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domingo, 15 de março de 2009

TAREK AZIZ, O CONSELHEIRO CRISTÃO DE SADDAM HUSSEIN É CONDENADO PELO TRIBUNAL-FARSA DOS EUA NO IRAQUE

Corte fantoche condena Aziz a 15 anos de prisão

O ex-vice-primeiro-ministro iraqui-ano Tarek Aziz, considerado o segundo homem do governo de Sadam Hussein, deposto pela invasão norte-americana em 2003, foi condenado a 15 anos de prisão, na quarta-feira, dia 11, pelo tribunal fantoche montado pelos Estados Unidos, pela suposta execução de 42 comerciantes em 1992, que especulavam com o preço de alimentos vitais para a população, num momento em que o país estava sob bloqueio.
A partir de Amã, o advogado de Tarek Aziz, Badea Aref, rejeitou a pena que foi “sem embasamento legal algum” e que tinha como objetivo “justificar a manutenção da detenção” de seu cliente.
“Esperava que o tribunal reconhecesse sua inocência”, disse Aref, argumentando que seu cliente estava “fora do Iraque” quando os comerciantes foram executados.
O advogado, foi perseguido e, em várias ocasiões, sofreu atentados a sua vida com a finalidade de dificultar a defesa daqueles que os serviçais da ocupação levaram a julgamento, incluindo Tarek. As perseguições aos advogados de defesa foram constante durante todos os julgamentos com os que integraram o governo legítimo de Sadam.
Os ex-ministro do Interior, Uotban Ibrahim Hasan e o chefe da polícia Sebaui Ibrahim, foram condenados à pena de morte pelo tribunal montado pela ocupação.
Ali Hasan al Majid, também foi condenado. Ele já havia sido condenado à morte em outros três julgamentos.
AUSÊNCIA DE PROVAS

Em outro momento do processo, ocorrido em dois de março passado, até mesmo o tribunal-farsa teve que reconhecer que não foram encontradas provas contra Tarek Aziz, que era acusado então de participação na morte de shiitas muçulmanos em 1999.
A Corte que julgou Tarek está sediada na Zona Verde, o setor protegido por tropas americanas do centro de Bagdá e, efetivamente, o único com algum grau de controle por parte dos ocupantes.
Mezbane Jadhr Hadi, um dos chefes do Partido Baath, colocado pelo governo fantoche na ilegalidade também foi “condenado” a 15 anos de cárcere.
As perseguições atingiram também o ex-ministro da Fazenda, Ahmed Hussein Judheir, foi condenado a seis anos de prisão.
Abd Hamud, ex-secretário de Saddam, foi condenado a prisão perpétua.
Tarek Aziz, doente e com risco de enfarte, foi seqüestrado há seis anos e é mantido algum campo de detenção nas imediações de Bagdá, como denunciou seu filho Ziad Aziz, revelando que lhe é permitido falar com sua família “na melhor hipótese, uma vez por mês, pelo telefone”.
Na maior parte do tempo em que ficou detido não havia nem mesmo acusação formal contra ele, que durante a primeira agressão ao Iraque, por Bush pai, ficou mundialmente conhecido pela sua defesa da soberania do seu país em entrevista à rede ABC.
http://www.horadopovo.com.br/

sexta-feira, 30 de maio de 2008

IRAQUE ATERRORIZADO POR CINCO VEZES

Iraque, bombardeado por cinco vezes

Não é a primeira vez na sua história de sofrimentos que o Iraque foi bombardeado por forças colonialistas.
Na verdade, a chuva de bombas e mísseis que desabaram sobre a sua capital Bagdá, em 2003, marcou a quinta vez que tal desgraça lhe ocorreu.
O Iraque, então chamado de Mesopotâmia, foi ocupado pelos britânicos em 1918 e, devido a revolta árabe de 1920, foi ferozmente bombardeado na repressão que se seguiu.
Operação que voltou a repetir-se por ocasião da IIª Guerra Mundial, quando em 1941 os britânicos lançaram as suas tropas sobre o país para derrubar um governo nacionalista.
No transcorrer da Guerra do Golfo de 1991, Bagdá foi maciçamente atacada do ar e, a seguir, entre 1991 e 1998, a pretexto de proteger a Zona de Exclusão Aérea, seu território foi periodicamente atacado pela aviação anglo-americana até que ocorresse o desenlace da ocupação total do país.

O relatório da RAF

Esquadrilha de Snipes da RAF voando sobre o Iraque, 1920

"Agora eles sabem (os árabes e os curdos) o que é um verdadeiro bombardeio: eles sabem que em 45 minutos uma grande aldeia é praticamente varrida do mapa e um terço dos seus habitantes mortos ou feridos por apenas 4 ou 5 aviões que não lhes oferecem nenhuma possibilidade de serem abatidos, nem de combaterem gloriosamente, nem qualquer outra possibilidade material de escapar."Arthur Harris, chefe de esquadrão da RAF, Iraque, 1920

Winston Churchill, então secretário da Guerra Aérea, horrorizou-se quando leu o relatório que lhe enviaram do Iraque, em 1920.
Perturbou-o especialmente com a passagem que, em fria linguagem burocrática, narrava o bombardeio de um aldeia árabe onde as mulheres e crianças, apavoradas, tiveram que jogar-se num lago para escapar dos artefatos incendiários despejados pelos aviões da RAF (Royal Air Force).
“É um ato escandaloso”, exclamou ele.
O documento fora-lhe enviado por Arthur Harris, então um jovem comandante de esquadrão que fora transferido da Índia para a Mesopotâmia afim de aplacar a revolta iraquiana.
Harris era um entusiasta dos bombardeios pesados, e agiu no sentido de, além dos bombardeios Handley-Page, adaptar os aviões de transporte para que também pudessem carregar um maior número de bombas.
Defendia-se na ocasião uma nova tese estratégica, segundo a qual era possível, baseado na experiência da Iª Guerra Mundial, manter-se um pais inteiro, especialmente uma colônia, submissa somente pelo terror aéreo.
Naquela ocasião, o Império Britânico aquartelava na região uma guarnição de 25 mil soldados ingleses e 80 mil indianos, para garantirem o controle sobre as províncias de Mossul, Bagdá e Basca, num total de 105 mil soldados distribuídos por 51 batalhões.
Os estrategistas de Londres, com a ameaça dos aviões pairando nos ares sobre a cabeça dos iraquianos, queriam reduzi-los para dez mil soldados.
Quando estourou a revolta árabe na Mesopotâmia, em julho de 1920, em protesto contra o Mandato Britânico que retirava qualquer possibilidade do Iraque vir a ser independente, as autoridades inglesas decidiram agir implacavelmente.

Gás asfixiante e de mostarda

Se Churchill, num primeiro momento, mostrou-se melindrado com os efeitos dos bombardeios sobre a população civil árabe, ele não manifestou a mesma oposição em recorrer ao gás paralisante e mesmo ao gás de mostarda, ou JNB.
Num memorando enviado a sir Hugh Trenchard, major-general Chefe do Comando Aéreo, o pioneiro inglês da guerra aérea, solicitou-lhe que providenciasse “ some kind of asphyxianting bombs”, isto é, algum tipo de bombas asfixiantes, mas não mortais, para serem usadas nas operações preliminares contra “ tribos turbulentas”.

Conforme a resistência iraquiana se disseminou de Mossul, no norte, para as áreas dos xiitas, em Najaf e Karbala, no sul do Iraque, Churchill foi perdendo a compostura.
Numa reunião do gabinete, conta Simon Geoff (Iraq: From Sumer to Saddam, Londres, 1994) ele teria dito: “ Eu não entendo dessas desgraças provocadas pelo uso do gás. Sou inteiramente favorável ao uso do gás venenoso contra tribos incivilizadas(sic)”.

Arthur Harris (depois, na IIª Guerra Mundial, apelidado de “Carniceiro” Harris, famosos braço direito de Churchill) , então não se fez de rogado.
Os esquadrões de aviões Snipes e dos bombardeios Handley-Page 0/400 - fizeram a festa.
Um inferno de bombas de fósforos, foguetes, fogo líquido, bombas de estilhaçamento e de retardamento, desabou do céu sobre o que Churchill classificou de "tribos árabes recalcitrantes”, trazendo “ excelentes resultados de efeito moral". (*)

(*) Em fevereiro de 1920, a RAF havia feito uma primeira intervenção com bombardeios na Somália britânica para sufocar a rebelião autonomista do dervixe Mohammed bin Abdullah Hassan, apelidado de “Mad Mullah”, o mulá doido!, usando aviões modelo c/10 dH9 que compunham a Z force, que lançaram bombas e metralharam os somalis a vontade.

Não dar sossego aos árabes

Bombardeios britânicos em ação (tela de Carline)
Mesmo depois da grande revolta árabe-curda, que uniu sunitas e xiitas, ter sido sufocada em outubro de 1920 – levante que serviu como mito formador do Iraque moderno -.
A RAF , que promoveu 183.861 missões, lançando 97 toneladas de bombas sobre aqueles miseráveis, com um número mínimo de baixas (9 pilotos mortos e 7 feridos), continuou por um bom tempo ainda organizando sortidas aéreas de surpresa visando para atacar os lugares mais remotos possíveis da Mesopotâmia.

A orientação do comandante J.A.Chamier dizia que o melhor caminho para desmoralizar a resistência dos chefes árabes e curdos, entre eles o Xeque Mahmoud, era atacar e arrasar as aldeias, as mais remotas, das tribos mais importantes.
Não devia haver esmorecimento, martelar “com bombas e metralhadoras, dia após dia, as casas, seus moradores, as colheitas e o gado”.

Mostrar aquela gente “incivilizada” e arredia que o punho de ferro da Sua Majestade Britânica podia alcança-los onde eles estivessem, não lhes dando tréguas, impedindo-os que eles tivessem uma sensação de segurança, sequer de descanso.
Como disse o comandante Harris, “a única coisa que os árabes entendem é a mão pesada, e mais tarde ou mais cedo ela será aplicada”.
E assim, quando os beduínos no deserto levantavam suas preces a Alá, o que eles viam lá no alto não eram mensagens de bem-aventurança, mas o vôo dos mortíferos gaviões da RAF, rodando em circulo, barulhentos, com metralhadoras em riste, anunciando para eles a chegada da morte.

Operação britânicas no Iraque (1920):

Tropas e ocupação: 105 mil homens (25 mil ingleses e 80 mil indianos)
Aviação: esquadrões de caças e de bombardeiros: Snipes e Hardley-Page
Nº de horas de vôo: 4008 h.
Nº missões: 183.861
Baixas inglesas: 9 pilotos mortos e 7 feridos: 11 aviões destruídos
Vítimas iraquianas: de 6 9 mil mortos e feridos


domingo, 11 de maio de 2008

MERCENÁRIOS CONTRATADOS PARA TORTURAR IRAQUIANOS










A privatização da tortura
Correio da Cidadania - Colunistas - Luiz Eça
A privatização da tortura
O filme, a ser brevemente lançado, Irak for Sale (Iraque á venda) denuncia que “contractors” (civis contratados pelo exército americano) comandaram torturas em Abu Ghraib.Comenta Robert Greewald, cineasta que o produziu: “nos meses de trabalho em Irak For Sale uma das mais chocantes e perturbadoras descobertas foi como a CACI International lucrou torturando iraquianos em Abu Ghraib”.


“Contractors” é um eufemismo para substituir o termo adequado que seria “mercenários”,ou seja, profissionais armados para agir violentamente, se preciso, na área de segurança.

No Iraque de hoje eles são cerca de 25.000, quase todos ex-militares, ganhando altos salários que vão a 105 mil dólares anuais, empregados por um grupo de empresas que operam um negócio avaliado em 20 bilhões de dólares.
A CACI é uma das maiores do setor.
O Washington Post informa que 92% das receitas dela vêm dos contratos na segurança.

Segundo o Washington Business Journal, eles quase dobraram no ano seguinte ao início da ocupação do Iraque, enquanto os lucros cresceram 52 por cento.

A própria CACI explica por que o exército americano contrata número tão avultado de civis para realizarem tarefas que tipicamente militares como interrogatórios de prisioneiros: “o exército não tinha o pessoal especializado necessário e a CACI atendeu às urgentes circunstâncias do tempo de guerra”.

Mas embora a CACI – conforme seu site – detinha experiência eletrônica e em outras funções de inteligência, isso nem sempre acontecia com seus interrogadores.

Onze entre trinta e um deles não estavam nesse caso, de acordo com o inspetor geral do exército americano.

O pessoal carente atuava justamente em Abu Ghraib.

A apregoada “tecnologia de ponta” que o site da CACI informa ser aplicada pelo seu pessoal não apareceu nas fotos das barbaridades na prisão iraquiana.

No relatório secreto ao alto comando militar, de autoria do major general Antonio M. Taguba, ele acusa os mercenários da CACI de serem “direta ou indiretamente responsáveis pelas torturas de Abu Ghraib”. Eles teriam, junto com agentes da CIA e da inteligência do exército, ordenado aos policiais militares que “amaciassem” os prisioneiros para ficarem “em condições físicas e mentais que favorecesse seu interrogatório”.

O relatório Taguba mencionou especificamente o mercenário da CACI, Steven Stephanowicz, por ter estimulado um policial sob seu comando a aterrorizar presos, “deixando claro que suas instruções incluíam violências físicas”.

Mas os problemas causados pela privatização de áreas que cumpririam ao exército transcendem Abu Ghraib.
A ação dos militares tem causado constantes protestos da população iraquiana.
“Esses sujeitos estão à vontade neste país e fazem coisas estúpidas. Não há autoridade sobre eles, portanto você não pode repreendê-los quando exageram no uso da força”, disse o brigadeiro general Karl R. Horst, subcomandante da 3ª. divisão de infantaria, responsável pela segurança em Bagdá.

“Eles atiram nas pessoas e os outros tem que lidar com isso.Acontece em toda a parte”, diz o general.

E com tanta freqüência que somente em Bagdá, entre maio e julho de 2005, por exemplo, pelo menos 12 civis iraquianos foram alvejados pelos mercenários, sendo que seis morreram e três ficaram feridos.

Enquanto as empresas de segurança faturam milhões com a guerra, seus funcionários que torturam e matam inocentes continuam livres.

De acordo com seu estatuto legal, eles não estão sob o comando do exército americano.
Em Abu Ghraib aconteceu o contrário.

Quando um soldado protestou contra a ordem de “amaciar” prisioneiros, dada por um dos mercenários, seu superior mandou que obedecesse.

Além disso, graças ao decreto que fora imposta pelo governo provisório americano, nenhum estrangeiro que presta serviços à coalizão está sujeito às leis iraquianas.

Os ditos “contractors” não podem, portanto, serem processados pela justiça local seja lá o que fizerem. Gozam de total impunidade.

Mas o “Center for Constitutional Rights” entende que esse privilégio não se estende aos Estados Unidos. Ele está processando a CACI, sua colega, a Titan, e seus mercenários junto à Corte Federal do Distrito de Columbia. pelos abusos cometidos em Abu Ghraib, documentados pelo relatório do general Taguba.

Diz sua advogada, Susan Burke: “acreditamos que a CACI e a Titan envolveram-se numa conspiração para torturar e abusar dos detentos com o fim de ganhar mais dinheiro”.

Um grupo de vítimas da privatização da tortura no Iraque também procurou a justiça americana pedindo a condenação tanto dos responsáveis diretos, os mercenários da CACI e da Titan, quanto os indiretos, ou seja, as próprias empresas.

Não é preciso dizer que a opinião pública árabe está atenta para verificar como a democracia americana lida com esse desafio.

Luiz Eça é jornalista

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O BERÇO DA CIVILIZAÇÃO

“Bagdá não será subjugada”

Na madrugada do dia 19 de março de 2003,
o insistente soar das sirenes antiaéreas anuncia o esperado: um maciço ataque aéreo é desfechado contra Bagdá, a enorme metrópole de aproximadamente 5 milhões de habitantes, fundada no ano 762 depois de Cristo, por Abu Jaafar Al Mansur, e que foi o centro intelectual e cultural do Planeta por cerca de 500 anos.

A invasão de 2003 culminou em mais uma sangrenta guerra entre as que já houveram por milênios nesse curioso país do Oriente Médio, com mais de 5.000 anos de história, considerado o berço da civilização.

O Iraque corresponde a Antiga Mesopotâmia (região entre rios), uma zona de aluvião, localizada numa faixa de terra fértil às margens dos rios Tigre e Eufrates e zonas subjacentes, em meio a uma região árida e desolada.

As primeiras civilizações mesopotâmicas surgem com os sumérios, por volta do V milênio antes de Cristo, no sul da Mesopotâmia, em torno do Chat El Arab e no curso inferior do Rio Eufrates, onde hoje se localizam cidades como Basra, Abu Sahrain e Nassiriyah.

Graças ao desenvolvimento da agricultura, que possibilitou a essa população abandonar a vida nômade de coleta de alimentos e da caça para se fixarem em aldeias, fundaram então os primeiros nucleos urbanizados que a humanidade tem conhecimento, como Ur, Uruk e Lagash.

Desenvolveram um complexo sistema de irrigação e controle das cheias dos rios, garantindo assim o armazenamento de água para as estações mais secas.

Praticavam a metalurgia, eram desportistas e astrônomos1.

Possuiam uma medicina avançada, e eram peritos em astrologia.

Criaram a primeira forma de escrita, conhecida como escrita cuneiforme, o que possibilitou o registro de transações comerciais, documentos estatais e algumas obras literárias, como a Epopéia de Gilgamés, onde temos o primeiro relato do Dilúvio.

Além dos sumérios, vários povos habitaram a região: babilônicos, assírios, caldeus, amoritas e acádios.

Por ser uma zona fértil, situada no meio do caminho entre África e Ásia, a Mesopotâmia foi rota de vários povos nômades e expedições de conquista, sendo ocupada também por elamitas, persas, gregos e romanos.

Posteriormente, os árabes islamizaram a região, que, a partir de então, passa a ser o maior centro intelectual e cultural do Planeta, originando assim a sociedade mais avançada a ocupar a região até o momento.

Era o centro difusor do Islã universal.

Com seu enfraquecimento politico-militar, a Mesopotâmia é invadida e destruida pelos mongóis.

Seguem-se sucessivas invasões, até que a região cai em poder dos turcos, e passa a ser provincia do Império Turco-Otomano.

O Iraque moderno surge por volta de 1920, com o desmembramento do Império Turco-Otomano, passando então a ser zona de influência britânica, o que gerou fortes sentimentos nacionalistas e de independência.

Até que em 14 de julho de 1958, sob o comando do general comunista Abdul Karim Kassim, o exército iraquiano põe fim a essa dependência, derrubando a monarquia pró-ocidente do Rei Faiçal II, e proclamando a República do Iraque.

Divergências políticas estimularam o partido Ba’ath a preparar um golpe para derrubar o presidente Kassim, contando com auxílio dos serviços secretos norte-americanos.

Em 8 de fevereiro de 1963, o plano do golpe militar é deflagrado.

Centenas e centenas de militantes esquerdistas, e pessoas supostamente ligadas a eles, foram capturadas e executadas.

O presidente Abdul Karim Kassim é capturado e executado no dia seguinte pelos militares, comandos por Ahmad Hassan Al Bakir.

Saddam Hussein vai escalando posições, até que ascende a Presidência do Iraque.

Motivos de ordem política e econômica levaram Saddam Hussein a preparar-se para uma guerra contra o vizinho Irã.

Recebe então ajuda financeira das monarquias árabes do Golfo, assim como suporte de material bélico de paises ocidentais, a exemplo do USA.

Em 22 de setembro de 1980, aviões de combate do Iraque bombardeiam várias regiões do Irã, enquanto divisões terrestres cruzavam a fronteira.

Era o início duma sangrenta guerra que, durante mais de 8 anos, provocou a morte e mutilação de cerca de 2 milhões de pessoas, entre combatentes e civis, incluindo perdas materiais incríveis, e a devastação da biodiversidade das regiões de conflito.

O Iraque termina a guerra endividado.

Então, Saddam Hussein voltou seus olhares para seu vizinho rico em petróleo, o Kuwait, um dos credores, e decide invadi-lo e anexá-lo.

A invasão iraquiana gerou forte repúdio por parte da ONU e, por motivos de ordem econômica, também não era bem vista aos olhos dos norte-americanos.

Com apoio da ONU, os Estados Unidos reuniram uma força militar abrangendo mais de 30 paises.

Em 16 de janeiro de 1991, ante a negativa do Iraque em deixar o Kuwait, a força aérea norte-americana desfecha um ataque demolidor contra Bagdá, dando início a mais de um mês de ataques sistemáticos, que destruiram a infra-estrutura do Iraque e custaram a vida de milhares de civis.

A guerra deixou profundas cicatrizes no povo iraquiano2 e, não obstante o término oficial da guerra, o país continuou sendo bombardeado sistematicamente por EUA e Grã-bretanha durante a década de 90.

Em 2003, Estados Unidos acusam o Iraque de possuir armas de destruição massiva.

Equipes de inspeção da ONU são acionadas no Iraque, mas nenhuma prova é encontrada.

No entanto, ianques e britânicos (juntamente com outros governos aliados) decidem atacar o Iraque sem o aval da ONU, em aberto desrespeito aos orgãos internacionais.

Em 19 de Março de 2003, uma série de ataques aéreos com mísseis e bombas abre caminho para a invasão terrestre contra o Iraque.

As forças iraquianas não tinham capacidade de resistir, o que possibilitou aos invasores avançarem bastante em territorio iraquiano, quase sem resistência.

Mas, os ianques não imaginavam a qualidade nem a magnitude da resistência que deveriam enfrentar após a rápida ocupação.

Durante a decada de 90, prevendo uma futura invasão, as forças iraquianas treinaram longamente táticas de guerrilha urbana, o que lhes permitiria o engajamento no combate em condições mais equilibradas, compensando assim a tremenda desproporcionalidade de força.

Nesse cenário de guerra, os mísseis, aviões de combate e blindados ianques, se mostraram inúteis.

Até agora, a resistência tem se mostrado demolidora, e tudo indica que a desocupação do Iraque é apenas questão de tempo, pois o preço que os EUA e seus aliados estão pagando com a guerra é muito maior que os objetivos que o levaram a ela.

A tática de bombarder cidades, torturar inocentes e detonar carros-bomba contra Mesquitas xiitas3 parece não ter dado certo, e o governo norte-americano se vê num atoleiro, de onde dificilmente suas tropas sairão com dignidade, como exemplifica Albayaty Abdul Ilah:

— Se alguém pretende controlar Bagdá pela força, nós dizemos que isso é impossível.

Perguntem a todos os partidos, todos os poderosos e todos os regimes que tentaram controlar Bagdá pela força, desde que foi construída por Abu Jaafar Al Mansur até hoje.

O destino de todos eles foi serem rejeitados.

E acrescento: quem não compreender nem assimilar a cultura do povo de Bagdá, herdeiro de todas as sucessivas civilizações do Iraque, deveria, juntamente com os seus chefes, voltar para de onde veio.

A cada criança e mulher morta, a cada civil inocente aniquiliado, parecem surigir mais combatentes dispostos a expulsar, pela fibra e determinação, o invasor.

Os iraquianos têm algo que os agressores ianques não têm: os corações e mentes de seu povo, que rejeita qualquer aberração ideologica ocidental que se tenta introduzir no Iraque (vício do consumismo, tráfico de drogas e todo tipo de imoralidade difundida pelos meios de comunicação e outros segmentos, que acabam por gerar desestruturação familiar e da sociedade como um todo).

E por todo esse tempo, nenhum povo conseguiu dominar inteiramente a Mesopotâmia. E hoje não é diferente. Albayaty Abdul Ilah acrescenta:

— Perguntem aos estadunidenses se conseguem controlar Bagdá pela força.


1. Os mesopotâmicos sabiam diferenciar as estrelas dos planetas, previam eclipses e conheciam todos os planetas hoje catalogados.

Dividiram o ano em meses, os meses em semanas, as semanas em sete dias, os dias em 24 horas, as horas em sessenta minutos e os minutos em sessenta segundos.

A astronomia mesopotâmica, juntamente com a egípcia, serviu de base à astronomia dos gregos e muçulmanos, culminando na astronomia moderna desenvolvida na europa.


2. Grande parte dos armamentos usados pelos EUA no Iraque continham urânio empobrecido, um material radioativo que têm provocado a morte e enfermidade de milhares de iraquianos desde a Primeira Guerra do Golfo.

A isso, soma-se o fato de que o conselho de Segurança das Nações Unidas impôs um embargo econômico ao Iraque, que impedia a importação de itens de necessidade humanitária ( material médico, generos alimenticios, e etc.)


3. Há fortes indícios de que agentes ianques e grupos ligados a eles, estejam provocando esses ataques com o objetivo de dividir a população iraquiana, tendo inclusive, detenções de invasores que pretendiam jogar carros-bomba cheios de explosivos contra localidades xiitas.

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