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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

PACIÊNCIA TEM LIMITES

Não digo isso somente em relação a um dado ou fato ou coisa em específico mas a uma série de dados, fatos, coisas que vêm acontecendo, todo o Mundo está cansado de saber.
Na verdade, sabem e ninguém, nenhum órgão ou autoridade competente, lúcida, legal e de direito toma providências de fato e de verdade.
A comunidade assiste passivamente. Pode-se dizer que, tranqüilamente, o desenrolar da Guerra contra o Iraque, digo, "contra", pois até Órgãos Oficiais e de Direitos Humanos Internacionais, já divulgaram em notas, a ilegalidade desse ato, praticado por países que se aliaram e resolveram, entre quatro paredes, que o Presidente Saddam Hussein, Presidente legítimo do Iraque, eleito democraticamente, pelo voto popular do Povo Iraquiano; hoje, Mártir, deveria ser destituído à força, com uso das mais belicosas armas bem como que, seu país, o Iraque, deveria ser ocupado militarmente por esses "ad eternum", ou seja, até que eles, entre quatro paredes, resolvessem desocupar ou, até mesmo, "ocupado" ,com um certo número, para garantir o controle do mesmo, até quando lhes aprouvesse.
Para tanto, bombardearam a Capital, Baghdad, incessantemente, por dias.
Não bastando, outras cidades iraquianas também se viram em chamas. Armas químicas sendo usadas contra civis iraquianos, torturas e toda sorte de Mal.
O Iraque, Berço da Civilização, se viu em chamas, a arder no fogo do Inferno.
Seu Presidente, seus Magistrados, seus acadêmicos, médicos, professores, gente do povo em geral, homens, mulheres, crianças, idosos, os animais, suas estruturas, sua cultura, seus bens, suas vidas, seus trabalhos, seu meio ambiente, sua sociedade, foram e continuam sendo depredados, humilhados, torturados, massacrados, violentados, dia após dia, desde o ano de 2003; até bem antes, devido a embargos e sanções impostas por esses mesmos que resolveram, entre quatro paredes, fazer isso com um Pais Soberano, o Iraque, Berço da Civilização e seu povo, o Povo Iraquiano, que está sofrendo as agruras de uma decisão da qual eu não faço parte e acredito que nem vocês, pessoas de respeito, de boa formação social, familiar, cultural, que prezam pela vida, pela paz, que respeitam a Lei, a Ordem, que desejam o Progresso, uma vida social justa e digna, sem violência...
Basicamente a "história" toda vocês já sabem, ou melhor dizendo, sabiam uma estória, porque a História verdadeira, está sendo revelada agora, a VERDADE está cada vez mais evidente.
Os meios de comunicação divulgam.
O último dos fatos que surgiu foi em relação aos "sapatos do jornalista iraquiano" que foram arremessados contra o maior responsável pela destruição e morte do Iraque.
Nenhum jornalista, pessoa bem formada, sairía lançando "sapatos" à toa, em meio a entrevistas, ainda mais de um Presidente de um País, a menos que tivesse um ótimo motivo, uma razão justa para tal ato.
Não se pode recriminar, punir, torturar, prender o indivíduo por ter emocionalmente se manifestado diante daqueles ou daquele que ele bem sabe e todos sabemos que é o maior responsável pela destruição e morte de seu País.
Esse jornalista poderia ter mesmo lançado uma "bomba" contra o invasor de seu país ali bem representado, diante de si e de outros presentes, mas não o fez, pois não é um terrorista, é um JORNALISTA. Mas... antes de tudo, esse jornalista, é um cidadão iraquiano, patriota, que não pôde suportar ver ali na sua frente, o invasor, dizendo que a "guerra continuaria", que "acordos" seriam feitos, que a destruição, as mortes continuariam...
Para esse jornalista bem como para todo o Povo Iraquiano que resiste à guerra, à ocupação, que sofre, que vive uma vida sem saber se estará vivo daqui a instantes, a presença desses não é bem-vinda e nunca será, pois o Iraque é a Pátria deles, a Casa deles, o Lar deles, assim como temos a nossa Pátria, a nossa Casa, o nosso Lar e não desejaríamos ser alvo de invasores, ocupantes e assassinos, mesmo que dissessem que fosse para levar "Liberdade" e "Democracia".
Acredito que, todos concordam que na Casa da gente, no Lar da gente, na nossa Pátria, quem deve mandar somos nós.
É por essas e outras coisas que expresso aqui indignação.
Meu falecido pai, sábio, sempre dizia: "Não confie em estranhos"!
Esses "estranhos" não levaram "Democracia e Liberdade" mas sim, morte e destruição.
Para o Povo Iraquiano e para todo o Mundo, a passividade da Comunidade Internacional, frente a isso, causa indignação.
O que será preciso para que haja PAZ?


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O BERÇO DA CIVILIZAÇÃO

“Bagdá não será subjugada”

Na madrugada do dia 19 de março de 2003,
o insistente soar das sirenes antiaéreas anuncia o esperado: um maciço ataque aéreo é desfechado contra Bagdá, a enorme metrópole de aproximadamente 5 milhões de habitantes, fundada no ano 762 depois de Cristo, por Abu Jaafar Al Mansur, e que foi o centro intelectual e cultural do Planeta por cerca de 500 anos.

A invasão de 2003 culminou em mais uma sangrenta guerra entre as que já houveram por milênios nesse curioso país do Oriente Médio, com mais de 5.000 anos de história, considerado o berço da civilização.

O Iraque corresponde a Antiga Mesopotâmia (região entre rios), uma zona de aluvião, localizada numa faixa de terra fértil às margens dos rios Tigre e Eufrates e zonas subjacentes, em meio a uma região árida e desolada.

As primeiras civilizações mesopotâmicas surgem com os sumérios, por volta do V milênio antes de Cristo, no sul da Mesopotâmia, em torno do Chat El Arab e no curso inferior do Rio Eufrates, onde hoje se localizam cidades como Basra, Abu Sahrain e Nassiriyah.

Graças ao desenvolvimento da agricultura, que possibilitou a essa população abandonar a vida nômade de coleta de alimentos e da caça para se fixarem em aldeias, fundaram então os primeiros nucleos urbanizados que a humanidade tem conhecimento, como Ur, Uruk e Lagash.

Desenvolveram um complexo sistema de irrigação e controle das cheias dos rios, garantindo assim o armazenamento de água para as estações mais secas.

Praticavam a metalurgia, eram desportistas e astrônomos1.

Possuiam uma medicina avançada, e eram peritos em astrologia.

Criaram a primeira forma de escrita, conhecida como escrita cuneiforme, o que possibilitou o registro de transações comerciais, documentos estatais e algumas obras literárias, como a Epopéia de Gilgamés, onde temos o primeiro relato do Dilúvio.

Além dos sumérios, vários povos habitaram a região: babilônicos, assírios, caldeus, amoritas e acádios.

Por ser uma zona fértil, situada no meio do caminho entre África e Ásia, a Mesopotâmia foi rota de vários povos nômades e expedições de conquista, sendo ocupada também por elamitas, persas, gregos e romanos.

Posteriormente, os árabes islamizaram a região, que, a partir de então, passa a ser o maior centro intelectual e cultural do Planeta, originando assim a sociedade mais avançada a ocupar a região até o momento.

Era o centro difusor do Islã universal.

Com seu enfraquecimento politico-militar, a Mesopotâmia é invadida e destruida pelos mongóis.

Seguem-se sucessivas invasões, até que a região cai em poder dos turcos, e passa a ser provincia do Império Turco-Otomano.

O Iraque moderno surge por volta de 1920, com o desmembramento do Império Turco-Otomano, passando então a ser zona de influência britânica, o que gerou fortes sentimentos nacionalistas e de independência.

Até que em 14 de julho de 1958, sob o comando do general comunista Abdul Karim Kassim, o exército iraquiano põe fim a essa dependência, derrubando a monarquia pró-ocidente do Rei Faiçal II, e proclamando a República do Iraque.

Divergências políticas estimularam o partido Ba’ath a preparar um golpe para derrubar o presidente Kassim, contando com auxílio dos serviços secretos norte-americanos.

Em 8 de fevereiro de 1963, o plano do golpe militar é deflagrado.

Centenas e centenas de militantes esquerdistas, e pessoas supostamente ligadas a eles, foram capturadas e executadas.

O presidente Abdul Karim Kassim é capturado e executado no dia seguinte pelos militares, comandos por Ahmad Hassan Al Bakir.

Saddam Hussein vai escalando posições, até que ascende a Presidência do Iraque.

Motivos de ordem política e econômica levaram Saddam Hussein a preparar-se para uma guerra contra o vizinho Irã.

Recebe então ajuda financeira das monarquias árabes do Golfo, assim como suporte de material bélico de paises ocidentais, a exemplo do USA.

Em 22 de setembro de 1980, aviões de combate do Iraque bombardeiam várias regiões do Irã, enquanto divisões terrestres cruzavam a fronteira.

Era o início duma sangrenta guerra que, durante mais de 8 anos, provocou a morte e mutilação de cerca de 2 milhões de pessoas, entre combatentes e civis, incluindo perdas materiais incríveis, e a devastação da biodiversidade das regiões de conflito.

O Iraque termina a guerra endividado.

Então, Saddam Hussein voltou seus olhares para seu vizinho rico em petróleo, o Kuwait, um dos credores, e decide invadi-lo e anexá-lo.

A invasão iraquiana gerou forte repúdio por parte da ONU e, por motivos de ordem econômica, também não era bem vista aos olhos dos norte-americanos.

Com apoio da ONU, os Estados Unidos reuniram uma força militar abrangendo mais de 30 paises.

Em 16 de janeiro de 1991, ante a negativa do Iraque em deixar o Kuwait, a força aérea norte-americana desfecha um ataque demolidor contra Bagdá, dando início a mais de um mês de ataques sistemáticos, que destruiram a infra-estrutura do Iraque e custaram a vida de milhares de civis.

A guerra deixou profundas cicatrizes no povo iraquiano2 e, não obstante o término oficial da guerra, o país continuou sendo bombardeado sistematicamente por EUA e Grã-bretanha durante a década de 90.

Em 2003, Estados Unidos acusam o Iraque de possuir armas de destruição massiva.

Equipes de inspeção da ONU são acionadas no Iraque, mas nenhuma prova é encontrada.

No entanto, ianques e britânicos (juntamente com outros governos aliados) decidem atacar o Iraque sem o aval da ONU, em aberto desrespeito aos orgãos internacionais.

Em 19 de Março de 2003, uma série de ataques aéreos com mísseis e bombas abre caminho para a invasão terrestre contra o Iraque.

As forças iraquianas não tinham capacidade de resistir, o que possibilitou aos invasores avançarem bastante em territorio iraquiano, quase sem resistência.

Mas, os ianques não imaginavam a qualidade nem a magnitude da resistência que deveriam enfrentar após a rápida ocupação.

Durante a decada de 90, prevendo uma futura invasão, as forças iraquianas treinaram longamente táticas de guerrilha urbana, o que lhes permitiria o engajamento no combate em condições mais equilibradas, compensando assim a tremenda desproporcionalidade de força.

Nesse cenário de guerra, os mísseis, aviões de combate e blindados ianques, se mostraram inúteis.

Até agora, a resistência tem se mostrado demolidora, e tudo indica que a desocupação do Iraque é apenas questão de tempo, pois o preço que os EUA e seus aliados estão pagando com a guerra é muito maior que os objetivos que o levaram a ela.

A tática de bombarder cidades, torturar inocentes e detonar carros-bomba contra Mesquitas xiitas3 parece não ter dado certo, e o governo norte-americano se vê num atoleiro, de onde dificilmente suas tropas sairão com dignidade, como exemplifica Albayaty Abdul Ilah:

— Se alguém pretende controlar Bagdá pela força, nós dizemos que isso é impossível.

Perguntem a todos os partidos, todos os poderosos e todos os regimes que tentaram controlar Bagdá pela força, desde que foi construída por Abu Jaafar Al Mansur até hoje.

O destino de todos eles foi serem rejeitados.

E acrescento: quem não compreender nem assimilar a cultura do povo de Bagdá, herdeiro de todas as sucessivas civilizações do Iraque, deveria, juntamente com os seus chefes, voltar para de onde veio.

A cada criança e mulher morta, a cada civil inocente aniquiliado, parecem surigir mais combatentes dispostos a expulsar, pela fibra e determinação, o invasor.

Os iraquianos têm algo que os agressores ianques não têm: os corações e mentes de seu povo, que rejeita qualquer aberração ideologica ocidental que se tenta introduzir no Iraque (vício do consumismo, tráfico de drogas e todo tipo de imoralidade difundida pelos meios de comunicação e outros segmentos, que acabam por gerar desestruturação familiar e da sociedade como um todo).

E por todo esse tempo, nenhum povo conseguiu dominar inteiramente a Mesopotâmia. E hoje não é diferente. Albayaty Abdul Ilah acrescenta:

— Perguntem aos estadunidenses se conseguem controlar Bagdá pela força.


1. Os mesopotâmicos sabiam diferenciar as estrelas dos planetas, previam eclipses e conheciam todos os planetas hoje catalogados.

Dividiram o ano em meses, os meses em semanas, as semanas em sete dias, os dias em 24 horas, as horas em sessenta minutos e os minutos em sessenta segundos.

A astronomia mesopotâmica, juntamente com a egípcia, serviu de base à astronomia dos gregos e muçulmanos, culminando na astronomia moderna desenvolvida na europa.


2. Grande parte dos armamentos usados pelos EUA no Iraque continham urânio empobrecido, um material radioativo que têm provocado a morte e enfermidade de milhares de iraquianos desde a Primeira Guerra do Golfo.

A isso, soma-se o fato de que o conselho de Segurança das Nações Unidas impôs um embargo econômico ao Iraque, que impedia a importação de itens de necessidade humanitária ( material médico, generos alimenticios, e etc.)


3. Há fortes indícios de que agentes ianques e grupos ligados a eles, estejam provocando esses ataques com o objetivo de dividir a população iraquiana, tendo inclusive, detenções de invasores que pretendiam jogar carros-bomba cheios de explosivos contra localidades xiitas.

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