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Dossier con Walter Martínez 23-01-2009
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009
sábado, 20 de junho de 2009
A HISTÓRIA DO POVO PALESTINO
Palestina: A história de um povo.
por Camila Martins
por Camila Martins
No período entre o final do ano de 2008 e janeiro de 2009 mais um banho de sangue aconteceu.
O exército israelense “em resposta” aos foguetes lançados pelos Hamas - Movimento de Resistência Islâmica, que em 2006 ganhou as eleições palestinas com 56% dos votos - promoveu um verdadeiro genocídio contra a população da Faixa de Gaza.
Mais de 1300 foram pessoas mortas, e entre elas mais de 400 crianças, desencadeando uma crise humanitária.
A violência foi tão absurda que foram bombardeados duas escolas da ONU, e um armazém que abrigava refugiados e armazenava mantimentos, inclusive os que foram enviados pelo governo brasileiro, tendo como pano de fundo a declaração da chanceler Tzipi Livnil, que disse “quando Israel for atacado, retaliará.”
E isso foi o mais ouvido nos últimos tempos.
Para a grande mídia e as principais potências, dando maior destaque aos Estados Unidos, Israel é uma vítima dos ataques terroristas do Hamas, tendo total direito de se defender, e invadir Gaza por terra para exterminar os membros da facção.
O que não é revelado, é que a ocupação israelense inclui áreas não legalizadas pela ONU.
A partir dessa afirmação o conflito muda de perspectiva, o Hamas, um grupo de milicianos armados, que se tornou um partido político, torna-se junto de todos os palestinos, um movimento de resistência contra o império militar e da tentativa de colonização.
A Palestina Histórica
A chamada Palestina Histórica é todo o território que engloba hoje Faixa de Gaza, Israel, e Cisjordânia.
Antes da decisão de construir lá um estado judeu, que implicaria na desapropriação de terras de árabes que a habitavam há séculos; a região fazia parte de uma grande extensão interligada ao mundo árabe.
Com o histórico de sucessivos golpes dos grandes impérios, no século XIX a Palestina fica sob o comando do Império Turco-Otomano, somando cerca de 500 mil habitantes.
Entre eles a pluralidade religiosa, muçulmanos, cristãos, e judeus conviviam em harmonia e tinham os mesmos direitos, mesmo sendo a grande maioria muçulmana, cristalizando a sua cultura na região.
Ainda na ocasião, o número de cristãos não somavam 10%, os de judeus, nem 5%.
Sionismo: o nacionalismo judeu
Ainda no final do século XIX os judeus sofrem um duro golpe: O governo czarista resolve culpá-los por todo mal que vinha sofrendo o povo russo, milhares são mortos.
Em meio a essa complicada situação, buscando refúgio nos outros países da Europa, o judeu nascido em Budapeste, Theodor Herzl, publica no final do século XIX, um documento que diz que os judeus deveriam ter a sua própria terra, onde eles mesmos sejam os senhores.
Tais idéias são inspiração para o Sionismo, corrente política que defendia a criação de um estado exclusivamente judeu.
Depois de estudarem lugares como Uganda, Argentina, e até mesmo a Amazônia, chegaram a conclusão que o melhor lugar seria a Palestina, já que essa era a terra prometida por Deus.
Assim, em 1897, é realizado o 1º Congresso Sionista, onde abertamente propuseram um projeto colonial para a Palestina, com a intenção de tornar ali definitivamente o seu lar. Nesse mesmo congresso fica instituída a criação de uma agência de propaganda, para divulgar e incentivar a imigração judaica para a Palestina, mobilizando cada vez mais pessoas que iam em busca da nova terra.
A adesão se intensifica quando em 1917 o governo inglês, agora exercendo seu comando sobre a Palestina, aprova a criação de um Lar Nacional Judaico naquelas terras.
“Isso foi uma grande loucura. O debate no âmbito do direito internacional não aceita essa reivindicação, porque se você considerar que quem morou há mais de dois mil e quinhentos anos atrás em determinada terra tem direito a ela, é preciso devolver os Estados Unidos aos índios cherokees, povo que morava lá originalmente. O direito a terra é de quem nela habita e toma conta”, diz o sociólogo e arabista Lejeune Mirhan, que tem uma coluna no site www.vermelho.org há sete anos inteiramente dedicada ao Oriente Médio.
Com tal notícia o povo árabe começa a se alarmar e perceber que com o fluxo imigratório, em poucos anos eles seriam substituídos pelos estrangeiros.
Diversos conflitos acontecem, prenúncio do que estaria por vir.
Com a ascensão de Hitler e a intensificação do anti-semitismo na Alemanha nazista, outro pico de imigração é registrado, só em 1935 são 65 mil judeus entrando na Palestina.
O governo inglês, percebendo a dimensão do problema que estava se formando, e os conflitos entre os grupos que poderiam acontecer, tenta barrar a entrada de mais judeus na região. E é nessa ocasião que os judeus rompem com a Inglaterra para aliarem-se ao país que é seu braço direito até hoje, os Estados Unidos
Israel: Estado Bandido
Visando expandir seu poder e influencia no Oriente Médio, os Estados Unidos tem um papel protagonista nessa história.
Ainda para Mirha, “Quando o comércio era basicamente marítimo, todas as rotas que saiam da Índia e da China para chegar a Europa passavam pela Palestina para atravessar o Mediterrâneo, tornando a região estratégica. Já no século XX, desgraçadamente os Estados Unidos fizeram um furinho e descobriram que o Oriente Médio é a região mais petrolífera do mundo, sendo necessário colocar ali uma cabeça de lança que defendesse seus interesses. A solução foi apoiar a criação de um Estado totalmente artificial.”
Incentivando a imigração para a Palestina, os americanos financiavam a compra de armamento pelos judeus, que embasados na idéia do “soldado cidadão” treinavam seu povo militarmente para combate. E é essa força militar que é usada em atentados contra aldeias palestinas, como no episódio do massacre da aldeia de DERIASSIM, dois anos antes da criação do Estado de Israel, onde 247 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram mortas pelo grupo judeu sionista Irgun.
Mas esse e outros atentados contra os palestinos não ganharam repercussão.
O mundo, principalmente a Europa, se sentia culpado pela conivência que tiveram com os crimes cometidos durante o Holocausto, e a maneira de se redimir foi colocar a questão judaica em primeiro plano.
A criação do Estado de Israel se tornou pauta na agenda internacional, até que em reunião na sede da Organização das Nações Unidas, em Washington, durante uma votação apertada, 33 votos a favor – incluindo o do Brasil e da União Soviética, e 30 contra; ficou declarado oficialmente que a partir de 14 de maio de 1948, o mapa do mundo ganharia mais um país, Israel.
Para o sociólogo a resolução da ONU foi polêmica, implicando na criação de dois Estados, o de Israel e o Palestino, sendo que o primeiro teria 52% das terras, e o segundo 48%.
“Todos os países árabes votaram contra Israel, pois aqueles que antes eram donos de 100% da terra perderam em uma assinatura 52% dela. Sem contar que as terras israelenses eram as mais aráveis, os palestinos ficaram com a parte mais seca. Hoje chamamos Israel de estado bandido porque a única resolução da ONU que o estado acatou foi essa, todas as outras ele descumpre. E isso foi possível ver nesta última ocupação em Gaza, com o uso indiscriminado de fósforo branco.”
A nakba
Enquanto os judeus comemoravam sua vitória, e os sionistas se preparavam para ser o grupo político hegemônico dentro do novo país, o dia 14 de maio de 1948 foi para os palestinos o dia da Anakba, que em árabe quer dizer catástrofe.
O território palestino foi limitado às regiões da Faixa de Gaza, Cisjordânia, e parte oriental de Jerusalém, e as pessoas que viviam onde se construiria o novo país foram violentamente retiradas de suas casas pelo embrião do poderoso exercito israelense, dando início à saga dos refugiados palestinos.
“Quando Ben-Gurion proclama o Estado de Israel, ele traz junto de seu projeto imperialista travar uma guerra contra seus vizinhos, e ocupar seus territórios, e é isso que vemos até hoje. Os Estados Unidos financiam as invasões israelenses, eles tem uma ligação umbilical tão estreita que todo o ano separam 5 bilhões de seu orçamento para ser enviado a Israel”, revela Lejeune Mirhan.
E o sociólogo continua: “Desde a fundação do Estado de Israel existia um projeto chamado ‘Grande Israel’, que consistia na ocupação de toda a Palestina, o Sinai, o Sul do Líbano, e parte do Egito. Tanto que em 1967, Israel monta uma grande ofensiva militar que fica conhecida como Guerra dos Seis Dias, momento em que o exercito israelense pegou todos os países árabes de surpresa, dizimando toda a força aérea egípcia, síria e jordaniana, sem antes delas terem conseguido decolar.”
Nesse momento Israel expande consideravelmente suas fronteiras – antes da Guerra dos Seis Dias o território palestino já estava restrito a 22%, conseqüência de constantes ocupações – limitando a Palestina àquilo que é hoje, apenas 8% de toda a terra.
Mesmo a ONU considerando totalmente ilegais as terras conquistadas nesse episódio, e votando a resolução 242 que exigia a retirada de todos os assentamentos israelenses em terras árabes, Israel nunca a cumpriu.
A Resistência Palestina
O povo palestino, ao perder seu território, perde também a sua dignidade.
A condição de refugiado em outros países árabes, ou mesmo dentro da pequena porção de terra que lhe sobrou é precária, sem infra-estrutura, mas mesmo assim a luta pela libertação é um sentimento em comum.
A resistência à ocupação israelense sempre existiu, mas foi só em 1958 que se constituiu a primeira unidade de luta palestina, o Fatah, frente popular fundada por Yasser Arafat. Mesmo com a morte de Arafat em 2004, seu nome e sua luta pela paz é uma referência ao povo palestino e ao mundo.
Mas nesse primeiro momento o Fatah é considerado uma organização ilegal, tendo como princípio negar a existência do Estado israelense. Para isso era preciso treinar seus militantes, sendo sua principal atuação os atentados com bombas. Logo após nacionalizar o Canal de Suez, enfrentando a Inglaterra, quando o líder egípcio Nasser propõe a criação de uma organização que trabalhasse pela libertação da Palestina, assim em janeiro de 1964 todos os líderes árabes se juntam para fundar a OLP, Organização pela Libertação da Palestina, cujo lema é “União, Mobilização, e Libertação.”
Em pouco tempo Arafat se tornaria presidente da OLP, e em decorrência das atrocidades geradas pela Guerra dos Seis Dias sua posição se radicaliza, seria preciso pegar em armas e lutar pela construção do Estado Palestino, lugar onde muçulmanos, judeus, e cristãos viveriam em paz.
Com isso o conflito armado se eleva ao primeiro plano, em um período de mais de vinte anos muitas pessoas sofrem com as calamidades provocadas por uma constante guerra, sem contar as milhares de mortes de ambos os lados.
Muitos líderes da OLP são mortos no mundo todo, em contrapartida atentados são cometidos contra os israelenses.
Yasser Arafat leva mais uma vez o assunto para a ONU tendo como arma de troca a exportação do petróleo produzido no Oriente Médio, Arafat faz um apelo a todos os países em prol da causa palestina, proclamando sua célebre frase: “Sou um rebelde, minha causa é a liberdade.”
Mais uma vez, nenhuma atitude da comunidade internacional.
Mobilizados contra os excessos da ocupação, os refugiados palestinos do campo de Jabaliyah iniciam, em 1987, a primeira Intifada, uma manifestação que levou pessoas ás ruas empunhando pedras e paus contra as armas e fuzis israelenses.
A Intifada ganhou repercussão internacional quando foram divulgadas fotos de soldados israelenses abusando de palestinos, quebrando suas mãos e braços, assim como determinavam as ordens de seu governo.
Ciente da batalha assimétrica, e do abuso de força promovida por Israel, a OLP recua a sua posição e Yasser Arafat vai a Genebra declarar o reconhecimento da existência de dois Estados, um Israelense e outro Palestino, e que a partir daquele momento rejeitaria todas as formas de terrorismo em favor da luta pela Paz.
A primeira reação de Israel é a desconfiança, além de manter a posição que a OLP era um grupo terrorista, por isso não a reconheciam nem dialogariam com a organização.
Mas devido às pressões internacionais em 1993 é assinado o acordo de Oslo, que consistia no esforço de ambos os lados para a criação do Estado palestino ao lado do israelense.Uma das resoluções do acordo é a criação da ANP, Autoridade Nacional Palestina, uma espécie de governo sem Estado, que através de eleições diretas elege seu presidente.
O primeiro foi Arafat, em 1996.
O Hamas
É durante a primeira Intifada, em 1987, que nasce o Movimento de Resistência Islâmica, o Hamas, fundado pelo xeque Àhmede Ýassin e seus tenentes.
A principal influência sobre o Hamas é a Fraternidade Muçulmana, movimento islâmico do Egito, religioso extremista, que atingiu caráter de grupo político.
Opondo-se à decisão do Fatah de reconhecer a existência do Estado de Israel, o Hamas resgata a origem do grupo de Arafat e diz em sua carta de fundação que não aceita a existência de Israel, preconizando uma Palestina islâmica que abrigue diversas religiões em seu território.
Seguindo a tradição dos grupos de resistência, o Hamas, além de se engajar no debate político e promover programas assistencialistas para a população, mantém o seu braço armado, as chamadas Brigadas Azzeddine AL-Qassam, responsáveis pela produção e lançamentos dos foguetes caseiros em direção ao território israelense.
Em pouco tempo a reação violenta do Hamas, em resposta a ocupação,foi considerada como prática terrorista pelos Estados Unidos, União Européia e Japão.
“Acontece que o conceito de terrorismo depende mais de quem o aplica que da realidade. Quando os israelenses ajudaram o Hamas a firmar-se, os terroristas eram os seguidores do arqui-inimigo Yasser Arafat, mas as posições se inverteram quando o Hamas venceu as eleições. Sem contar que se terrorismo for o ato de atacar o inimigo matando inocentes, então todos os lados praticam terrorismo, e se estes forem medidos quantitativamente a balança de atos de terror pende mais para Israel, praticando terrorismo de Estado.”, diz o Embaixador brasileiro Arnaldo Carrilho, que atua junto ao Mecanismo ASPA (América do Sul – Países Árabes), e é ex-representante junto à ANP.
As eleições a que o Embaixador se refere à cima foram as eleições para o Parlamento Palestino, em 2006, que o Hamas, já consolidado como um grupo político, atingiu 56% da preferência popular, tornando-se maioria.
E Carrilho acrescenta, “As eleições demonstraram o apoio do povo palestino ao Hamas, quando até cristãos depuseram seus votos nas urnas favoráveis aos candidatos do movimento. Com esses últimos ataques a Gaza o apoio deve ter aumentado, mas só um sufrágio límpido e transparente, como foi o de há três anos, poderia comprová-lo.”
A opção dos palestinos em eleger um grupo apoiado no fundamentalismo religioso, pode ser vista como uma nova tentativa da sociedade em buscar resoluções para a sua causa, já que os anos liderados pelo Fatah, de origem secular, nunca obteve sucesso efetivo em suas negociações.
O que aconteceu pós-eleições foi o total desrespeito ocidental contra a soberania dos palestinos.
Por ser considerado terrorista e desconsiderando as decisões democráticas, Israel junto de seus aliados impôs um bloqueio econômico à Faixa de Gaza, fechando suas fronteiras com o Egito, impedindo a entrada de alimentos e medicamentos, isolando ainda mais a região com maior densidade demográfica do mundo, com cerca de 1 milhão e 400 mil habitantes.
O bloqueio intensificou-se ainda mais quando o Fatah recusou-se a compor o novo governo, e ainda opôs-se a entregar parte da administração ao Hamas, gerando um conflito interno na região, que acabou com todos os membros do Fatah sendo expulsos da Faixa de Gaza.
“Por várias vezes, os líderes do Hamas sinalizaram sua disposição de filiar-se à OLP, mas os dirigentes do Fatah não aceitaram sua participação majoritária”, conta o Embaixador.
Quem saiu prejudicado dessa briga política foi mais uma vez o povo palestino, que viu seu governo fragilizado ainda mais ao ser dividido em dois pólos: um sob o comando da ANP e do Fatah na Cisjordânia, representado por Mahmoud Abbas, e outro sob o comando do Hamas e de seu primeiro-ministro Ismael Haniyeh, na Faixa de Gaza.
O modo encontrado de furar o bloqueio foi através dos túneis clandestinos ligando Gaza ao Egito, transportando através deles, além de itens básicos para manter a população, armas para o Hamas, vindas do país vizinho.
Com o fim do acordo de cessar-fogo, e a ação militar israelense em Gaza no dia 4 de novembro, o Hamas voltou a lançar seus foguetes, que atingem de 15 a 40 quilômetros de distância.
Como represália, e especula-se que seja uma manobra eleitoreira, já que as eleições em Israel se aproximam, seu exército invade em 27 de dezembro de 2008 a Faixa de Gaza por terra, e através de ataques aéreos com o objetivo de acabar com todos os membros do Hamas.
A operação ganha formato de massacre étnico, já que a desigualdade armamentista frente ao conflito é gritante.
Durante os mais de 20 dias da nova ocupação, 1.300 palestinos morrem, do lado israelense são 13.
De todos os lados as mortes são lamentáveis.
“Eu não apoio ações violentas do Hamas, no entanto consigo compreender um jovem que coloca dinamite no seu corpo porque teve sua casa destruída por um bombardeio, sua mãe estuprada por soldados, e seu pai preso e torturado. Que perspectiva esse jovem tem?” desabafa Lejeune Mirha.
As resoluções do conflito
Depois de muito diálogo no campo da diplomacia, liderados pela França com apoio do Egito, Israel optou no último dia 18 de janeiro, dois dias antes da posse de Barack Obama, por um cessar-fogo unilateral, reivindicado o fechamento dos túneis clandestinos.
Os Estados Unidos permaneceram quietos durante todo o período da ocupação, e o presidente Barak Obama disse apenas que os Estados Unidos não poderia ter duas vozes – pois na ocasião ele ainda não tinha sido empossado – decepcionando parte do mundo, e alertando ao novo presidente que a questão palestina terá que ser prioridade em sua agenda.
Em um primeiro momento a liderança do Hamas não aderiu ao cessar fogo, já que a sua luta é pela abertura total das fronteiras, mas depois cedeu e declarou que irá parar de lançar os foguetes durante sete dias.
O debate no mundo árabe sobre a paz é divergente, a proposta da ANP é a de que Israel recue para as fronteiras de 1967, fazendo o território palestino voltar aos 22%, desocupem todas as colônias na Cisjordânia, permitam a volta dos refugiados, e declarem a parte oriental da Jerusalém como a capital palestina..
Já para o Hamas essas reivindicações sinalizariam apenas uma trégua.
Israel se opõe a todos esses aspectos.
A filósofa judia - alemã, Hannah Arendt, refugiada nos Estados Unidos na perseguição nazista, dedicou grande parte de sua obra estudando a questão da liberdade e sua repressão nos momentos que emergem regimes totalitários.
Certa vez Arendt escreveu que “a essência dos Direitos Humanos, é o direito a ter direitos”, e o que se notou durante toda a história, ainda mais nesse último mês de janeiro, é que o poder imperialista nega ao povo palestino o direito à terra, e nela serem cidadãos.
Camila Martins é socióloga e repórter na revista Caros Amigos.
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sábado, 14 de março de 2009
TERRORISMO E TERRORISTAS/SEMITISMO E SIONISMO
Só os terroristas concordam com o terrorismo. Mas, para que possamos esclarecer tudo que a sua pergunta envolve, devemos melhor esclarecer alguns conceitos que nela estão explícitos e implícitos.
Primeiramente, não devemos confundir antissemitismo com anti-sionismo.
Embora em seu sentido histórico tenha aplicação restrita aos judeus e ao judaísmo, o termo anti-semita, em seu sentido literal significa atitude de preconceito e de rejeição quanto aos semitas.
E qual é a diferença?
A diferença é que semitas não são apenas os judeus, mas também os árabes. Confira:http://pt.wikipedia.org/wiki/Semitahttp://www.aulete.portaldapalavra.com.br...
Portanto o termo semita tem como principal designação o conjunto lingüístico composto por uma família de vários povos, entre os quais se destacam os árabes e hebreus, que compartilham as mesmas origens culturais.
Consequentemente, por mais incrível que possa parecer, quando o governo de Israel toma medidas contra os árabes está a tomar medidas anti-semitas.
Agora, há de se diferenciar antissemitismo de antissionismo.
O que é o sionismo?
O termo, em princípio, designa o movimento nacionalista judaico do fim do séc. XIX, que visou estabelecer um Estado judaico na Palestina, o que se concretizou em maio de 1948. Segundo os próprios sionistas, “sionismo é o movimento nacional de libertação do povo judeu – uma expressão das legítimas aspirações de um povo antigo à autodeterminação e independência nacional. O movimento sionista foi fundado para prover um Estado soberano próprio na sua terra ancestral. Israel é a encarnação moderna e política desse sonho ancestral.”
Alguém pode ser contra a que um povo deseje e lute por sua própria autodeterminação e independência?
Claro que não.
Qualquer pessoa normal apóia todo e qualquer movimento de um povo para ter reconhecido pela comunidade internacional o seu direito de decidir por si mesmo, de ser autônomo, de ter direito a um território no qual possa exercer poder e autoridade sem restrições.
O problema é quando esse movimento, em sua raiz legítimo, desvirtua-se ao longo do tempo e passa a ser um instrumento de opressão a outros povos que, igualmente, querem ter seu direito a um território e neste ser autônomo, independente e soberano.
Infelizmente, há algumas décadas, talvez já há um século, o sionismo vem sendo sistematicamente desvirtuado.
Hoje, seus mentores passaram a crer - e a tentar convencer todos os povos do mundo, através da mídia e de literatura política, explícita e subliminarmente - que os judeus têm direitos sobranceiros, superiores a todos os povos e nações.
Essa noção está explícita no judaísmo que afirma ser o povo judeu - “o povo escolhido”. Escolhido para quê?
Para sobreviver a todos os outros?
Eu sou judeu, mas e quem não é?
Aceita estar reservado à destruição total e definitiva?
É neste ponto especificamente que reside a gravidade do sionismo: ele quer que todos os outros povos se convençam e resignem a serem exterminados em favor da sobrevivência “do povo de Israel”.
A manutenção do mundo em permanente estado de alerta contra “inimigos” - que, na verdade, só constituem “ameaças” aos mentores do sionismo -, levou o mundo a se descarrilar no plano familiar, social, político, ético, moral e, agora, financeiro-econômico. Pensando que a possibilidade de destruição pode ser iminente e imprevisível, o homem passou a viver como se estivesse em seus últimos momentos de vida.
Por isso, a maioria das pessoas que se orientam por essa ideologia, vivem a zombar dos valores morais, éticos e a buscar, desenfreadamente, o prazer, a riqueza, o poder aqui e agora, a qualquer custo - pois acreditam que se os fins não justificam os meios, a iminência de exterminação os justifica.
Na verdade, a degradação moral das sociedades é muito mais real e perniciosa do que a “ameaça” que Hamas, Hezbollah, Al Qaeda, Jihad Islâmica e o Talibã possam representar. Porque Hamas, Hezbollah, Jihad Islâmica e Talibã não conseguem ser ameaça real nem para o Estado de Israel, quanto mais para o mundo todo.
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domingo, 8 de fevereiro de 2009
PALESTINOS MASSACRADOS POR ISRAEL EM ESCOLAS DA ONU

Israel arrasa escola da ONU em Gaza
"Será que o problema maior era ter atingido a escola ou ter feito vítimas civis?
Se a escola houvesse sido atingida - sem que nenhum civil estivesse lá dentro -, haveria um ataque contra uma propriedade da ONU. Mas se civis foram feridos e mortos, tanto faz que tenham sido atingidos dentro ou fora da escola.
O crime continua sendo ter matado e ferido civis. Aliás, com total “imparcialidade”, todos podem VER onde essa notícia tem origem: no JERUSALEM ONLINE!
Aliás, quando se realizam as eleições em Israel?
Ah, sim, nesta semana!
E quem é o favorito para ganhá-las?
Netanyahu, do partido de oposição ao atual governo.
A atual ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, e o atual ministro da Defesa, Ehud Barak , estão bem atrás de Netanyahu.
Dá para entender o - porquê - da notícia desmentindo o ataque à escola da ONU?
O ataque a Gaza foi realizado com o objetivo de ganhar as eleições e esse desmentido também.
Nada como a "imparcialidade".
Só que nós aqui não somos eleitores em Israel.
Ou será que nossa opinião pode modificar o resultado da próxima eleição israelense?"
O exército israelense bombardeou uma escola da ONU no campo de refugiados de Jabalia, em Gaza, matando 42 palestinos – dos quais, muitas crianças e mulheres – e ferindo 55, inclusive 15 em estado crítico.
A ONU denunciou que a escola estava claramente marcada com a bandeira da ONU e que as coordenadas geográficas exatas da sua localização haviam sido previamente informadas a Israel.
A autoridade da ONU responsável pela escola bombardeada pelo exército israelense em Gaza, em que foram mortos 42 palestinos – dos quais, muitas crianças - e feridos mais 55, John Ging, afirmou que ela estava claramente marcada com uma bandeira da ONU e que sua exata localização havia sido previamente informada ao invasor.
Centenas de pessoas haviam procurado abrigo na escola Al Fakura, da ONU, no campo de refugiados de Jabalia, após serem expulsas de suas casas pelos soldados israelenses.
Outras operações de terror de Estado de Israel contra a população de Gaza elevaram o número de palestinos mortos em 12 dias de invasão para 702, e mais 3.100 feridos; há chacinas por toda parte.
Na quarta-feira, dia 7/01/09, uma multidão acompanhou o funeral das vítimas da escola Al Fakura; apenas uma família, os Dib, sofreu dez mortos.
Na descrição do “New York Times”, “os corpos das crianças que morreram na escola das Nações Unidas jaziam em uma longa fileira sobre o chão. Algumas estavam envoltas na vívida bandeira verde do Hamas, algumas em mortalhas brancas, e outras na bandeira amarela do Fatah”.



O massacre ampliou a indignação no mundo inteiro contra a agressão israelense e isolou ainda mais o já muito isolado regime nazista de Tel Aviv.
15 dos 55 feridos da escola da ONU estão em estado crítico.
Ging, diretor de operações em Gaza da agência de proteção aos refugiados da ONU (UNRWA, na sigla em inglês) afirmou que a escola foi atingida por três disparos israelenses, e confirmou que o exército de Israel recebeu as coordenadas geográficas exatas de cada instalação da ONU em Gaza.
O exército de Israel também estava ciente de que a escola fica em uma área densamente povoada, enfatizou Ging.
“É óbvio que seria inteiramente inevitável que se projéteis de artilharia atingissem a área haveria um elevado número de baixas”.
Como em massacres anteriores, Israel tentou cinicamente justificar seu crime de guerra contra civis abrigados em uma instalação da ONU em Jabalia, alegando que teria “respondido” a disparo feito de lá por dois milicianos do Hamas.
O que foi desmentido por Ging: “não havia qualquer ativista ou atividade militar dentro da escola”.
O representante da ONU pediu uma investigação internacional independente sobre a chacina.
A matança em Jabalia não foi a única.
Na escola Asma da ONU, no campo de refugiados de Shati, três membros da família Al Sultan foram mortos por disparo israelense.
Um Centro médico da ONU de Gaza foi também atingido, com sete funcionários e três pacientes feridos.
Não havia qualquer combate nas imediações.
E isso tudo em menos de 24 horas.
Mas ainda que houvesse um ou dois milicianos na escola, nem mesmo isso justificaria, de acordo com as convenções de guerra de Genebra, os canhonaços contra um abrigo de centenas de civis.
A chacina da escola Al Fakura remete a outros crimes de guerra cometidos por Israel em seus assaltos à terra alheia.
Para não ir tão longe no tempo – Deir Iassin ou Sabra e Shatila -, vamos registrar que foi exatamente o que foi feito em outros dois assaltos de Israel ao sul do Líbano.
Em 1996, o exército de Israel massacrou 106 pessoas que estavam abrigadas em uma instalação da ONU em Qana e feriu mais 116.
Na fracassada invasão de 2006, nova chacina em Qana, com 56 civis mortos – 32 eram crianças; um posto de monitoramento da força de paz da ONU foi arrasado. (AP)
Publicado na Hora do Povo, edição 2.732
10.01.09
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domingo, 4 de janeiro de 2009
EM DEFESA DO POVO PALESTINO


Nota da Conlutas em defesa do Povo Palestino
Nota da Conlutas:
Em defesa do Povo Palestino, chega de ataques do Estado Criminoso de Israel
Não ao ataque genocida do Estado de Israel contra a faixa de Gaza e o Povo Palestino
O estado assassino de Israel mais uma vez promove um ataque brutal e covarde contra o Povo Palestino.
Desde o dia 24 passado tem bombardeado a faixa de Gaza matando até o momento mais de 300 pessoas e ferindo quase 2000.
A maioria dos governos do mundo reage afirmando que Israel tem o direito de atacar, no máximo condenam a desproporcionalidade da ação.
Hipócritas e cúmplices de um genocídio que dura 60 anos.
Se trata de uma agressão de um estado militarizado, que há 60 anos ocupa as terras do povo palestino, armado e financiado pelo imperialismo norte americano com o objetivo de manter um posto militar avançado em uma das regiões mais ricas em reservas naturais energéticas do planeta.
A Conlutas se soma à indignação que toma conta dos trabalhadores e povos de todo o mundo e repudia essa agressão genocida do Estado de Israel.
Exige o fim imediato do bombardeio e das agressões.
O fim do bloqueio que impede a chegada de mantimentos, medicamentos e todos os recursos necessários para a sobrevivência do povo palestino.
É inaceitável a continuidade desse massacre.
A comparação dos métodos e política do Estado de Israel com o regime nazista é uma trágica ironia histórica.
Naquele momento como neste, se utiliza da repressão, do extermínio, do poderio militar para perseguição e genocídio de um povo.
Desta vez a máquina de guerra se encontra nas mãos do Estado Assassino de Israel.
Chamamos aos trabalhadores de todo o mundo, em particular os trabalhadores e povo judeu a repudiar a política genocida de Olmert, a exigir o fim dos ataques.
Neste sentido, também exigimos do governo Lula que rompa imediatamente relações diplomáticas com Israel e as relações comerciais, bem como a revisão da inclusão de Israel no Mercosul.
Formas concretas de demonstrar o repúdio de um povo a uma política genocida.
Infelizmente a postura de várias lideranças e governos do mundo árabe mais uma vez, se demonstram de uma capitulação total ao imperialismo e seu agente na área, o estado de Israel.
A postura do governo Egipcio de reprimir manifestações de solidariedade, de fechar as fronteiras e as declarações de Abbas - Al Fatah, responsabilizando o Hamas (*Partido Político eleito democraticamente pelos Palestinos) pelos ataques, são expressões dessa capitulação.
Defendemos o direito do povo palestino escolher livremente seus governos e de se defender contra o cerco e a invasão promovida pelo estado de Israel.
Coordenação Nacional de Lutas - Conlutas Brasil
São Paulo, 30 de dezembro de 2008
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Mercosul,
povo palestino
domingo, 3 de agosto de 2008
ABBAS, ADVOGADO DE ISRAEL
O Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, rejeitou veementemente as exigências do Hamas de que apenas as autoridades palestinianas e egípcias pudessem controlar a fronteira de Rafah.
“Nós não iremos aceitar novas condições; eles (Hamas) têm de voltar ao antigo acordo fronteiriço. Nós estamos mais preocupados com os interesses do povo palestiniano do que o Hamas. Se o Hamas realmente está com ele, que o deixe cumprir este acordo.”
Bem, será que Abbas sabe realmente do que é que está a falar?
De facto, como diz o provérbio árabe, se ele sabe, é uma verdadeira calamidade,
se ele não sabe, é uma calamidade ainda maior.
Eu digo isto porque o antigo acordo que regula os movimentos na fronteira de Rafah permite a Israel, o país que está a tentar dizimar 1,5 milhões de habitantes de Gaza deixando-os à fome, ter a palavra final sobre quando é que o posto fronteiriço deve estar aberto e quando é que deve estar fechado.
Todos nos lembramos de como milhares de palestinianos, incluindo estudantes, doentes, peregrinos e outros viajantes, tiveram de esperar do lado egípcio da fronteira durante semanas e meses, porque um oficial israelense do lado israelense da fronteira decidiu manter estas vítimas indefesas reféns dos seus caprichos e instintos canibais.De facto, este estranho sadismo, que o Sr. Abbas está caninamente agora a defender, foi responsável pela morte de dúzias de palestinianos que foram deixados no deserto, como se fossem animais, não seres humanos.
Vejam os importantes relatos que descrevem o infortúnio dos desamparados habitantes de Gaza e vão perceber do que estou a falar.
Como é que Israel conseguiu manter a fronteira fechada durante a maioria dos dias do ano?
Bem, foi muito simples.
De acordo com o “maravilhoso” acordo que Abbas está agora a exigir que o Hamas aceite incondicionalmente, o posto fronteiriço de Rafah não pode estar a funcionar sem a presença de monitores da União Europeia.
Mas os próprios monitores, que vêm de vários países da UE e alguns deles podem até estar a trabalhar para os serviços secretos israelenses, estão instalados no pequeno kibbutz israelense de Kerem Shalom, a alguns quilómetros do posto fronteiriço.
E de acordo com o infame acordo, eles não têm livre acesso ao posto a não ser que recebam previamente uma autorização diária por parte do exército de Israel.
Por seu lado, o exército israelense, agindo sob instruções do governo, simplesmente declarava, por rotina, a única estrada de Kerem Shalom para o posto fronteiriço de Rafah, como zona militar fechada, de forma a manter encerrada a fronteira.
Claro, o exército invocava “razões de segurança” para justificar o encerramento quase perpétuo, mas toda a gente, incluindo os próprios israelenses, sabe muito bem que as genuínas preocupações de segurança têm muito pouco a ver com as medidas tomadas por Israel, e o verdadeiro motivo é punir e atormentar os palestinianos.
Como mencionado, este flagrante abuso da autoridade não aconteceu num ou dois dias, ou mesmo em dez dias por mês. Esta era a norma, o modus operandi, e a fronteira esteve fechada 26 ou até 29 dias por mês, causando enorme sofrimento aos palestinianos.
Foi um processo deliberado e calculado com a intenção de atormentar, agredir, brutalizar e humilhar as pessoas de Gaza, e foi tudo feito com o carimbo de um “acordo internacional”.
Os líderes e estados membros da UE sabiam bem o que se passava em Kerem Shalom.
Mas eles foram tão desonestos moralmente e tão subservientes a Israel e aos Estados Unidos, que não mostrarem nenhuma objecção significativa à perseguição sistemática de Israel a uma população indefesa, cujos homens, mulheres e crianças se agarram à vida como fizeram muitos dos presos judeus no Gueto de Varsóvia há cerca de 67 anos atrás.
Por isso, eu gostaria de perguntar a Abbas e aos seus aliados e penduras que tanto falam e fazem barulho, dizendo servir os vitais interesses do povo palestiniano:
Como é que vocês pensam que permitir que Israel controle novamente a fronteira de Rafah vá servir os interesses do povo palestiniano?
Estão bêbados?
São estúpidos?
São cegos?
São ignorantes?
Aliás, em primeiro lugar, porque é que consideram que Israel deve estar envolvido no controlo da fronteira de Rafah?
Não é uma fronteira entre o Egipto e a Palestina?
Israel não declarou que terminou a sua ocupação da Faixa de Gaza?
O regime sionista não tem vindo a dizer ad nauseam que já não é responsável por Gaza?
Se assim é, porque é que insistem que seja o capataz dos escravos a ter a decisão final, o patrão máximo?
Isto é doentio, para não dizer mais, e mostra o tipo de subserviência umbilical da vossa parte em relação aos nefandos ocupantes.
Eu percebo que haja problemas entra a Fatah e o Hamas.
No entanto, trair o povo palestiniano e minar os seus interesses vitais com o objectivo de enfraquecer o Hamas e satisfazer Israel e bajular Washington, roça a traição, pura e simples.
O que mais se pode dizer sobre a colagem a um acordo inconcebível que permite que os diabólicos ocupantes nos aprisionem, atormentem e humilhem com impunidade… porque é o que o “acordo” diz.
Bem, o acordo pode ir para o inferno, mais os que os assinaram.
Resumindo, o Hamas tem razão a cem por cento.
A fronteira de Rafah tem de ser gerida em conjunto pelas autoridades palestinianas e egípcias.
E o regime de Ramallah pode, se quiser, fazer parte da gestão do posto fronteiriço, dentro de um processo geral de reconciliação entre Gaza e Ramallah.
No entanto, enquadrar Israel nesta situação é inaceitável.
A população de Gaza já sofreu mais do que suficiente nas mãos de Israel.
Não se pode permitir que para além de assassino e atormentador possa também ser aprisionador.
Será que Abbas vai perceber isto?
Duvido.
segunda-feira, 17 de março de 2008
O TERROR DA EXPANSÃO TERRITORIAL ISRAELENSE

Culpando as vítimas na
Palestina
Palestina
Segundo a mídia, os civis que morrem são os culpados
Mais uma vez, enquanto Israel continua a aterrorizar a população
palestina com seus ataques indiscriminados a Gaza, a mídia
ocidental direciona a culpa às próprias vítimas.
palestina com seus ataques indiscriminados a Gaza, a mídia
ocidental direciona a culpa às próprias vítimas.
Novamente, o
“grande vilão” é o partido político palestino eleito democraticamente,
o Hamas.
“grande vilão” é o partido político palestino eleito democraticamente,
o Hamas.
Mas seriam eles os culpados pela praga que consome a
Palestina há 60 anos?
Palestina há 60 anos?
Culpando as vítimas na Palestina
Mais uma vez, enquanto Israel continua a aterrorizar a população
palestina com seus ataques indiscriminados a Gaza, a mídia
ocidental direciona a culpa às próprias vítimas.
Novamente, o
“grande vilão” é o partido político palestino eleito democraticamente,
o Hamas.
“grande vilão” é o partido político palestino eleito democraticamente,
o Hamas.
E ironicamente, o que é ignorado pela mídia é o fato de
que o Hamas é o que menos pode ser culpado pela praga que
consome a Palestina há 60 anos.
O Hamas foi isolado pela comunidade internacional, liderada pelos
Estados Unidos, entre outros fatores, por se recusar a abandonar a
resistência armada contra a expansão territorial israelense.
que o Hamas é o que menos pode ser culpado pela praga que
consome a Palestina há 60 anos.
O Hamas foi isolado pela comunidade internacional, liderada pelos
Estados Unidos, entre outros fatores, por se recusar a abandonar a
resistência armada contra a expansão territorial israelense.
Com o
atual papel de fantoche da aliança Estados Unidos-Israel ocupado
por Mahmoud Abbas, líder da Autoridade Palestina, ficou evidente
que o Hamas não errou em abandonar a resistência – enquanto
Abbas cumprimenta sorridente os líderes israelenses, “o lar nacional
judaico” continua a engolir terras privadas palestinas na Cisjordânia.
A situação atual deixa claro que qualquer negociação de paz com
Israel não determinará a devolução das terras ocupadas
ilegalmente, muito menos o retorno dos refugiados palestinos
expulsos pelo “lar nacional judaico”, dois fatores que o Hamas se
recusa a negociar.
E por que o Hamas “recusa a reconhecer a existência de Israel”,
como a mídia ocidental e os apologistas do estado judaico gostam
de colocar?
atual papel de fantoche da aliança Estados Unidos-Israel ocupado
por Mahmoud Abbas, líder da Autoridade Palestina, ficou evidente
que o Hamas não errou em abandonar a resistência – enquanto
Abbas cumprimenta sorridente os líderes israelenses, “o lar nacional
judaico” continua a engolir terras privadas palestinas na Cisjordânia.
A situação atual deixa claro que qualquer negociação de paz com
Israel não determinará a devolução das terras ocupadas
ilegalmente, muito menos o retorno dos refugiados palestinos
expulsos pelo “lar nacional judaico”, dois fatores que o Hamas se
recusa a negociar.
E por que o Hamas “recusa a reconhecer a existência de Israel”,
como a mídia ocidental e os apologistas do estado judaico gostam
de colocar?
Trata-se de um simples jogo de palavras.
O que a mídia
não conta é que o “Estado de Israel” criado pela ONU e que a
comunidade internacional quer que o Hamas aceite não é
reconhecido nem mesmo por Israel – o estado judaico tem planos
de expandir muito além do proposto pela ONU, e isso é confirmado
a cada dia.
não conta é que o “Estado de Israel” criado pela ONU e que a
comunidade internacional quer que o Hamas aceite não é
reconhecido nem mesmo por Israel – o estado judaico tem planos
de expandir muito além do proposto pela ONU, e isso é confirmado
a cada dia.
Fato é que o “Estado de Israel” que Israel reconhece
hoje – que inclui todos seus territórios ilegais anexados por guerras
e colonização – não é reconhecido pela comunidade internacional.
Portanto, o Hamas não reconhece a resolução da ONU que fundou
o “lar nacional judaico” – e se brevemente analisado, nem mesmo
Israel a respeita.
O Hamas também é
constantemente acusado de ser
uma “organização extremista”
(seja lá o que isso significa).
Mas não é irônico que os
mesmos que os acusam,
colocando em pauta somente
as raízes religiosas do partido e ignorando a política, continuam a
argumentar sobre o direito de existência de Israel segundo as
terminologias bíblicas?
hoje – que inclui todos seus territórios ilegais anexados por guerras
e colonização – não é reconhecido pela comunidade internacional.
Portanto, o Hamas não reconhece a resolução da ONU que fundou
o “lar nacional judaico” – e se brevemente analisado, nem mesmo
Israel a respeita.
O Hamas também é
constantemente acusado de ser
uma “organização extremista”
(seja lá o que isso significa).
Mas não é irônico que os
mesmos que os acusam,
colocando em pauta somente
as raízes religiosas do partido e ignorando a política, continuam a
argumentar sobre o direito de existência de Israel segundo as
terminologias bíblicas?
Por que deveria o Hamas (ou qualquer um)
aceitar a visão religiosa radical de que a “terra prometida por Deus”
seria de uns poucos?
aceitar a visão religiosa radical de que a “terra prometida por Deus”
seria de uns poucos?
Por que favorecer uma religião à outra?
Se o
Hamas um dia foi forçado a adotar visões radicais, certamente
partiu de um exemplo próximo – a existência de Israel.
São esses e muitos fatores vagos que a comunidade internacional
se apega cegamente, e a mídia ocidental dissemina
irresponsavelmente.
Hamas um dia foi forçado a adotar visões radicais, certamente
partiu de um exemplo próximo – a existência de Israel.
São esses e muitos fatores vagos que a comunidade internacional
se apega cegamente, e a mídia ocidental dissemina
irresponsavelmente.
O uso subjetivo da palavra “terrorismo”, é claro,
acompanha todo e qualquer argumento, mas não é irônico que se
omite o fato de que os pais fundadores de Israel representam um
livro aberto de tudo o que é hoje definido como “terrorismo”?
acompanha todo e qualquer argumento, mas não é irônico que se
omite o fato de que os pais fundadores de Israel representam um
livro aberto de tudo o que é hoje definido como “terrorismo”?
Além
disso, as políticas diárias israelenses são um clássico exemplo de
terrorismo de Estado – a punição coletiva dos civis palestinos.
disso, as políticas diárias israelenses são um clássico exemplo de
terrorismo de Estado – a punição coletiva dos civis palestinos.
Seria
possível que, ao olhar ao seu redor, o Hamas entendeu que o uso
da arrogância, extremismo, violência e terrorismo podem fundar
uma nação legítima?
possível que, ao olhar ao seu redor, o Hamas entendeu que o uso
da arrogância, extremismo, violência e terrorismo podem fundar
uma nação legítima?
Israel responde a todas essas questões.
terça-feira, 4 de março de 2008
MATANÇA SELECIONADA DA RESISTÊNCIA
Israel e seus assassinatos
selecionados
No curso de sua história, Israel desenvolveu a especialidade de
conduzir missões de assassinatos selecionados – o envio de
terroristas para eliminar inimigos em outros países.
A estratégia foi
utilizada pela última vez no dia 12 de fevereiro em Damasco, com o
assassinato de Imad Mughniyeh, um dos comandantes do
Hizbollah.
utilizada pela última vez no dia 12 de fevereiro em Damasco, com o
assassinato de Imad Mughniyeh, um dos comandantes do
Hizbollah.
A tática terrorista deixa evidente a crença israelense de
que a melhor forma de lidar com os movimentos de resistência é
extinguir fisicamente os seus líderes.
que a melhor forma de lidar com os movimentos de resistência é
extinguir fisicamente os seus líderes.
Ao longo das últimas décadas,
diversos ativistas, intelectuais e cientistas foram eliminados dessa
maneira.
O primeiro-ministro israelense Ehud Olmert rapidamente negou
qualquer envolvimento do “lar nacional judaico” no atentado
terrorista que matou Imad Mughniyeh, comandante palestino e
muçulmano sunita do Hizbollah.
diversos ativistas, intelectuais e cientistas foram eliminados dessa
maneira.
O primeiro-ministro israelense Ehud Olmert rapidamente negou
qualquer envolvimento do “lar nacional judaico” no atentado
terrorista que matou Imad Mughniyeh, comandante palestino e
muçulmano sunita do Hizbollah.
Mas os aplausos públicos de
ministros israelenses, o clima de festividade e os relatórios
vingativos da mídia israelense contam outra história.
ministros israelenses, o clima de festividade e os relatórios
vingativos da mídia israelense contam outra história.
“As contas
foram acertadas” foi a manchete do YNetnews, o website oficial do
jornal israelense Yedioth Ahronoth.
foram acertadas” foi a manchete do YNetnews, o website oficial do
jornal israelense Yedioth Ahronoth.
A manchete comemorativa
sugere que o assassinato de Mughniyeh foi uma resposta à
humilhante derrota sofrida pelo “lar nacional judaico” na Guerra do
Líbano de 2006.
Mas será que Israel saiu mesmo vitorioso?
sugere que o assassinato de Mughniyeh foi uma resposta à
humilhante derrota sofrida pelo “lar nacional judaico” na Guerra do
Líbano de 2006.
Mas será que Israel saiu mesmo vitorioso?
A história é testemunha
de que assassinatos como esse provocam novas matanças – como
Hassan Nasrallah, Secretário-Geral do Hizbollah, rapidamente
alertou.
de que assassinatos como esse provocam novas matanças – como
Hassan Nasrallah, Secretário-Geral do Hizbollah, rapidamente
alertou.
Em um discurso para dezenas de milhares de libaneses no
funeral de Mughniyeh, Nasrallah falou diretamente a Israel:
funeral de Mughniyeh, Nasrallah falou diretamente a Israel:
“Vocês
mataram Imad fora dos campos de batalha.
mataram Imad fora dos campos de batalha.
A nossa luta é dentro
do território libanês.
do território libanês.
Vocês cruzaram os limites.
Sionistas, se vocês
querem uma guerra aberta, que seja então uma guerra aberta em
qualquer lugar”.
querem uma guerra aberta, que seja então uma guerra aberta em
qualquer lugar”.
É certo que o Hizbollah buscará a retaliação em
novos alvos judaicos.
novos alvos judaicos.
Cabe então entender o que levou Israel a
pensar que a eliminação de Mughniyeh foi mesmo uma boa idéia.
As explicações são muitas.
Uma delas é que os
assassinatos selecionados é de
fato o que Israel sabe fazer de
melhor.
pensar que a eliminação de Mughniyeh foi mesmo uma boa idéia.
As explicações são muitas.
Uma delas é que os
assassinatos selecionados é de
fato o que Israel sabe fazer de
melhor.
Outra é uma prova de
força do estado judaico, não só
para o Hizbollah, mas também
para o Irã e a Síria– uma amostra de que os braços sionistas podem
penetrar profundamente em território inimigo.
força do estado judaico, não só
para o Hizbollah, mas também
para o Irã e a Síria– uma amostra de que os braços sionistas podem
penetrar profundamente em território inimigo.
Ao mesmo tempo,
Israel lembrou o seu aliado incondicional, os Estados Unidos, que
apesar da humilhante derrota militar em 2006, o “lar nacional
judaico” ainda pode ser considerado uma entidade estratégica
valiosa na “guerra contra o terrorismo”.
Israel lembrou o seu aliado incondicional, os Estados Unidos, que
apesar da humilhante derrota militar em 2006, o “lar nacional
judaico” ainda pode ser considerado uma entidade estratégica
valiosa na “guerra contra o terrorismo”.
O atentado terrorista na
capital síria pode ser visto também como um simples “acerto de
contas” contra um dos autores dos contra-ataques à embaixada dos
Estados Unidos em Beirute, realizados durante a Guerra Civil do
Líbano, no qual todos os agentes da inteligência estadunidense no
Oriente Médio foram mortos, forçando a retirada das forças
estrangeiras do país.
É importante lembrar que o estado judaico recusa-se a entrar em
sérias discussões de paz com a Síria ou com os próprios palestinos
– ou mesmo a se comprometer a um completo cessar-fogo, como
fora proposto pelo Hamas – em função de que em qualquer
negociação teria que lidar com concisões territoriais – algo que vai
diretamente contra os planos expansionistas sionistas.
capital síria pode ser visto também como um simples “acerto de
contas” contra um dos autores dos contra-ataques à embaixada dos
Estados Unidos em Beirute, realizados durante a Guerra Civil do
Líbano, no qual todos os agentes da inteligência estadunidense no
Oriente Médio foram mortos, forçando a retirada das forças
estrangeiras do país.
É importante lembrar que o estado judaico recusa-se a entrar em
sérias discussões de paz com a Síria ou com os próprios palestinos
– ou mesmo a se comprometer a um completo cessar-fogo, como
fora proposto pelo Hamas – em função de que em qualquer
negociação teria que lidar com concisões territoriais – algo que vai
diretamente contra os planos expansionistas sionistas.
Para evitar a
perda de territórios, a estratégia de Israel tem sido radicalizar
perante o ambiente árabe que o cerca.
perda de territórios, a estratégia de Israel tem sido radicalizar
perante o ambiente árabe que o cerca.
Os palestinos “moderados” –
como a mídia ocidental os classifica – como Mahmoud Abbas
servem apenas aos interesses israelenses, uma questão de ganhar
tempo sem negociar, enquanto a expansão continua.
como a mídia ocidental os classifica – como Mahmoud Abbas
servem apenas aos interesses israelenses, uma questão de ganhar
tempo sem negociar, enquanto a expansão continua.
O “lar nacional
judaico” parece preferir estar cercado de comprometidos
movimentos de resistência, como o Hamas e o Hizbollah – que
nasceram como conseqüência direta da política militar israelense –
pois, como seus líderes gostam de descrever, “como podemos
negociar com alguém que quer nos matar?”
judaico” parece preferir estar cercado de comprometidos
movimentos de resistência, como o Hamas e o Hizbollah – que
nasceram como conseqüência direta da política militar israelense –
pois, como seus líderes gostam de descrever, “como podemos
negociar com alguém que quer nos matar?”
A resposta de Israel é
óbvia – matá-los antes.
óbvia – matá-los antes.
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