrorista de Buenos Aires de 1994, e que neste particular toma acertadamente o maior especialista teórico na matéria, Bruce Hoffman, Inside Terrorism) – como a primeira organização de "terrorismo religioso".

Fundadas, organizadas, dirigidas e financiadas no Irão, e de resto constituídas e dirigidas em larga medida por nacionais iranianos, tendo por primeiro dirigente nomeado pelo Ayatollah Khomeiny, o actual responsável pelo sistema judiciário iraniano, Hashemi Shahroody, as brigadas Badr são a organização gémea do Hezbollah libanês.

Tal como testemunhado por dirigentes da resistência iraniana Ahwazi, as casernas de ambas as organizações situavam-se lado a lado no Ahwaz (Sudoeste do Irão, maioritariamente árabe) e eram treinadas ideológica e militarmente pelos mesmos guardas revolucionários iranianos.

O Hezbollah libanês, recorde-se, foi de longe a organização que mais cidadãos norte-americanos matou até ao 11 de Setembro.
O líder do Hezbollah libanês, Husseini Nazrallah é primo direito de Bakr Al-Hakim, dirigente do "Conselho Superior da Revolução Islâmica no Iraque" (SCIRI, no acrónimo inglês) ramo político das brigadas Badr durante a invasão de 2003.

A Resistência Iraniana revelou recentemente a lista nominativa de 31.690 operacionais das brigadas Badr que já antes de 2003 eram simultaneamente membros do destacamento Jerusalém dos Guardas Revolucionários Iranianos (departamento iraniano para o terrorismo no exterior) e que continuam a ser pagos enquanto tal.

As brigadas Badr – ou o seu ramo político SCIRI – constituíram o núcleo duro das forças "iraquianas" organizadas pelos EUA para tomarem conta do Iraque após a invasão, lado a lado do "Congresso Nacional Iraquiano", organização que apesar de contar com muitos expatriados iraquianos democratas era dirigida por Ahmed Chalabi, figura próxima de Teerão. Da mesma coligação fizeram parte também as forças curdas.

Charles Glass (The Northern Front, A wartime diary) explica a organização dessas forças no Curdistão iraquiano no final de 2002, entradas pela fronteira com o Irão sob escolta dos guardas revolucionários iranianos. Quando da invasão, Glass estima em 3.000 homens os efectivos das brigadas Badr no Curdistão.
A revista Time (Time Magazine, 22 de Agosto, 2005 vol. 166 nº 8) descreve a forma como os muitos milhares de membros das brigadas Badr procederam à ocupação efectiva do Sul do Iraque na retaguarda do avanço americano. De facto, foi logo a partir daí que estas ocuparam posições nas administrações públicas e começaram a execução sumária dos opositores.
Lado a lado com o SCIRI, os EUA colocaram também no poder o partido Al Dawa, movimento político iraquiano relativamente antigo com numerosas facções, quase todas elas com fortíssimos laços com Teerão.

O Al Dawa tornou-se internacionalmente conhecido pelo ataque terrorista que desencadeou contra a Embaixada dos EUA no Kuwait por encomenda iraniana em 1983.
Há dias, esse evento foi recordado quando as autoridades kuwaittianas pediram a extradição de um dos condenados por esse ataque terrorista, Jamal Ebrahimi (também conhecido pelo seu nome de guerra, Abu-Mohandes) actualmente deputado e dirigente da chamada coligação xiita no Iraque, colega de partido do Primeiro-Ministro do Iraque e que se acolheu no Irão quando o pedido de extradição foi endereçado às autoridades iraquianas.

Quem ler a biografia não publicada de Nouri Maliki, actual Primeiro Ministro iraquiano pelo partido Al Dawa, verá também que este esteve de 1979 a 1987 no "Shahid Sadr Hezb al-Dawa" batalhão estacionado no Ahwaz e, sob a supervisão dos guardas revolucionários iranianos, responsável por ataques terroristas como o de 1983 no Kuwait.
Paralelamente a estas duas facções, a coligação xiita no poder no Iraque tem ainda como forças mais importantes duas milícias conhecidas pelas actividades terroristas que, contrariamente às outras duas, têm também por alvo directamente as forças norte-americanas.

Para além do terrorismo promovido pela Al-Qaeda e pela aliança xiita, existe também a violência e actos de terrorismo promovidos pela chamada resistência, que tem apoio na camada da população designada por sunita e que, hoje em dia, se assume tanto como resistência contra a ocupação declarada americana como contra a ocupação não declarada iraniana.

Se tivermos em conta que a coligação iraquiana no poder depois da invasão terá saneado cerca de dois milhões de funcionários, entre os quais centenas de milhares de membros das anteriores forças de segurança – que constituíram portanto uma fonte de recrutamento privilegiada para essa resistência – podemos compreender como ela é fruto directo da mesma política com que foi gerida a ocupação do Iraque.

Os dirigentes americanos têm-se esforçado para tapar o Sol com uma peneira, recusando reconhecer a evidência de que
(1) a razão pela qual existe uma encarniçada resistência no Iraque mais do que à maldade congénita do baathismo, se deve ao facto de não ter sido dada outra alternativa às elites dirigentes do país;
(2) tal como no Irão, os discursos simpáticos de alguns dirigentes dos partidos pró-iranianos são apenas a outra face do terrorismo promovido pelos seus colegas de coligação, não havendo entre eles qualquer divergência substantiva.
As principais organizações iraquianas que os EUA chamaram para "democratizar" o Iraque são organizações fanáticas, dirigidas por Teerão, envolvidas em actos de terrorismo, nomeadamente contra alvos americanos.

A verdade nua e crua é assim a de que as forças da coligação ocidental promoveram a destituição de um ditador e a destruição do Estado iraquiano – um e outro sem ligações ao terrorismo fanático contemporâneo – fazendo-os substituir pelas principais forças do terrorismo, paradoxalmente, em nome da "luta contra o terrorismo" e da "promoção da democracia".

Para além das inevitáveis teorias da conspiração que se alimentam deste encadeamento extraordinário de factos, e ao fim de vários anos que tenho dedicado a tentar perceber este fenómeno, cheguei à conclusão de que ele se deve acima de tudo à ignorância ocidental sobre a realidade do Grande Médio Oriente, que o tornou presa fácil da manipulação.

Recentemente George Bush começou enfim a dar sinais muito ténues de querer entender a realidade do Iraque, afirmando a necessidade de uma estratégia de "containement" do regime iraniano, prendendo mesmo alguns iranianos ou de obediência iraniana com lugares ministeriais, estratégia que qualquer elementar bom-senso ditava que tivesse seguido desde o início.
Para que a estratégia da "democracia para o Médio Oriente" possa vir a ser retomada e para que haja um futuro para o Iraque é essencial deixar de tratar os que querem a democracia como terroristas, e os terroristas como os que querem a democracia.
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publicado por nucleargmo