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sábado, 13 de setembro de 2008

A ESCURIDÃO ODEIA A VERDADE

Thursday, December 28, 2006
To Saddam Hussein.


When I hear a piece of news , a verdict, or a story that touches me deeply , I freeze.
I usually can't comment on it straight away nor gather my thoughts and feelings in any coherent form. It takes me time to distill , digest and absorb.
I am not a journalist , I cannot report "things". Reporting takes a certain detachment and when it comes to Iraq , am not detached . I am very attached. Terribly attached.
Such piece of news reached me yesterday . That of your Execution.
I will address you as Saddam Hussein, Sir.
Even though I still consider you to be the legitimate President of Iraq, allow me not to use any formalities here
. Let us forget titles , ranks and the rest .
When it comes to Death , all protocols fall. Death has this even power - We are all equal in the face of it. Death knows no kings, no heads of state, no generals. It strikes and it leaves. And you know that too.
What remains though is the Legacy left behind. A Legacy made of words and acts.
When I compare for instance Your Legacy to that of george bush the american , I see that:
You have remained true to your word until your last breath.

I don't care what they say about You . The misuses and abuses of power, the Dujails, the Anfals and the rest of the well knitted pieces of grossly exaggerated melodramas. I know one Truth Sir,You stayed in Iraq and did not run away like the rest. You did not seek asylum in the USA , Egypt or Jordan like others. You did not pack your bags nor your millions. You stayed and that is what matters to me.

Forgive me Sir, I am not a very sophisticated woman. I speak a simple language , the language of the heart. No one hardly ever recognizes this dialect these days. But I have a feeling, that despite all your alleged hardness, You would.

You know, my Dad before passing away said to me a few sentences that have remained with me since. He said : My Daughter, many things will come to pass in this life. You will face many trials and many errors. One thing you need to be certain of though, don't ever loose your integrity nor your dignity. The day you SELL those, you would have sold your soul. And all is downhill from there.
Sir, I am proud that you have not sold neither.
In that you have helped us preserve our "own" intact.

As for the rest , don't worry about them. They will end up in the dustbins of history. They will end up cited as thugs, profiteering, sectarian, opportunistic, hypocrites. I feel sorry to say that about the people you believe in . But that is the Truth.
Sir, take an example . Even your so called tribunal is made of an ex accountant, turned waiter turned thief. This is no verdict , this is a circus, a zoo . And they are the animals.

What pains me most is that they succeeded in massacring yet another TRUE IRAQI.
A true Iraqi amongst many thousands
. And this is what You are .
Granted, you had your downsides , your shadow. But it pales in comparison to what the "Land of the Free " is doing to us. Your shadow is like a ray of sunlight, Sir.
A friend who is not an Iraqi, nor an Arab , nor a Muslim wrote to me . She said :
" I feel a pit in my stomach that will not go away. My sister cried upon hearing the verdict. How dare they ? What is this collective punishment by the White Man? I will not stay quiet..."
Another wrote a poem in your honor and she is from England .
And others wrote some more .
Even Iraqis who left the country and had known the coldness of exile , wrote denouncing ...

I am aware that words serve nothing now. But just to let you know that you are not alone.

Sir, If you allow me, try to imagine this. Try to imagine barbaric hordes coming from across oceans . Try to imagine herds of indoctrinated sheep from across borders dressed in black . Try to imagine every single scum bag in the land that you so eloquently praise, rising up and ganging up against you. What does that make You? It makes you a Hero Sir. Yes it does.
If all those armies , sectarians and sellout vermins conspired against You it is because You have stayed True to something. And darkness hates the Truth.

They say you were authoritarian and totalitarian. Come and see them now.
See their Fascism infesting the streets. See it in every neighborhood, see it in every corner .
You said Women are the Pioneers of this Arab Ummah , come and look at us now.
Rape has replaced sexual intercourse, censorship replaced education and forced domestication has replaced public life.
You said Education is the sign of a Progressive Ummah. Our schools and universities are empty.And our Brains drained and killed.
You said Health is Free for all. Our hospitals are dilapidated and our doctors in exode.
You said Kurds are our brothers, they are now being trained as snipers by Israel.
You said Christians and Muslims are part of this mosaic called Iraq. The Christians are fleeing by thousands and the churches are deserted.

Look at me Sir. I am a product of this wonderful mosaic called Iraq. I am half Muslim and half Christian. And the Muslim half has Shi'as and if you dig hard enough you will find
Kurdish, Armenian, Turkish, Chaldean, Arabic roots all the way back...
Where is my place now Sir ?

You are about to find your place soon. Like a bird flying to nest into the arms of the Sky.
Whilst, I am left behind waiting for my turn. And in the meantime, searching , desperately searching for a place to rest my tired head and finding none.

Sir, I heard they will execute You within 36 hours. In time for the Eid. Our sacrificial feast.
You did say you are willing to be sacrificed for Iraq . You still believe they are worth it .
I envy your Faith.
May you go in Peace now, my True Iraqi...

Painting :Iraqi Artist, Dr Ala'a Al Bashir.

http://arabwomanblues.blogspot.com/2006/12/to-saddam-hussein.html

domingo, 23 de março de 2008

O IRAQUE FOI ASSASSINADO

Noam Chomsky e a guerra omitida nos EUA

Há uma voz que falta no debate sobre a guerra: a dos iraquianos.
Ou melhor: ela não é digna de ser mencionada. E parece que ninguém se importa. Isso tem sentido na habitual presunção tácita de quase todos os discursos sobre política internacional: somos donos do mundo, o que importa, então, o que outros pensem?
Por Noam Chomsky, para a Agência Carta Maior
Não faz muito tempo, ainda se dava por descontado que a guerra do Iraque seria o tema central na campanha presidencial, como já foi nas eleições da metade do mandato, em 2006.
Mas praticamente desapareceu, o que tem provocado uma certa perplexidade.
Não deveria ser assim.
O "The Wall Street Journal" esteve perto de acertar em um artigo de primeira página sobre a Super Terça-feira, aquele dia de múltiplas primárias:
"Os temas passam ao segundo plano na campanha de 2008 na medida em que os eleitores vão se focando na personalidade".
Para colocar a coisa de maneira mais específica, os temas deixam de estar em primeiro plano, enquanto os candidatos e suas agências de relações públicas se concentram na personalidade.
Como de costume, os temas podem ser perigosos.
A teoria democrata progressista sustenta que a população ("marginais ignorantes e intrometidos") deveria ser "espectadora" e não "partícipe" da ação, como escreveu Walter Lippmann.
Os partícipes estão conscientes de que ambos os partidos políticos estão bem à direita da população e de que a opinião pública é consistente através do tempo, assunto analisado no útil estudo "A falta de conexão da política exterior", de Benjamin Page e Marshall Bouton.
É importante, então, que a atenção seja desviada para outro lado.
O trabalho concreto do mundo é do domínio de uma liderança iluminada.
E isso revela-se mais na prática do que nas palavras.
O Presidente Wilson, por exemplo, afirmou que se devia empoderar uma elite de cavalheiros de "altos ideais" para preservar a "estabilidade e a correção", essencialmente na perspectiva dos Pais Fundadores (dos Estados Unidos).
Em anos mais recentes, esses cavalheiros transmutaram-se na "elite tecnocrática", "intelectuais de ação", os neocons "straussianos" de Bush II e outras configurações.
Para esta vanguarda, as razoes de que o Iraque seja retirado da tela do radar não deveriam ser obscuras.
Foram convincentemente explicadas pelo distinguido historiador Arthur M. Schlesinger, articulando a posição dos "pombas" há 40 anos, quando a invasão do Vietnã pelos Estados Unidos estava em seu quarto ano e Washington se preparava para somar outros 100 mil efetivos militares aos 175 mil que já estavam deixando o Vietnã do Sul em cacos.
Na época, a invasão implicava em árduos custos, razão pela qual Schlesinger e outros liberais da linha de Kennedy resistiam-se a passar de falcões a pombas.
Em 1966, Schlesinger escreveu que "todos oramos" porque os falcões tenham razão ao pensar que o aumento militar do momento poderá "eliminar a resistência" e, se fizer isso, "todos poderíamos estar saudando a sabedoria e a capacidade estadista do Governo" ao obter a vitória, deixando ao mesmo tempo o "trágico país destruído e devastado pelos bombardeios, arrasado pelo napalm, transformado em uma terra baldia pela defoliação química, uma terra em ruínas", com seu "tecido político e institucional" pulverizado.
Mas a escalada provavelmente não terá êxito e vai acabar sendo cara demais para nós; ou seja, que talvez seria necessário repensar a estratégia.
Na medida em que os custos começaram a subir severamente, logo ocorreu que todos tinham sido "ferrenhos opositores à guerra".

O raciocínio da elite e as atitudes que o acompanham apresentam hoje poucas mudanças.
E apesar de que as críticas à guerra do Iraque são muito maiores e estão mais estendidas que no caso do Vietnã em qualquer etapa comparável, os princípios que Schlesinger articulou continuam vigentes.
E ele mesmo adotou uma posição muito diferente perante a invasão do Iraque. Quando as bombas começaram a cair sobre Bagdá escreveu que as políticas de Bush são "alarmantemente similares à política que o Japão imperial aplicou em Pearl Harbor, em uma data que, como disse um Presidente americano anterior, vai perdurar na infâmia."
Franklin D. Roosevelt tinha razão, mas hoje somos nós que vivemos na infâmia".
Que o Iraque é "uma terra em ruínas" não é questionável.
Recentemente a agência britânica Oxford Research Business atualizou sua estimativa de mortes adicionais causadas pela guerra em 1,03 milhões, excluindo Karbala e Anbar, duas das piores regiões.
Seja correta essa estimativa, ou exagerada, segundo alguns, não há dúvida de que o balanço é horrendo.
Vários milhões de pessoas estão deslocadas internamente.
Graças à generosidade da Jordânia e da Síria, os milhões de refugiados que fogem do colapso do Iraque, incluindo a maioria profissional, não foram, simplesmente, exterminados.
Mas essa acolhida fica enfraquecida porque a Jordânia e a Síria não recebem nenhum apoio significativo de parte dos autores dos crimes em Washington e Londres;
a idéia de que eles possam admitir essas vítimas, para além de casos pontuais, é estapafúrdia demais para ser considerada.
A guerra sectária devastou o Iraque.
Bagdá e outras áreas foram submetidas a uma limpeza étnica brutal e deixadas em mãos de senhores da guerra e de milícias, a primeira cartada da atual estratégia de contra-insurgência desenvolvida pelo general Petraeus.

Um dos mais informados jornalistas que se aprofundaram na chocante tragédia, Nir Rosen, publicou recentemente um epitáfio, "A morte do Iraque", em "Current History".
Escreve Rosen: "O Iraque foi assassinado, para nunca mais se levantar. A ocupação americana tem sido mais desastrosa que a dos mongóis, que saquearam Bagdá no século 13", percepção comum dos iraquianos.
"Somente os tolos falam agora em 'soluções'.
Não há solução.
A única esperança é que, talvez, o dano possa ser limitado".
Independiente da catástrofe, o Iraque continua sendo um tema marginal na campanha presidencial.
Isso é natural, dado o espectro falcão-pomba da opinião elitista.
As pombas liberais aderem ao seu raciocínio e atitudes tradicionais, rezando para que os falcões estejam com a razão, que os EUA obtenham uma vitória e imponham "estabilidade", palavra código para subordinação à vontade de Washington.
Os falcões são alentados e as pombas silenciadas com relatórios entusiastas sobre menores baixas após o aumento de tropas.
Em dezembro, o Pentágono difundiu "boas notícias" sobre o Iraque: um estudo mostrava que os iraquianos têm "opiniões divididas", com o que a reconciliação deveria ser possível.
As opiniões eram duas.
Primeiro, que a invasão dos EUA é a causa da violência sectária que deixou o Iraque aos pedaços.
Segundo, que os invasores deveriam se retirar.
Umas poucas semanas depois do relatório do Pentágono, o especialista militar no Iraque do The New York Times, Michael R. Gordon, escreveu uma análise arrazoada sobre as opções referentes ao Iraque que enfrentam os candidatos presidenciais.
Há uma voz que falta no debate: a dos iraquianos.
Ou melhor: ela não é digna de ser mencionada.

E parece que ninguém se importa.
Isso tem sentido na habitual presunção tácita de quase todos os discursos sobre política internacional: somos donos do mundo, o que importa, então, o que outros pensem?
São "não-pessoas", pegando de empréstimo o termo usado pelo historiador britânico Mark Curtis em seu trabalho sobre os crimes imperiais do Reino Unido.
Por rotina, os americanos unem-se aos iraquianos em ser não-pessoas.
Suas preferências também não oferecem opções.
O original encontra-se em IAR Notícias/The New York Times SyndicateLink: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=34159