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domingo, 23 de março de 2008

O IRAQUE FOI ASSASSINADO

Noam Chomsky e a guerra omitida nos EUA

Há uma voz que falta no debate sobre a guerra: a dos iraquianos.
Ou melhor: ela não é digna de ser mencionada. E parece que ninguém se importa. Isso tem sentido na habitual presunção tácita de quase todos os discursos sobre política internacional: somos donos do mundo, o que importa, então, o que outros pensem?
Por Noam Chomsky, para a Agência Carta Maior
Não faz muito tempo, ainda se dava por descontado que a guerra do Iraque seria o tema central na campanha presidencial, como já foi nas eleições da metade do mandato, em 2006.
Mas praticamente desapareceu, o que tem provocado uma certa perplexidade.
Não deveria ser assim.
O "The Wall Street Journal" esteve perto de acertar em um artigo de primeira página sobre a Super Terça-feira, aquele dia de múltiplas primárias:
"Os temas passam ao segundo plano na campanha de 2008 na medida em que os eleitores vão se focando na personalidade".
Para colocar a coisa de maneira mais específica, os temas deixam de estar em primeiro plano, enquanto os candidatos e suas agências de relações públicas se concentram na personalidade.
Como de costume, os temas podem ser perigosos.
A teoria democrata progressista sustenta que a população ("marginais ignorantes e intrometidos") deveria ser "espectadora" e não "partícipe" da ação, como escreveu Walter Lippmann.
Os partícipes estão conscientes de que ambos os partidos políticos estão bem à direita da população e de que a opinião pública é consistente através do tempo, assunto analisado no útil estudo "A falta de conexão da política exterior", de Benjamin Page e Marshall Bouton.
É importante, então, que a atenção seja desviada para outro lado.
O trabalho concreto do mundo é do domínio de uma liderança iluminada.
E isso revela-se mais na prática do que nas palavras.
O Presidente Wilson, por exemplo, afirmou que se devia empoderar uma elite de cavalheiros de "altos ideais" para preservar a "estabilidade e a correção", essencialmente na perspectiva dos Pais Fundadores (dos Estados Unidos).
Em anos mais recentes, esses cavalheiros transmutaram-se na "elite tecnocrática", "intelectuais de ação", os neocons "straussianos" de Bush II e outras configurações.
Para esta vanguarda, as razoes de que o Iraque seja retirado da tela do radar não deveriam ser obscuras.
Foram convincentemente explicadas pelo distinguido historiador Arthur M. Schlesinger, articulando a posição dos "pombas" há 40 anos, quando a invasão do Vietnã pelos Estados Unidos estava em seu quarto ano e Washington se preparava para somar outros 100 mil efetivos militares aos 175 mil que já estavam deixando o Vietnã do Sul em cacos.
Na época, a invasão implicava em árduos custos, razão pela qual Schlesinger e outros liberais da linha de Kennedy resistiam-se a passar de falcões a pombas.
Em 1966, Schlesinger escreveu que "todos oramos" porque os falcões tenham razão ao pensar que o aumento militar do momento poderá "eliminar a resistência" e, se fizer isso, "todos poderíamos estar saudando a sabedoria e a capacidade estadista do Governo" ao obter a vitória, deixando ao mesmo tempo o "trágico país destruído e devastado pelos bombardeios, arrasado pelo napalm, transformado em uma terra baldia pela defoliação química, uma terra em ruínas", com seu "tecido político e institucional" pulverizado.
Mas a escalada provavelmente não terá êxito e vai acabar sendo cara demais para nós; ou seja, que talvez seria necessário repensar a estratégia.
Na medida em que os custos começaram a subir severamente, logo ocorreu que todos tinham sido "ferrenhos opositores à guerra".

O raciocínio da elite e as atitudes que o acompanham apresentam hoje poucas mudanças.
E apesar de que as críticas à guerra do Iraque são muito maiores e estão mais estendidas que no caso do Vietnã em qualquer etapa comparável, os princípios que Schlesinger articulou continuam vigentes.
E ele mesmo adotou uma posição muito diferente perante a invasão do Iraque. Quando as bombas começaram a cair sobre Bagdá escreveu que as políticas de Bush são "alarmantemente similares à política que o Japão imperial aplicou em Pearl Harbor, em uma data que, como disse um Presidente americano anterior, vai perdurar na infâmia."
Franklin D. Roosevelt tinha razão, mas hoje somos nós que vivemos na infâmia".
Que o Iraque é "uma terra em ruínas" não é questionável.
Recentemente a agência britânica Oxford Research Business atualizou sua estimativa de mortes adicionais causadas pela guerra em 1,03 milhões, excluindo Karbala e Anbar, duas das piores regiões.
Seja correta essa estimativa, ou exagerada, segundo alguns, não há dúvida de que o balanço é horrendo.
Vários milhões de pessoas estão deslocadas internamente.
Graças à generosidade da Jordânia e da Síria, os milhões de refugiados que fogem do colapso do Iraque, incluindo a maioria profissional, não foram, simplesmente, exterminados.
Mas essa acolhida fica enfraquecida porque a Jordânia e a Síria não recebem nenhum apoio significativo de parte dos autores dos crimes em Washington e Londres;
a idéia de que eles possam admitir essas vítimas, para além de casos pontuais, é estapafúrdia demais para ser considerada.
A guerra sectária devastou o Iraque.
Bagdá e outras áreas foram submetidas a uma limpeza étnica brutal e deixadas em mãos de senhores da guerra e de milícias, a primeira cartada da atual estratégia de contra-insurgência desenvolvida pelo general Petraeus.

Um dos mais informados jornalistas que se aprofundaram na chocante tragédia, Nir Rosen, publicou recentemente um epitáfio, "A morte do Iraque", em "Current History".
Escreve Rosen: "O Iraque foi assassinado, para nunca mais se levantar. A ocupação americana tem sido mais desastrosa que a dos mongóis, que saquearam Bagdá no século 13", percepção comum dos iraquianos.
"Somente os tolos falam agora em 'soluções'.
Não há solução.
A única esperança é que, talvez, o dano possa ser limitado".
Independiente da catástrofe, o Iraque continua sendo um tema marginal na campanha presidencial.
Isso é natural, dado o espectro falcão-pomba da opinião elitista.
As pombas liberais aderem ao seu raciocínio e atitudes tradicionais, rezando para que os falcões estejam com a razão, que os EUA obtenham uma vitória e imponham "estabilidade", palavra código para subordinação à vontade de Washington.
Os falcões são alentados e as pombas silenciadas com relatórios entusiastas sobre menores baixas após o aumento de tropas.
Em dezembro, o Pentágono difundiu "boas notícias" sobre o Iraque: um estudo mostrava que os iraquianos têm "opiniões divididas", com o que a reconciliação deveria ser possível.
As opiniões eram duas.
Primeiro, que a invasão dos EUA é a causa da violência sectária que deixou o Iraque aos pedaços.
Segundo, que os invasores deveriam se retirar.
Umas poucas semanas depois do relatório do Pentágono, o especialista militar no Iraque do The New York Times, Michael R. Gordon, escreveu uma análise arrazoada sobre as opções referentes ao Iraque que enfrentam os candidatos presidenciais.
Há uma voz que falta no debate: a dos iraquianos.
Ou melhor: ela não é digna de ser mencionada.

E parece que ninguém se importa.
Isso tem sentido na habitual presunção tácita de quase todos os discursos sobre política internacional: somos donos do mundo, o que importa, então, o que outros pensem?
São "não-pessoas", pegando de empréstimo o termo usado pelo historiador britânico Mark Curtis em seu trabalho sobre os crimes imperiais do Reino Unido.
Por rotina, os americanos unem-se aos iraquianos em ser não-pessoas.
Suas preferências também não oferecem opções.
O original encontra-se em IAR Notícias/The New York Times SyndicateLink: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=34159

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

O FRACASSO DOS EUA NO IRAQUE

Pelos últimos meses a mídia ocidental cumpriu perfeitamente o seu
papel pró-ocupação do Iraque ao repetir incansavelmente a lenda de
que “foi um sucesso o envio de 30 mil soldados adicionais” no início
do ano passado.

O mito do “sucesso no Iraque”
Pelos últimos meses a mídia ocidental cumpriu perfeitamente o seu
papel pró-ocupação do Iraque ao repetir incansavelmente a lenda
de que “foi um sucesso o envio de 30 mil soldados adicionais” no
início do ano passado.
Segundo informações do general David
Petraeus
, comandante estadunidense no país, “muito progresso” foi
feito quanto à segurança diária no Iraque desde o aumento de
tropas no país.
Trata-se de uma história romântica e otimista, mas
fatos importantes foram omitidos.
O sucesso atribuído ao aumento de tropas no país foi comemorado
pela mídia ocidental como a principal arma das forças
estadunidenses em sua Cruzada no Oriente Médio, principalmente
em Bagdá, em um momento de esperanças perdidas e de completo
fracasso estadunidense.
Jim Muir, correspondente da emissora
britânica BBC no Iraque, se tornou um dos principais entusiastas
desse “milagre”.
Em seu mais recente artigo, intitulado “O Iraque
está melhorando?”
(originalmente em inglês como “Is Iraq getting
better?”
), Muir comemorou abertamente o “sucesso” da ocupação,
baseando-se simplesmente em afirmações ultra-generalizadas
fornecidas diretamente pelos militares estadunidenses em solo
iraquiano.
Segundo Muir, “os últimos três meses viram uma súbita
queda em todas as formas de violência; todos concordam que as
coisas estão muito melhores”.
Considerando tal afirmação, é vital
lembrar que, desde 2005, jornalistas estão proibidos de agir no
Iraque sem o acompanhamento de forças estadunidenses, sendo o
“constante perigo” a explicação oficial para a questão.
Dessa forma,
o que se sabe através da mídia ocidental hoje é simplesmente o
que os militares estadunidenses querem que seja dito.
A BBC representa apenas um exemplo do papel da mídia ocidental
em dar suporte aos planos de George W. Bush e seus aliados.
É
fascinante que esses gigantes da mídia corporativa aceitem mitos
como o instantâneo “sucesso no Iraque” sem nem sequer
questionar as simples estatísticas fornecidas pelas forças
estadunidenses.
Enquanto isso, são raros os relatórios que expõem
a violência instalada no país pela invasão – e os poucos utilizados
pela mídia ocidental são fornecidos pelos próprios ocupantes do
país.
Diariamente, notícias são produzidas relatando ataques de
homens-bomba ou carros-bomba em áreas civis, mas isso não
representa o mínimo do que realmente acontece no território
iraquiano.
Um bom exemplo acontece com a Blackwater, empresa
estadunidense que é atualmente a principal fornecedora de
mercenários para cumprir o “trabalho sujo” no Iraque.
A contratada
do Pentágono esteve envolvida em pelo menos 195 tiroteios no país
desde 2005.
“Em cerca de 80% desses casos, a Blackwater abriu
fogo antes de ser atacada”,
segundo o próprio relatório do governo
estadunidense publicado em outubro de 2007.
Apesar disso, a
mídia ocidental publicou artigos cobrindo apenas dois desses casos.

Uma fonte de informação
ignorada pela mídia corporativa
é o alto número de comunicados
publicados por organizações
militares independentes no
Iraque
– muitos batalham contra
as forças estadunidenses e seus

aliados, enquanto outros também lutam entre si, com diferentes
programas e interesses no país ocupado.
Ironicamente, sabe-se
que muito da violência sectária no país é causada pelos próprios
aliados estadunidenses do atual governo-fantoche iraquiano
.
Se as
centenas de comunicados fossem publicados pela mídia ocidental,
seria conhecimento de todos que as Brigadas Badr, o braço
paramilitar do atual governo pró-ocupação, é quem esteve por trás
da campanha de assassinatos étnicos por todo o Iraque
.
Uma clara
e simples explicação para a redução do número de ataques
sectários nos últimos meses
são as políticas internas e acordos
secretos entre os líderes militares estadunidenses e o governo fantoche
que eles mesmos colocaram no poder para substituir
Saddam Hussein – uma estratégia desesperada de dois governos
sem credibilidade e com dias contados
– George W. Bush e Nouri
al-Maliki
– para recuperar um mínimo de respeito perante a
comunidade internacional.
É ingênuo, senão cruel, associar palavras como “segurança”, “paz”
e “esperança” com o ato de invasão militar de um país até então
soberano e a posterior subjugação de seu povo.
De acordo com o
estudo do conceituado jornal médico britânico The Lancet, a única
análise científica realizada sobre o número de civis mortos no
Iraque
desde a invasão do país, pelo menos 655 mil civis iraquianos
foram mortos como resultado direto da invasão e ocupação do
país”,
desde 2003.
Outro estudo com credibilidade, mais atualizado
em termos de data, realizado pela organização britânica Opinion
Research Business
, anunciou em setembro de 2007 que “cerca de
1,2 milhões de pessoas foram mortas como resultado da guerra”.

Para essas milhares de famílias, que foram destruídas por seus
“libertadores” estadunidenses, foi perguntado se
“o Iraque está
melhorando?”
É óbvio que eles divulgam aquilo que querem que seja divulgado!
Está mais do que comprovado que a invasão e ocupação do Iraque pelos EUA & aliados não foi pelos motivos apresentados e amplamente divulgados pela mídia ocidental comprometida com os interesses desses invasores e ocupantes.
Sabe-se perfeitamente e isso acabou sendo divulgado mesmo que eles, os invasores,fizessem de tudo para que continuasse bem oculto.
Os Iraquianos têm sofrido horrores (até armas químicas foram usadas em cidades iraquianas), desde a invasão em 2003 mas isso a mídia ocidental não mostra.
Para efeitos de comprovação da verdade que inclui torturas e violência em mulheres, crianças, idosos, precisamos vasculhar em sites, videos, jornais não comprometidos com os interesses desses que fazem o Iraque de Saddam Hussein, um VERDADEIRO INFERNO!!!!
Com tudo isso... o Povo Iraquiano resiste bravamente e heroicamente para expulsar TODOS os invasores que somente levaram DIVISÃO, ÓDIO, DESTRUIÇÃO e MORTES!!!!
Onde está a DEMOCRACIA?
Que DEMOCRACIA é essa?
Que sucesso é esse que os invasores mencionam que ao longo desses anos todos não houve PAZ?
Um governo feito por invasão/ocupação e longe dos intereses do POVO IRAQUIANO, JAMAIS poderia dar certo!
Que o Povo Iraquiano possa em breve ver o Iraque renascer das cinzas, longe de toda sorte de MAL que esses invasores levaram ao BERÇO DA CIVILIZAÇÃO!
É muito triste saber que em pleno século XXI, atrocidades como essas que têm sido feitas contra o Povo Iraquiano, ainda existam!
POVO IRAQUIANO = POVO PATRIOTA = RESISTÊNCIA IRAQUIANA