SB – O que ele fez?
IP – Ele era muito mais jovem que Ben Gurion. Tinha 40 anos a menos. Ben Gurion tinha pouco mais de 60 anos, e
Yitzhak Rabin, pouco mais de 20. Ele foi responsável por uma parte da limpeza étnica, porém uma parte horrenda. No centro da Palestina haviam duas cidades, chamadas Lydda e Ramla, onde viviam cerca de 100 mil pessoas. Ele foi o responsável por erradicá-las no verão de 1948. O verão na Palestina é muito quente. Ele e seus colegas os obrigaram a marchar até a Cisjordânia, a dezenas de quilômetros. Muitos morreram no caminho, de fome e sede. Um aspecto muito desumano da limpeza étnica. Como eu disse antes, um crime contra a Humanidade.
“No centro da Palestina haviam duas cidades, chamadas Lydda e Ramla, onde viviam cerca de 100 mil pessoas. Ele foi o responsável por erradicá-las no verão de 1948. O verão na Palestina é muito quente. Ele e seus colegas os obrigaram a marchar até a Cisjordânia, a dezenas de quilômetros. Muitos morreram no caminho, de fome e sede”.
IP – Esse é o grande… Não o grande, mas um dos sucessos da propaganda israelense. Os piores crimes contra os palestinos foram cometidos pelo movimento trabalhista. Eu nunca admirei Shamir e Begin. Mas pode-se dizer que fizeram bem menos que os líderes do movimento trabalhista. Mesmo quando foram primeiros-ministros, fizeram coisas horríveis nos territórios ocupados, e Begin obviamente é responsável pela destruição do Líbano em 1982. Mas ainda mal se compara ao que os líderes do movimento trabalhista fizeram em 1948.
SB – Passando para os anos 1950, essa limpeza étnica prosseguiu?
IP – Ela persiste ainda hoje, neste momento. Há limpeza étnica em Jerusalém e em toda parte. Sim, ela prosseguiu nos anos 1950. O interessante é que Ben Gurion é o responsável. A limpeza étnica não se completou. Foi uma grande operação, e tiveram de deixar, pelo menos, 10% da população que desejavam eliminar. Foi assim que as minorias árabes e israelense surgiram. Para Ben Gurion e seus assessores pessoais, era um número muito alto. Ele queria um estado judeu limpo. Então, tentaram de formas diferentes, pois não havia mais guerra e o mundo estava mais sensível do que antes. Tentaram obrigar as pessoas a imigrar e, em alguns casos, como ocorreu em mais de 30 aldeias, a maioria delas pequena, continuaram com a expulsão. Não houve um dia na história da Palestina e de Israel, desde 1948, em que a máquina da limpeza étnica tenha parado. Ela funciona o tempo inteiro. Há uma definição muito interessante no meu livro, dada no site do Departamento de Estado Americano, eles dizem que após toda operação de limpeza étnica na história, foi apagada a história de seu povo. Não se limitou ao extermínio do povo, mas também apagar a sua história. Eles apagam o povo dos livros de História e do próprio local. Com Israel, não é diferente. Como explico no meu livro, há um mecanismo muito elaborado que inclui a plantação de florestas, a substituição de nomes palestinos por hebreus, o que teve início em 1948 e persiste na Cisjordânia, na grande Jerusalém.
SB –
Subitamente, uma nova liderança, novos movimentos nacionalistas começam a crescer no início dos anos 1960, a OLP, a Fatah, a Frente Democrática e outros grupos como esses. O senhor vê um paralelo entre o que começaram a fazer e o que o Irgun, o Haganah e o Stern fizeram? IP – De certa forma. Há alguns paralelos entre os métodos e a luta de guerrilha. Mas há uma grande diferença entre um grupo de colonialistas modernos, colonialistas do século XX, que tentam, como ocorreu na Argélia, não permitir que o movimento entre na era pós-colonialista e um movimento anticolonialismo como o dos palestinos. É uma grande diferença a meu ver. A
OLP era e continua sendo um movimento anticolonialista. O Irgun e o Haganah não eram anticolonialistas, eram um pouco como os brancos na África do Sul. Tentavam reter uma realidade aceitável no século XIX, mas não mais no mundo pós II guerra Mundial pela visão ética surgida ao menos no Ocidente.
“[A limpeza étnica] Não se limitou ao extermínio do povo, mas também apagar a sua história. Eles apagam o povo dos livros de História e do próprio local. Com Israel, não é diferente”.
SB – Mas o senhor vê um paralelo com os métodos, ataques a civis por motivos políticos, é a definição básica de terrorismo.
IP – Sim, claro. E é importante lembrar isso aos israelenses quando chamam os palestinos de terroristas. Eles também já foram terroristas.
SB – Deste conceito de limpeza étnica, de eliminação dos árabes, passamos para a chamada bomba demográfica que existe na região. Chamavam de ‘problema demográfico’, agora é um perigo demográfico, uma bomba. O que é essa bomba, esse perigo, pelo ponto de vista deles?
IP – É um conceito muito claro. É um consenso entre os maiores políticos de Israel ou membros principais da elite política. Há uma maneira quantitativa de saber quando os árabes se tornam um perigo. Está entre 20 e 25%. Eu sei este número porque vivem citando. Entre 20 e 25% da população de Israel. Quando determina o que é o Estado de Israel, se nesse estado houver 25 mil não-judeus, com cidadania israelense mas etnia árabe, aos olhos da elite política de Israel, será o sinal do final do Estado.
SB – E claro que o índice de natalidade é muito maior entre eles.
IP – Muito maior. Vai acontecer. Mesmo que devolvam metade da Cisjordânia ou transfiram pequenos grupos de Jerusalem Oriental. Isto me preocupa muito. Não vejo como impedir. Eu temo que os políticos populares israelenses pensem que, caso isto aconteça, pois ainda somam menos de 20%, mas que caso aconteça, podem usar de quaisquer meios à disposição deles, incluindo a limpeza étnica, para evitar esta situação. Se perguntar a qualquer israelense nas ruas, ele dirá que esse é o valor mais importante, acima da democracia, dos direitos humanos e civis.
Os israelenses não podem mais separar as populações judaicas e palestinas na região. Eles fizeram muitos assentamentos na Cisjordânia. E continuam fazendo. As comunidades estão entrelaçadas. Às vezes, a realidade pode mandar nas elites políticas. Geralmente, ocorre o contrário, mas neste caso já vemos indícios disso.
SB – É concebível que Israel desista de ser um estado judeu e seja como outros estados, acomodando crenças sem ser exclusivamente o chamado estado judeu, mas um estado mais aberto, normal e democrático?
IP – Não a curto prazo. A curto prazo, não seria possível. Mas há uma boa chance a longo prazo, por dois motivos principais. Acho que estão exagerando no momento. No passado, foram sensatos em não fazer certas coisas por achar que o mundo estava atento. Felizmente, estão exagerando agora. E acho que estão testando a paciência mundial. Quando o poder global americano diminuir, e ele vai diminuir dentro em breve, o mundo ficará ainda mais corajoso ao tentar expor o lado mais racista do estado judeu. Em outras palavras, prevejo uma pressão muito forte e até externa sobre Israel. Mas não será de imediato. Em segundo lugar, penso nas realidades locais. Os israelenses não podem mais separar as populações judaicas e palestinas na região. Eles fizeram muitos assentamentos na Cisjordânia. E continuam fazendo. As comunidades estão entrelaçadas. Às vezes, a realidade pode mandar nas elites políticas. Geralmente, ocorre o contrário, mas neste caso já vemos indícios disso. Até os israelenses mais racistas, digamos assim, acham que os filhos devem aprender árabe, e jamais quiseram isso antes. Começam a notar que fazem parte desta realidade. E até os palestinos mais fanáticos querem que os filhos aprendam hebraico, apesar do que dizem sobre matarem uns aos outros.
SB – Vêem uma realidade diferente no futuro. Um estado binacional.
IP – Sim. Um estado binacional, comunidades entrelaçadas. Não necessariamente começando com muito amor, não necessariamente felizes com tal realidade, mas chegando cada vez mais à conclusão de que qualquer outra situação é o que os americanos chamam de “destruição mútua”. Acho que os processos locais e a impaciência mundial com os problemas que Israel vai causar ao mundo, pois ainda não chegamos ao fim deles, sobretudo no front, contra o Irã e a Síria, um dia, não imediatamente, trarão a chance de se construir uma nova realidade na Palestina. Claro que há hipóteses bem mais terríveis, como o sucesso de Israel na eliminação dos palestinos, antes que o mundo possa agir. É, infelizmente, uma possibilidade. Mas espero… Não quero nem pensar nisso.
Ilan Pappe (
http://ilanpappe.com) é judeu, perdeu toda a família sob o jugo alemão na 2ª Guerra e é Historiador, ativista de Direitos Humanos, Professor e Chair no Departmento de História da University of Exeter e co-diretor do Exeter Center for Ethno-Political Studies.
Assisti uma entrevista de Silio Boccanera, com o Professor Pappe hoje à tarde na Globo News e o relato dele é absolutamente estarrecedor. Pappe desafia a Versão Sionista dos eventos acontecidos na Palestina desde 1948.
Entre inúmeras passagens inacreditáveis ele fala do "Projeto" iniciado por Ben Gurion e a seguir por Itzhac Rabbin e o Partido Trabalhista de extermínio do povo palestino, confiscando suas terras, estuprando suas mulheres e matando impiedosamente desde 1948 e intensificado a partir de 1950 com a retirada dos Ingleses do Estado de Israel.
O próprio Pappe se emociona quando fala dizendo nunca poder imaginar que os judeus fossem capazes de fazer o mesmo que os alemães acabavam de ter feito.
Conta que em 1950, por exemplo os israelenses decididos a expandirem seu território a despeito do que foi determinado pela ONU saíram tomando as terras dos colonos palestinos chegando a determinar que estes tinham uma hora para se retirarem levando o que podiam. Davam tiros para o alto e matavam quem se lhes opunha. Mas é muito pior que isso.
A atitude beligerante do Hamas e do Hezbollah não é fruto apenas de ódio anti-semita nem tampouco insanidade de gente desequilibrada.
Os Palestinos clamam ao mundo para não serem sumariamente exterminados porque Israel já decidiu, há muito tempo, que ficará com suas terras.
Visitem o site de Ilan Pappe e entenderão o que realmente se passa no Oriente Médio.
09/01 "O GLOBO - BBC Brasil - Forças israelenses bombardearam uma casa na Faixa de Gaza onde os próprios soldados de Israel tinham colocado cerca de 110 palestinos no dia anterior, segundo um relatório da ONU.
O bombardeio, em Zeitoun, um bairro no sudeste da Cidade de Gaza, ocorreu no dia 5 de janeiro e matou cerca de 30 pessoas"."Segundo várias testemunhas, no dia 4 de janeiro soldados israelenses evacuaram aproximadamente 110 palestinos (metade destes, crianças) e os levaram para uma única residência em Zeitoun, afirmando que eles deveriam permanecer em casa", informou o escritório da ONU no relatório.
"Vinte e quatro horas depois, forças israelenses bombardearam a casa várias vezes, matando aproximadamente 30 pessoas."
Segundo a ONU, os que sobreviveram e ainda conseguiam andar caminharam dois quilômetros para a estrada principal de ligação entre o norte e o sul da cidade para conseguir transportepara o hospital mais próximo em veículos civis.
"Três crianças, a mais nova delas com cinco meses de idade, morreram na chegada ao hospital", segundo o relatório.Lendo o texto acima me vem a imagem da crueldade nazista contra os judeus na Alemanha. É idêntico. E não foi um "acidente".
Foi premeditado.
Israel terá que responder por crimes contra a Humaninade em Genebra ou outro Forum Internacional. Não adianta querer defender o indefensável.
12/01 20:30hs.GENEBRA - O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou segunda-feira uma resolução que condena Israel por sua ofensiva na Faixa de Gaza, pede o fim imediato das hostilidades e determina o envio de uma missão de investigação independente.
A resolução cria uma equipe para "investigar todas as violações das leis internacionais de direitos humanos" que Israel possa estar cometendo contra o povo palestino.
Além disso, pede que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, faça um relatório à Assembleia Geral sobre o ataque a uma escola da ONU na Faixa de Gaza, ocorrido na semana passada.
Vale a pena ver toda a entrevista (legendada em português):
Paulo disse...
O problema da Palestina não é apenas um problema de postos de controle, de abusos dos direitos humanos, do muro, da demolição das casas, da estratégia da ocupação ou do cerco de Gaza. O problema central é o roubo ilegal, a colonização e a ocupação de um país inteiro. Estes são apenas sintomas do nacionalismo judeu expressa pela ideologia sionista.Não se costuma mencionar o facto que esta terra bíblica a que os judeus modernos chamam a "sua terra" foi obtida com o genocídio dos povos de outras nações que ocupavam a terra que os judeus actuais dizem ter um direito histórico.
16 Abril, 2009 14:08
contradicoes disse...
Pois estes mesmos usurpadores dum território, admiram-se e chamam de terroristas aos seus legítimos donos da terra, quando afinal todos os demais países colonizadores tal como o nosso foi obrigado pelas Nações Unidas a devolver os territórios em África aos seus autótenes. Permitindo-se impor-se sobre o povo colonizado, Israel dizima o povo palestiniano perante a passividade do Mundo.
16 Abril, 2009 23:01
xatoo disse...
não só ocuparam e expulsaram os habitantes ancestrais dessas terras, como o fizeram de uma forma completamente terrorista - os actos de aterrorizamento dos árabes começaram logo assim que Hitler chegou ao poder, que utilizou os judeus contra os britânicos que tutelavam a Palestina. Na verdade existiu um pacto de Hitler com as Chefias judeo-Sionistas que utilizaram os judeus como arma de arremesso (exportando-os literalmente) contra o inimigo inglês.O terrorismo do Stern Gang, Irgun Zvai Leumi, etc. é um dado pouco conhecido (porque deliberadamente esquecido, excepto o Leumi que é hoje um importante banco transnacional de Israel).Há um livro recente sobre esse periodo,"Major Farran`s Hat: Murder Scandal and Britain`s War Against Jewish Terrorism 1945-1948" de David Cesarini.Ainda não li, mas deve ser interessante. Alguém que pesquise e acrescente algo.
17 Abril, 2009 01:35
xatoo disse...
ora aqui está a historia da ligação entre o terrorismo do Stern e o dito Bancohttp://www.fpp.co.uk/online/01/10/SwissBanks2.htmleste merece um post.
17 Abril, 2009 01:39
alf disse...
Bela entrevista!Que aconteceu a este tipo?Israel continua a desenvolver uma política de extermínio que ninguém denuncia, uma política a longo prazo conducente ao auto-extermínio dos palestinianos.
17 Abril, 2009 15:04
PRODUCTIONS disse...
Quanto ao livro "Major Farran`s Hat", uma das poucas referências que encontrei na internet foi isto: http://www.ft.com/cms/s/2/34cd4554-1fe2-11de-a1df-00144feabdc0.html http://www.scotsman.com/bookreviews/Book-Review-Major-Farran39s-Hat39A.5135540.jp http://www.play.com/Books/Books/4-/5481726/Major-Farran-Hat/Product.html Mais um livro de qualidade, que nunca irá vêr edição em língua portuguesa.
17 Abril, 2009 16:58
61 ANOS DE NAKBA (DESGRAÇA)
61 ANOS DE OCUPAÇÃO ISRAELITA - 61 ANOS DE "APARTHEID", LIMPEZA ÉTNICA - 61 ANOS DE RESISTÊNCIA PALESTINIANA
A 29 de Novembro de 1947 as Nações Unidas aprovaram a Resolução 181 que recomendava a Partilha da Palestina histórica em um Estado israelita para menos de 20% de habitantes representados por colonos provenientes na sua maioria da Europa sobre 51% do território e um Estado palestino nos outros 49% para um milhão de Palestinianos. Esta divisão, apesar de demograficamente desigual, nunca chegou a efectuar-se.
Entre a decisão de partilha e o dia 15 de Maio de 1948, dia oficial do fim do mandato britânico e a declaração do Estado de Israel, houve uma verdadeira guerra de limpeza étnica que foi relatada historicamente por inúmeros escritores e pensadores. Talvez tenha sido Ilan Pappe, o historiador israelita quem mais relatou e transmitiu as realidades desta guerra através do seu livro denominado "A LIMPEZA ÉTNICA DA PALESTINA" e baseado em documentos "libertados" pelo governo israelita há mais de dois anos. Neste livro, o escritor relata palavra por palavra e detalhadamente como nasceu a questão dos refugiados, as aldeias completamente destruídas e os massacres cometidos contra o povo palestiniano.
Com a guerra de 1948, iniciou-se um processo de ocupação territorial em benefício dos emigrantes judaicos e da limpeza étnica da população palestiniana que foi seguindo o seu percurso fatídico até aos dias de hoje. O primeiro afastamento da população palestiniana foi levada a efeito por milícias sionistas provocando um êxodo massivo de 750.000 palestinianos que se converteram em refugiados. Junto com os seus descendentes, representam hoje em dia cerca de cinco milhões de pessoas refugiadas além de um milhão e meio a viverem na Faixa de Gaza, a maioria dos quais já havia sido desalojada dos territórios em 1948, 2 milhões na Cisjordania e 1 milhão e meio de Palestinianos, cristãos e muçulmanos que representam 20% da população de Israel.
Aquela primeira ofensiva das milícias sionistas (consideradas grupos terroristas pela comunidade internacional) culminou a 15 de Maio de 1948 com a proclamação unilateral do Estado de Israel por Ben Gurion. Esta data ficou gravada na memória do povo palestiniano como o dia fatídico da derrota, o massacre e o exílio forçado. É relembrada a cada 15 de Maio e conhecida pelo nome de "Nakba", a catástrofe/ a desgraça.
A resolução 194 das Nações Unidas de 11/09/1948 que exigia à comunidade internacional cumprir o direito do regresso dos refugiados palestinos e garantir a respectiva indemnização foi condição para entrada de Israel nas NU mas esta resolução continua sem implementação e a ser anualmente recordada na Assembleia Geral das Nações Unidas Sob o tema: Palestina, os Direitos Inalienáveis.
Durante estes longos 61 anos e até hoje, o Estado de Israel pratica nos Territórios Palestinos Ocupados uma politica de expansão e imposição de factos no terreno, construção de uma rede imparável de colonatos, violação dos direitos fundamentais e políticos da população civil palestiniana, anexação de terras e recursos hídricos, castigos colectivos, isolamento das populações e restrição de movimento dos cidadãos através de controlos militares (check points) cerca de 650 fixos além dos temporários, o muro de separação racista, detenções (11 mil prisioneiros alguns dos quais já ultrapassaram os 37 anos nas prisões israelita), expulsões, torturas, assassinatos, bombardeamentos.... Ignorando as resoluções das NU e de outros organismos internacionais, Israel continua praticando uma política de colonização e expulsão. Continua ampliando o número e tamanho dos colonatos israelitas na Cisjordânia e em Jerusalém onde tem vindo a instalar cerca de meio milhão de colonos.
Após 61 anos o povo palestiniano, apesar de todas as injustiças que tem vindo a sofrer, resiste firmemente aos seus direitos. Resiste contra um Estado militar e confessional que se apoia num "lobby" internacional sionista muito poderoso, que se nega a acatar as resoluções das NU especialmente a 243 e a 338 que insistem na retirada de Israel dos territórios árabes ocupados e a 194 e a 3236 que reconhecem o direito de regresso dos refugiados assim como a declaração do Tribunal Internacional de Haia de 2004 sobre o rápido derrube do muro de separação racista. Sem o apoio e consentimento internacional, o estado ocupante de Israel não poderia ter mantido todos estes anos a incomensurável injustiça contra todo um povo. Os 86 vetos americanos no Concelho de Segurança ajudaram a fazer com que Israel seja um país acima de lei.
Apesar de se recordarem agora os 61 anos da Nakba (desgraça) os palestinos não desistem, continuam e continuarão a insistir no direito ao estabelecimento do seu estado independente nos territórios ocupados em 1967 com Jerusalém oriental como sua capital e encontrar uma solução justa para a questão do regresso dos refugiados.
O Povo Palestiniano nada mais pede do que aquilo que lhe foi concedido pelas resoluções das NU, pela comunidade e legalidade internacionais de acordo com os direitos humanos se é que, e esperamos que sim, ainda exista algum respeito e consideração por aqueles conceitos e resoluções.
Ao relembramos os 61 anos da Nakba (catástrofe/desgraça), lembramos 61 anos do sofrimento que vivemos, os massacres, a tortura e a miséria nos campos dos refugiados nos países vizinhos. 61 anos da Nakba, é altura de mais uma vez exigirmos de todos o governos europeus que assumam a sua obrigação de fazer cumprir as resoluções das NU assim com as obrigações estabelecidas pelo Tribunal Internacional de Justiça sobre a ilegalidade do muro de separação racista. A criação pela União Europeia de uma comissão e tribunal especial que investigue as violações cometidas por Israel em relação aos Convénios, ao Direito Internacional e especificamente sobre o regime de "apartheid" que têm vindo a desenvolver assim como as suas violações à IV Convenção de Genebra e crimes contra a humanidade na sua campanha de isolamento e genocídio contra um milhão e meio de cidadãos que vivem na Faixa de Gaza.
Israel conta com a ideia de que os mais velhos irão morrer e os mais novos irão esquecer-se. Morrerão os mais velhos, mais os mais novos, geração após geração, continuam a ter na mão as chaves das casas dos pais e as escrituras das suas terras para um dia regressarem... As novas gerações mostram-se lutadoras e ligadas às aspirações da sua identidade e de uma pátria própria não desistindo do direito ao regresso, à independência e ao estabelecimento do Estado Palestiniano independente com Jerusalém como capital.
15 de Maio de 2009
Randa Nabulsi
Delegada Geral da Palestina em Portugal
http://www.mppm-palestina.org/index.php/opiniao/72-61-anos-de-nakba