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sábado, 22 de novembro de 2008

FOME E POBREZA: OS FLAGELOS DO MUNDO

mapa da fome


120 bilhões de dólares daria para matar a fome do mundo




Entendidos dizem que 120 bilhões de dólares daria para matar a fome do mundo, por que não o fazem?


Talvez 120 bilhões seja insuficiente, que fosse o dobro ou o triplo, não importa. Nenhuma vontade política em erradicar a fome do mundo, mas para salvar banqueiros e oportunistas caloteiros os Estados Unidos desembolsaram 700 bilhões de dólares e a União Européia 1,5 trilhões, totalizando até o presente momento 2,2 trilhões de dólares. Os países ricos somente pensam em si próprios e esquecem que exploram o mundo inteiro de uma ou outra maneira e não se sensibilizam com a desgraça alheia. Apenas belos discursos na ONU e nada mais. Injetaram 2,2 trilhões de dólares em quem está de barriga cheia, para por panos quentes em cima do maior calote financeiro da história universal, cujos respingos e reflexos atingiram o planeta inteiro.



FOME, O FLAGELO DO MUNDO
José Lemos*


A Manchete do Jornal Los Angeles Times, da Califórnia (USA), do Dia da Ação de Graças do ano de 1994 era a seguinte: Mais de 30 Milhões de Americanos Estão com Fome no Dia de Hoje.


O Dia da Ação de Graças, que é celebrado na penúltima quinta feira do mês de novembro, juntamente com o Natal e o Dia da Independência dos Estados Unidos (4 de julho), constituem-se nos maiores feriados americanos.


Um dos pontos altos das comemorações neste dia é a reunião de familiares e amigos em torno de fartas mesas.


Esta passagem serve para ilustrar que a fome, e a sua irmã gêmea siamesa, a pobreza, se constituem nos maiores flagelos da humanidade e da sociedade dita moderna, e não respeita sequer os folguedos da economia mais rica e poderosa do planeta.

A fome espraia-se dentro das economias desenvolvidas, e dissemina-se de forma assustadora nas economias subdesenvolvidas ou periféricas.




Vale ressaltar que a fome e a pobreza são


invenções do homem.

Não há um determinismo, de qualquer ordem, de que muitas pessoas precisam ser pobres, excluídas e famintas, para que poucos tenham padrões de riqueza e de alimentação faustosos e perdulários. Uma das grandes causas da fome e da pobreza, é a necessidade de acumulação de riquezas e a busca incessante do lucro, de preferência nocurtíssimo prazo, nas economias capitalistas, onde o mercado é o senhor intocável, abstrato, e que tudo pode.


Por mais paradoxal e cruel que pareça, a fome e a pobreza podem se transformar em importantes instrumentos de acumulação de riquezas.


Existe um mercado, e bastante lucrativo, da fome e da pobreza.


Como funciona este mercado?


A produção agrícola tem duas vertentes importantes na sua definição.

A montante encontra-se uma rede constituída de alguns poucos fornecedores de equipamentos e insumos, que mantém uma estrutura fechada, que em economia chama-se de oligopólio.

Esses poucos comerciantes, trabalham na manipulação dos preços desses instrumentos de produção na forma que lhes é conveniente.
Além disso, muitas vezes subvertem Governantes inescrupulosos, e empurram “pacotes tecnológicos” em que estão embutidos agroquímicos e equipamentos pesados.


O caso dos produtos transgênicos no Terceiro Mundo situa-se exatamente neste contexto. Na outra ponta estão os compradores (ou o comprador) dos excedentes dos agricultores.

Esses senhores, por sua vez, estipulam preços, em geral, aviltantes ao produto agrícola, considerando que a produção é sazonal e perecível.


O agricultor fica no centro desta teia desigual, e estará vulnerável, justamente por não ter mecanismos de defesa, haja vista que na ocasião da venda dos seus excedentes, existirá uma quantidade bastante grande de produtores em igual situação, de modo que a oferta do produto tende a suplantar em muito a sua demanda sazonal.

Ai, o ente abstrato chamado mercado, agirá sempre em detrimento do agricultor, que estará tanto mais fragilizado, quanto mais isolado estiver, ao executar transações com os agentes das duas pontas: fornecedores e compradores.


Além disso, forjar escassez de alimentos para elevar os seus preços, se constitui em prática usual de quem atua de forma especulativa neste mercado.


Em áreas de pobreza, tanto de economias centrais como periféricas, uma característica marcante é a escassez de renda.



Desta forma, as famílias forjadas na vala da pobreza despendem toda a sua renda na compra de alimentos.



O encarecimento desses itens, ao tempo em que enriquece alguns poucos, implicará na privação para muitos, de um ítem essencial à vida: o alimento.


Algumas estatísticas oficiais e publicadas pelo Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU de1998, mostram que nos EUA, o contingente da população, sobrevivendo abaixo da linha de pobreza, e portanto potencial faminta, é da ordem de 19,1%.

Na Inglaterra, parceira dos EUA nas aventuras beligerantes da atualidade, o percentual da população, nesta condição de ser pobre e potencial faminta é de 13,5%.

Para as economias subdesenvolvidas o Relatório da ONU de 2003 estima que exista 800 milhões de famintos, o que representa 18% da população do planeta terra.

Ainda de acordo com a ONU no seu relatório de 2003, 30.000 crianças com menos de um ano de idade morrem diariamente no mundo por conta da fome, diarréia e da desidratação.
Por outro lado, existe uma conexão indestrutível e biunívoca entre degradação dos recursos naturais, concentração da terra, pobreza e fome.

Estima-se que 400 milhões de pobres e famintos das economias subdesenvolvidas do planeta, sobrevivem em terras marginais, entendidas como terras íngremes, encostas de morros, em degradação, ou em desertificação, passíveis de inundação ou de seca, e
sem estrutura de produção e de escoamento.

Estima-se ainda que 32,2% da população que sobrevive nas economias subdesenvolvidas, o fazem com uma renda inferior a um dólar americano por dia.

Uma outra faceta da pobreza e da fome no mundo subdesenvolvido, mostra que 1/5 da população urbana desses países é faminta.

Estas estatísticas sinalizam para os equívocos das políticas públicas nesses países que não priorizam o desenvolvimento rural, e assim acabam contribuindo para o êxodo rural e para o inchamento dos grandes conglomerados humanos, com todas as implicações daí decorrentes, das quais a fome se constitui na mais dramática para essa população urbana.


Observa-se que este quadro desenha-se frente a um crescimento médio da produção de alimentos no mundo. De fato, entre 1980 e 1995 a produção de alimentos percapita cresceu 27% na Ásia e 12% na América Latina.

Apenas na África Subsaariana houve um declínio de 8% na produção percapita de alimentos.


Se a produção atual de alimentos no mundo fosse dividida eqüitativamente, cada terráqueo teria exatas 2.760 calorias por dia, ou seja, todos nós estaríamos bastante bem supridos de calorias.


Para o Brasil estima-se, com base nos dados da PNAD de 2002, que 21,36% da população está privada de renda (sobrevive em domicílios com renda total de até dois salários mínimos) e é privada também de serviços essenciais, como água potável, saneamento, coleta de lixo e educação.


Paradoxalmente no Brasil, o IBGE mostra que existem 16,36 milhões de hectares de terras que, embora produtivas, não são utilizadas.

Em geral estas terras constituem-se em latifúndios improdutivos, terras mantidas como ativos não monetários, importante fomentador de poder político e econômico, sobretudo nos grotões mais pobres do Brasil.

Deste total, o Nordeste, que é a região mais carente do País, apresenta 8,6 milhões de hectares.

Uma conta bastante simples mostra que se apenas estas terras produtivas e não
utilizadas no Brasil fossem empregadas na produção de quatro itens essenciais à dieta dos brasileiros:


arroz, feijão, mandioca e milho, aos níveis de produtividades atuais da terra - que não se constituem lá essas maravilhas - seria possível produzir por ano 40,08 milhões de toneladas destes itens.

Isto representaria alguma coisa como 235 quilogramas por pessoa por ano, ou 646 gramas por dia. Ou seja, produção mais do que suficiente para suprir as carências calóricas dos brasileiros famintos.


O custo para resolver o problema da fome no mundo está bastante aquém dos recursos que são gastos, nas aventuras bélicas dos EUA no Iraque.

Com efeito, a FAO estima que seriam necessários apenas US$5,2 bilhões por ano para alimentar os 214 milhões da população em situação mais crítica de famintos no mundo.


Para tanto teriam que ser carreados recursos para promoção da produção das unidades
agrícolas familiares, incremento da produtividade da terra e do trabalho, recuperação das áreas em degradação, geração de conhecimento científico que produza tecnologias adaptadas e adequadas aos ecossistemas onde vivem os pobres, e reforma agrária. Adicionalmente, deveriam ser incrementadas políticas de acesso à educação, saúde, saneamento e à água potável, tanto por parte das populações urbanas como rurais.

Nas áreas urbanas os programas deveriam priorizar estímulo aos empreendimentos
utilizadores de mão de obra, através de políticas de crédito com juros favorecidos, assistência na geração e administração de empreendimentos empregadores de mão de obra.


As políticas macroeconômicas devem seguir um outro percurso, voltando-se para privilegiar o ser humano em vez do capital especulativo. Assim, devem ser revistas, por parte das economias ricas, os atuais níveis de endividamento das economias atrasadas, de tal forma que, em parte, ou no todo, lhes sejam retirado este fardo.

Os dirigentes dos países periféricos, por sua vez, devem encarar o ser abstrato chamado
mercado, de tal sorte que isso induza a uma reversão das políticas macroeconômicas.

A manutenção de políticas rígidas de geração de superavits primários, que estas economias estão obrigadas a cumprir para produzir recursos que são transferidos para especuladores internacionais, é incompatível com a redução dos atuais níveis de pobreza, e do número de famintos que prolifera nas economias endividadas.

Isto porque esta ortodoxia no encaminhamento das políticas, conduz, inexoravelmente à manutenção de juros elevados, justamente para que os capitais especulativos sejam atraídos, e para manter a estabilização monetária, que na verdade visa sinalizar para os grandes capitalistas o verdadeiro papel do sistema de preços nas economias de mercado, qual seja, o de funcionar como semáforo para estes capitalistas dos setores onde há potenciais vantagens de otimização de lucros.


Como se observa, não é fácil promover a inclusão social dos milhões de famintos do mundo, sobretudo aqueles posicionados nas economias periféricas, justamente por conta das amarras e armadilhas de toda ordem que pontificam nessas economias. E isto se torna mais difícil se os governantes não assumirem uma postura firme diante deste estado de coisas e decidam, devidamente respaldados pelas respectivas populações, priorizarem o seu povo carente, deixando para o lado aqueles que buscam o ganho
fácil da especulação.
__________
*José Lemos é Professor da Universidade Federal do Ceará. Ex-Professor Visitante da Universidade da Califórnia USA, entre maio de 1994 e outubro de 1995. Artigo produzido para o Observatório Internacional da UFC e originalmente publicado no jornal
“O Povo”, de Fortaleza-CE. lemos@ufc.br .

segunda-feira, 17 de março de 2008

TROCA DE DÓLARES POR EUROS

Chávez e Hussein: passeio em Bagdá
BAGDÁ
Só Hugo Chávez visita o ditador
Reuters
Chávez e Hussein: passeio em Bagdá
Com seu mandato referendado pelas urnas, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, lançou-se numa ousada operação internacional: quer ressuscitar a Opep, o cartel dos produtores de petróleo, e impor preços mais salgados aos compradores.

Na semana passada, se pôs a percorrer as nações petrolíferas.
Sem ligar para a cara feia dos Estados Unidos, tornou-se o primeiro chefe de Estado a furar o boicote internacional e pisar em Bagdá.
Agradecido, o ditador Saddam Hussein o levou a passear de carro pela capital iraquiana.
(isso deu na Veja)
Há uns três anos que as peças começaram a se encaixar no tabuleiro desta guerra que se aproxima.
Trapalhadas diplomáticas, erros estratégicos, umas doses de sorte e outras de azar acabaram atropelando o dólar, moeda franca do mundo e sobre a qual repousa a economia, motivando os EUA à uma guerra arriscada.

Vale muito esta guerra.
Vale a sobrevivência daquilo mais caro à sustentação dos Estados Unidos: sua própria moeda.
Mais que mísseis ou gases, é o euro a maior arma do Iraque.
Nesta história, são três os personagens principais:
Hugo Chávez, militar de origem indígena, católico, eleito presidente venezuelano em 1999.
Saddam Hussein, muçulmano sunita, ditador sanguinário do Iraque desde 1979.
George W. Bush, cristão renascido pelos braços do pastor Billy Graham, eleito presidente dos EUA em 2000 porque a Suprema Corte decidiu que, mesmo considerando a necessidade de recontar os votos na Flórida, mais importante era respeitar os prazos eleitorais.

No dia 6 de novembro de 2000, véspera da eleição presidencial nos EUA, o Iraque mudou a moeda com a qual operava suas vendas de petróleo: saiu o dólar, entrou o euro.
O país sofria pesadas sanções impostas pela ONU desde 1991, quando saiu derrotado de uma guerra que Saddam tinha atiçado ao invadir o Kwait.
A economia do Iraque depende, vive, sobrevive da venda de petróleo.
Detém a segunda maior reserva mundial.
De acordo com a sanção, a venda do combustível bruto era permitida desde que o dinheiro fosse investido em causas sociais.
Mais especificamente, em comida.
Naquele novembro há pouco mais de dois anos, o Iraque tinha bloqueados sob o olho vigilante da ONU, numa conta em Nova York, 10 bilhões de dólares, ou 15% de seu PIB - 0,1% do PIB norte-americano.
A conversão das vendas futuras para o euro foi vista como uma pirraça sem sentido.
Se tinha o objetivo de seduzir os países europeus a comprar mais petróleo, conseguiu apenas em parte.
Do ponto de vista financeiro, era uma besteira: a moeda européia valia 82 centavos de dólar.
O preço da conversão foi alto e o Iraque perdeu dinheiro.
Para Saddam, pouco importava.
Em meados de 2001, vendeu os 10 bilhões de dólares de reservas e trocou-os também por euros.
Só que aí veio o 11 de setembro e uma de suas conseqüências foi o crescente fortalecimento da moeda européia.
A operação de troca de moeda terminou sendo imensamente lucrativa.
Dinheiro, muito dinheiro Petróleo: o maior negócio do mundo.
Todo dia são gastos dois bilhões de dólares com o combustível.
Nas previsões mais otimistas, há petróleo para mais um século.
Aí acaba.
Um quarto disto é consumido pelos Estados Unidos.
No país que consome mais energia do mundo, 40% correspondem a petróleo. Invernos frios e verões quentes, o hábito de adotar carros cada vez maiores por parte da classe média, todos são ingredientes numa conta que só faz aumentar o consumo - pequenos confortos que a população não pretende perder.
Lá, são 20 milhões de barris por dia ao preço, em janeiro, de 28 dólares a unidade.
Mas não é o petróleo que banca a festa, é o dólar.
A balança comercial dos EUA é deficitária - só agora em fevereiro, ficou negativa na brincadeira de US$ 31,5 bilhões.
A partir de 1995, o investimento do americano médio em imóveis, na casa própria, foi ultrapassado por aquilo que esse mesmo americano médio jogou na Bolsa de Valores.
Em última instância, é um investimento no dólar.


Só que acaba sendo um investimento seguro, apesar de o país ser deficitário, porque o dólar é a moeda corrente do mundo.


O Fed, Banco Central dos EUA, dita as regras que regem a economia global. Dólar tudo quanto país usa porque assim se dá o comércio internacional.


De todos esses negócios, o petróleo é o maior - e os EUA não controlam quem o vende.


No dia 12 de agosto de 2000, um garboso Saddam Hussein ofereceu ao presidente venezuelano Hugo Chávez um tour guiado pelas ruas de Bagdá. Exatos quatro meses antes de a Suprema Corte decidir pela eleição da dupla Bush e Dick Cheney. Chávez era o primeiro chefe-de-estado a visitar o Iraque desde o início das sanções da ONU e as imagens de Saddam ao volante com o militar venezuelano no banco do carona fizeram a festa das tevês. Para aqueles que assumiam o poder nos EUA, dois ex-executivos de multinacionais petroleiras e notoriamente conservadores, Chávez fazia uma figura preocupante. Simpatizante do castrismo de Cuba e atrevido demais na questão do petróleo. Em abril de 2002, um golpe contra a presidência venezuelana foi rechaçado em dois dias. Na melhor das hipóteses, os golpistas encontraram no governo norte-americano um aliado de primeira hora. A diplomacia dos EUA soube do golpe frustrado antes e nada fez para evitá-lo. Desconfia-se que a CIA esteve envolvida, como nos velhos tempos. Filiada à organização dos Países Exportadores de Petróleo, OPEP, a Venezuela responde por uma conta que variou, nos últimos anos, de 13% a 15% do petróleo importado pelos EUA - 1,6 milhões de barris por dia. O resultado da trapalhada diplomática que sucedeu à volta de Chávez ao poder foi uma crise sem precedentes que culminou na greve geral. Quando a companhia estatal de petróleo PDVSA parou, os EUA viram-se sem ter de quem comprar. Ou tinham: opção nada agradável, o Iraque. Bush havia cortado as importações do combustível iraquiano desde sua posse, pouco após Saddam ter feito a conversão de moeda. Mas, antes, havia opção. Num mercado de petróleo em alta e dólar em queda, os EUA voltaram-se nos últimos meses para o Iraque. Em dezembro, compraram 925.000 barris por dia; agora em janeiro, 1,15 bilhões. Pagaram em euros. Moeda franca Seria tudo um inconveniente financeiro para o país de George W. Bush e um profundo suor frio para o resto do mundo que, como o Brasil, depende da saúde do dólar, não estivesse o Iraque apontando uma tendência. No ano passado, o Irã queimou boa parte dos dólares que compunham as reservas de seu Banco Central. Em parte, foi uma resposta política à inclusão do país no Eixo do Mal de Bush. Foi também uma operação coerente do ponto de vista econômico. Trata-se do maior produtor de gás natural do mundo, além de exportador de petróleo. Lá, está sendo discutida seriamente a possibilidade de converter suas vendas, ao menos para a Europa, também para euros. Durante 2002, executivos da OPEP começaram a discutir seriamente a transferência de seus negócios para a moeda européia. Chávez fala disso a toda hora. Quando novos países aderirem à Zona do Euro, nos próximos cinco anos, o PIB da região somará quase dez trilhões de dólares, equivalente ao dos EUA. Quando a Inglaterra abandonar sua libra, algo que os analistas consideram questão de tempo, o Banco Central Europeu vai se sobrepor ao FED norte-americano em volume de riqueza numa única moeda. E, em todas estas transações, é o petróleo que se encontra no centro da mesa. Se os petrodólares forem substituídos por petroeuros, pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial a moeda franca internacional mudará. Será o caos, mas o planeta se acomoda. Quem perde, no fim, são os EUA. Quando Gerard Schroeder, da Alemanha, e Jaques Chirac, da França, opõem-se à guerra contra o Iraque, sua menor preocupação são seus eleitorados internos. Da mesma forma, Bush e Tony Blair, do Reino Unido, têm outras preocupações. É o controle econômico mundial que está em jogo. Plantar um governo leal aos EUA no Iraque e ampliar o controle sobre o Oriente Médio enfraquece, em última análise, a OPEP. Em defesa do dólar. É um jogo perigoso o que se inicia, um que periga ter conseqüências mundiais muito mais sérias do que as largadas pela justa guerra contra o Talibã afegão. King Jong II, ditador norte-coreano, já fez sua parte. As reservas de seu Banco Central estão em euros".


"As verdadeiras razões de Bush Said Barbosa Dib Professor de História Não são justas as análises simplificadoras e ingênuas da mídia que colocam o presidente George W. Bush como um monstro ou um energúmeno sanguinário. Mesmo que seu intelecto não seja dos mais geniais, ele não é, definitivamente, um camarada mau nem bobo. Pelo contrário, é um cidadão patriota que está tentando salvar os EUA da bancarrota, impedir a queda do Império sob seu comando. Digo isso porque, ao contrário do que se fala, o governo norte-americano está totalmente desesperado com a ruína iminente da sua economia. Segundo W. Clark, do jornal "Indy Time", o temor do Federal Reserve (Banco Central Norte Americano) é de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), nas suas transações internacionais, abandone o padrão dólar e adote definitivamente o euro. O Iraque fez esta mudança em novembro de 2000 - quando o euro valia cerca de US$0.80 ? e escapou ileso da depreciação do dólar frente à moeda européia (o dólar caiu 15% em relação ao euro em 2002). Esta informação, se analisada por aqueles que conhecem os problemas estruturais do sistema de Breton Woods e as atuais limitações energéticas dos norte-americanos, coloca em dúvida a hegemonia do dólar no mundo e explica a razão pela qual a administração Bush quer, desesperadamente, um regime servil na histórica Mesopotâmia. Se o presidente norte-americano tiver sucesso, o Iraque voltará ao padrão dólar, não correndo o risco de servir de modelo alternativo para outros países dependentes, como o Brasil. É por esta razão que o governo norte-americano, ao mesmo tempo, espera também vetar qualquer movimento mais vasto da Opep em direção ao euro. Por isso, essa informação é tratada quase como um segredo de Estado, pois governos dependentes como o nosso, que apostaram tudo no modelo neoliberal, iriam para o fundo do poço junto com seus chefes norte-americanos. Isso porque os países consumidores de petróleo teriam de despejar dólares das reservas dos seus bancos centrais - atualmente submetidos ao FMI - e substituí-los por euros.


O dólar entraria em crash com uma desvalorização da ordem dos 20% a 40% e as conseqüências, em termos de colapso de divisas e inflação maciça, podem ser imaginadas.


Pense-se em algo como a crise Argentina em escala planetária, por exemplo.


Na verdade, o que permeia toda essa discussão é a chamada "crise dos combustíveis fósseis".


O físico e pensador Batista Vidal lembra que "as reservas de petróleo estão extremamente concentradas em poucos pontos do planeta, pois o total descoberto no mundo está situado em vinte campos supergigantes".


Assim, na ótica do Primeiro Mundo, se os atuais países em desenvolvimento realmente se desenvolvessem, o Mundo teria ou que descobrir meia dúzia de campos supergigantes ou o petróleo acabaria em 10, 15 anos.


Por isso, o sistema de poder financeiro mundial, subjugado pelo padrão dólar, está completamente desacreditado, falido.


Os bancos estão caindo aos pedaços em todos os países ditos desenvolvidos, principalmente nos Estados Unidos e Japão.




Prevê-se um colapso a qualquer momento.




Agora, o que sustenta isso?




Devido à ocupação militar do Oriente Médio - ampliada a partir da crise do petróleo da década de 70 -, mesmo com o déficit público monstruoso dos EUA, o dólar inflacionado compra artificialmente o petróleo, base de toda a economia americana e ocidental.


Portanto, Saddam selou o seu destino quando, em fins de 2000, decidiu mudar para o euro.


A partir daquele momento, uma outra Guerra do Golfo tornava-se um imperativo para Bush Jr.


Ou seja, o que está em jogo não é nem o caráter texano caricato de Bush, nem uma questão de segurança nacional norte-americana, mas a continuidade da falácia do dólar.


E esta informação é censurada pela imprensa norte-americana e suas vassalas tupiniquins, bem como pela administração Bush, pois pode potencialmente reduzir a confiança dos investidores e dos consumidores, criar pressão política para a formação de uma nova política energética que gradualmente nos afaste do petróleo do Oriente Médio e da órbita anglo-americana e fazer com que projetos como o nosso Pró-Álcool mostrem sua força".