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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

QUE A INJUSTIÇA NÃO ME SEJA INDIFERENTE...

Eu só peço a Deus...

"Que a morte não me encontre um dia solitária sem ter feito o que eu queria"
"Que a injustiça não me seja indiferente pois não posso dar a outra face se já fui machucada brutalmente"
"Que a guerra não me seja indiferente... é um monstro grande, pisa forte... toda pobre inocência dessa gente..."
"Que a mentira não me seja indiferente... se um só traidor tem mais poder que um povo... que esse povo não esqueça facilmente"
"Que o futuro não me seja indiferente... SEM TER QUE FUGIR DESENGANADA... PARA VIVER UMA CULTURA DIFERENTE"

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

QUANTOS FALAM A RESPEITO DISSO?

http://www.chomsky.info/

Quem será que discordaria de Noam Chomsky?


"América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo" : Em entrevista ao La Jornada, Noam Chomsky fala sobre a América Latina, definindo-a como uma das ÚNICAS REGIÕES DO MUNDO onde há uma RESISTÊNCIA REAL AO PODER DO IMPÉRIO. "Pela primeira vez em 500 anos há movimentos rumo a uma verdadeira independência e separação do mundo imperial. Países que historicamente estiveram SEPARADOS estão começando a se integrar. Esta integração é um pré-requisito para a independência. Historicamente, os EUA derrubaram um governo após outro; agora JÁ NÃO PODEM fazê-lo", diz Chomsky.

Noam Chomsky critica os EUA e elogia o papel do Brasil na crise de Honduras

Copiado do Blog DESABAFO BRASIL, do amigo Daniel Pearl, que está em Minhas Notícias.
Visitem este Blog.
Saraiva
Brasil ficou acima das expectativas; EUA não usaram 'todas as armas'.
Linguista e professor do MIT falou ao G1 em entrevista exclusiva.

Ter apoiado o presidente deposto de Honduras e ter dado abrigo a ele em sua Embaixada, fez com que o Brasil assumisse uma posição de destaque no confronto de Manuel Zelaya com o governo interino hondurenho.

"Um papel admirável", avaliou o linguista e teórico Noam Chomsky

Leia a entrevista na íntegra aqui:http://por1novobrasil.blogspot.com/









A água (que ninguém vê) na guerra


Na guerra do momento - Israel em Gaza -,

por que a mídia não fala sobre a água - um dos itens mais importantes dos conflitos no Oriente Médio?


Embora Israel tenha sérios problemas com recursos hídricos, detém o controle dos suprimentos de água, tanto seus como da Palestina.

Além de restringir o uso d'água, luta pela expansão do seu território para obter mais acesso e controle deste recurso natural.

Ana Echevenguá (*)

"Para além das manchetes do conflito do Oriente Médio, há uma batalha pelo controle dos limitados recursos hídricos na região. Embora a disputa entre Israel e seus vizinhos se concentre no modelo terra por paz, 'há uma realidade histórica de guerras pela água' - tensões sobre as fontes do Rio Jordão, localizadas nas Colinas de Golã, precederam a Guerra dos Seis Dias". Raymond Dwek - The Guardian, [24/NOV/2002]
*A nossa sobrevivência na Terra está ameaçada. Sem alimento, o ser humano resiste até 40 dias; sem água, morre em 3 dias. Somos água! Mas, enquanto a população se multiplica e a poluição recrudesce, as fontes de água desaparecem. Na guerra do momento - Israel em Gaza -, por que a mídia não fala sobre a água - um dos itens mais importantes dos conflitos no Oriente Médio?Oriente Médio... uma região aonde água vale mais do que petróleo... E sempre nos passam a idéia de que lá as guerras ocorrem pela conquista das reservas de petróleo. E a conquista das reservas de água?

Em 1997, o então vice-diretor geral da UNESCO, Adnan Badran, no seminário "Águas transfronteiriças: fonte de paz e guerra" (que centrou os debates nas águas do Mar Aral, do rio Jordão, do Nilo...) disse que "a água substituirá o petróleo como principal fonte de conflitos no mundo".

Embora Israel tenha sérios problemas com recursos hídricos, detém o controle dos suprimentos de água, tanto seus como da Palestina.

Além de restringir o uso d'água, luta pela expansão do seu território para obter mais acesso e controle deste recurso natural.
Ali, ele é o "dono" das:
- águas superficiais: bacia do rio Jordão (incluindo o alto Jordão e seus tributários), o mar da Galiléia, o rio Yarmuk e o baixo Jordão;

- águas subterrâneas: 2 grandes sistemas de aqüíferos: o aqüífero da Montanha (totalmente sob o solo da Cisjordânia, com uma pequena porção sob o Estado de Israel), aqüífero de Basin e o aqüífero Costeiro que se estende por quase toda faixa litorânea israelense até Gaza.


Tais águas são 'transfronteiriças', recursos naturais compartilhados.


Segundo recente inventário da UNESCO, 96% das reservas de água doce mundiais estão em aqüíferos subterrâneos, compartilhados por pelo menos dois países.


Há regras internacionais para o uso dessas águas.


Algumas destas obrigam Israel a fornecer água potável aos palestinos.

Mas Israel não compartilha a água; afinal, tais regras internacionais não prevêem mecanismos de coação ou coerção; é letra morta.

O Tribunal Internacional de Justiça, até hoje, condenou apenas um caso relacionado com águas internacionais.


A estratégia de Israel é outra.


Em 1990, o jornal Jerusalém Post publicou que "é difícil conceber qualquer solução política consistente com a sobrevivência de Israel que não envolva o completo e contínuo controle israelense da água e do sistema de esgotos, e da infra-estrutura associada, incluindo a distribuição, a rede de estradas, essencial para sua operação, manutenção e acessibilidade" (1).

Palavras do ministro da agricultura israelense sobre a necessidade de Israel controlar o uso dos recursos hídricos da Cisjordânia através da ocupação daquele território.

O Acordo de Paz de Oslo de 1993, por exemplo, estipulou que os palestinos deveriam ter mais controle e acesso à água da região.

Nessa época, segundo o professor da Hebrew University, Haim Gvirtzman, dos 600 milhões de metros cúbicos de água retirados anualmente de fontes na Judéia e Samaria, os israelenses usavam quase 500 milhões, satisfazendo cerca de um terço de suas necessidades hídricas. Para ele, isso gerou um 'direito adquirido sobre a água'. Questionado sobre o acesso palestino à água, o professor respondeu:
"Israel deve somente se preocupar com um padrão mínimo de vida palestino, nada mais, o que significa suprimento de água para eles só para as necessidades urbanas. Isso chega a cerca de cinqüenta/cem milhões de metros cúbicos por ano. Israel é capaz de suportar essa perda. Portanto, não deveríamos permitir que os palestinos desenvolvessem qualquer atividade agrícola, porque tal desenvolvimento virá em prejuízo de Israel. Certamente, nunca permitiremos aos palestinos suprir as necessidades hídricas da Faixa de Gaza por meio do aqüífero montanhoso. Se purificar a água do mar é uma solução realista, então deixemos que o façam para as necessidades dos residentes da Faixa de Gaza".

E na Guerra pela Água vale tudo: os israelenses bombardeiam tanques d'água, grandes ou pequenos (muitas vezes construídos nos telhados das casas), confiscam as bombas d'água, destroem poços, proíbem que explorem novos poços e novas fontes d'água (a Cisjordânia, em 2003, contava com cerca de 250 fontes ilegais e a Faixa de Gaza, com mais de 2 mil).


Israel irriga 50% das terras cultivadas,

mas a agricultura na Palestina

exige

prévia autorização.


Então, furto de água das adutoras de Israel é comum naquela região.

A regra do jogo é esta: enquanto o palestino não tem acesso à água para beber, o israelense acostumou-se ao seu uso irrestrito. Sendo assim, dá pra imaginar uma outra forma de divisão ou de uso compartilhado desses recursos hídricos para os próximos anos?

Dá pra imaginar a sobrevivência de qualquer estado e, nesse caso, da Palestina sem o controle efetivo do acesso e da distribuição dos recursos hídricos que necessita?


Botar a mão na água é coisa antiga.


Britânicos e franceses no Oriente Médio definiram as fronteiras (em especial da Palestina) de olho nas águas da bacia do rio Jordão.

Desde 1948, Israel prioriza projetos, inclusive bélicos, para garantir o controle de água na região.

Dentre estes: - a construção do Aqueduto Nacional (National Water Carrier);

- em 1967, anexou os territórios palestinos de Gaza e Cisjordânia e tomou da Síria as Colinas do Golã, ricos em fontes de água, para controlar os afluentes do Rio Jordão. Sobre esta guerra, Ariel Sharon falou que a idéia surgiu em 1964, quando Israel decidiu controlar o suprimento d'água;

- em 2002, a construção o 'muro de segurança' viabilizou o controle israelense da quase totalidade do aqüífero de Basin, um dos três maiores da Cisjordânia, que fornece 362 milhões de metros cúbicos de água por ano.

Segundo Noam Chomsky, "o Muro já abarcou algumas das terras mais férteis do lado oriental. E, o que é crucial, estende o controle de Israel sobre recursos hídrico críticos, dos quais Israel e seus assentados podem apropriar-se como bem entenderem..." (2).

Antes do muro, ele já fornecia metade da água para os assentamentos israelenses. Com a destruição de 996 quilômetros de tubulação de água, agora falta água para beber à população palestina do entorno do muro;

- antes de devolver (simbolicamente) a Faixa de Gaza, Israel destruiu os recursos hídricos da região. E, até hoje, não há infra-estrutura hídrica nas regiões palestinas.


Quantos falam a respeito disso?


Em 2003, na 3ª Conferência Mundial sobre Água, em Kyoto, Mikhail Gorbachev bateu na tecla dos conflitos mundiais pela água: contabilizou, na época, 21 conflitos armados que objetivavam apropriação de mais fontes de água; destes, 18 ocorreram em Israel.


Gestão conjunta,

consumo igualitário de água,

ética e consenso na água

- palavras bonitas no papel,

nas mesas de negociação,

na mídia.

Na prática, é utopia.


O que a ONU e os donos do planeta estão esperando para exigir que Israel cumpra as regras internacionais sobre águas mesmo que estas contidas em convenções, acordos, declarações (e outras abobrinhas)?


Quem vai ter coragem de criar regras claras e objetivas para punir a violação dos direitos dos povos e nações à sua soberania sobre seus recursos e riquezas naturais?*


Ver


Do livro de Noam Chomsky: Novas e Velhas Ordens Mundiais, São Paulo, Ed. Scritta, 1996.



Ana Echevenguá, advogada ambientalista, coordenadora do programa Eco&Ação,

presidente da ong Ambiental Acqua Bios e da Academia Livre das Águas,

e-mail:ana@ecoeacao.com.br

sábado, 12 de setembro de 2009

ONZE DE SETEMBRO

FOTOJORNALISMO

Vista das torres gêmeas do World Trade Center após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Apesar do horror e das vidas inocentes que se perderam naquele dia, é preciso, para compreender o que de fato há por trás desta ignomínia, olhar para o Oriente Médio e suas contradições, para a posição dúbia que o Ocidente mantém com a região desde o início do século passado.

Se hoje o Oriente Médio é um território fértil para as ditaduras e para o extremismo religioso (de todas as vertentes) boa parte da responsabilidade é nossa.

Reprodução/Creative Commons.
Postado por Barone

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

REALIDADE - AMÉRICA LATINA EM MOVIMENTO

Retrospectiva dos Acontecimentos da História. Vamos recapitular...
ALAI, América Latina en Movimiento
2007-12-22

Clasificado en:
Política:
Politica, Internacional: Internacional, Globalizacion,
Disponible en:
Portugues Español

Derrotar o imperialismo, por um mundo de paz

(Intervenção no Seminário “Capitalismo Contemporâneo e a Nova Luta pelo Socialismo”, São Paulo, 19 e 20 de novembro, 2007)
A Grande Revolução Socialista de Outubro, que com justiça homenageamos ao realizar este Seminário, na passagem do seu 90º aniversário, fundou o que o grande escritor Jorge Amado chamou de O Mundo da Paz.
Hoje, década e meia após os acontecimentos contra-revolucionários que resultaram na liquidação do socialismo na URSS e demais países do Leste europeu, vivemos o mundo da guerra imperialista, que ameaça a paz, a segurança, a liberdade e a independência de todos os povos e nações.
“Estamos em guerra”– foi como o pretendente a tirano do mundo, George W. Bush, dirigiu-se ao Congresso dos Estados Unidos ao iniciar o seu discurso sobre o estado da União no ano passado.
Bush proclama a tirania global
Em outubro de 2001, reagindo aos atentados de 11 de setembro, os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Afeganistão.
Alcançaram um sucesso político efêmero.
Naquele episódio aparentemente havia condições para o enfrentamento do terrorismo internacional através de mecanismos multilaterais e para a legitimação do uso da força pela comunidade internacional.
Não foram poucas as ilusões à época.
Poucos dias antes do ataque ao Afeganistão, em 20 de setembro a superpotência norte-americana anunciou ao mundo uma flexão em sua política externa, que viria a ser posteriormente sistematizada no corpo de idéias e conceitos denominados de “doutrina Bush”.
Naquele dia, o presidente George W. Bush exortou o mundo a criar a “coalizão antiterrorista”, dividiu as forças mundiais em termos maniqueístas – “quem não está conosco está contra nós” - , ameaçou punir “nações hostis”, num prelúdio do que viria a chamar poucos meses depois de “estados bandidos”, integrantes do “eixo do mal”, contabilizou a existência de 60 países onde se albergam terroristas e ameaçou usar as armas de que dispõe em seu poderoso e sofisticado arsenal.
O pronunciamento de George W. Bush em 20 de setembro de 2001 é o documento fundador da “nova ordem”, a proclamação dos meios e modos como percorrer o “novo século americano”.
Marcou o início de uma fase de maior unilateralismo e securitarismo nas relações dos Estados Unidos com o resto do mundo e no exercício da hegemonia norte-americana. Abriu-se novo período, que as forças antiimperialistas no mundo chamariam de tirania global, um período de uso indiscriminado da força bruta, desprezo pela legalidade internacional e pelas instituições multilaterais.
Abriu-se uma fase de militarização das relações internacionais e de decisões unilaterais que perdura e não há perspectiva visível de que será interrompida.
Em 20 de março de 2003, os Estados Unidos e o Reino Unido bombardeiam e invadem o Iraque, alegando que o regime de Saddam Hussein estaria produzindo armas de destruição em massa.
Em 2004, atuando como autoridades de ocupação, os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido reconheceram que não havia armas de destruição em massa no Iraque.
Nos dezoito meses que transcorreram entre os atentados de 11 de setembro de 2001 e o início da guerra norte-americana no Iraque, em março de 2003 tomou forma e foi anunciada a chamada “doutrina Bush”.
Os preparativos da guerra coincidiram com a gestação e proclamação dessa doutrina.
É também nesse período que ocorrerá um tour de force entre a diplomacia e a guerra, tendo como palco as Nações Unidas.
A primeira manifestação pública reveladora da intenção dos Estados Unidos de atacar o Iraque foi feita pelo presidente Bush em seu discurso sobre o Estado da União, em janeiro de 2002 , quando utilizou pela primeira vez a expressão “eixo do mal”, vinculando ao conceito o Iraque, o Irã e a Coréia do Norte: “Estados como esses e seus aliados terroristas constituem um eixo do mal, ameaçando a paz mundial”.
Para Cristina PECEQUILO “Desde o 11 de setembro, quando alguns membros do Departamento de Defesa, como Paul Wolfowitz, declararam que Saddam Hussein e Bin Laden haviam colaborado para atacar os Estados Unidos, hipóteses de um novo conflito contra o Iraque foram consideradas pelo Executivo”.
Mais adiante a estudiosa da política externa norte-americana diz: “Anunciada como mais um capítulo da guerra contra o terror iniciada em 2001, a nova guerra do Iraque fazia parte, como temos procurado destacar, de um processo muito mais amplo. A primeira intervenção preventiva sustentava-se em motivações multidimensionais da agenda neoconservadora, envolvendo o reposicionamento das forças norte-americanas na Eurásia”.
Em 1 de junho de 2002, Bush fez outro pronunciamento definidor, falando aos cadetes de West Point, quando foi lançada a doutrina do “ataque preventivo”, uma reviravolta conceitual, verdadeira subversão do direito internacional, que somente autoriza o uso da força em defesa própria, para combater ameaças reais, não potenciais.
E em 17 de setembro foi publicado o documento “A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos da América” , oficializando a doutrina dos “ataques preventivos”.
Os argumentos para a guerra foram largamente difundidos, mas não se sustentavam.
Os EUA diziam:
(i) o Iraque é uma ditadura,
(ii) apóia a Al Qaeda e
(iii) possui armas de destruição em massa.
A argumentação norte-americana punha em cheque princípios consagrados do direito internacional contemporâneo, mas não só.
O próprio princípio da soberania nacional, adotado desde a Paz de Westfália em 1648, passava a ser questionado por um Estado imperialista.
Para o direito internacional e a concepção centrada na soberania e autodeterminação nacionais, são ociosas discussões sobre a natureza política-ideológica de um Estado nacional. Mudá-la ou mantê-la é questão de autodeterminação.
Ainda que a soberania nacional não possa ser invocada nos mesmos termos de três séculos e meio atrás, em virtude de relações de interdependência objetivas no mundo contemporâneo, o direito internacional não reconhece a validade da doutrina bushiana dos ataques preventivos.
O principal argumento dos EUA revelou-se funcional em termos de manipulação da opinião pública doméstica, mas ao mesmo tempo pesou muito negativamente nas tentativas que o governo estadunidense e seus aliados do Reino Unido fizeram para obter o aval da ONU, que afinal nunca foi dado.
Afinal, a ONU, através de organismos credenciados, fez investigações exaustivas no Iraque de 1991 a 1998 e de novembro de 2002 até março de 2003.
Seus inspetores nada encontraram.
Na verdade, a motivação para a guerra era outra.
Tinha como tem a ver com a afirmação do caráter unilateral e securitário da política externa estadunidense, com petróleo e a conquista de posições geopolíticas na luta que os Estados Unidos levam a efeito para exercer hegemonia no mundo.
Violação do direito internacional
Ao invadir o Iraque, os Estados Unidos atropelaram a ONU e romperam com as normas das instituições multilaterais.
Ao fazê-lo ameaçaram de liquidação os próprios fundamentos da Carta das Nações Unidas, uma vez que esta só autoriza o uso da força em caso de real necessidade de autodefesa.
Efetivamente, a ONU não autorizou o uso da força contra o Iraque.
Ao ignorá-la, os Estados Unidos abriram grave precedente, expondo-a ao questionamento da sua própria utilidade.
A ONU é o órgão supremo do direito internacional, cujos princípios fundamentais são o banimento da guerra, o reconhecimento da soberania nacional, da autodeterminação dos povos e dos direitos fundamentais do ser humano.
Mas a ONU é também uma tribuna e uma arena de debate e luta política e diplomática em que os Estados atuam no quadro de determinadas correlações de força.
Por isso mesmo, desde que a ONU foi criada não foram poucas as tentativas de instrumentalização das suas decisões pelos Estados Unidos.
Em 5 de fevereiro de 2003, o então secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, apresentou-se ao Conselho de Segurança da ONU, quando supostamente provaria todas as acusações formuladas contra o Iraque.
Eram os últimos movimentos a fim de arrancar a autorização para o uso da força militar contra o país árabe.
Colin Powell perorou, mostrou fotos, gráficos, depoimentos de espiões e até um tubo de ensaio com o vírus do antraz.
Mas não provou nada.
Numa cabal demonstração das tentativas norte-americanas para instrumentalizar o órgão da ONU, sentenciou, no que soou como ultimato, não ao Iraque, mas à ONU e como epitáfio do sistema multilateral: “Este órgão coloca-se em perigo de irrelevância se não responder efetivamente e imediatamente”.
Os Estados Unidos perderam a batalha no Conselho de Segurança.
Fizeram ainda uma tentativa para obter a autorização ao ataque na forma de um memorando assinado também pela Inglaterra e a Espanha, em que se faz um histórico das alegadas violações da Resolução 1441 pelo Iraque e conclui dizendo que o Iraque perdeu a sua última chance para se desarmar.
Por fim, Bush ainda tentou legitimar seus atos encenando a farsa dos Açores, no que contou com a ajuda dos líderes direitistas ibéricos, o português Durão Barroso e o fascista espanhol José Maria Aznar, este mesmo em cuja defesa inglória o atual ocupante do trono dos Bourbons perdeu a cabeça e o decoro diante de um impávido Comandante Hugo Chavez.
Os Estados Unidos perderam a batalha diplomática, mas mesmo assim foram à guerra.
Por seu turno, a ONU não autorizou o uso da força, mas também foi incapaz de impedir a guerra, como não foi capaz de exigir posteriormente que os agressores retirassem suas tropas, hipótese que sequer foi aventada na ONU.
A ocupação passou a ser considerada fato consumado.
Ficou definitivamente claro que havia começado uma nova época.
Se não uma “nova ordem”, como prefigurava Bush, pai, doze anos antes, passou-se a um momento novo em que as instituições multilaterais revelaram seus limites, em que uma potência usou a diplomacia e a política como contrafação.
Abriu-se uma dolorosa época de transição de uma ordem com regras muito conhecidas para algo que não se sabe bem de que se trata e que mais se parece com desordem e caos, um processo de degradação do sistema internacional.
Doutrina Bush – o primado dos interesses do imperialismo estadunidense
Qual a essência da “Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos”?
Que diz, em síntese a doutrina Bush?
Primeiramente, o presidente norte-americano exibe a força do seu país, como que a lembrar o mundo de que é uma potência multidimensional: “Hoje os Estados Unidos gozam de uma posição de força militar sem paralelos e de grande influência política e econômica”.
Em seguida, aponta seu alvo e demonstra sua disposição de estender a todo o mundo o modo de vida norte-americano: “Nós defenderemos a paz lutando contra terroristas e tiranos. Nós preservaremos a paz construindo boas relações entre as grandes potências. Nós ampliaremos a paz encorajando sociedades livres e abertas em todos os continentes”.
“A estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos será baseada em um internacionalismo americano que reflita a união de nossos valores e de nossos interesses nacionais”.
“Tendo em vista os objetivos dos estados malfeitores e terroristas, os Estados Unidos não podem mais somente confiar em uma postura reativa, como fizemos no passado. Não podemos deixar nossos inimigos atacarem primeiro (...) Nós precisamos adaptar o conceito de ameaça iminente às capacidades e objetivos dos adversários”.
No documento “Estratégia de Segurança Nacional ”, além do conceito do ataque preventivo o presidente Bush refere-se à guerra permanente e estabelece conexão entre o terrorismo e determinadas nações.
“Para derrotar esta ameaça, nós devemos usar cada ferramenta de nosso arsenal: poderio militar, melhores defesas da pátria, cumprimento da lei, inteligência e vigorosos esforços para cortar o financiamento terrorista. A guerra contra terroristas de alcance global é um empreendimento global de duração indefinida. Os Estados Unidos irão recriminar nações que estão comprometidas com o terror, incluindo aquelas que abrigam terroristas”.
Das definições constantes nos pronunciamentos de Bush e das ações concretas levadas a efeito – guerras contra o Afeganistão e o Iraque -, depreendemos que a atual posição internacional dos Estados Unidos compreende os seguintes aspectos:
(i) guerra infinita,
(ii) guerras preventivas,
(iii) acionamento do super-poder militar, inclusive nuclear,
(iv) punição a estados nacionais considerados hostis,
(v) política externa unilateralista e securitária e
(vi) prevenir a reemergência de um novo rival.
Citemos de novo Cristina PECEQUILO: “Para o governo Bush, mesmo antes do 11 de setembro a América vive um momento unipolar, no qual seu poder deve ser exercido unilateralmente. Os atentados legitimaram esse padrão, validando a visão dos falcões neoconservadores que passaram, com mais confiança e agressividade, a definir a nova agenda internacional”.
(...) “O discurso da segurança nacional passou a sustentar o unilateralismo”.
A discussão que tudo isso enseja é se se trata de uma linha conjuntural, facilmente reversível com mudanças também conjunturais, ou se estamos em presença de uma orientação de mais longo fôlego,uma orientação estratégica e permanente, destinada a ocupar lugar central na política externa estadunidense e não um breve parêntese.
A perspectiva histórica de Moniz BANDEIRA oferece-nos elementos para elucidar a questão:
“A fim de racionalizar as guerras que se preparava para desencadear, o governo de George W. Bush oficializou a doutrina dos ataques preventivos. Essa doutrina, preconizando a antecipação de ataques com base na presunção do que o inimigo poderia fazer fora formulada, no início dos anos 90, por um pequeno círculo de teóricos conservadores entre os quais Paul Wolfowitz e Irvin Lewis ‘Scooter’ Lybby, que havia muito tempo pressionavam no sentido de que os Estados Unidos alargassem a função das armas nucleares, de forma a garantir sua superioridade militar e exercer influência econômica, política e estratégica em todo o mundo.Já em 1992, o então secretário de Defesa Richard Cheney, emitira um documento – Defense Planning Guidance (DPG) -, elaborado, em grande parte, pelo professor Paul D. Wolfowitz, seu subsecretário, no qual definia que o principal objetivo político e militar dos Estados Unidos, após a Guerra Fria, consistia em ‘prevenir a reemergência de um novo rival’, bem como impedir que ‘algum poder hostil obtivesse condições em quaisquer regiões de se tornar um poder global”.
Essas regiões incluíam a Europa Ocidental, Ásia Oriental, o território da antiga URSS e o sudeste da Ásia.
O documento recomendava que os Estados Unidos deveriam manter a necessária liderança para estabelecer e proteger a nova ordem contra eventuais competidores que aspirassem a um maior papel ou mantivessem postura agressiva diante dos interesses americanos”.
Observa-se, pois, que enquanto o pai do atual presidente anunciava o advento de uma nova ordem, na esteira da Operação Tempestade no Deserto, os luminares do grupo que passou a ocupar a Casa Branca a partir da eleição de George W. Bush, filho, elaboravam a teoria do unilateralismo, da guerra permanente e das guerras preventivas.
O problema que se apresenta é que outros países também foram inquinados como integrantes do “eixo do mal”:
o Irã e a República Popular Democrática da Coréia.
Como a realidade não permanece estática e a conjuntura muda, conforme a crise do momento, a lista dos integrantes do “eixo do mal” também se altera.
Cuba e Venezuela, Síria, Líbia, Birmânia e Belarus também já foram citados.
O próprio Bush declarou que são mais de 60 os países “terroristas” ou que “abrigam terroristas”.
Serão também mais de 60 as guerras preventivas que os Estados Unidos empreenderão?
Para além dos países inimigos, a doutrina Bush preconiza a guerra contra os grupos terroristas.
Também elaborada a partir dos próprios critérios estadunidenses, a lista inclui organizações que se reivindicam como “movimentos” ou “partidos” “políticos”, “sociais”, “nacionais”, “religiosos” e, conforme o caso, com frentes de atuação legal e com amplo respaldo de massas.
Os exemplos mais típicos, para ficarmos com uma referência oriental e outra ocidental são o libanês Hesbolá, e as colombianas FARC, que buscam legitimar as próprias ações armadas que realizam como insurgência, rejeitando a qualificação de terroristas.
O combate aos grupos considerados terroristas e às redes informais a partir das quais podem ser organizados atentados no território dos Estados Unidos ou alhures contra alvos estadunidenses traz para a ordem do dia outro problema, que tende a se tornar agudo.
O de como combinar segurança global e soberania nacional e segurança interna e democracia.
Que mundo virá?
A deriva unilateralista e agressiva que a Doutrina Bush promoveu no internacionalismo norte-americano suscita debates, além da inquietação e insegurança nos demais atores da política internacional, sobre os rumos que irá tomar e sobre o mundo que espera a humanidade no transcurso do século 21.
Unilateralismo ou multilateralismo, mundo unipolar ou multipolar, declínio ou recuperação da hegemonia do imperialismo norte-americano – são temas atuais que freqüentam as academias, o mundo político, os estados-maiores militares e as chancelarias.
Para mim não há dúvida de que o sistema prevalecente, tal como é concebido pelos falcões que conduzem a política externa norte-americana, é unipolar e sua política unilateral e militarista. Não será por geração espontânea que o mundo se tornará multipolar e a política externa norte-americana multilateral.
Nem devemos associar nossa luta pela democracia, a paz e uma nova ordem mundial ao exercício de uma “hegemonia benigna” pelos Estados Unidos ou considerar aceitável que a hegemonia seja transformada em “liderança”, como apregoam os setores que crêem estarem os Estados Unidos dispostos a fazer concessões democráticas em nome de um “novo século americano”.
O imperialismo não cederá posições sem cometer crimes contra a paz e a soberania dos povos e nações. Bush pai praticava uma política externa com acentuados traços de agressividade e exclusivismo, mas era por ele denominada de “multilateralismo seletivo”.
Clinton praticamente destruiu o Iraque ao longo dos anos 90, bombardeou a Iugoslávia, fez aventuras militares no chifre da África, quis impor a ALCA à América Latina, mas sua política externa era chamada por sua secretária de Estado, Madeleine Albright, de multilateralismo assertivo.
O fato é que o establishment norte-americano concebe o que se chama “governabilidade global” e “estabilidade internacional” como uma estrutura hierárquica de potências imperialistas, em que os EUA estão no vértice, uma “multipolaridade” e um “multilateralismo” quando muito exercidos ao sabor da manifestação dos termos de cooperação ou rivalidade entre essas mesmas potências.
Eduardo Viola e Héctor Leis, defensores da atual política externa norte-americana, fazem no livro O Sistema Político dos EUA e suas Repercussões Externas, coletânea de artigos organizada pela professora Heloísa Vilhena de Araújo e publicada pela Fundação Alexandre de Gusmão e o Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, uma bem documentada sistematização das mais relevantes correntes de pensamento e ação da política externa nos EUA: os unilateralistas, os unilateralistas-moderados, os multilateralistas-moderados e os multilateralistas.
Os unilateralistas constituem o grupo atualmente no poder, os unilateralistas-moderados seriam os que estavam no poder durante o governo de Bush, pai, os multilateralistas-moderados o grupo de Clinton e os multilateralistas, sem nenhuma chance de prevalecer, constituiriam a esquerda do Partido Democrata.
Obviamente, a política que prevalecerá e o mundo que virá não resultarão apenas das opções a serem feitas pelos grupos de poder dos Estados Unidos.
Como a política internacional é sempre uma relação de poder nos marcos da sociedade internacional, as próprias opções americanas estarão condicionadas pela evolução da realidade objetiva, evolução que, por sua vez, está ligada tanto ao poderio norte-americano como ao das demais potências.
Nesse quadro, ganha relevo a opinião de Immanuel WALLERSTEIN. Num artigo escrito para a prestigiosa revista marxista “Monthly Review”, ele afirma: “Agora, peço que reflitam sobre tal anomalia. Como chegamos até este momento em que vivemos uma forma de imperialismo particularmente agressivo e clamoroso, o qual pela primeira vez em mais de uma centena de anos está pronto para usar as palavras ‘império’ e ‘imperialismo’? Porque seria assim? A resposta que a maioria das pessoas dá, resumindo em uma palavra é devido à força dos EUA. E a que eu darei é por causa da fraqueza dos EUA”.
O cenário atual revela os intentos dos Estados Unidos para impor sua hegemonia .
Os Estados Unidos, diante das próprias dificuldades econômicas estruturais, entre estas a debilidade do dólar, com o maior passivo externo do mundo, frente à emergência de novas áreas econômicas, geopolíticas e financeiras que ameaçam seu primado, optam pela força exatamente como um sinal de debilidade.
Tentam vencer a competição global no terreno militar, onde são esmagadoramente os mais fortes. Buscam inverter uma tendência objetiva.
Em 1945 os Estados Unidos detinham 45% do PIB mundial, hoje detêm 25%, mesmo percentual da União Européia.
Prevê-se uma ulterior diminuição do percentual dos EUA nos próximos 20 anos.
Enquanto isso, o mundo vê a vertiginosa ascensão econômica da China, a recuperação da Rússia e os conflitos de interesses entre os Estados Unidos e os países em vias de desenvolvimento.
São contradições objetivas que tendem a se expressar no campo político.
Rússia e China convergem no âmbito da Organização de Cooperação de Xangai.
Há que levar em conta também na evolução do quadro mundial a reemergência das lutas antiimperialistas e socialistas, do que são expressões diferentes forças políticas em ascensão na América Latina.
A maioria dos autores contemporâneos de Relações Internacionais concordam que estamos vivendo um mundo em transição.
Ninguém se atreve a opinar categoricamente sobre a “ordem” que prevalecerá.
As hipóteses existentes são o novo século norte-americano, o equilíbrio de poder entre potências equivalentes, uma nova guerra fria ou um período prolongado de caos e desordem.
Cenário de conflitos
Tudo nos leva a crer que o ambiente político em que se processam as relações internacionais na atualidade é caracterizado por um inaudito retrocesso.
O principal vetor do quadro político mundial é uma abrangente e brutal ofensiva dos Estados Unidos para impor a sua hegemonia, o que cobra elevado preço aos povos e países que circunstancialmente se tornam alvo dessa ofensiva.
Um preço que é pago em vidas humanas e retrocesso econômico e nas condições de vida, mas também com a perda de liberdade, de independência, segurança, soberania e direitos. É um momento político em que o diálogo é substituído pela força, a diplomacia pela guerra, as decisões multilaterais pelo unilateralismo.
Tudo leva a crer também que em grande medida a estratégia atual dos Estados Unidos consiste em impedir o fortalecimento das nações que buscam caminho próprio de desenvolvimento e em afastar a possibilidade de que surjam forças competidoras, seja em nível regional, seja no global.
Nesse sentido, é importante notar como os Estados Unidos tratam de envolver a Índia e jogá-la contra a China, enquanto prosseguem seus esforços para estabelecer uma presença sólida no Oriente Médio e na Ásia Central.
A ameaça de atacar o Irã guarda intrínseca relação com isso.
Se é verdade que emergem novos pólos econômicos e de poder político, como fenômeno objetivo e tendência inexorável, isso não significa que o mundo será multipolar no sentido do equilíbrio de poder ou do surgimento de uma espécie de “diretório” do século 21.
A idéia da paz perpétua kantiana não cabe num mundo de lancinantes contradições sociais e geopolíticas.
Distantes também estamos do multilateralismo wilsoniano e do ordenamento das relações internacionais por um organismo multilateral estabilizador, promotor do equilíbrio, do direito e da igualdade.
O malogro da Liga das Nações na primeira metade do século 20 e o atropelo da ONU pelas políticas imperialistas de Washington legaram importantes lições.
Não se pode, outrossim, opor a essa realidade a imagem dum caos que leve a uma conflagração generalizada que destruiria o mundo e o gênero humano.
A aposta dos revolucionários será sempre um mundo de paz.
Mas o horizonte imediato sugere a ocorrência de conflitos e o estreitamento da margem para a cooperação e o entendimento.
A razão disto são os dois grandes paradoxos da presente época.
O primeiro deles é o que se expressa através de um sistema capitalista que se expandiu adquirindo dimensões mundiais, atingiu o nível da globalização mercantil, produtiva e financeira, mas que, ao revelar-se incapaz de gerar prosperidade coletiva, antes pelo contrário, revela também suas contradições, seus limites e a inexorável tendência às crises.
O outro paradoxo de nossa época é a existência de uma superpotência multidimensional , os EUA, com um poderio militar e nuclear superdimensionado, mas que é precisamente o epicentro dos desequilíbrios econômicos estruturais e sistêmicos do capitalismo atual e revela sinais de parasitismo e declínio, expressos em seus déficits gêmeos – passivo externo e déficit fiscal – e erosão do dólar como padrão monetário internacional.
Faz falta uma interpretação dos novos fenômenos que tome em consideração a dialética entre desenvolvimento e crises, auge e declínio do capitalismo e do imperialismo.
Não basta constatar os fenômenos novos, mas para além disso, é necessário compreender o alcance e a virulência das crises financeiras e a relação intrínseca que guardam com a deterioração da chamada economia real.
Tudo isso explica a agressividade com que os EUA se comportam atualmente e é foco de tensões.
A perspectiva de conflitos se torna nítida se observarmos o comportamento de outros grandes atores da cena internacional e a evolução dos acontecimentos.
A China proclama seu engajamento pela paz, a coexistência pacífica, a cooperação internacional e o multilateralismo.
Aposta no mudo multipolar, no que é apoiada pelos povos e governos progressistas, inclusive o nosso, pois precisa de um ambiente externo estável para atingir suas metas de desenvolvimento
Mas independentemente de sua sincera vontade, a vertiginosa emergência que experimenta, elevando-se ao status de potência econômica, além de militar e nuclear, assim como o aumento de sua influência política e diplomática, objetivamente coloca-a, em perspectiva, em posição de rival dos Estados Unidos.
Ou pelo menos é assim que será vista por estes.
Quanto à Rússia, em franca recuperação do seu poderio nacional, também manifesta traços de rivalidade, expressando duras reações ao expansionismo estadunidense e ocidental vis à vis à Europa Oriental.
São ilustrativas a este respeito as declarações do presidente russo Vladimir Putin, em conferência de imprensa após a realização da reunião do G-8, em julho último na Alemanha, nas quais não só se opõe em termos veementes contra os planos estadunidenses de implantar um sistema de defesa de mísseis na Europa oriental, como promete represálias caso isto se concretize.
O exame de outros fatos em curso e outras tendências que se delineiam também nos mostram elementos de conflitualidade no cenário político internacional.
O segundo mandato de Bush tem como foco prioritário o “plano de reestruturação do Oriente Médio”.
Construir um “Oriente Médio americano”, com regimes dóceis e a destruição dos inimigos dos EUA é o objetivo visado.
Até agora, porém, a ocupação do Afeganistão e do Iraque, principalmente este último, resultam em retumbante fracasso político e militar.
No Líbano, quando dos bombardeios israelenses em julho e agosto de 2006, a secretária de Estado dos EUA disse que estavam ocorrendo “as dores do parto do novo Oriente Médio”, ao contrário de uma estabilidade pró-americana, fortalecem-se os partidos inimigos dos Estados Unidos, como o Hesbolá.
Na Palestina, a situação é cada vez mais complexa e a paz fica mais distante. A instabilidade das posições estadunidenses aumenta, atiçando sua agressividade, quando observamos o que ocorre na América Latina – derrota da ALCA e emergência no poder de forças antiimperialistas e socialistas, com possibilidade de surgimento no curto ou médio prazos , sob a liderança do presidente Hugo Chavez, de movimentos de contestação ao hegemonismo norte-americano na região.
Tudo nos mostra que está a se desenvolver um novo cenário político internacional, com a acumulação de fatores de conflitos nacionais e sociais.
Não é ainda uma situação que abale os alicerces do poder americano, mas sem dúvida reveladora do surgimento de novas tendências históricas.
Nesse quadro, é difícil, senão impossível, proceder a uma análise unívoca e chegar a conclusões definitivas quanto ao sentido em que evoluirá a situação internacional. Sendo uma transição, parece-me que se trata de uma transição conflitiva, na qual o governo global e compartilhado, fundador de uma ordem de paz e harmonia é, no horizonte visível, mera especulação ou mesmo uma quimera.
Para além das especulações, penso que o importante para as forças progressistas, mormente o Partido Comunista, o fundamental é atuar na cena política com estratégias e táticas sintonizadas com as exigências da época.
As contradições geopolíticas não se desenvolvem à margem das lutas antiimperialistas e das lutas sociais em cada país e região.
Umas incidem sobre as outras e se entrelaçam.
Conscientes da necessidade de acumular forças revolucionariamente, num processo de longo prazo, compreendemos a necessidade de entrelaçar as lutas entre o capitalismo e o socialismo, os trabalhadores e a burguesia, os povos e nações contra o imperialismo e as próprias contradições interimperialistas.
No processo de acumulação de forças o essencial é infligir no dia a dia derrotas às políticas econômicas anti-sociais e anti-nacionais do imperialismo e às suas políticas de guerra.
O imperialismo não é invencível.
A humanidade viverá num mundo de paz,
o mundo socialista
.- José Reinaldo Carvalho é Jornalista, secretário de Relações Internacionais do Partido Comunista do Brasil, diretor do Cebrapaz – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz



[i]PECEQUILO, Cristina Soreanu. A Política Externa dos Estados Unidos. Porto Alegre: Ed. da UFRS, 2005
[ii] Idem.
[iii] Idem.
[iv] Idem
[v] BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. As relações perigosas: Brasil-Estados Unidos. Rio de Janeiro. Ed.. Civilização Brasileira, 2004.
[vi] VIOLA, Eduardo & LEIS, Héctor R., in O sistema político dos Estados Unidos e suas repercussões externas. Organizado por ARAUJO, Heloísa Vilhena de. Brasília Ed. Fundação Alexandre Gusmão.
[vii] WALLERSTEIN, Immanuel. US. Weaknness and the Struggle for Hegemony, Monthly Review, volume 55, nr. 3, jullho-agosto de 2003.
http://alainet.org/active/21539
http://alainet.org/active/21539

sexta-feira, 13 de março de 2009

PT CONDENA ATAQUE DE ISRAEL E APÓIA A CAUSA PALESTINA

PT condena ataque de Israel e apóia causa palestina

Nota oficial do PT distribuída esta tarde:

"Os ataques do exército de Israel contra o território palestino, que já causaram milhares de vítimas e centenas de mortes, além de danos materiais, só podem ser caracterizados como terrorismo de Estado.
Não aceitamos a "justificativa" apresentada pelo governo israelense, de que estaria agindo em defesa própria e reagindo a ataques.
Atentados não podem ser respondidos através de ações contra civis. A retaliação contra civis é uma prática típica do exército nazista: Lídice e Guernica são dois exemplos disso.
O governo de Israel ocupa territórios palestinos, ao arrepio de seguidas resoluções da ONU. Até agora, conta com apoio do governo dos Estados Unidos, que se realmente quiser tem os meios para deter os ataques.
Feitos sob pretexto de "combater o terrorismo", os ataques de Israel terão como resultado alimentar o ódio popular e as fileiras de todas as organizações que lutam contra os EUA e seus aliados no Oriente Médio, aumentando a tensão mundial.
O Partido dos Trabalhadores soma sua voz à condenação dos ataques que estão sendo perpetrados pelas forças armadas de Israel contra o território palestino e convoca seus militantes a engrossarem as manifestações contra a guerra e pela paz que estão sendo organizadas em todo o Brasil e no mundo.
O PT reafirma, finalmente, seu integral apoio à causa palestina."
Ricardo Berzoini, Presidente nacional do PT

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

HOMENAGEM AOS HERÓICOS PALESTINOS

A esses valorosos e heróicos Palestinos que chamam de "terroristas", minhas sinceras homenagens pela bravura, coragem, pelo sentimento de amor à Pátria, ao chão que pisam...pela luta e resistência, diante de toda opressão, humilhação, torturas, massacres a que tem esses sido vítimas, nos últimos sessenta anos.


A todos esses que perderam seus entes queridos, meus sinceros sentimentos pelas suas perdas e que Deus continue lhes ajudando e iluminando, porque somente DEUS para lhes ajudar já que a Comunidade Internacional, as autoridades "competentes", nada fizeram para impedir que fossem humilhados, oprimidos, invadidos, ocupados, destruídos, feridos, mortos e massacrados.


Confissão de um terrorista

(Mahmud Darwisha)

"Ocuparam minha pátria
Expulsaram meu povo
Anularam minha identidade

E me chamaram de terrorista

Confiscaram minha propriedade
Arrancaram meu pomar
Demoliram minha casa

E me chamaram de terrorista

Legislaram leis fascistas
Praticaram odiada apartheid
Destruíram,dividiram,humilharam

E me chamaram de terrorista

Assassinaram minhas alegrias,
Seqüestraram minhas esperanças,
Algemaram meus sonhos,

Quando recusei todas as barbáries

Eles...

mataram um terrorista."


Mais uma família palestina foi assassinada ontem por Israel.

Mãe e quatro filhos tomavam café da manhã em casa quando foram vítimas de um ataque aéreo israelense em Beit Hanun, norte da Faixa de Gaza. As crianças tinham entre 1 e 5 anos. A mãe, 40 anos, gravemente ferida no ataque, faleceu no hospital.
Na foto da Reuters, o trabalhador do hospital Kamal Adwan, de Beit Lahya, mostra os corpos dos "terroristas" eliminados.


Mais quatro crianças assassinadas por Israel

Israel não perde o hábito. Assassinou hoje mais quatro crianças palestinas quando tomavam café da manhã em sua casa. Sua mãe também foi assassinada. Logo em seguida, assassinaram mais dois palestinos que iam ao trabalho.As crianças assassinadas, sua mãe e os dois cidadãos foram vítimas de ataque aéreo.Os assassinatos foram a resposta de Israel ao ex-presidente Jimmy Carter que, apesar de não poder entrar em Gaza, encontrou-se com os dirigentes do Hamas que se manifestaram pela centésima vez favoráveis ao cessar fogo.Na semana passada Israel já havia assassinado uma menina de 14 anos.E os pilantras da mídia ocidental divulgam que o Hamas é que não quer a paz.
Postado por bourdoukan



Oh Filhos de Gaza

Oh filhos da Resistência

Exemplos de Caráter

Apertamos suas mãos

Nossas vozes se elevarão

Nossos corações estão com vocês

Ouçam nossas súplicas

E nos perdoem pela nossa ausência.
23 de Janeiro de 2009 - 1:08
Hamas diz que Obama não representa mudança em relação a Bush

BEIRUTE (Reuters) - O grupo islâmico palestino Hamas disse na quinta-feira que o presidente dos EUA, Barack Obama, não representa mudança em relação ao antecessor, George W. Bush, e está repetindo as mesmas políticas falidas no Oriente Médio.
"Obama insiste que nenhuma mudança acontecerá. Ele está tentando seguir a mesma trilha que os ex-presidentes dos EUA percorreram", disse o representante do Hamas no Líbano, Osama Hamdan, à rede de TV Al Jazeera.
"Parece que Obama está tentando repetir os mesmos erros de George Bush sem levar em conta que a experiência de Bush levou à explosão da região em vez de buscar estabilidade e paz."
Em 27 de dezembro
, Israel promoveu uma ofensiva à Faixa de Gaza, governada pelo Hamas, alegando ser ela destinada a deter o lançamento de foguetes em seu território por parte do grupo.
Bush prontamente apoiou os israelenses, que mantiveram o ataque por 22 dias.
Mais cedo, Obama disse que um "cessar-fogo durável" para o conflito em Gaza passava pela interrupção dos lançamentos de foguetes pelo Hamas e que Israel deveria retirar suas tropas dali.
"Eu acho que é um começo infeliz para o presidente Obama na região e na questão do Oriente Médio. E parece que nos próximos quatro anos, se continuar o mesmo tom, serão um total fracasso", disse Hamdan.
Obama disse nesta quinta-feira que mandaria George Mitchell, seu novo enviado para o Oriente Médio, à região assim que possível, em um esforço para iniciar conversas de paz entre árabes e israelenses.
Mas Hamdan disse que a declaração de Obama de que o Hamas deve parar de disparar foguetes contra Israel apenas serviu para dificultar a missão de Mitchell.
"Alguns ficaram otimistas quando Mitchell foi nomeado como enviado para o Oriente Médio, mas parece que mesmo antes de Obama empossá-lo oficialmente ele tentou colocar uma trava na roda, então talvez ele (Mitchell) não tenha sucesso", disse Hamdan.