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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

PACIÊNCIA TEM LIMITES

Não digo isso somente em relação a um dado ou fato ou coisa em específico mas a uma série de dados, fatos, coisas que vêm acontecendo, todo o Mundo está cansado de saber.
Na verdade, sabem e ninguém, nenhum órgão ou autoridade competente, lúcida, legal e de direito toma providências de fato e de verdade.
A comunidade assiste passivamente. Pode-se dizer que, tranqüilamente, o desenrolar da Guerra contra o Iraque, digo, "contra", pois até Órgãos Oficiais e de Direitos Humanos Internacionais, já divulgaram em notas, a ilegalidade desse ato, praticado por países que se aliaram e resolveram, entre quatro paredes, que o Presidente Saddam Hussein, Presidente legítimo do Iraque, eleito democraticamente, pelo voto popular do Povo Iraquiano; hoje, Mártir, deveria ser destituído à força, com uso das mais belicosas armas bem como que, seu país, o Iraque, deveria ser ocupado militarmente por esses "ad eternum", ou seja, até que eles, entre quatro paredes, resolvessem desocupar ou, até mesmo, "ocupado" ,com um certo número, para garantir o controle do mesmo, até quando lhes aprouvesse.
Para tanto, bombardearam a Capital, Baghdad, incessantemente, por dias.
Não bastando, outras cidades iraquianas também se viram em chamas. Armas químicas sendo usadas contra civis iraquianos, torturas e toda sorte de Mal.
O Iraque, Berço da Civilização, se viu em chamas, a arder no fogo do Inferno.
Seu Presidente, seus Magistrados, seus acadêmicos, médicos, professores, gente do povo em geral, homens, mulheres, crianças, idosos, os animais, suas estruturas, sua cultura, seus bens, suas vidas, seus trabalhos, seu meio ambiente, sua sociedade, foram e continuam sendo depredados, humilhados, torturados, massacrados, violentados, dia após dia, desde o ano de 2003; até bem antes, devido a embargos e sanções impostas por esses mesmos que resolveram, entre quatro paredes, fazer isso com um Pais Soberano, o Iraque, Berço da Civilização e seu povo, o Povo Iraquiano, que está sofrendo as agruras de uma decisão da qual eu não faço parte e acredito que nem vocês, pessoas de respeito, de boa formação social, familiar, cultural, que prezam pela vida, pela paz, que respeitam a Lei, a Ordem, que desejam o Progresso, uma vida social justa e digna, sem violência...
Basicamente a "história" toda vocês já sabem, ou melhor dizendo, sabiam uma estória, porque a História verdadeira, está sendo revelada agora, a VERDADE está cada vez mais evidente.
Os meios de comunicação divulgam.
O último dos fatos que surgiu foi em relação aos "sapatos do jornalista iraquiano" que foram arremessados contra o maior responsável pela destruição e morte do Iraque.
Nenhum jornalista, pessoa bem formada, sairía lançando "sapatos" à toa, em meio a entrevistas, ainda mais de um Presidente de um País, a menos que tivesse um ótimo motivo, uma razão justa para tal ato.
Não se pode recriminar, punir, torturar, prender o indivíduo por ter emocionalmente se manifestado diante daqueles ou daquele que ele bem sabe e todos sabemos que é o maior responsável pela destruição e morte de seu País.
Esse jornalista poderia ter mesmo lançado uma "bomba" contra o invasor de seu país ali bem representado, diante de si e de outros presentes, mas não o fez, pois não é um terrorista, é um JORNALISTA. Mas... antes de tudo, esse jornalista, é um cidadão iraquiano, patriota, que não pôde suportar ver ali na sua frente, o invasor, dizendo que a "guerra continuaria", que "acordos" seriam feitos, que a destruição, as mortes continuariam...
Para esse jornalista bem como para todo o Povo Iraquiano que resiste à guerra, à ocupação, que sofre, que vive uma vida sem saber se estará vivo daqui a instantes, a presença desses não é bem-vinda e nunca será, pois o Iraque é a Pátria deles, a Casa deles, o Lar deles, assim como temos a nossa Pátria, a nossa Casa, o nosso Lar e não desejaríamos ser alvo de invasores, ocupantes e assassinos, mesmo que dissessem que fosse para levar "Liberdade" e "Democracia".
Acredito que, todos concordam que na Casa da gente, no Lar da gente, na nossa Pátria, quem deve mandar somos nós.
É por essas e outras coisas que expresso aqui indignação.
Meu falecido pai, sábio, sempre dizia: "Não confie em estranhos"!
Esses "estranhos" não levaram "Democracia e Liberdade" mas sim, morte e destruição.
Para o Povo Iraquiano e para todo o Mundo, a passividade da Comunidade Internacional, frente a isso, causa indignação.
O que será preciso para que haja PAZ?


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

INVASÃO DO IRAQUE: CINCO ANOS DE TERROR PARA O POVO IRAQUIANO

"Só peço a Deus que a Dor... que a Injustiça... que a Guerra não me seja indiferente."

É o que diz a letra da trilha musical.

As imagens da invasão do Iraque em março de 2003 foram coletadas dos noticiários de TV à época.

...o sofrimento do Povo Iraquiano continua...


sexta-feira, 26 de setembro de 2008

CRIMES CONTRA A HUMANIDADE

Guerra imperialista deixa 5 milhões de crianças órfãs

Em 20 de março de 2003, as tropas norte-americanas invadiram o Iraque. Após cinco anos de invasão, a vida do povo iraquiano tornou-se um inferno.
Segundo pesquisa divulgada em 31 de janeiro deste ano pelo instituto britânico Opinion Research Business, mais de 1 milhão de pessoas já morreram em conseqüência da invasão.

Na verdade
, os EUA promovem no Iraque um dos maiores genocídios do nosso tempo.
Depois da invasão, o sistema de saúde e saneamento entrou em completo colapso.

De acordo com o jornal inglês The Independent, apenas 30% da população tem acesso a água apropriada para o consumo humano e mais de 70% das mortes entre crianças são devidas a doenças facilmente tratáveis, como a diarréia.
“A realidade é que não temos condições de dar tratamento algum para muitos dos pacientes”, diz o dr. Bassim Al Sheibani, médico da cidade iraquiana de Diwaniyah.
Recentemente, um surto de cólera tem se alastrado no país, devido à destruição do sistema de saneamento.
Mesmo o Iraque sendo o segundo maior produtor de petróleo do mundo, várias cidades estão tendo que aprender a sobreviver sem energia elétrica, gás de cozinha e combustível. Nessas condições, 50 a 60 mil iraquianos, por mês, abandonam tudo que lhes resta e juntam-se aos mais de 4 milhões de refugiados que a guerra gerou.

Todos os dias, os iraquianos são submetidos a maus-tratos das tropas norte-americanas. Suas casas são invadidas a qualquer hora do dia ou da noite.
Os iraquianos podem ser presos sem qualquer acusação.

Nas prisões sob o controle dos EUA, a tortura é uma prática comum.
Em 12 de março de 2006, 5 soldados norte-americanos invadiram uma casa na cidade de Al-Mahmudiyah, estupraram Abeer Qasim Hamza, jovem de apenas 14 anos, e em seguida mataram seus pais e sua irmã mais nova, de cinco anos.
Em 19 de março de 2004, as tropas norte-americanas bombardearam uma cerimônia de casamento na cidade de Mukaradeeb. Morreram 42 civis, entre eles 13 crianças.
Em 19 de novembro de 2005, na cidade de Haditha, 24 pessoas, entre homens, mulheres e crianças, foram fuziladas por soldados dos EUA. O episódio ficou conhecido como o Massacre de Haditha.

Infelizmente, esses são apenas alguns dos muitos crimes semelhantes que acontecem todos os dias, mas que são cuidadosamente censurados pelo governo de Bush.

Com tantas agressões e humilhações, o povo iraquiano tem aumentado sua resistência à invasão e os grupos insurgentes são cada vez mais fortes e contam com maior apoio da população.
De fato, o número de soldados estadunidenses mortos já chega a 4 mil e em todas as esferas do governo dos EUA já se planeja a retirada das tropas.
Porém, independentemente de quando os iraquianos irão conseguir conquistar sua liberdade, os crimes cometidos pelos EUA serão sentidos por muitos anos.
Hoje, já são 5 milhões de crianças iraquianas órfãs de

pai e mãe.

Que destino terão elas sem seus pais e vivendo em um país destruído?


Humberto Lima
Última Edição (Nº 98)

http://www.averdade.org.br/ler.php?secao=4&nota=67


segunda-feira, 8 de setembro de 2008

LAYLA ANWAR EM A VERDADE DO IRAQUE



Uma mulher de Bagdade responde aos médias dominantes



No tempo da ex-"Ditadura"
21 de Março de 2008
Layla Anwar
Fonte: blogue An Arab Woman Blues, via uruknet
Ilustração: obra da pintora iraquiana
Sundus Abdel Hadi intitulado "A batalha da Suméria" (2004)

A quem não o saiba lembramos que, sob a ex-ditadura, nós estávamos vivos e que, agora, somos apenas cadáveres...


Sob a ex-ditadura e durante e apesar de 13 anos de sanções desumanas, náo havia aqui guetos nem queríamos saber da seita religiosa de uns ou de outros, havia casamentos misturados, vizinhanças misturadas...
Podíamos sair à rua sem sermos crivados de balas pela milícia iraniana ou por alguma patrulha do exército,
não tínhamos barreiras de controlo, nem carros armadilhados, nem psicopatas da al-Qaeda, nem sadristas xiitas sectários de turbante e uniforme negro, não tínhamos de nos vestir à ninja, nem éramos violadas e ninguém nos atirava ácido à cara...
Éramos livres de ir rezar numa igreja ou numa mesquita, tínhamos os nossos empregos, as nossas casas, comida para os nossos filhos, os nossos hospitais funcionavam apesar das vossas sanções tirânicas (agora, 90% dos hospitais iraquianos têm uma falta absoluta de pessoal qualificado)...
As nossas estradas não estavam destruídas, as nossas pontes ofereciam travessias seguras, não tínhamos mulheres e crianças a pedir e a dormir pelas ruas, não tínhamos os 4,5 milhões de refugiados que temos agora, apinhados nas fronteiras ou a apodrecer nas tendas, tínhamos electricidade e água para beber, onde nunca encontrávamos vermes a flutuar...

Os nossos rios não eram vazadoiros de cadáveres nem os nossos jardins estavam transformados em cemitérios. As nossas crianças não eram vendidas nem traficadas. Os nossos professores universitários e investigadores (mais de 450 assassinados), médicos (500 assassinados) e outros técnicos (às centenas) não se exilavam nem eram mortos.
As nossas universidades ainda conseguiam produzir licenciados e as nossas escolas não eram atacadas com morteiros.
As nossas mulheres podiam conduzir, trabalhar, casar-se e divorciar-se à vontade...
No tempo da ex-ditadura, não tínhamos cerca de 100.000 presos sem julgamento, nem crianças sodomizadas nas cadeias, nem mulheres violadas por gangues em troca da libertação dos seus entes queridos...
No tempo da ex-ditadura, os nossos artistas, poetas, escritores, cantores e jornalistas (233 mortos desde 2003) não eram raptados nem assassinados...

"Under the former dictatorship, we were not rejects.

We still earned the respect of others.

Under the former dictatorship we had no mass corruption, no public thieves, no fraud...

Under the former dictatorship we had no Israelis, no Iranians and no Americans...

And sell out, treacherous Iraqis with foreign political agendas, were silenced, for the greater good.

Under the former dictatorship we had no 2 million widows, 5 million orphans, 4 million wounded, an X number of disappeared, we had no mass graves of a million plus murdered by Democracy.

Under the former dictatorship we were not considered the second most corrupt country in the world and the FIRST most dangerous country on earth...

Under the former dictatorship, we had a country called Iraq.

Under the former dictatorship we had a Life.

Under the former dictatorship, we were Free".


Texto integral (em inglês) em: http://arabwomanblues.blogspot.com/2008/03/under-former-dictatorship.html

terça-feira, 1 de julho de 2008

CINCO ANOS DE GENOCÍDIO NO IRAQUE



CINCO ANOS DE GENOCÍDIO NO IRAQUE
atualizado e Publicado em 22 de março de 2008 às 10:34
por ALTAMIRO BORGES
Às 23h35 de 19 de março de 2003, no horário de Brasília – ou 5h35 da madrugada 20 de março, no horário de Bagdá –, os EUA iniciaram o brutal bombardeio aéreo ao Iraque com o objetivo de invadir esta nação soberana.

Ao completar cinco anos desta tragédia, crescem as analises sobre os seus efeitos na geopolítica mundial.

Num discurso mentiroso, o presidente-terrorista George Bush defendeu a ação militar e a permanência no país por tempo indefinido.
“Remover Saddam Hussein do poder foi uma decisão correta. Esta é uma luta que a América pode e deve vencer. Os homens e mulheres que entraram no Iraque há cinco anos removeram um tirano, libertaram um país e resgataram inúmeras pessoas de horrores inomináveis”, vociferou o sádico “imperador”.

Esta visão doentia, difundida por boa parte da mídia venal até recentemente – agora, diante do desastre, ela muda o enfoque, mas não faz autocrítica –, felizmente hoje não corresponde mais à leitura da maioria dos estadunidenses e das pessoas amantes da paz e com maior senso crítico no planeta.

Cerca de 850 manifestações contra o bárbaro genocídio ocorreram nestes dias nos EUA, inclusive diante da Casa Branca – “para lembrar os sacrifícios de famílias e os bilhões de dólares gastos no Iraque, que podiam ser investidos no país”, informa a ONG Moveon.

Fruto da tragédia, Bush está totalmente isolado e caminha para uma humilhante derrota na eleição do final do ano.
Números horripilantes da invasão

Os números da bárbara invasão são horripilantes e reforçam a revolta frente ao “império do mal”.

Eles ajudam a entender a grave crise da economia ianque e a insatisfação do seu povo.

Nos cinco anos de ocupação, os custos militares chegaram a US$ 3 trilhões e já superam os gastos na guerra do Vietnã, segundo cálculo de Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia.
O plano criminoso de Bush de invadir o Iraque e rapidamente controlar suas riquezas petrolíferas revelou-se um fiasco.

Os 157 mil soldados da tropa regular, além dos 130 mil mercenários, não conseguiram dobrar a resistência da guerrilha iraquiana.

Até a semana passada, 3.983 militares estadunidenses tinham sido mortos e enviados em sacos pretos aos EUA – o que reforça a trágica lembrança do Vietnã.






Já as mortes, torturas e destruições no Iraque causam maior repulsa dos povos do mundo inteiro contra o imperialismo.

Estudos indicam que o número de mortes varia de 800 mil a 1 milhão de inocentes.

“Nós não fazemos a contagem de corpos”, disse, arrogante, o general Tommy Frank, que comandou a invasão.

Segundo a Cruz Vermelha, a situação humanitária no país é “uma das mais críticas do mundo”.
Milhões de iraquianos vegetam sem acesso à água tratada, saneamento básico ou atendimento à saúde. Mais de 4 milhões de pessoas, o equivalente a 16% da população do Iraque, vivem refugiadas em outros países da região, sem lares, sem presente ou futuro.

O imperialismo não é invencível
O saldo da invasão imperialista é devastador.

Mesmo assim, George Bush insiste em manter as tropas ianques por “tempo indefinido” e o candidato do seu partido, John McCain, promete mais “cem anos de ocupação”.

Já os democratas procuram “reciclar” a desgastada imagem do império, mas não ousam propor a imediata retirada.

Hillary Clinton inclusive votou a favor da invasão; Barack Obama promete deixar o Iraque, mas “após vencer a guerra”.

Como afirma Frei Betto, os EUA se afundam num novo Vietnã.

“Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”.

O fim da ocupação dependerá exclusivamente do aumento da pressão interna e internacional e da força da Resistência Iraquiana.

A guerra do Vietnã durou de 1958 a 1975; esta pode ser ainda mais longa.

É possível derrotar os planos expansionistas dos EUA.

O desastre no Iraque comprova que o imperialismo não é invencível.

O crescente desgaste dos senhores da guerra, dos neocons de Bush, e a grave recessão neste país revelam que o império está em declínio.

Para acelerar este processo, indispensável à paz no mundo e ao bem-estar da humanidade, é preciso reforçar as denúncias do genocídio e a solidariedade aos povos vítimas da ação imperial.

Ao lembrar os cinco anos da bárbara invasão, urge fortalecer o internacionalismo ativo no mundo – incluindo o Brasil.








O imperialismo não cairá de maduro; depende da ação enérgica e militante dos povos.

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB e autor do livro “Venezuela: originalidade e ousadia” (Editora Anita Garibaldi, 3ª edição).





domingo, 15 de junho de 2008

O POVO IRAQUIANO RESISTE




A guerra ao Iraque e a Resistência


Distribuição das forças de ocupação no Iraque.

A intervenção da “coligação” anglo-americana e poucos mais aliados no Iraque, em março de 2003, foi uma ação unilateral, à margem da Organização das Nações Unidas, e contra a opinião pública mundial, inconformada com as sucessivas justificações públicas de tal intervenção, que viriam a revelar-se todas elas falsas.

A União Européia dividiu-se e foi profundamente abalada, porque os governos dos vários países tinham interesses contrários e faziam análises contraditórias.

A Rússia e a China estavam contra.

A intervenção vinha há muito sendo preparada, no quadro do plano de controle político, pelos EUA, de toda a região que vai do Mediterrâneo Oriental até ao Sudeste Asiático.
Em 8 de novembro de 2002, os EUA ainda haviam conseguido fazer passar por unanimidade uma resolução do Conselho de Segurança que “oferecia” ao Iraque uma última oportunidade para satisfazer os seus compromissos de desarmamento e, em particular, para fornecer informação exata e completa sobre os seus programas de desenvolvimento de armas de destruição maciça e de mísseis balísticos (exigida pela resolução 687 de 1991!).
Ora como sabemos, desde o fim da Guerra do Golfo, o Iraque sofreu os constrangimentos de vigilância e embargo permanentes, impostos pela ONU, bem como, por iniciativa unilateral dos EUA e do Reino Unido, esteve sujeito à vigilância e a bombardeio aéreo nas impostas áreas de “exclusão aérea”.
A nova resolução fazia parte da encenação hipócrita em que a comunidade internacional (os seus governos) foram cúmplices.
http://www.nationmaster.com/encyclopedia/UN-Security-Council-resolution-on-Iraq

Mas em março de 2003 essa unanimidade não existiu.
Porém, as várias potências mundiais iriam acomodar-se à nova realidade do Iraque ocupado de fato por uma “coligação”; e, ou pretendendo contribuir para uma saída airosa da administração norte-americana e do governo britânico do malogro da vitória fácil, ou para uma libertação do povo iraquiano do tormento da ocupação e do insulto da espoliação, ou, ainda, para tirar também partido do saque prometido, foram-se manifestando mais dialogantes para a procura de uma “solução”.

Em 22 de maio de 2003, a resolução 1483 faz o levantamento de sanções (a um Iraque cuja soberania havia sido usurpada), reconhece aos EUA e ao RU a “autoridade” de potências ocupantes, cria um representante especial no Iraque para coordenar a atividade da ONU no território, e propõe a criação de um Fundo de Desenvolvimento para o Iraque - DFI (alimentado evidentemente pelas receitas da indústria petrolífera) e uma correspondente Junta Internacional de Acompanhamento e Monitorização (IAMB).
http://www.casi.org.uk/info/scriraq.html#2003

E, em 16 de outubro de 2003, a resolução 1511, sublinhando a natureza temporária da Autoridade Provisória da Coligação (CPA), saúda o recentemente constituído Conselho de Governo e reconhece ambos como sendo os principais órgãos da administração interina no Iraque. Pede que cooperativamente estabeleçam uma agenda para redigir uma constituição e realizar eleições; autoriza a constituição de uma força de segurança multinacional e solicita a comunidade internacional a urgentemente contribuir para ela (assim “legitimando” as forças invasoras e de ocupação); pede aos Estados para contribuírem não só para a força de segurança mas também para a “reconstrução” do Iraque e o seu financiamento (inclusive transferindo para o Fundo de Desenvolvimento (DFI) os ativos do regime deposto congelados no estrangeiro); os recursos do país estariam em saldo e era legitimada a antecipada apropriação de recursos que as corporações norte-americanas conduziam desde o primeiro dia.

Finalmente, a resolução 1546 de 8 de junho de 2004 do Conselho de Segurança, avança no caminho encetado, de legitimação do processo de ocupação, expropriação e subjugação do Iraque.
Afirma determinar a entrega do poder por parte da CPA a um Governo Interino “soberano” em 30 de junho de 2004 (o ato formal veio a acontecer a 28 de junho); e fixa o termo automático do “mandato” da força multinacional liderada pelos EUA com a conclusão do processo “democrático”, o mais tardar no fim de 2005, com opções relativas à revisão do mandato pelo Conselho de Segurança ou a pedido do governo interino ou a pedido do governo eleito (previsto para janeiro de 2005).
A resolução tem anexas duas cartas, uma do presidente do governo interino do Iraque, outra do secretário de Estado dos EUA, consagrando a íntima cooperação de ambos nos propósitos comuns.
http://www.iraqcoalition.org/transcripts/20040609_UNSCR_Text.html

A cimeira da OTAN, a 28 de junho, em Istambul, foi sincronizada para o governo interino do Iraque, no suposto exercício da sua soberania, já solicitar e obter dessa aliança apoio para o treino das forças de segurança iraquianas, pois que pouco mais os aliados estavam dispostos a comprometer no plano militar.

A agressão ao Iraque foi “oferecida” pelo poder imperial do capital transnacional às indústrias petrolífera, da guerra e da reconstrução.
Numa evolução de progressiva privatização de todos os recursos e serviços do Estado passíveis de gerarem lucros e alimentarem o capital financeiro, a guerra oferece novas oportunidades de negócio como são a indústria de reconstrução e os serviços de segurança, mas inúmeras outras também.
Desempregados, aventureiros, marginais, cada um com sua motivação, todos eles são vítimas do sistema capitalista, porém recicláveis em seus agentes mercenários para todos os fins; é uma realidade em mutação imprevisível, que coloca questões legais e morais, de eficácia também, e com elas inesperados fenômenos.

Assistimos ao dramático sofrimento e à inaudita resistência do povo por todas as vias incluindo a luta insurgente; por detrás desta luta encontram-se necessariamente múltiplos suportes materiais e morais e uma ou várias estratégias insurrecionais; mas subjacentes estão os enormes sofrimentos, indignação e rebeldia insubmissa do povo iraquiano.
Essa insubmissão não é surpresa; os povos da Mesopotâmia e das montanhas limítrofes são povos que habitam e cultivam a memória milenar de influentes culturas universais, desde a Antiguidade à Idade Média; e que só no curso do último século sofreram sete guerras direta ou indiretamente relacionadas com os recursos petrolíferos do território.
Durante a Primeira Guerra Mundial foi a conquista colonial pelo império britânico em competição com outras potências coloniais (1914-18);
entre 1918 e 1930 foi a “guerra de pacificação” pelas forças coloniais sobre o povo insurreto;
em 1941, a Grã-Bretanha reocupou a território, onde conservara algumas bases militares, para proteger os seus interesses petrolíferos face à ameaça expansionista da Alemanha nazi;
em 1980-88 foi a guerra Irã-Iraque, promovida e suportada pelas potências Ocidentais, sacrificando os dois povos, dilapidando os seus recursos e as infra-estruturas dos dois países, deixando-os exangues, presas supostamente fáceis para a “reconstrução” da sua indústria, a privatização das suas reservas e o retorno das petrolíferas multinacionais;
em 1991 foi a Guerra do Golfo, na seqüência da invasão do Kuwait pelo Iraque em agosto de 1990, ela própria induzida pelos EUA, que depois teve pretexto para organizar uma coligação internacional para “libertar” o Kuwait e para invadir o Iraque, onde causou dezenas de milhares de vítimas imediatas, causou danos duradouros e vítimas a prazo e destruiu as infra-estruturas militares e muitas infra-estruturas civis também;
em 1991-2003, após o armistício, o embargo da ONU foi mantido por força dos vetos dos EUA e do RU, prolongando a destruição silenciosa das infra-estruturas e portanto das condições de vida e de atividade econômica, embargo agravado pelo estabelecimento de zonas de exclusão aérea sobre grande área do espaço aéreo iraquiano, pretexto para ataques periódicos por aquelas duas potências sobre alvos militares ou não, incluindo quatro ataques de grande escala.
http://www.globalpolicy.org/security/oil/2003/2003companiesiniraq.htm

A autoridade ocupante (CPA) tomou o partido Baath como o inimigo principal das forças ocupantes e da própria população iraquiana (enganando-se a si própria como agente de “libertação” e “democratização”) sem entender a diversidade de perspectivas e aspirações e as nuances das relações entre árabes e curdos e entre sunitas e xiitas e recorrendo irracionalmente ao exercício da força para “resolver” a sua própria incapacidade de entendimento, assim convertendo potenciais conjunturais aliados em imediatos opositores. Exemplar foi o seu comportamento em face de dois importantes lideres xiitas, um “moderado” e outro “radical” – Sistani e Moqtada – conseguindo hostilizar ambos.

No vazio de uma análise fundamentada e perante um povo insubordinado, a coligação e a força invasora encontraram dificuldades para elas inesperadas.
A coligação, através das autoridades e forças de segurança que constituiu (autoridade provisória da coligação, governo provisório, depois governo interino; força de estabilização e depois força de multinacional) bem como através das substituições de chefias civis e militares a que procedeu, prosseguiu um caminho errático procurando adaptar-se a realidades no terreno.

Às dificuldades internas da coligação junta-se a adversidade do contexto internacional para os seus propósitos.

A Turquia, com uma opinião popular adversa e muito receosa da evolução política no Curdistão (majoritariamente localizado no seu próprio território), logo em fevereiro de 2003 manifestou as suas reservas em se associar à coligação e em lhe prestar apoio logístico, abstendo-se de integrar a coligação, mesmo após a cimeira da OTAN em Istambul, em 28 de junho de 2004.
A Espanha, que fora inicialmente um membro importante da coligação, retirou as suas tropas em maio de 2004, face à enorme oposição popular e em resultado do juízo político feito sobre o atentado terrorista de Madrid, em 11 de março de 2004.
Como sabemos, depois disso, diversos outros países abandonaram a coligação enquanto apenas alguns manifestaram disponibilidade para aderir e, como regra, simbolicamente.

São admitir perspectivas de alargamento do conflito a países limítrofes; tendo havido objetivos predefinidos no início desta guerra insensata, há todavia, necessidades estratégicas que emergem.
A resistência à ocupação e a histórica diversidade cultural do Iraque poderá levar a coligação ocupante a procurar balcanizar o país, sabendo-se que o território comporta três comunidades principais: a curda, no Norte, a xiita no Sul e a sunita no triângulo Central.
Essa balcanização, porém, suscitaria naturais alianças ou fusões transfronteiriças que arrastaria o problema da delimitação territorial do Iraque para o nível regional.

OCUPAÇÃO E RESISTÊNCIA

A presença norte-americana no Iraque é uma ocupação militar permanente e o exercício de controle político-militar que se pretende exaustivo.
A missão “diplomática” está dimensionada para atingir 3.000 efetivos e a força militar acima dos 100 mil soldados, mesmo após o prometido “fim” da ocupação!
Estes são elementos do plano de domínio imperial; mas virá a ser assim?
Será que os povos o vão consentir?
Será que o imperialismo ainda tem essa força?

Estimativas anunciadas das forças insurgentes tendem a ser conservadoras, ficando por 5 mil partidários baathistas; mas um maior número, difícil de estimar, serão os part-timers que emergem e se dissolvem na população; o número total atingiria, então, 20 mil, segundo analistas norte-americanos.
Este número pode ser comparado com o número comparável de suspeitos que passaram pelas prisões controladas pelo exército de ocupação e que na sua maioria seriam depois libertados.
Deve também ser comparado com o número de iraquianos abatidos em confrontos armados, incluindo civis, que só no mês de abril atingiram 4 mil mortos.
A maioria dos insurgentes são iraquianos seculares nacionalistas (compreendendo também antigos membros do partido Baath ou da Guarda Nacional), mas também são numerosas as milícias islâmicas.
Atuando segundo táticas e com estratégias diversas, mas com objetivos partilhados ou resultantes comuns, conformam uma verdadeira “resistência nacional”.
Supõem-se organizados em dezenas de grupos ou células de guerrilha, sob a direção de chefes tribais ou a inspiração de imãs religiosos. A motivação mais citada para a mobilização rebelde é a libertação da ocupação estrangeira – e não a fundação de algum Estado islâmico; a revolta é sobretudo pela libertação nacional.
A resistência encontra condições favoráveis não só nas suas motivações mas também na ampla disponibilidade de meios financeiros, de armas e de treino militar, bem como na ausência de sistema de cartões de identidade e na abstenção do uso de telecomunicações eletrônicas (detectáveis).
http://www.guardian.co.uk/worldlatest/story/0,1280,-4290373,00.htmlhttp://www.military.com/NewsContent/0,13319,FL_larger_070904,00.htmlhttp://www.truthout.org/docs_04/072804A.shtml


A rotação das tropas de ocupação não tira partido da eventual aprendizagem que fazem no terreno. Pelo contrário, os iraquianos tiram partido da experiência de luta acumulada.
E posta a impotência e a incompetência em normalizar as condições básicas de vida urbana, aqueles iraquianos que inicialmente tomaram postura de expectativa ou mesmo de simpatia pelo invasor, mudaram de atitude e revoltam-se também.

Como na Palestina, bandos de jovens demonstram diariamente a sua hostilidade em atos de “intifada” e, mesmo, atos de sabotagem.

A “colaboração” entre forças ocupantes e forças de segurança iraquianas bloqueia-se em mútua falta de confiança ou disfarçada insubordinação; as “recomendações” são ignoradas ou não são cumpridas; e forças irregulares “populares” desempenham de fato funções de policiamento nas ruas.
http://eurasianet.org/departments/recaps/articles/eav072304.shtml

Ações de guerrilha contra as forças ocupantes, contra forças de segurança do governo interino iraquiano – imposto pela coligação e sancionada, agora, pela ONU –, bem como contra mercenários por conta de empresas de segurança e de reconstrução de qualquer nacionalidade, têm-se multiplicado e até intensificado após a transição para a nova etapa do processo político em fim de junho.

É clara a estratégia de isolar a coligação do apoio dos seus aliados e dos colaboracionistas, tirando partido também da generalizada indignação da opinião pública à agressão e ocupação do Iraque.
Vários países vão retirando ou reduzindo drasticamente as suas forças militares ou pessoal técnico do terreno, enfraquecendo a coligação – militarmente, tecnicamente e, sobretudo, diplomaticamente; Espanha, Honduras e República Dominicana retiraram-se na primavera; Noruega, Singapura e Filipinas retiraram-se no princípio do verão; Nova Zelândia e Tailândia vão se retirar em setembro; Holanda e Polônia anunciaram se retirar em meados de 2005.
Outros países reafirmam a sua fidelidade à coligação e prometem novos ou reforçados contingentes, mas aquém do inicialmente prometido.
A tomada de reféns a serviço de empresas de “reconstrução”, e a ameaça ou a sua efetiva execução, põe enorme pressão e desmobiliza dezenas de milhares de trabalhadores de numerosas nacionalidades, dos quais os EUA precisariam dispor urgentemente como força de trabalho para levar adiante o seu negócio de “reconstrução”.

A Conferência nacional de dirigentes políticos, religiosos e regionais, em que seria selecionado um Conselho Nacional de cem elementos, cuja missão será superintender o governo interino, Conferência considerada uma etapa fundamental no calendário do processo político traçado para o corrente período em preparação das eleições de janeiro de 2005, foi subitamente adiada em fins de julho, a pedido da ONU, em face do boicote de numerosos e relevantes presumidos participantes.
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/articles/A50417-2004Jul14.htmlhttp://www.truthout.org/docs_04/printer_073104B.shtml

Quer dizer que o “processo político” teima em não seguir o caminho e o ritmo que a administração norte-americana anseia impor.
O povo iraquiano resiste.

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quarta-feira, 23 de abril de 2008

ANOS DE HERÓICA RESISTÊNCIA IRAQUIANA

“Que todos vocês protejam a terra natal e se engajem na resistência”
“Não os deixem tomar seu petróleo e sua riqueza.”

“Eu os convoco, filhos do Iraque, a transformar as mesquitas em centros de resistência e a garantir o triunfo da religião, do Islã e da pátria, e a fazer o inimigo sentir que vocês o odeiam por meio de palavras e de ato”




«Tiraram-nos tudo, já não temos nada a perder!»


Cinco anos de resistência antiimperialista
Iraque: Cinco anos de resistência antiimperialista



Em março de 2003, o Iraque foi invadido pelo USA.
Os ianques afirmaram que a guerra seria rápida e que a democracia voltaria a reinar no Iraque.
Armas de destruição em massa e terroristas seriam encontrados e o país voltaria à normalidade.
Cinco anos depois, nem armas nem terroristas foram encontrados.
A resistência segue, dia após dia, golpeando as forças invasoras de Bush e sua corja de assassinos já não têm de onde tirar mentiras para justificar o fracasso da ocupação.


Após dois anos de intensa contrapropaganda, em 20 de março de 2003, forças de uma "coalizão", formada pelo USA e pela Inglaterra — que segundo eles, tinha 49 países
1 —, invadiram o Iraque, a partir do Kuwait.
Os invasores levariam a paz, a democracia e a independência ao Iraque, pelo menos na teoria deles.

A campanha difamatória começou após o "11 de setembro de 2001".
As organizações estadunidenses sem fins lucrativos, Centro da Integridade Pública e Fundo para a Independência do Jornalismo, realizaram um estudo sobre essa campanha, divulgado em janeiro deste ano.
Segundo as organizações, Bush e autoridades de seu governo emitiram 935 declarações falsas sobre a ameaça do Iraque à segurança do USA.
Para as organizações, tudo fazia parte de uma campanha para direcionar a opinião pública a aceitar a invasão do Iraque.

Diante da iminência do ataque ao povo iraquiano, milhares de pessoas, em todo o mundo saíram às ruas.
Bagdá, Londres, Istambul, Madrid, Islamabad (Paquistão), Roma, dentre outras cidades, reuniram cerca de 10 milhões de pessoas nas ruas, em fevereiro de 2003.
No final de março e início de abril, logo após a invasão, grandes manifestações sucederam-se no Brasil, Espanha, Alemanha, Líbia, Paraguai, Argentina, USA, Grécia, etc.
Em abril de 2003, as forças invasoras chegaram a Bagdá.
A estátua do presidente Saddam Hussein foi derrubada e os ianques declararam o controle sobre o país.
Em maio do mesmo ano, Bush declarou o fim da guerra, apesar de manter cerca de 150 mil soldados ianques e um conselho — escolhido a dedo pelos ianques, em junho — para gerir a situação no país.

A farsa do julgamento de Saddam

No dia 13 de dezembro de 2003, com grande pompa, os ianques anunciaram a prisão de Saddam Hussein.
Era o início de uma das maiores farsas já vistas na história.

Saddam, delatado por uma pessoa próxima a sua família, foi encontrado em Tikrit, sua cidade natal.
Ele estava dentro de um buraco, em um depósito.
O administrador ianque no Iraque, Paul Bremer, afirmou que a prisão de Saddam representaria o início de um novo Iraque.
Bremer acreditava que, com a prisão de Saddam, a resistência acabaria.
Grande engano.

No dia 19 de outubro de 2005 teve início a farsa montada para julgar Saddam.
Diante da alegação da defesa de que não pôde se reunir com os acusados, o julgamento foi adiado para 28 de novembro.

O julgamento foi cercado de terror.
No final de outubro de 2005, um dos advogados de defesa de Saddam foi assassinado.
Na primeira semana de novembro ocorreu o segundo assassinato.
O terceiro assassinato ocorreu em junho de 2006, o corpo foi encontrado com sinais de tortura.
No reinício do julgamento, em dezembro de 2005, Saddam se negou a comparecer, classificando o julgamento de "farsa inventada pelo USA".
No final de dezembro, Saddam compareceu ao julgamento e denunciou torturas sofridas na cadeia, além de afirmar em alto e bom som que ainda era presidente do Iraque.

Em janeiro, o juiz responsável pelo caso foi afastado por ser considerado condescendente com Saddam.
No mês seguinte, como protesto, a defesa não compareceu às audiências.
Ainda em fevereiro, Saddam iniciou uma greve de fome, em protesto ao julgamento.

Todas as vezes nas quais compareceu ao julgamento, Saddam chamou a atenção por sua postura firme e decidida.
Ele afirmou veementemente que, mesmo com a invasão, ele ainda era o Presidente do Iraque e conclamou todos os iraquianos a resistir de forma armada à ocupação ianque.

Em 05 de novembro de 2006, o tribunal ilegal e ilegítimo que foi instituído para julgar Saddam o condenou à morte na forca.
Quase 13 meses depois, terminava o circo montado na tentativa de minar a resistência iraquiana.
Saddam comportou-se como um legítimo representante das forças progressistas que lutam no Iraque.
Ao receber a sentença, bradou:
"Vida longa ao povo! Vida longa à nação árabe! Morte a nossos inimigos".

Ao contrário do que esperavam os ianques, a resistência não deixou de agir um só dia, durante e após o julgamento e execução de Saddam.

Crimes de guerra

Além de ocupar ilegalmente o Iraque, os invasores seguem cometendo crimes contra a população civil e contra o país.
Após a ocupação, milhares de pessoas, incluindo jovens, idosos e mulheres foram e continuam sendo presos, torturados e executados.
É prática habitual nas prisões mantidas pelos invasores vendar os olhos e amarrar as mãos nas costas dos detidos, para juntá-las com os pés durante dias e colocar a pessoa em um cubículo de madeira, dentro de um pequeno buraco escuro.
As vendas não são retiradas dos olhos nem para que os presos comam, o que só podem fazer por dez minutos.
A comida é pouca e de má qualidade.

Várias pessoas foram torturadas até a morte, principalmente antigas lideranças políticas e membros do governo anterior à invasão.
A tortura é cotidiana nos centros de detenção ou cadeias clandestina dos novos corpos de segurança iraquianos.
Também não são raras as detenções e torturas em massa.
Estima-se que mais de 250 mil iraquianos foram presos sem motivo.
O número de mortos, segundo a organização Opinion Research Business, com sede em Londres, é de mais de um milhão de iraquianos.

Milhares de pessoas têm procurado, com muita dificuldade, refugiar-se em outros países.
O número de refugiados é desconhecido, mas organizações de direitos humanos iraquianas estimam que este número ultrapasse a cifra dos 500 mil.
Com o estabelecimento dos novos "corpos de segurança" iraquianos se formaram os esquadrões da morte.
Eles têm escolhido seletivamente seus alvos, tentando minar a base de apoio da resistência pelo medo.
Seus alvos são personalidades civis, professores e, principalmente, profissionais da saúde.
Mas também assassinam simples cidadãos e atuam pilhando e destruindo o patrimônio cultural iraquiano.

Mercenários

Mercenários são soldados que lutam junto a um exército regular mediante pagamento.
Hoje, estima-se que 10% de todo o efetivo militar que atua no Iraque seja composto por mercenários.
Os mercenários são contratados por empresas ianques que ganham rios de dinheiro com este serviço, que não passa por qualquer tipo de licitação.
As empresas escolhem países pobres como destino do recrutamento.
Brasil, Chile, El Salvador, Colômbia, Turquia, Nepal, Indonésia estão entre os países preferidos pelos recrutadores.
A promessa é sempre a mesma: ganhar cerca de sete mil dólares por mês.
A tarefa, vigiar instalações militares, campos de treinamento e fazer a segurança do exército ianque (para quê um exército precisa de seguranças?).
Os recrutadores atuam ilegalmente em todos os países.
No Brasil, em 2005, foi descoberta uma rede ilegal de contratação.
Eles atuavam sem os registros exigidos.
Até mesmo no USA, os recrutadores atuam buscando imigrantes ilegais e a parcela pobre da população, prometendo aos primeiros a legalização no país e aos segundos a chance de uma carreira universitária.
A questão é que o grande número de soldados que têm voltado para o USA em sacos plásticos fez aumentar a repulsa da população à guerra.
Famílias inteiras se viram desintegradas por uma guerra injusta.
Além do fato de metade do efetivo treinado para atuar no Iraque acabar desertando ou servindo à resistência.

Das empresas alistadoras, destaca-se a Hallyburton — empresa ligada à exploração petrolífera — que é umas das que mais têm lucrado com a guerra no Iraque.
As ianques Caci e TitanCorp são outras que atuam no Iraque, fazendo os trabalhos sujos da prisão de Abu Graib.

A resistência

A resistência dos iraquianos à invasão começou muito antes da invasão propriamente dita.
Após a Guerra do Golfo, em 1990, o Presidente Saddam Hussein, certo de que o país poderia ser alvo de uma nova investida imperialista, realizava treinamentos militares três meses por ano, destinados a toda a população.
Com a iminência da ocupação, milhares de iraquianos contrários ao governo de Saddam retornaram ao país para ajudar na resistência, certos de que não seriam impedidos de lutar pelo presidente.
O regime iraquiano relaxou a pena de todos os prisioneiros, exceto àqueles que cometeram crime de sangue.
Meses antes da ocupação, o governo abriu todos os depósitos de armas e as distribuiu à população.

A resistência iraquiana, que combate cotidianamente os invasores, é composta e financiada pelos próprios iraquianos.
Sami Alaa, da Aliança Patriótica Iraquiana, em entrevista ao AND (edição 24, abril de 2005), explicou que a Resistência dividia-se em três grupos:
1) aqueles ligados a algum partido político: militantes baathistas, pan-árabes, socialistas, comunistas patrióticos;
2) Oficiais e soldados do antigo exército e polícia iraquianos, que não depuseram as armas e continuaram combatendo. Segundo ele, este grupo é o que realiza as ações mais planejadas e com mais recursos;
3) o terceiro grupo é formado por militantes sunitas, xiitas e até cristãos, mas não passam de 10% de toda a resistência, são organizados local ou regionalmente e não são leais a uma pessoa ou partido.

O certo é que a resistência utiliza habilmente todas as armas das quais dispõe.
Utiliza a tática de guerra de guerrilhas, fustigando o inimigo e se abastecendo de armas e munições do oponente.
Além de atacar pontos estratégicos para os ocupantes, criando um clima de instabilidade permanente.
Os alvos preferidos da resistência são redes de oleodutos — para evitar a pilhagem do petróleo iraquiano —, estradas, postos militares, bases e todos os locais de concentração das forças de coalizão.
De acordo com dados do Pentágono, de 2005, as ações da resistência aumentaram 30% em relação ao ano anterior.
São cerca de mil ações diárias, sendo que apenas 1% são ataques suicidas ou carros-bomba, que a resistência não reconhece como próprios.

Faluja

Faluja, a 60 km de Bagdá tem sido um bastião da luta contra a ocupação ianque.
Uma parte considerável da resistência se concentrava em Faluja e os ocupantes e seus governos fantoches não conseguiam manter instituições na cidade.
Os invasores consideravam-na como o centro do "terrorismo" e garantiam que ali estavam entrincheirados membros da resistência.
Em 2003, a cidade foi palco das maiores manifestações e combates contra a ocupação.
Em abril, a população da cidade tomou as ruas para lutar contra a ocupação.
Após o domínio de Bagdá, outras grandes manifestações e combates foram reprimidos pelos invasores.
Faluja sofreu intensos bombardeios em abril e novembro de 2004.
Os ataques destruíram cerca de 80% da cidade e deixaram mais de cinco mil mortos.
Em 2004 os ocupantes ameaçaram destruir toda a cidade se os moradores não denunciassem os militantes da resistência.
Mas, pelo que tudo indica, ninguém foi delatado.
Mesmo após os ataques, a resistência continuou ativa e os ianques não conseguiram dominar por completo a cidade.

Em 2005, o Pentágono afirmou ter usado fósforo branco nos combates de 2004.
Ainda hoje mais da metade dos habitantes de Faluja enfrenta problemas com água poluída, falta de eletricidade, fome, frio e desemprego.
Os invasores seguem utilizando fortes medidas de segurança.
Por mais que sigam prendendo coletivamente, assassinando, decretando toque de recolher e cortando a água e luz em Faluja, seus moradores não se entregam e seguem como um grande exemplo da heróica resistência iraquiana.

O que todos se perguntam é até quando durará a guerra no Iraque.
Pela capacidade de renovação da resistência, pelo desgaste das tropas ianques e pela repulsa mundial à invasão, é certo que a guerra durará até que os ianques retirem suas tropas, suas instituições e todos que chegaram com a ocupação — terroristas, milícias, mercenários, etc — do Iraque.
A resistência jamais entregará as armas e desistirá de defender seu povo e seu país dos invasores.

Os números da invasão

Mais de um milhão de iraquianos mortos pela ocupação
2,5 milhões de refugiados internos
2,2 milhões de refugiados no exterior, principalmente na Síria
24 mil iraquianos presos sob controle ianque
400 mil iraquianos presos sob controle dos colaboracionistas
43% da população vivendo em extrema pobreza (menos de 1 dólar por dia)
70% dos adultos estão desempregados
metade das crianças com menos de 5 anos sofre de algum tipo de subnutrição
70% da população não tem acesso a água potável
80% da população não é servido por sistema de esgoto
800 mil estudantes sem escola primária
220 mil crianças em idade escolar refugiadas e sem escola
300 professores universitários assassinados
2 mil médicos assassinados e outros 17 mil abandonaram o país
2 horas por dia é o período de fornecimento de energia elétrica, incluindo Bagdá
1. Informações do Global Policy Forum — www.globalpolicy.org

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O POVO IRAQUIANO VIVIA COM PAZ E LIBERDADE

Exposing US propaganda:The American people were told by the US media that the Iraqi people wanted war. So we went to the streets of Baghdad and asked them.Filmed in 2003, two weeks before the latest US invasion of Iraq.

Propaganda americana: A imprensa americana disse ao povo americano que o povo Iraquiano queria guerra. Então, nós fomos às ruas de Baghdad e perguntamos a eles. Filmado em 2003, duas semanas antes da última invasão americana do Iraque.


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Iraq war propaganda


terça-feira, 25 de março de 2008

DENÚNCIA DE CRIMES INFAMES DE GEORGE BUSH NO IRAQUE


















Escritora iraquiana denuncia “crimes infames” de George Bush no Iraque

Seguem os principais trechos de informe da escritora iraquiana Eman Hamas, publicado por ocasião do 5º ano da invasão do seu país.


Autora do livro “Crônicas do Iraque”, Eman foi diretora do Centro do Observatório da Ocupação, em Bagdá, que desde poucos meses depois da invasão anglo-estadunidense se dedicou a documentar os efeitos da ocupação e a recolher testemunhos que sustentam seus informes.
O crime dos Estados Unidos de invadir e ocupar o Iraque desde 2003, ainda em curso, tem sido uma agressão política e militar das mais infames da história moderna, que passou por cima tanto de todos os códigos morais da humanidade como do direito internacional.

Apesar de que o governo estadunidense era completamente consciente de que eram falsos todos os pretextos para invadir o Iraque (armas de destruição em massa ou vinculação com o terrorismo), e apesar de que a comunidade internacional se opunha a esta agressão, Bush ignorou tudo isso.

Os EUA invadiram uma das civilizações mais antigas do mundo, o Iraque, com 6.000 anos de história, o berço das civilizações, lugar onde se escreveu a primeira carta, onde se estabeleceu a primeira lei, onde se construiu a primeira universidade, onde se utilizou a primeira moeda, onde se criou o primeiro sistema de irrigação, onde se escreveu o primeiro poema…

O Iraque foi submetido a uma destruição sistemática.
Desmantelaram o Estado, aboliram as instituições, destruíram os sistemas educativo, sanitário, econômico, de segurança e de infra-estrutura; inclusive destruíram completamente o tecido social e cultural.

Até o momento morreu um milhão trezentos mil civis iraquianos, mais de cinco milhões se refugiaram fora do Iraque ou tiveram que sair de seus lares (deles, um milhão e meio são crianças), centenas de milhares (incluindo 10.000 mulheres) estão prisioneiros e expostos aos piores tipos de tortura e de humilhação, e carecem de qualquer procedimento legal.

70% dos iraquianos não tem acesso a um fornecimento de água saudável.
O fornecimento de eletricidade está abaixo dos níveis prévios à invasão.
43% da população vive com menos de meio dólar ao dia.
O nível de vida no Iraque piora diariamente a pesar dos contratos de mais de 20 bilhões de dólares pagos a empresas para reconstruir o país, engolidos por elas e pela corrupção desse governo imposto.
O Iraque é agora o terceiro país mais corrupto do mundo.
Até segundo os dados desse governo, o número de desempregados está entre 60 e 70%.
A desnutrição infantil aumentou do 19% que já existia, provocado pelo chamado “período de sanções econômicas” antes da invasão, para o 28% atual.

Segundo as Nações Unidas, 8 milhões de iraquianos necessitam ajuda de emergência.

A velha estratégia colonial de dividir e governar é totalmente responsável pelas divisões sectárias e quanto mais tempo permaneçam os exércitos de ocupação, maior é a possibilidade de uma guerra civil e de que o país se divida.
A ocupação criou os diferentes corpos oficiais de segurança a partir das milícias sectárias e, portanto, lhes deu autoridade ou para matar ou para apoiar e ajudar aos que matavam, seqüestravam, expulsavam devido a critérios de seitas.
Por outro lado, além dos 170.000 soldados pertencentes ao exército estadunidense, no Iraque há 180.000 mercenários que em nome do conflito sectário estão cometendo todo tipo de assassinatos e atentados em zonas civis.

A única forma de deter esses crimes, de responsabilizar por eles aos verdadeiros culpados, os Estados Unidos, e de começar a verdadeira reconstrução do Iraque é apoiar o povo iraquiano em sua resistência à ocupação, mobilizar a comunidade internacional contra a invasão e para acabar com esse genocídio.