quarta-feira, 26 de março de 2008

POR QUE OS EUA INVADIRAM O IRAQUE?

Terrorista Bush diz que invadiu, matou e roubou pela ‘civilização’

A cínica e idiota “defesa da civilização” feita por Bush é apologia da pilhagem, da pirataria, do assassinato, do terrorismo, da barbárie e do crime
A História do mundo teve alguns vândalos, alguns assassinos, alguns saqueadores e alguns ladrões.
Mas nenhum desses próceres passados do banditismo, que se saiba, andou defendendo que seus crimes eram em defesa da “civilização”.
Ou porque não fossem tão cínicos – ou porque não fossem tão idiotas.
O fato é que nem Hitler fez isso.
Bush é o primeiro.
Matou inocentes no Afeganistão e no Iraque, destruiu, invadiu – e somente para roubar, em ambos os casos, o petróleo.
O do Mar Cáspio, no primeiro caso, o do próprio Iraque, maior reserva do mundo, no segundoHouve também alguns antecessores seus, especialmente Nixon e Eisenhower – o primeiro, por falar nisso, foi vice-presidente do outro não por acaso – que mandaram matar, que aprovaram a rodo as “operações encobertas”, isto é, criminosas da CIA e quejandos, que aboletaram ditadores sanguinários como seus fantoches no país dos outros, e diziam estar defendendo o “mundo livre”, a “democracia”, e até a “civilização ocidental e cristã”.
Mas até esses nunca apresentaram os seus assassinatos, saques e vandalismo como obra e defesa da civilização.
Ao contrário, os crimes eles preferiam esconder – e atribuir os que não podiam ser escondidos aos fantoches.
Mesmo na Coréia e no Vietnã, estavam, diziam, apenas ajudando os coreanos e vietnamitas do sul, isto é, àquelas ditaduras fascistas que sustentavam no sul desses países.

QUADRILHA DE CÍNICOS
Nisso, Bush é o primeiro, talvez porque seja o primeiro idiota total a se aboletar na Casa Branca, depois de uma série de idiotas parciais.
Segundo, porque faz parte de uma quadrilha de cínicos.
Por essa razão, é no momento em que toda a civilização o repudia, que tudo o que é decente no mundo o escorraça, no qual em todos os países os crimes de seu bando causam o mais profundo asco, que ele fala que matar crianças, mulheres e idosos; bombardear civis; explodir embaixadas, missões da ONU e mesquitas milenares; pilhar as riquezas dos povos; torturar em Guantánamo, no Iraque e dentro dos próprios EUA; estabelecer por decreto tribunais secretos e penas de morte secretas; espionar até o que os americanos lêem; seqüestrar filhos de líderes que querem submeter e destruir; que isso, e outras vomitivas nojeiras, é “defesa da civilização”.
Tudo o que é civilizado clama contra o crime.
A civilização é exatamente a superação da barbárie.
Parece óbvio, e é.
Até hoje, com um ou outro ocasional e provisório retrocesso, este tem sido o caminho da Humanidade.
E vai continuar sendo.
Tanto é verdade, que depois de milhões de pessoas terem, pela primeira vez na História, saído às ruas, em todos os lugares, para manifestar sua repulsa pelos crimes contra o Iraque e seu bravo povo, a civilização, se impõe no Iraque contra a barbárie.
Pois a civilização é, em uma de suas mais candentes manifestações, a luta contra o invasor, a luta contra o agressor – isto é, o amor ao seu país, o compromisso com o povo de que fazemos parte, a disposição de arriscar a existência individual pela existência coletiva.
IMPÉRIO ISOLADO
Bush nenhum compromisso tem nem mesmo com seu próprio país.
Para ser exato, não tem compromisso nem mesmo com o conjunto da burguesia imperialista dos EUA.
De bem longe, escondido em algum covil qualquer nos EUA, coloca vidas de americanos em risco, expõe como alvo pessoas do povo e leva o próprio imperialismo americano ao isolamento e antagonismo mais agudo com todo o mundo e, especialmente, com o povo americano.
E leva-o ao abismo apenas em prol dos interesses profundamente anti-americanos de seu grupo de magnatas ladrões (nem de todos os magnatas ladrões, pois existem os que não são bestas).
Ou seja, do interesse dessa minúscula máfia de escalpelar os povos, inclusive o povo norte-americano.
Um reacionário convicto, mas que não era burro, Churchil, falou, num conhecido livro, em como certos monstros – no caso de que estava tratando, Hitler plantam a tempestade que, quando colhida, os irá varrê-los de vez da face da Terra.
A tentativa da quadrilha usurpadora que começou invadindo a Casa Branca, assim como depois invadiu o Iraque, de fazer a Humanidade retroceder à barbárie, é apenas a “reunião da tempestade” - do título do livro de Churchill - que desabará, inevitavelmente, sobre suas cabeças.
E o povo americano será o primeiro, quando isso acontecer – e já começou a acontecer, e a cada dia a tormenta se torna mais pesada - a reivindicá-las.
Mas não será, certamente, o único.
CARLOS LOPES
Fonte(s):
http://www.horadopovo.com.br/
12/09/2003

terça-feira, 25 de março de 2008

BAJULADORES ENTRE CALÚNIAS E APLAUSOS

Bajuladores caluniam Equador e aplaudem os crimes de Bush

Bobos da corte dizem que o vilão foi o invadido Equador, e Bush, que acaba de vetar proibição à tortura, foi quem zelou pela soberania do país
Enquanto o cordão dos puxa-sacos na mídia e na oposição parlamentar acusava o presidente do Equador de ferir a soberania... do Equador, e saudavam Uribe por zelar pela soberania equatoriana invadindo o país, Bush vetava a proibição à CIA de torturar, dentro e fora dos EUA (v. página 7).

Vejamos, por exemplo, o senador Agripino, nostálgico prócer da casa-grande.
Segundo ele, o problema do presidente Chávez é que “não respeita a autoridade do presidente da nação mais poderosa do mundo”.
Já um colega de Agripino, com mentalidade mais de feitor frustrado do que de escravagista retardatário, chamou o presidente do Equador de “covarde”.
Não há limites para desrespeitar o presidente do Equador, mas Chávez tem que “respeitar” Bush, que, como todo mundo sabe, é um sujeito muito corajoso.
Correa defendeu seu pequeno país contra uma agressão.
Portanto, é um “covarde” porque não tem a fenomenal coragem de ficar rastejando, de ficar ideologicamente em posições indecentes debaixo das escadas e nas cafuas - tal como o autor do insulto.

AUTORIDADE

Como é óbvio, autoridade é, precisamente, o que Bush não tem.
Até o “The New York Times”, que, apesar de alguns eventuais editoriais, tem colaborado com essa página sinistra da história dos EUA, não conseguiu engolir o pretexto do veto à proibição da tortura – a “luta contra o terrorismo”, a “segurança nacional dos EUA”, etc. & tal.

Resumindo: as milhares de ogivas nucleares,
os 1.426.713 homens e
mulheres na ativa das forças armadas (e mais 1.458.500 na reserva),
as bases militares em 39 países,
os milhares de tanques,
mais os mísseis,
submarinos,
aviões,
etc.,
etc.,e
etc., são incapazes de manter os EUA seguros.
Só a tortura, essa instituição moderníssima, há mais de 200 anos declarada ilegal e contrária ao ser humano pela Revolução Francesa, é capaz de tornar seguros os EUA.
Logo, segundo Bush, o ideal americano é a Idade Média – e a pior parte da Idade Média, a mais obscura, a mais estúpida.

No seu estilo farisaico, o jornal novaiorquino diz que o motivo verdadeiro do veto é “afirmar o legado” de Bush – ou seja, o seu poder às custas do Congresso, do Judiciário e dos cidadãos.

Em português (e, aliás, em inglês) o nome disso é ditadura.
Em suma, o objetivo da tortura – e de assumir publicamente essa aberração – é intimidar os cidadãos.
Nada tem a ver com qualquer combate ao “terrorismo”.
Pelo contrário, ela é o terrorismo – ou, se quisermos ser mais precisos, a tortura é o instrumento terrorista de um Estado terrorista, o que também tem um nome: fascismo.

Porém, nem os nazistas faziam propaganda de que torturavam.
Ao contrário, negavam e escondiam que a Gestapo torturava suas vítimas.
Naturalmente, eles tinham mais senso de realidade do que Bush et caterva.
Da mesma forma, o exército norte-americano e até o FBI, segundo os quais o interrogatório sob tortura é “desnecessário e contraproducente” (cf. “Veto of Bill on C.I.A. Tactics Affirms Bush’s Legacy”, TNYT, 09/03/2008).
Mas, sob os “atos patrióticos”, cujo nome é tão falso quanto seu autor, milhares de norte-americanos de várias origens étnicas têm sido presos e submetidos à tortura.
Até agora não se tem notícia de que a tortura tenha revelado um único culpado de alguma coisa – nem de que esses interrogatórios tenham levado a nada, exceto ao sofrimento de quem foi submetido a eles.
E, como lembrou o exército, a tortura praticada pela CIA coloca em risco os norte-americanos que porventura caiam prisioneiros em outros países.

Que os EUA, hoje, são uma ditadura aberta, um Estado policial que dispensa cada vez mais os disfarces “democráticos”, não é uma constatação apenas nossa.
Até notórios direitistas norte-americanos, admiradores de Reagan e de Theodore Roosevelt (que estavam longe de ser grandes - ou pequenos - democratas), denunciaram a ditadura sob Bush.
Se precisássemos de alguma outra prova, o próprio Bush, com sua inteligência habitual, acabou por confessá-lo, em seu veto, ao dizer que “nós não temos nenhuma responsabilidade mais alta do que a de parar os ataques terroristas”.
Que ataques terroristas?
Há sete anos não há ataque algum em território americano.
Por que Bush, então, diz que não tem nenhuma responsabilidade “mais alta”, ou seja, nem com os seres humanos, nem com a democracia, nem com as leis, nem com as demais instituições?
Certamente que isso nada tem a ver com quaisquer ataques.
Mas, diz Bush, a tortura não pode ser proibida porque “não é hora para o Congresso abandonar práticas que mantiveram a América segura”.
Ou seja, não somente é ele quem decide o que o Congresso deve ou não “abandonar”, como diz explicitamente que a tortura - a expressão mais totalitária e desumana de uma ditadura - é que mantém o país seguro.

Voltemos agora aos puxa-sacos locais de Bush.
Sua bajulação revela propensões não propriamente a ditador, mas a bobo da corte de alguma ditadura.

O Equador foi agredido por tropas colombianas sob comando americano.
O objetivo não era “combater terroristas”, nem a ação começou ou foi extensão de qualquer outra iniciada em território colombiano.
Foi uma ação de assassinato frio, típica das chamadas “forças especiais” dos EUA, em que as vítimas encontravam-se dormindo.

Porém, segundo a pornográfica revista “Veja”, quem invadiu o Equador foram os guerrilheiros das FARC.
Uribe, as tropas colombianas, e os americanos, invadiram o Equador para restaurar a soberania equatoriana.
Portanto, invadiram o país e assassinaram em território equatoriano por puro amor ao Equador e à sua integridade territorial.
Queriam salvar o Equador dos equatorianos, assim como Bush está tentando salvar o Iraque dos iraquianos...

MORAL

Resta saber em que as FARC estavam ferindo a soberania do Equador, pois o ato de se abrigar em outro país não fere soberania alguma.
Se fosse assim, De Gaulle teria ferido a soberania da Inglaterra quando lá se refugiou para lutar contra a ocupação nazista da França.
É verdade que a Inglaterra estava em guerra com a Alemanha, mas, pela lógica da “Veja”, isto somente tornaria mais urgente que Hitler invadisse o país para defender a soberania inglesa e acabar com aquele terrorista francês.
Devemos convir que os nazistas eram menos cínicos do que essa malta.
Talvez porque fossem imperialistas e não meros puxa-sacos do lumpen-imperialismo - pois Bush é um marginal, um arrivista até em relação ao próprio imperialismo americano: um dos senadores que criticaram energicamente o veto de Bush chama-se John D. Rockefeller IV, nome que dispensa maiores apresentações.
É preciso, portanto, ser um lacaio muito reles para deitar loas em louvor de Bush, ou para atacar os que defendem seus países contra esse bandoleiro – atitudes equivalentes.
Porém, considerando o estado avançado de decomposição desse cadáver político e moral, é preciso, antes de tudo, ser muito burro.
CARLOS LOPES
http://www.horadopovo.com.br/

DENÚNCIA DE CRIMES INFAMES DE GEORGE BUSH NO IRAQUE


















Escritora iraquiana denuncia “crimes infames” de George Bush no Iraque

Seguem os principais trechos de informe da escritora iraquiana Eman Hamas, publicado por ocasião do 5º ano da invasão do seu país.


Autora do livro “Crônicas do Iraque”, Eman foi diretora do Centro do Observatório da Ocupação, em Bagdá, que desde poucos meses depois da invasão anglo-estadunidense se dedicou a documentar os efeitos da ocupação e a recolher testemunhos que sustentam seus informes.
O crime dos Estados Unidos de invadir e ocupar o Iraque desde 2003, ainda em curso, tem sido uma agressão política e militar das mais infames da história moderna, que passou por cima tanto de todos os códigos morais da humanidade como do direito internacional.

Apesar de que o governo estadunidense era completamente consciente de que eram falsos todos os pretextos para invadir o Iraque (armas de destruição em massa ou vinculação com o terrorismo), e apesar de que a comunidade internacional se opunha a esta agressão, Bush ignorou tudo isso.

Os EUA invadiram uma das civilizações mais antigas do mundo, o Iraque, com 6.000 anos de história, o berço das civilizações, lugar onde se escreveu a primeira carta, onde se estabeleceu a primeira lei, onde se construiu a primeira universidade, onde se utilizou a primeira moeda, onde se criou o primeiro sistema de irrigação, onde se escreveu o primeiro poema…

O Iraque foi submetido a uma destruição sistemática.
Desmantelaram o Estado, aboliram as instituições, destruíram os sistemas educativo, sanitário, econômico, de segurança e de infra-estrutura; inclusive destruíram completamente o tecido social e cultural.

Até o momento morreu um milhão trezentos mil civis iraquianos, mais de cinco milhões se refugiaram fora do Iraque ou tiveram que sair de seus lares (deles, um milhão e meio são crianças), centenas de milhares (incluindo 10.000 mulheres) estão prisioneiros e expostos aos piores tipos de tortura e de humilhação, e carecem de qualquer procedimento legal.

70% dos iraquianos não tem acesso a um fornecimento de água saudável.
O fornecimento de eletricidade está abaixo dos níveis prévios à invasão.
43% da população vive com menos de meio dólar ao dia.
O nível de vida no Iraque piora diariamente a pesar dos contratos de mais de 20 bilhões de dólares pagos a empresas para reconstruir o país, engolidos por elas e pela corrupção desse governo imposto.
O Iraque é agora o terceiro país mais corrupto do mundo.
Até segundo os dados desse governo, o número de desempregados está entre 60 e 70%.
A desnutrição infantil aumentou do 19% que já existia, provocado pelo chamado “período de sanções econômicas” antes da invasão, para o 28% atual.

Segundo as Nações Unidas, 8 milhões de iraquianos necessitam ajuda de emergência.

A velha estratégia colonial de dividir e governar é totalmente responsável pelas divisões sectárias e quanto mais tempo permaneçam os exércitos de ocupação, maior é a possibilidade de uma guerra civil e de que o país se divida.
A ocupação criou os diferentes corpos oficiais de segurança a partir das milícias sectárias e, portanto, lhes deu autoridade ou para matar ou para apoiar e ajudar aos que matavam, seqüestravam, expulsavam devido a critérios de seitas.
Por outro lado, além dos 170.000 soldados pertencentes ao exército estadunidense, no Iraque há 180.000 mercenários que em nome do conflito sectário estão cometendo todo tipo de assassinatos e atentados em zonas civis.

A única forma de deter esses crimes, de responsabilizar por eles aos verdadeiros culpados, os Estados Unidos, e de começar a verdadeira reconstrução do Iraque é apoiar o povo iraquiano em sua resistência à ocupação, mobilizar a comunidade internacional contra a invasão e para acabar com esse genocídio.

domingo, 23 de março de 2008

O IRAQUE FOI ASSASSINADO

Noam Chomsky e a guerra omitida nos EUA

Há uma voz que falta no debate sobre a guerra: a dos iraquianos.
Ou melhor: ela não é digna de ser mencionada. E parece que ninguém se importa. Isso tem sentido na habitual presunção tácita de quase todos os discursos sobre política internacional: somos donos do mundo, o que importa, então, o que outros pensem?
Por Noam Chomsky, para a Agência Carta Maior
Não faz muito tempo, ainda se dava por descontado que a guerra do Iraque seria o tema central na campanha presidencial, como já foi nas eleições da metade do mandato, em 2006.
Mas praticamente desapareceu, o que tem provocado uma certa perplexidade.
Não deveria ser assim.
O "The Wall Street Journal" esteve perto de acertar em um artigo de primeira página sobre a Super Terça-feira, aquele dia de múltiplas primárias:
"Os temas passam ao segundo plano na campanha de 2008 na medida em que os eleitores vão se focando na personalidade".
Para colocar a coisa de maneira mais específica, os temas deixam de estar em primeiro plano, enquanto os candidatos e suas agências de relações públicas se concentram na personalidade.
Como de costume, os temas podem ser perigosos.
A teoria democrata progressista sustenta que a população ("marginais ignorantes e intrometidos") deveria ser "espectadora" e não "partícipe" da ação, como escreveu Walter Lippmann.
Os partícipes estão conscientes de que ambos os partidos políticos estão bem à direita da população e de que a opinião pública é consistente através do tempo, assunto analisado no útil estudo "A falta de conexão da política exterior", de Benjamin Page e Marshall Bouton.
É importante, então, que a atenção seja desviada para outro lado.
O trabalho concreto do mundo é do domínio de uma liderança iluminada.
E isso revela-se mais na prática do que nas palavras.
O Presidente Wilson, por exemplo, afirmou que se devia empoderar uma elite de cavalheiros de "altos ideais" para preservar a "estabilidade e a correção", essencialmente na perspectiva dos Pais Fundadores (dos Estados Unidos).
Em anos mais recentes, esses cavalheiros transmutaram-se na "elite tecnocrática", "intelectuais de ação", os neocons "straussianos" de Bush II e outras configurações.
Para esta vanguarda, as razoes de que o Iraque seja retirado da tela do radar não deveriam ser obscuras.
Foram convincentemente explicadas pelo distinguido historiador Arthur M. Schlesinger, articulando a posição dos "pombas" há 40 anos, quando a invasão do Vietnã pelos Estados Unidos estava em seu quarto ano e Washington se preparava para somar outros 100 mil efetivos militares aos 175 mil que já estavam deixando o Vietnã do Sul em cacos.
Na época, a invasão implicava em árduos custos, razão pela qual Schlesinger e outros liberais da linha de Kennedy resistiam-se a passar de falcões a pombas.
Em 1966, Schlesinger escreveu que "todos oramos" porque os falcões tenham razão ao pensar que o aumento militar do momento poderá "eliminar a resistência" e, se fizer isso, "todos poderíamos estar saudando a sabedoria e a capacidade estadista do Governo" ao obter a vitória, deixando ao mesmo tempo o "trágico país destruído e devastado pelos bombardeios, arrasado pelo napalm, transformado em uma terra baldia pela defoliação química, uma terra em ruínas", com seu "tecido político e institucional" pulverizado.
Mas a escalada provavelmente não terá êxito e vai acabar sendo cara demais para nós; ou seja, que talvez seria necessário repensar a estratégia.
Na medida em que os custos começaram a subir severamente, logo ocorreu que todos tinham sido "ferrenhos opositores à guerra".

O raciocínio da elite e as atitudes que o acompanham apresentam hoje poucas mudanças.
E apesar de que as críticas à guerra do Iraque são muito maiores e estão mais estendidas que no caso do Vietnã em qualquer etapa comparável, os princípios que Schlesinger articulou continuam vigentes.
E ele mesmo adotou uma posição muito diferente perante a invasão do Iraque. Quando as bombas começaram a cair sobre Bagdá escreveu que as políticas de Bush são "alarmantemente similares à política que o Japão imperial aplicou em Pearl Harbor, em uma data que, como disse um Presidente americano anterior, vai perdurar na infâmia."
Franklin D. Roosevelt tinha razão, mas hoje somos nós que vivemos na infâmia".
Que o Iraque é "uma terra em ruínas" não é questionável.
Recentemente a agência britânica Oxford Research Business atualizou sua estimativa de mortes adicionais causadas pela guerra em 1,03 milhões, excluindo Karbala e Anbar, duas das piores regiões.
Seja correta essa estimativa, ou exagerada, segundo alguns, não há dúvida de que o balanço é horrendo.
Vários milhões de pessoas estão deslocadas internamente.
Graças à generosidade da Jordânia e da Síria, os milhões de refugiados que fogem do colapso do Iraque, incluindo a maioria profissional, não foram, simplesmente, exterminados.
Mas essa acolhida fica enfraquecida porque a Jordânia e a Síria não recebem nenhum apoio significativo de parte dos autores dos crimes em Washington e Londres;
a idéia de que eles possam admitir essas vítimas, para além de casos pontuais, é estapafúrdia demais para ser considerada.
A guerra sectária devastou o Iraque.
Bagdá e outras áreas foram submetidas a uma limpeza étnica brutal e deixadas em mãos de senhores da guerra e de milícias, a primeira cartada da atual estratégia de contra-insurgência desenvolvida pelo general Petraeus.

Um dos mais informados jornalistas que se aprofundaram na chocante tragédia, Nir Rosen, publicou recentemente um epitáfio, "A morte do Iraque", em "Current History".
Escreve Rosen: "O Iraque foi assassinado, para nunca mais se levantar. A ocupação americana tem sido mais desastrosa que a dos mongóis, que saquearam Bagdá no século 13", percepção comum dos iraquianos.
"Somente os tolos falam agora em 'soluções'.
Não há solução.
A única esperança é que, talvez, o dano possa ser limitado".
Independiente da catástrofe, o Iraque continua sendo um tema marginal na campanha presidencial.
Isso é natural, dado o espectro falcão-pomba da opinião elitista.
As pombas liberais aderem ao seu raciocínio e atitudes tradicionais, rezando para que os falcões estejam com a razão, que os EUA obtenham uma vitória e imponham "estabilidade", palavra código para subordinação à vontade de Washington.
Os falcões são alentados e as pombas silenciadas com relatórios entusiastas sobre menores baixas após o aumento de tropas.
Em dezembro, o Pentágono difundiu "boas notícias" sobre o Iraque: um estudo mostrava que os iraquianos têm "opiniões divididas", com o que a reconciliação deveria ser possível.
As opiniões eram duas.
Primeiro, que a invasão dos EUA é a causa da violência sectária que deixou o Iraque aos pedaços.
Segundo, que os invasores deveriam se retirar.
Umas poucas semanas depois do relatório do Pentágono, o especialista militar no Iraque do The New York Times, Michael R. Gordon, escreveu uma análise arrazoada sobre as opções referentes ao Iraque que enfrentam os candidatos presidenciais.
Há uma voz que falta no debate: a dos iraquianos.
Ou melhor: ela não é digna de ser mencionada.

E parece que ninguém se importa.
Isso tem sentido na habitual presunção tácita de quase todos os discursos sobre política internacional: somos donos do mundo, o que importa, então, o que outros pensem?
São "não-pessoas", pegando de empréstimo o termo usado pelo historiador britânico Mark Curtis em seu trabalho sobre os crimes imperiais do Reino Unido.
Por rotina, os americanos unem-se aos iraquianos em ser não-pessoas.
Suas preferências também não oferecem opções.
O original encontra-se em IAR Notícias/The New York Times SyndicateLink: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=34159

sexta-feira, 21 de março de 2008

MENSAGEM AO IRAQUE


"No passado, como todos vocês sabem, tomei parte no campo de batalha da jihad.

Deus, louvado seja Ele, desejou que eu enfrentasse isso da mesma maneira e com o mesmo espírito no qual estávamos antes da revolução, mas com um problema que é maior e mais severo.

Oh, meus amados, essa situação dura que nós e nosso grande Iraque estamos enfrentando é uma nova lição e uma nova provação que julgará o povo, a cada um de acordo com suas intenções, de forma que ela se torne um sinal diante de Deus e do povo no presente e depois que nossa situação atual se transforme em história gloriosa.

É, acima de tudo, a fundação sob a qual o sucesso das fases futuras da história poderá ser construído.

Nesta situação, e em nenhuma outra, os verdadeiros são os honestos e fiéis, e os opostos a eles são os falsos.

Quando a gente insignificante usa o poder dado a ele pelos estrangeiros para oprimir seu próprio povo, ela só consegue ser sem valor e simplória.
No nosso país, só o bem poderá resultar daquilo que estamos experimentando.

À grande nação, ao povo do nosso país, e à humanidade: muitos de vocês sabem que o autor desta carta é fiel, honesto, preocupado com os outros, sábio, de julgamento sólido, decidido, cuidadoso com a riqueza do povo e do estado... e que seu coração é grande o suficiente para abraçar a todos sem discriminação.

Seu coração sofre pelos pobres e ele não descansa enquanto não ajuda a melhorar a condição deles e cuida de suas necessidades.

Seu coração contém todo o seu povo e toda a sua nação, e ele anseia por ser honesto e fiel, sem fazer diferença entre seu povo, a não ser no que diz respeito a seus esforços, eficiência e patriotismo.

Fala hoje em nome de vocês e dos seus olhos, e dos olhos de nossa ação e os olhos dos justos, o povo da verdade, onde quer que a bandeira deles seja hasteada.

Vocês conhecem bem seu irmão e líder, e ele nunca se curvou aos déspotas e, de acordo com os desejos dos que o amaram, permaneceu uma espada e uma bandeira.

É assim que vocês querem que seu irmão, filho ou líder seja... e os que liderarem vocês no futuro deverão ter as mesmas qualidades.

Ofereço aqui minha alma a Deus como sacrifício, e se quiser Ele a mandará para o céu com os mártires, ou então adiará isso... então sejamos pacientes e confiemos nele contra as nações injustas.

Apesar de todas as dificuldades e tempestades que nós e o Iraque tivemos de enfrentar, antes e depois da revolução, Deus Todo-Poderoso não quis a morte para Saddam Hussein.

Mas, se Ele a quiser desta vez, a vida de Saddam é criação Dele.

Ele a criou e protegeu até agora.

Assim, por esse martírio, Ele trará glória para uma alma fiel, pois almas mais jovens que Saddam Hussein partiram nesse caminho antes dele.

Se Ele quer martirizá-la, nós agradecemos e damos graças a Ele, antes e depois.

Os inimigos de nosso país, os invasores e os persas, descobriram que nossa unidade é uma barreira entre eles e a nossa escravização.

Eles semearam sua discórdia antiga e nova entre nós.

Os estrangeiros que carregam a cidadania iraquiana, cujos corações estão vazios ou cheios do ódio plantado neles pelo Irã, corresponderam a isso, mas como estavam errados quando pensaram que conseguiriam dividir os nobres de nosso povo, enfraquecer sua determinação e encher os corações dos filhos da nação com ódio uns contra os outros, em lugar do ódio contra seus verdadeiros inimigos, que os levaria numa só direção, a lutar sob a bandeira de 'Deus é grande': a grande bandeira do povo e da nação.

Lembrem-se de que Deus permitiu que vocês se tornassem um exemplo de amor, perdão e coexistência fraterna...

Eu os conclamo a não odiar, porque o ódio não deixa espaço para a justiça e nos torna cegos, fecha todas as portas do entendimento e nos impede de pensar de forma equilibrada e fazer a escolha certa...

Também os conclamo a não odiar os povos dos outros países que nos atacaram, e a diferenciar entre os que tomam as decisões e esses povos...

Todos os que se arrependerem -seja no Iraque ou no exterior- devem ser perdoados...

Vocês devem saber que, entre os agressores, há pessoas que apóiam a luta de vocês contra os invasores, e alguns deles foram voluntários para a defesa legal dos prisioneiros, incluindo Saddam Hussein...

Algumas dessas pessoas choraram muito quando me disseram adeus...

Querido e fiel povo, digo adeus a vocês, mas estarei com o Deus misericordioso que ajuda os que se refugiam nele e que nunca desapontará nenhum crente fiel e honesto...

Deus é grande...

Deus é grande...

Longa vida à nossa nação...

Longa vida ao nosso povo grande e lutador...

Longa vida ao Iraque, longa vida ao Iraque...

Longa vida à Palestina...

Longa vida à jihad e aos mujahideen.
Saddam Hussein
Presidente e comandante-em-chefe das Forças Armadas Mujadi Iraquianas


[Nota adicional]"Escrevi esta carta porque os advogados me disseram que a chamada corte criminal -estabelecida e batizada pelos invasores- permitirá que os chamados réus tenham a chance de uma última palavra.
Mas essa corte e seu juiz não nos deram a chance de dizer uma palavra, e deram seu veredicto sem explicação, e leram a sentença ?
ditada pelos invasores ?
sem apresentar provas.

Eu queria que o povo soubesse disso."

terça-feira, 18 de março de 2008

PALESTINA, NAÇÃO OPRIMIDA


Sou daquela parte

da Palestina

chamada Líbano.

Dessa aldeia palestina

chamada nação oprimida.

Dessa Palestina,

um rio enorme,

nação árabe.

O meu Jesus também era um árabe

que carregoua cruz da humilhação,

a cruz da liberação,

a cruz da resistência

contra

o império romano

e contra o

sectarismo sionista.

O meu Jesus também era

palestino

tal como eu

e outros

200 milhões de árabes…

Jesus cresceu nas

margens do rio Nilo

e

Abraão cresceu nas
margens do rio Tigre

e encontraram-se
na nossa Palestina.

Maomé cresceu nas colinas

de Meca e acabou a entregar

a mensagem divina,

também aqui,

na nossa Palestina.

E mesmo assim

ainda se atrevem a perguntar-me

de que parte sou…?

Eu respondo,

sou libanês,

nasci nas montanhas sírias,

no mar dos árabes,

debaixo do sol de Deus,

que nos dava luz,

calor

e nos mostrava o Caminho.

De que parte, ainda perguntam?

Do norte do norte da Palestina,

onde o rio Jordão nasce

e

também onde o rio Eufrates

vê a luz!

Onde nasceu a

Princesa Europa.

Ao sul de Anatólia,

ao Oeste da Pérsia,

ao Norte de Aden.

Onde Maomé e Jesus se encontraram

e

onde Moisés

não pode entrar…

A Palestina é dos árabes!


Raja Chemayel
um árabe, libanês, cristão

segunda-feira, 17 de março de 2008

O TERROR DA EXPANSÃO TERRITORIAL ISRAELENSE


Culpando as vítimas na
Palestina


Segundo a mídia, os civis que morrem são os culpados



Mais uma vez, enquanto Israel continua a aterrorizar a população
palestina com seus ataques indiscriminados a Gaza, a mídia
ocidental direciona a culpa às próprias vítimas.

Novamente, o
“grande vilão” é o partido político palestino eleito democraticamente,
o Hamas.

Mas seriam eles os culpados pela praga que consome a
Palestina há 60 anos?


Culpando as vítimas na Palestina
Mais uma vez, enquanto Israel continua a aterrorizar a população
palestina com seus ataques indiscriminados a Gaza, a mídia
ocidental direciona a culpa às próprias vítimas.

Novamente, o
“grande vilão” é o partido político palestino eleito democraticamente,
o Hamas.

E ironicamente, o que é ignorado pela mídia é o fato de
que o Hamas é o que menos pode ser culpado pela praga que
consome a Palestina há 60 anos.
O Hamas foi isolado pela comunidade internacional, liderada pelos
Estados Unidos, entre outros fatores, por se recusar a abandonar a
resistência armada contra a expansão territorial israelense.

Com o
atual papel de fantoche da aliança Estados Unidos-Israel ocupado
por Mahmoud Abbas, líder da Autoridade Palestina, ficou evidente
que o Hamas não errou em abandonar a resistência – enquanto
Abbas cumprimenta sorridente os líderes israelenses, “o lar nacional
judaico”
continua a engolir terras privadas palestinas na Cisjordânia.
A situação atual deixa claro que qualquer negociação de paz com
Israel não determinará a devolução das terras ocupadas
ilegalmente
, muito menos o retorno dos refugiados palestinos
expulsos pelo “lar nacional judaico”, dois fatores que o Hamas se
recusa a negociar.
E por que o Hamas “recusa a reconhecer a existência de Israel”,
como a mídia ocidental e os apologistas do estado judaico gostam
de colocar?

Trata-se de um simples jogo de palavras.

O que a mídia
não conta é que o “Estado de Israel” criado pela ONU e que a
comunidade internacional quer que o Hamas aceite não é
reconhecido nem mesmo por Israel
– o estado judaico tem planos
de expandir muito além do proposto pela ONU, e isso é confirmado
a cada dia.

Fato é que o “Estado de Israel” que Israel reconhece
hoje – que inclui todos seus territórios ilegais anexados por guerras
e colonização – não é reconhecido pela comunidade internacional.
Portanto, o Hamas não reconhece a resolução da ONU que fundou
o “lar nacional judaico” – e se brevemente analisado, nem mesmo
Israel a respeita.
O Hamas também é
constantemente acusado de ser
uma “organização extremista”
(seja lá o que isso significa).
Mas não é irônico que os
mesmos que os acusam,
colocando em pauta somente
as raízes religiosas do partido e ignorando a política, continuam a
argumentar sobre o direito de existência de Israel segundo as
terminologias bíblicas?

Por que deveria o Hamas (ou qualquer um)
aceitar a visão religiosa radical de que a “terra prometida por Deus”
seria de uns poucos?

Por que favorecer uma religião à outra?

Se o
Hamas um dia foi forçado a adotar visões radicais, certamente
partiu de um exemplo próximo – a existência de Israel.
São esses e muitos fatores vagos que a comunidade internacional
se apega cegamente, e a mídia ocidental dissemina
irresponsavelmente.

O uso subjetivo da palavra “terrorismo”, é claro,
acompanha todo e qualquer argumento, mas não é irônico que se
omite o fato de que os pais fundadores de Israel representam um
livro aberto de tudo o que é hoje definido como “terrorismo”?

Além
disso, as políticas diárias israelenses são um clássico exemplo de
terrorismo de Estado – a punição coletiva dos civis palestinos.

Seria
possível que, ao olhar ao seu redor, o Hamas entendeu que o uso
da arrogância, extremismo, violência e terrorismo podem fundar
uma nação legítima?

Israel responde a todas essas questões.



A DESINFORMAÇÃO DA MÍDIA OCIDENTAL

As lentes da mídia
ocidental
Os valores cultivados pela desinformação da mídia

A mídia ocidental colaborou diretamente na criação do mito de que
qualquer coisa árabe ou islâmica é anti-Ocidente, principalmente
com relação aos Estados Unidos e seus aliados.
Mas qual é a base
dessa campanha de desinformação?

As lentes da mídia ocidental
A mídia ocidental colaborou diretamente na criação do mito,
baseado em falsas presunções, de que qualquer coisa árabe ou
islâmica é anti-Ocidente, principalmente com relação aos Estados
Unidos e seus mais próximos aliados na “guerra contra o
terrorismo”
.
Existem, porém, dois fatores que não podem ser
ignorados com relação à maneira que a mídia ocidental constrói tais
valores: a proliferação de uma visão parcial e ignorante quantos aos
árabes e muçulmanos, unido a uma campanha de desinformação
quanto à política externa de certas nações.
É fato que a mídia tem o poder de criar estereótipos e influenciar o
juízo público e suas opiniões.
Isso acontece em qualquer caso em
que exista uma mídia corporativa, seja no chamado “Ocidente” ou
não – com exceção de países como os Estados Unidos, que
exaltam o valor da “liberdade individual”, e representam um caso à
parte.
A mais recente pesquisa publicada pela conceituada revista
The Economist, intitulada “Communications Outlook” (algo como
“Panorama da Comunicação”), analisou a audiência média diária de
televisão em 18 países.
Obviamente, os Estados Unidos lideraram a
tabela, com média diária de 8 horas e 11 minutos por pessoa – um
choque, ao se considerar que o segundo colocado, a Turquia,
atingiu pouco menos de 5 horas diárias.
O Brasil, por exemplo,
mesmo com a forte cultura das telenovelas, ficou pouco acima das 2
horas diárias por pessoa.
Com esses dados, e reconhecendo o
poder natural da mídia, fica claro que a massiva campanha de
desinformação da mídia estadunidense representa um perigo
global.
Dessa forma, ao insistir em uma visão dos árabes e muçulmanos
como violentos e anti-estadunidenses, a mídia ocidental conseguiu,
sem muita dificuldade, criar fortes estereótipos e, ao mesmo tempo,
ignorar as causas do ressentimento desses povos.
Um exemplo
habitual dessa campanha ocidental acontece com a guerra no
Iraque – ao cobrir os casos de violência como os carros-bomba, o
Islam é sempre apresentado para contextualizar o “fanatismo” e o
“barbarismo”.
São nesses casos que a mídia ocidental ignora
abertamente os seus direitos e deveres, e passa a alienar ao invés
de informar, de criar julgamentos ao invés de explicar.
Com o declínio do imperialismo no início do século XX, a atitude do
mundo muçulmano mudou.
As pessoas se voltaram para a religião
em uma forma de se opor às políticas do Ocidente que seus
governos haviam sido forçados a implementar por tanto tempo.
Logicamente, os governos que continuaram a apoiar tais políticas
favoráveis às potências colonizadoras foram vistos como aliados
dessas forças, responsáveis por colocar os interesses de poderes
externos sobre os de seus próprios povos – um reflexo do inimigo
dentro do próprio país.
Portanto, o ressentimento do mundo
muçulmano com o Ocidente nasceu de um histórico de imperialismo
em conjunto com políticas atuais claramente injustas e opressoras.
Mas a influência da mídia ocidental aponta somente para as
diferenças de cultura (como a religião), e ignora questões vitais,
como as previamente citadas, para explicar as causas da tensão e
agressividade contra o Ocidente no mundo muçulmano.
Agora
considere isso com uma nação que assiste, em média, 8 horas de
televisão diariamente – qual o resultado?

O público em geral segue a
tendência de simplificar idéias
complexas e tirar conclusões
simples e diretas.
O único dever
e responsabilidade da mídia de
massa, portanto, deveria ser de
divulgar matérias sob uma lente

balanceada e objetiva, através da qual os receptores poderiam
verdadeiramente se informar, para então criarem seus próprios
julgamentos.
No caso da mídia corporativa ocidental, é a norma que
as políticas ocidentais e suas conseqüências no Oriente Médio são
classificadas como legítimas iniciativas de exportar os valores da
“democracia” e “liberdade” – um julgamento claramente formado,
simplesmente imposto ao público.
Nesse caso, a única saída para
clarificar a realidade sobre os estereótipos criados pela mídia
ocidental deve partir dos principais afetados, os muçulmanos.
Certamente, isso não partirá daqueles que estão mais de 8 horas
por dia sentados na frente da televisão.

TROCA DE DÓLARES POR EUROS

Chávez e Hussein: passeio em Bagdá
BAGDÁ
Só Hugo Chávez visita o ditador
Reuters
Chávez e Hussein: passeio em Bagdá
Com seu mandato referendado pelas urnas, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, lançou-se numa ousada operação internacional: quer ressuscitar a Opep, o cartel dos produtores de petróleo, e impor preços mais salgados aos compradores.

Na semana passada, se pôs a percorrer as nações petrolíferas.
Sem ligar para a cara feia dos Estados Unidos, tornou-se o primeiro chefe de Estado a furar o boicote internacional e pisar em Bagdá.
Agradecido, o ditador Saddam Hussein o levou a passear de carro pela capital iraquiana.
(isso deu na Veja)
Há uns três anos que as peças começaram a se encaixar no tabuleiro desta guerra que se aproxima.
Trapalhadas diplomáticas, erros estratégicos, umas doses de sorte e outras de azar acabaram atropelando o dólar, moeda franca do mundo e sobre a qual repousa a economia, motivando os EUA à uma guerra arriscada.

Vale muito esta guerra.
Vale a sobrevivência daquilo mais caro à sustentação dos Estados Unidos: sua própria moeda.
Mais que mísseis ou gases, é o euro a maior arma do Iraque.
Nesta história, são três os personagens principais:
Hugo Chávez, militar de origem indígena, católico, eleito presidente venezuelano em 1999.
Saddam Hussein, muçulmano sunita, ditador sanguinário do Iraque desde 1979.
George W. Bush, cristão renascido pelos braços do pastor Billy Graham, eleito presidente dos EUA em 2000 porque a Suprema Corte decidiu que, mesmo considerando a necessidade de recontar os votos na Flórida, mais importante era respeitar os prazos eleitorais.

No dia 6 de novembro de 2000, véspera da eleição presidencial nos EUA, o Iraque mudou a moeda com a qual operava suas vendas de petróleo: saiu o dólar, entrou o euro.
O país sofria pesadas sanções impostas pela ONU desde 1991, quando saiu derrotado de uma guerra que Saddam tinha atiçado ao invadir o Kwait.
A economia do Iraque depende, vive, sobrevive da venda de petróleo.
Detém a segunda maior reserva mundial.
De acordo com a sanção, a venda do combustível bruto era permitida desde que o dinheiro fosse investido em causas sociais.
Mais especificamente, em comida.
Naquele novembro há pouco mais de dois anos, o Iraque tinha bloqueados sob o olho vigilante da ONU, numa conta em Nova York, 10 bilhões de dólares, ou 15% de seu PIB - 0,1% do PIB norte-americano.
A conversão das vendas futuras para o euro foi vista como uma pirraça sem sentido.
Se tinha o objetivo de seduzir os países europeus a comprar mais petróleo, conseguiu apenas em parte.
Do ponto de vista financeiro, era uma besteira: a moeda européia valia 82 centavos de dólar.
O preço da conversão foi alto e o Iraque perdeu dinheiro.
Para Saddam, pouco importava.
Em meados de 2001, vendeu os 10 bilhões de dólares de reservas e trocou-os também por euros.
Só que aí veio o 11 de setembro e uma de suas conseqüências foi o crescente fortalecimento da moeda européia.
A operação de troca de moeda terminou sendo imensamente lucrativa.
Dinheiro, muito dinheiro Petróleo: o maior negócio do mundo.
Todo dia são gastos dois bilhões de dólares com o combustível.
Nas previsões mais otimistas, há petróleo para mais um século.
Aí acaba.
Um quarto disto é consumido pelos Estados Unidos.
No país que consome mais energia do mundo, 40% correspondem a petróleo. Invernos frios e verões quentes, o hábito de adotar carros cada vez maiores por parte da classe média, todos são ingredientes numa conta que só faz aumentar o consumo - pequenos confortos que a população não pretende perder.
Lá, são 20 milhões de barris por dia ao preço, em janeiro, de 28 dólares a unidade.
Mas não é o petróleo que banca a festa, é o dólar.
A balança comercial dos EUA é deficitária - só agora em fevereiro, ficou negativa na brincadeira de US$ 31,5 bilhões.
A partir de 1995, o investimento do americano médio em imóveis, na casa própria, foi ultrapassado por aquilo que esse mesmo americano médio jogou na Bolsa de Valores.
Em última instância, é um investimento no dólar.


Só que acaba sendo um investimento seguro, apesar de o país ser deficitário, porque o dólar é a moeda corrente do mundo.


O Fed, Banco Central dos EUA, dita as regras que regem a economia global. Dólar tudo quanto país usa porque assim se dá o comércio internacional.


De todos esses negócios, o petróleo é o maior - e os EUA não controlam quem o vende.


No dia 12 de agosto de 2000, um garboso Saddam Hussein ofereceu ao presidente venezuelano Hugo Chávez um tour guiado pelas ruas de Bagdá. Exatos quatro meses antes de a Suprema Corte decidir pela eleição da dupla Bush e Dick Cheney. Chávez era o primeiro chefe-de-estado a visitar o Iraque desde o início das sanções da ONU e as imagens de Saddam ao volante com o militar venezuelano no banco do carona fizeram a festa das tevês. Para aqueles que assumiam o poder nos EUA, dois ex-executivos de multinacionais petroleiras e notoriamente conservadores, Chávez fazia uma figura preocupante. Simpatizante do castrismo de Cuba e atrevido demais na questão do petróleo. Em abril de 2002, um golpe contra a presidência venezuelana foi rechaçado em dois dias. Na melhor das hipóteses, os golpistas encontraram no governo norte-americano um aliado de primeira hora. A diplomacia dos EUA soube do golpe frustrado antes e nada fez para evitá-lo. Desconfia-se que a CIA esteve envolvida, como nos velhos tempos. Filiada à organização dos Países Exportadores de Petróleo, OPEP, a Venezuela responde por uma conta que variou, nos últimos anos, de 13% a 15% do petróleo importado pelos EUA - 1,6 milhões de barris por dia. O resultado da trapalhada diplomática que sucedeu à volta de Chávez ao poder foi uma crise sem precedentes que culminou na greve geral. Quando a companhia estatal de petróleo PDVSA parou, os EUA viram-se sem ter de quem comprar. Ou tinham: opção nada agradável, o Iraque. Bush havia cortado as importações do combustível iraquiano desde sua posse, pouco após Saddam ter feito a conversão de moeda. Mas, antes, havia opção. Num mercado de petróleo em alta e dólar em queda, os EUA voltaram-se nos últimos meses para o Iraque. Em dezembro, compraram 925.000 barris por dia; agora em janeiro, 1,15 bilhões. Pagaram em euros. Moeda franca Seria tudo um inconveniente financeiro para o país de George W. Bush e um profundo suor frio para o resto do mundo que, como o Brasil, depende da saúde do dólar, não estivesse o Iraque apontando uma tendência. No ano passado, o Irã queimou boa parte dos dólares que compunham as reservas de seu Banco Central. Em parte, foi uma resposta política à inclusão do país no Eixo do Mal de Bush. Foi também uma operação coerente do ponto de vista econômico. Trata-se do maior produtor de gás natural do mundo, além de exportador de petróleo. Lá, está sendo discutida seriamente a possibilidade de converter suas vendas, ao menos para a Europa, também para euros. Durante 2002, executivos da OPEP começaram a discutir seriamente a transferência de seus negócios para a moeda européia. Chávez fala disso a toda hora. Quando novos países aderirem à Zona do Euro, nos próximos cinco anos, o PIB da região somará quase dez trilhões de dólares, equivalente ao dos EUA. Quando a Inglaterra abandonar sua libra, algo que os analistas consideram questão de tempo, o Banco Central Europeu vai se sobrepor ao FED norte-americano em volume de riqueza numa única moeda. E, em todas estas transações, é o petróleo que se encontra no centro da mesa. Se os petrodólares forem substituídos por petroeuros, pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial a moeda franca internacional mudará. Será o caos, mas o planeta se acomoda. Quem perde, no fim, são os EUA. Quando Gerard Schroeder, da Alemanha, e Jaques Chirac, da França, opõem-se à guerra contra o Iraque, sua menor preocupação são seus eleitorados internos. Da mesma forma, Bush e Tony Blair, do Reino Unido, têm outras preocupações. É o controle econômico mundial que está em jogo. Plantar um governo leal aos EUA no Iraque e ampliar o controle sobre o Oriente Médio enfraquece, em última análise, a OPEP. Em defesa do dólar. É um jogo perigoso o que se inicia, um que periga ter conseqüências mundiais muito mais sérias do que as largadas pela justa guerra contra o Talibã afegão. King Jong II, ditador norte-coreano, já fez sua parte. As reservas de seu Banco Central estão em euros".


"As verdadeiras razões de Bush Said Barbosa Dib Professor de História Não são justas as análises simplificadoras e ingênuas da mídia que colocam o presidente George W. Bush como um monstro ou um energúmeno sanguinário. Mesmo que seu intelecto não seja dos mais geniais, ele não é, definitivamente, um camarada mau nem bobo. Pelo contrário, é um cidadão patriota que está tentando salvar os EUA da bancarrota, impedir a queda do Império sob seu comando. Digo isso porque, ao contrário do que se fala, o governo norte-americano está totalmente desesperado com a ruína iminente da sua economia. Segundo W. Clark, do jornal "Indy Time", o temor do Federal Reserve (Banco Central Norte Americano) é de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), nas suas transações internacionais, abandone o padrão dólar e adote definitivamente o euro. O Iraque fez esta mudança em novembro de 2000 - quando o euro valia cerca de US$0.80 ? e escapou ileso da depreciação do dólar frente à moeda européia (o dólar caiu 15% em relação ao euro em 2002). Esta informação, se analisada por aqueles que conhecem os problemas estruturais do sistema de Breton Woods e as atuais limitações energéticas dos norte-americanos, coloca em dúvida a hegemonia do dólar no mundo e explica a razão pela qual a administração Bush quer, desesperadamente, um regime servil na histórica Mesopotâmia. Se o presidente norte-americano tiver sucesso, o Iraque voltará ao padrão dólar, não correndo o risco de servir de modelo alternativo para outros países dependentes, como o Brasil. É por esta razão que o governo norte-americano, ao mesmo tempo, espera também vetar qualquer movimento mais vasto da Opep em direção ao euro. Por isso, essa informação é tratada quase como um segredo de Estado, pois governos dependentes como o nosso, que apostaram tudo no modelo neoliberal, iriam para o fundo do poço junto com seus chefes norte-americanos. Isso porque os países consumidores de petróleo teriam de despejar dólares das reservas dos seus bancos centrais - atualmente submetidos ao FMI - e substituí-los por euros.


O dólar entraria em crash com uma desvalorização da ordem dos 20% a 40% e as conseqüências, em termos de colapso de divisas e inflação maciça, podem ser imaginadas.


Pense-se em algo como a crise Argentina em escala planetária, por exemplo.


Na verdade, o que permeia toda essa discussão é a chamada "crise dos combustíveis fósseis".


O físico e pensador Batista Vidal lembra que "as reservas de petróleo estão extremamente concentradas em poucos pontos do planeta, pois o total descoberto no mundo está situado em vinte campos supergigantes".


Assim, na ótica do Primeiro Mundo, se os atuais países em desenvolvimento realmente se desenvolvessem, o Mundo teria ou que descobrir meia dúzia de campos supergigantes ou o petróleo acabaria em 10, 15 anos.


Por isso, o sistema de poder financeiro mundial, subjugado pelo padrão dólar, está completamente desacreditado, falido.


Os bancos estão caindo aos pedaços em todos os países ditos desenvolvidos, principalmente nos Estados Unidos e Japão.




Prevê-se um colapso a qualquer momento.




Agora, o que sustenta isso?




Devido à ocupação militar do Oriente Médio - ampliada a partir da crise do petróleo da década de 70 -, mesmo com o déficit público monstruoso dos EUA, o dólar inflacionado compra artificialmente o petróleo, base de toda a economia americana e ocidental.


Portanto, Saddam selou o seu destino quando, em fins de 2000, decidiu mudar para o euro.


A partir daquele momento, uma outra Guerra do Golfo tornava-se um imperativo para Bush Jr.


Ou seja, o que está em jogo não é nem o caráter texano caricato de Bush, nem uma questão de segurança nacional norte-americana, mas a continuidade da falácia do dólar.


E esta informação é censurada pela imprensa norte-americana e suas vassalas tupiniquins, bem como pela administração Bush, pois pode potencialmente reduzir a confiança dos investidores e dos consumidores, criar pressão política para a formação de uma nova política energética que gradualmente nos afaste do petróleo do Oriente Médio e da órbita anglo-americana e fazer com que projetos como o nosso Pró-Álcool mostrem sua força".


EUROS PELO SEU PETRÓLEO



O fim da hegemonia do dólar
por Ron Paul
[*]
Uma centena de anos atrás isto era denominado "diplomacia do dólar".

Após a II Guerra Mundial, e especialmente após a queda da União Soviética em 1989, aquela política evoluiu para a "hegemonia do dólar".

Mas após todos aqueles muitos anos de grande êxito, a nossa dominância do dólar está a chegar a um fim.

Tem sido dito, correctamente, que quem possui o ouro determina as regras.

Em tempos antigos era imediatamente aceite que comércio justo e honesto exigia uma troca por alguma coisa com valor real.

Primeiro havia simplesmente permuta (barter) de bens.

A seguir foi descoberto que o ouro possuía uma atractividade universal, e era um substituto conveniente para transacções por permuta, mais incómodas.

Não só facilitava a permuta de bens e serviços, servia como uma armazenagem de valor para aqueles que queriam poupá-lo para os dias difíceis.

Embora o dinheiro tenha-se desenvolvimento naturalmente no mercado, à medida que os governos aumentavam de poder assumiam controle sobre o dinheiro.

Por vezes governos tinham êxito em garantir a qualidade e a pureza do ouro, mas com o tempo aprenderam a gastar mais do que os seus rendimentos.

Impostos novos ou mais elevados incorriam sempre na desaprovação do povo, assim não demorou muito até que reis e césares aprendessem a inflacionar suas divisas reduzindo a quantidade de ouro em cada moeda — esperando sempre que os seus súditos não descobrissem a fraude.

Mas o povo sempre descobria, e protestava vigorosamente.

Isto ajudou a pressionar os dirigentes a procurarem mais ouro através da conquista de outras nações.

O povo acostumou-se a viver para além dos seus meios, e desfrutou o pão e o circo.

Financiar extravagâncias através da conquista de terras estranhas parecia uma alternativa mais lógica a trabalhar mais arduamente para produzir mais. Além disso, conquistas de nações não só trazia ouro para casa, trazia também escravos.

Aplicar impostos ao povo nos territórios conquistados também proporcionava um incentivo à construção de impérios.

Este sistema de governo funcionava bem por algum tempo, mas o declínio moral do povo levava a uma relutância em produzir por si próprio.

Havia um limite para o número de países que podiam ser saqueados da sua riqueza, e isto levava sempre os impérios a um fim.

Quando o ouro não mais podia ser obtido, o seu poder militar desmoronava.

Naqueles dias quem possuía o ouro na verdade ditava as regras e vivia bem.

Esta regra geral foi mantida constante através das eras.

Quando era usado ouro, e as regras protegiam o comércio honesto, as nações produtivas tinham êxito.

Sempre que as nações ricas — aquelas com exércitos poderosos e ouro — competiam apenas pelo império e por fortunas fáceis para suportar o bem estar em casa, aquelas nações falhavam.

Hoje os princípios são os mesmos, mas os processos são bastante diferentes.

O ouro não é mais a divisa do mundo, o papel sim.

A verdade agora é: "Quem imprime o dinheiro faz as regras" — pelo menos por enquanto.


Embora o ouro não seja utilizado, os objectivos são os mesmos: obrigar países estrangeiros a produzir e subsidiar o país com superioridade militar e controle sobre as impressoras de dinheiro.

Uma vez que o dinheiro de papel impresso não é senão contrafacção, o emissor da divisa internacional deve ser sempre o país com poder militar para garantir controle sobre o sistema.

Este magnífico esquema parece o sistema perfeito para obter a riqueza perpétua para o país que emite a divisa mundial de facto.

O único problema, contudo, é que um tal sistema destroi o carácter do povo da nação que faz contrafacção — exactamente como foi o caso quando o ouro era a divisa e era obtido pela conquista de outras nações.

E isto destroi o incentivo para poupar e produzir, ao mesmo tempo que encoraja a dívida e o bem estar desenfreado.


A pressão interna para inflacionar a divisa vem das corporações receptoras dessa prosperidade, bem como daqueles que pedem doações para compensar as suas necessidades e o que consideram danos por parte de outros.

Em ambos os casos é rejeitada a responsabilidade pessoal pelas próprias acções.

Quando o dinheiro de papel é rejeitado, ou quando o ouro desaparece, a riqueza e estabilidade políticas são perdidas.

O país deve então mudar da vida para além dos seus meios para a vida abaixo dos seus meios, até que os sistemas económicos e políticos se ajustem às novas regras — regras escritas não mais por aqueles que mandam nas agora defuntas máquinas de impressão.


A "Diplomacia do dólar", uma política instituída por William Howard Taft e o seu secretário de Estado Philander C. Knox, foi concebida para aumentar os investimentos comerciais dos EUA na América Latina e no Extremo Oriente.


McKinley fabricou uma guerra contra a Espanha em 1898, e o corolário de (Teddy) Roosevelt para a Doutrina Monroe antecedeu a abordagem agressiva de Taft no uso do dólar americano e da influência diplomáticas para assegurar os investimentos americanos no exterior.

Isto ganhou o título popular de

"Diplomacia do dólar".

A importância da mudança de Roosevelt foi que a nossa intervenção agora podia ser justificada pela mera "aparência" de que um país com interesse para nós era política ou fiscalmente vulnerável ao controle europeu.

Não só afirmámos um direito como até uma "obrigação" oficial do governo americano de proteger nossos interesses comerciais frente aos europeus.

Esta nova política veio no calcanhares da diplomacia da "canhoneira" dos fins do século XIX, e isto significou que podíamos comprar influência antes de recorrer à ameaça da força.

No momento em que a "diplomacia do dólar" de William Howard Taft ficou claramente articulada, as sementes do império americano ficaram plantadas.

E elas estavam destinadas a crescer no fértil solo político de um país que perdeu o seu amor e respeito pela república que nos foi legada pelos autores da Constituição.


E na verdade perdeu.


Não tardou muito até que a "diplomacia" do dólar tornou-se a "hegemonia" do dólar, na segunda metade do século XX.

Esta transição só podia ter ocorrido com uma mudança dramática na política monetária e na natureza do próprio dólar.

O Congresso criou o Federal Reserve System em 1913.

Entre essa data e 1971 o princípio da moeda sã foi minado sistematicamente. Entre 1913 e 1971, o Federal Reserve achou muito mais fácil expandir a oferta de moeda à vontade para financiar a guerra ou manipular a economia com pouca resistência do Congresso — enquanto beneficiava os interesses especiais que influenciam o governo.

O domínio do dólar adquiriu um enorme impulso após a Segunda Guerra Mundial.

Fomos poupados à destruição que tantas outras nações sofreram, e os nossos cofres estavam cheios com o ouro do mundo.

Mas o mundo escolheu não retornar à disciplina do padrão ouro, e os políticos aplaudiram.

Imprimir dinheiro para pagar as contas era um bocado mais popular do que aplicar impostos ou restringir gastos desnecessários.

Apesar dos benefícios de curto prazo, foram institucionalizados desequilíbrios nas décadas que se seguiriam.

O acordo de 1944 em Bretton Woods solidificou o dólar como a divisa de reserva predominante no mundo, substituindo a libra britânica.

Devido ao nosso músculo político e militar, e porque tínhamos uma enorme quantidade física de ouro, o mundo prontamente aceitou o nosso dólar (definido como 1/35 avos de uma onça de ouro) como a divisa de reserva universal.

Dizia-se que o dólar era "tão bom quanto o ouro", e convertível para todos os bancos centrais estrangeiros àquela taxa.

Para os cidadãos americanos, contudo, continuava a ser ilegal possuí-lo.

Isto foi um padrão gold-exchange que desde o seu início estava condenado a fracassar.

Os EUA fizeram exactamente o que muitos previram que fariam.

Imprimiram mais dólares para os quais não havia ouro como suporte. Mas o mundo manteve-se satisfeito a aceitar aqueles dólares durante mais de 25 anos — até que o franceses e outros no fim da década de 1960 exigiram que cumpríssemos nossa promessa de pagar uma onça de ouro por cada US$35 que entregassem ao Tesouro dos EUA.

Isto resultou numa enorme drenagem de ouro que pôs fim a um muito fracamente concebido padrão pseudo-ouro.

Isto tudo acabou em 15 de Agosto de 1971, quando Nixon fechou o guichê do ouro e recusou-se a pagar 280 milhões de onças.

Em resumo, declarámos nossa insolvência e toda a gente reconheceu que algum outro sistema monetário tinha de ser concebido a fim de trazer estabilidade aos mercados.

Espantosamente, foi concebido um novo sistema que permitiu aos EUA operarem as máquinas de impressão para a divisa de reserva do mundo sem restrições que os tolhessem — nem mesmo uma pretensa convertibilidade em ouro, sem restrição alguma!

Embora a nova política fosse ainda mais profundamente enviesada, ela no entanto abriu a porta para a difusão da hegemonia do dólar.

Percebendo que o mundo estava a embarcar em alguma coisa nova e estonteante, a elite dos administradores de dinheiro, com apoio especialmente forte das autoridades americanas, carpinteirou um acordo com a OPEP para cotar o petróleo exclusivamente em dólares norte-americanos em todas as transações do mundo.

Isto deu ao dólar um lugar especial entre as divisas mundiais e, em essência, "suportou" o dólar com petróleo.

Em troca, os EUA prometeram proteger os vários reinos ricos em petróleo do Golfo Pérsico contra ameaças de invasão ou golpe interno.

Este arranjo ajudou a atear o movimento radical islâmico entre aqueles que se ressentiam com a nossa influência na região.

O arranjo deu fortaleza artificial ao dólar, com tremendos benefícios financeiros para os Estados Unidos.

Ele nos permitiu exportar a nossa inflação monetária através da compra de petróleo e outros bens com um grande desconto enquanto a influência do dólar florescia.

Este sistema pós-Bretton Woods era muito mais frágil do que o sistema que existiu entre 1945 e 1871.

Embora o arranjo dólar/petróleo fosse de grande auxílio, ele não era nem de longe tão estável quanto o padrão pseudo-ouro sob Bretton Woods.

E era certamente menos estável do que o padrão ouro do fim do século XIX. Durante a década de 1970 o dólar quase entrou em colapso, pois os preços do petróleo agitaram-se e o ouro disparou para US$800 por onça. Em 1979 foram necessárias taxas de juro de 21% para recuperar o sistema. A pressão sobre o dólar na década de 1970, apesar dos benefícios ampliados, reflectiu os défices orçamentais imprudentes e a inflação monetárias verificada durante a década de 1960. Os mercados não foram enganados pela pretensão de LBJ de que nos podíamos permitir em simultâneo "canhões e manteiga".

Mais uma vez o dólar foi recuperado, e isto abriu a era da verdadeira hegemonia do dólar que durou do princípio da década de 1980 até o presente.

Com a formidável cooperação dos bancos centrais e dos bancos comerciais internacionais, o dólar foi aceite como se fosse ouro.

O presidente do Fed, Alan Greenspan, em várias ocasiões, perante o House Banking Commitee, respondeu aos desafios que lhe fiz acerca das suas opiniões favoráveis sobre o ouro afirmando que ele e outros banqueiros centrais haviam conseguido que o dinheiro de papel — i.e., o sistema dólar — respondesse como se ele fosse ouro.

Cada vez que eu discordava com veemência, e destacava que se eles houvessem alcançado um tal feito teriam desafiado séculos de história económica quanto à necessidade de a moeda ser alguma coisa de valor real.

Ele presunçosa e confiantemente contribuiu para isto. Em anos recentes, bancos centrais e instituições financeiras várias, todas com interesses estabelecidos na manutenção de um padrão dólar fiduciário (fiat dollar) funcional, não faziam segredo acerca da venda e empréstimo de grandes quantidades de ouro para o mercado mesmo no momento em que a redução dos preços do ouro levantava sérias questões acerca da sabedoria de uma tal política.

Eles nunca admitiram fixar o preço do ouro, mas há evidência abundante de que acreditavam que se o se preço caísse isto transmitiria um sentido de confiança ao mercado, confiança de que na verdade haviam alcançado um êxito espantoso na transformação de papel em ouro.

Aumentos nos preços do ouro historicamente foram encarados como um indicador de desconfiança na divisa em papel.

Este esforço recente não foi de todo diferente daquele do Tesouro americano ao vender a US$35 por onça na década de 1960, numa tentativa de convencer o mundo que o dólar era são e tão bom quanto o ouro.

Mesmo durante a Depressão, um dos primeiros actos de Roosevelt foi remover o apreçamento do ouro no mercado livre, como indicação de um sistema monetário deficiente, ao tornar ilegal para cidadãos americanos possuir ouro.

A lei económica no final das contas limitou aquele esforços, tal como o fez no princípio da década de 1970 quando o nosso Tesouro e o FMI tentaram fixar o preço do ouro ao despejar toneladas dele no mercado para amortecer o entusiasmo dos que procuravam um lugar seguro para um dólar cadente depois de a propriedade de ouro ter sido re-legalizada.

Mais uma vez, os esforços entre 1980 e 2000 para enganar o mercado quanto ao verdadeiro valor do dólar provaram-se não ter êxito.

Nos últimos 5 anos o dólar tem sido desvalorizado em termos de ouro em mais de 50%.

Você simplesmente não pode enganar todas as pessoas todo o tempo, mesmo com o poder das potentes máquinas de impressão e do sistema de criação de dinheiro da Federal Reserve.

Mesmo com todas as deficiências do sistema monetário fiduciário (fiat monetary system), a influência do dólar prosperou.

Os resultados pareciam benéficos, mas distorções brutais embutidas dentro do sistema permaneciam.

E, verdade consagrada, os políticos em Washington estão muitíssimo ansiosos por resolver os problemas que surgem por meio de camuflagens (window dressing), enquanto fracassam no entendimento e tratamento das políticas distorcidas subjacentes.

Proteccionismo, fixação de taxas de câmbio, tarifas punitivas, sanções motivadas politicamente, subsídios corporativos, administração do comércio internacional, controles de preços, controles da taxa de juro e dos salários, sentimentos super-nacionalistas, ameaças de força, e mesmo a guerra são utilizados para resolver todos os problemas criados artificialmente por sistemas monetários e económicos profundamente distorcidos.

No curto prazo, o emissor de uma divisa fiduciária de reserva pode acumular grandes benefícios económicos.

No longo, isto apresenta uma ameaça para o país que emite a divisa mundial. Neste caso, são os Estados Unidos.

Enquanto países estrangeiros tomarem nossos dólares em troca de bens reais, nós vamos para a frente.

Isto é um benefício que muitos no Congresso não conseguem identificar, pois eles atacam a China por manter uma balança comercial positiva connosco.

Mas isto conduz a uma perda de empregos manufactureiros para mercados além mar, pois nos tornamos mais dependentes dos outros e menos auto-suficientes. Os países estrangeiros acumulam os nossos dólares devido às suas altas taxas de poupança, e graciosamente emprestam-nos de volta a taxas de juro baixas para financiar o nosso consumo excessivo.

Isto parece um grande negócio para toda a gente, excepto que virá o tempo em que os nossos dólares — devido à sua depreciação — serão recebidos menos entusiasticamente ou serão mesmo rejeitados pelos países estrangeiros.

O que poderia criar uma situação inteiramente nova e forçar-nos a pagar um preço por vivermos além dos nossos meios e da nossa produção.

A mudança de sentimento em relação ao dólar já começou, mas o pior ainda está para vir.

O acordo com a OPEP na década de 1970 para cotar o petróleo em dólares proporcionou tremenda força artificial para o dólar como a divisa de reserva predominante. Isto criou uma procura universal pelo dólar, e enxugou o enorme número de novos dólares gerados a cada ano. Só no ano passado o M3 aumentou mais de US$700 mil milhões. A procura artificial pelo nosso dólar, juntamente com o nosso poder militar, coloca-nos na posição única de "dirigir" o mundo sem trabalho produtivo ou poupanças, e sem limites nos gastos de consumo ou nos défices. O problema é que isto não pode durar. A inflação nos preços está a levantar a sua cabeça feia, e a bolha do NASDAQ — gerada pelo dinheiro fácil — arrebentou.

A bolha da habitação criada da mesma forma está a esvaziar (deflating).

Os preços do ouro duplicaram, e os gastos federais estão fora da vista com zero de vontade política para travá-los.

O défice do comércio externo no ano passado foi de mais de US$728 mil milhões. Uma guerra de US$2 milhões de milhões (trillions) está a travar-se, e estão a ser preparados planos para expandir a guerra ao Irão e possivelmente à Síria.

A única força restritiva será a rejeição mundial do dólar.

Isto é forçoso vir e cria condições piores do que as de 1979-1980, as quais exigiram taxas de juro de 21% para a correcção.

Mas todo o possível será feito para proteger o dólar nesse ínterim.

Temos um interesse partilhado com aqueles que possuem os nossos dólares em manter toda a charada em andamento.

Greenspan, no seu primeiro discurso depois de deixar o Fed, disse que os preços do ouro estavam altos devido à preocupação com o terrorismo e não por causa de preocupações monetárias ou porque ele criou demasiados dólares durante o seu mandato.

O ouro tem de ser desacreditado e o dólar impulsionado. Mesmo quando o dólar fica sob sérios ataques das forças do mercado, os bancos centrais e o FMI seguramente farão tudo o que for concebível para enxugar os dólares na esperanças de restaurar a estabilidade.

No final das contas, eles fracassarão.

Ainda mais importante: o relacionamento dólar/petróleo tem de ser mantido para manter o dólar como divisa predominante.

Qualquer ataque a este relacionamento será vigorosamente contestado — como já foi.

Em Novembro de 2000 Saddam Hussein exigiu euros pelo seu petróleo. Sua arrogância era uma ameaça para o dólar, sua falta de qualquer poder militar nunca foi uma ameaça.

Na primeira reunião do gabinete com a nova administração em 2001, como relatado pelo secretário do Tesouro Paul O'Neill, o tópico principal era como nos livraríamos de Saddam Hussein embora não houvesse qualquer evidência de que ele representasse uma ameaça para nós.

Esta profunda preocupação com Saddam Hussein surpreendeu e chocou O'Neill.

É agora de conhecimento comum que a reacção imediata da administração após o 11/Set revolveu-se em torno da questão de como podiam conectar Saddam Hussein com os ataques, para justificar uma invasão e o derrube do seu governo.

Mesmo sem provas de qualquer conexão com o 11/Set, ou evidência de armas de destruição em massa, foi gerado apoio público e do Congresso através de distorções e adulterações directas dos factos para justificar o derrube de Saddam Hussein.

Não houve conversa pública quanto a remoção de Saddam Hussein devido ao seu ataque à integridade do dólar como divisa de reserva por vender petróleo em euros.

Muitos acreditam que isto foi a razão real da nossa obsessão com o Iraque. Duvido que fosse a única razão, mas pode muito bem ter desempenhado um papel significativo nas nossas motivações para travar a guerra.

Num período muito curto após a vitória militar, todas as vendas iraquianas de petróleo foram efectuadas em dólares.

O euro foi abandonado.

Em 2001, o embaixador da Venezuela na Rússia disse que o seu país comutaria para euros todas as suas vendas de petróleo.

Dentro de um ano houve uma tentativa de golpe contra Chavez, confirmadamente com a assistência da nossa CIA.

Após estas tentativas de empurrar o euro em substituição do dólar como divisa de reserva do mundo, a queda aguda do dólar contra o euro foi revertida.

Estes eventos podem muito bem ter desempenhado um papel significativo na manutenção do domínio do dólar.

Ficou claro que a administração americana era simpática àqueles que conspiraram para derrubar Chavez, e ficou embaraçada com o seu fracasso.

O facto de Chavez ter sido eleito democraticamente teve pouco influência sobre qual dos lados nós apoiámos.

Agora, uma nova tentativa está a ser feita contra o sistema do petrodólar.

O Irão, outro membro do "eixo do mal", anunciou seus planos para iniciar uma bolsa de petróleo em Março deste ano.

Imagine em que moeda: as vendas de petróleo serão cotadas em euros, não em dólares.

A maior parte dos americanos esquecem como as nossas políticas sistematicamente e desnecessariamente antagonizaram os iranianos aos longo dos anos.

Em 1953 a CIA ajudou a derrubar o presidente eleito democraticamente, Mohammed Mossadegh, e instalar o Xá autoritário, que era amistoso para com os EUA.

Os iranianos ainda estavam fumegando quanto a isto quando os reféns foram capturados em 1979.

Nossa aliança com Saddam Hussein na sua invasão do Irão no princípio da década de 1980 não ajudou, e obviamente não o fez nosso relacionamento com Saddam Hussein.

O anúncio da administração em 2001 de que o Irão era parte do eixo do mal não fez grande coisa para melhorar o relacionamento diplomático entre os nossos dois países.

Ameaças recentes acerca da energia nuclear, enquanto ignoram o facto de que eles estão cercados por países com armas nucleares, não parecem condizer com aqueles que continuam a provocar o Irão.

Com aquilo que a maior parte dos muçulmanos percebem como sendo a nossa guerra contra o Islão, e isto é história recente, não é de admirar que o Irão possa preferir prejudicar a América através da minagem do dólar.

O Irão, tal como o Iraque, tem capacidade zero para atacar-nos.

Mas isto não nos impediu de transformar Saddam Hussein num Hitler da idade moderna pronto a conquistar o mundo.


Agora o Irão, especialmente desde que fez planos para cotar o petróleo em euros, tem estado como receptáculo final de uma guerra de propaganda não muito diferente daquela travada contra o Iraque antes da nossa invasão.


Não é provável que a manutenção da supremacia do dólar fosse o único factor motivante para a guerra contra o Iraque, nem para a agitação contra o Irão. Embora as razões reais para ir à guerra sejam complexas, agora sabemos que as razões dadas antes de a guerra começar, como a presença de armas de destruição em massa e a conexão de Saddam Hussein ao 11/Set, eram falsas.

A importância do dólar é óbvia, mas isto não diminui a influência dos diferentes planos legados anos atrás pelos neoconservadores para refazer o Médio Oriente. A influência de Israel, bem como aquela dos cristãos sionistas, desempenhou um papel semelhante na prossecução desta guerra. Proteger os "nossos" abastecimentos de petróleo tem influenciado a nossa política para o Médio Oriente durante décadas.

Mas a verdade é que pagar as contas desta intervenção agressiva é impossível da maneira antiga, com mais impostos, mais poupança e mais produção pelo povo americano.

Grande parte da despesas da Guerra do Golfo Pérsico em 1991 foi suportada por muitos dos nossos aliados aquiescentes.

Não é assim hoje.

Agora, mais do que nunca, a hegemonia do dólar — o domínio como divisa de reserva mundial — é exigida para financiar nossas enormes despesas de guerras.

Esta infindável guerra de US$2 milhões de milhões tem de ser paga, de uma forma ou de outra.

A hegemonia do dólar proporciona o veículo para fazer exactamente isso.

A maioria das verdadeiras vítimas não está consciente de como pagará as contas. A licença para criar moeda a partir do ar fino permite que as contas sejam pagas através da inflação de preços.

Os cidadãos americanos, bem como a média dos cidadãos do Japão, China e outros países, sofre com a inflação dos preços, que representa o "imposto" que paga as contas das nossas aventuras militares.

Isto é assim até que seja descoberta a fraude, e os produtores estrangeiros decidam não receber dólares nem mante-los muito tempo pelo pagamento dos seus bens.

É feito todo o possível para impedir que a fraude do sistema monetária seja exposta às massas que sofrem com ela.

Se os mercados petrolíferos substituíssem dólares por euros, isto com o tempo restringiria nossa capacidade para continuar a imprimir, sem restrições, a divisa de reserva mundial.

É um inacreditável benefício para nós importar bens valiosos e exportar dólares depreciados.

Os países exportadores tornaram-se viciados nas nossas compras para o seu crescimento económico.

Esta dependência torna-os aliados na continuação da fraude, e a sua participação mantem o valor do dólar artificialmente alto.

Se este sistema fosse praticável a longo prazo, os cidadãos americanos jamais teriam de trabalhar outra vez.

Nós também poderíamos desfrutar "pão e circo" tal como os romanos, mas o seu ouro finalmente desapareceu e a incapacidade de Roma para continuar a pilhar nações conquistadas levou o seu império ao fim.

O mesmo nos acontecerá se não mudarmos nossos costumes. Embora não ocupemos países estrangeiros para saqueá-los directamente, espalhámos no entanto nossas tropas em 130 países do mundo.

Nosso esforço intenso para difundir nosso poder no Médio Oriente rico em petróleo não é uma coincidência.

Mas ao contrário dos velhos dias, não declaramos directamente propriedade sobre os recursos naturais — apenas insistimos em que podemos comprar o que quisermos e pagar por isso com o nosso dinheiro de papel.

Qualquer país que desafie a nossa autoridade incide em grande risco.

Mais uma vez o Congresso comprou a guerra de propaganda contra o Irão, tal como o fez contra o Iraque.

São fabricados agora argumentos para atacar o Irão economicamente, e militarmente se necessário.

Estes argumentos são todos baseados nas mesmas falsas razões para a mal concebida e custosa ocupação do Iraque.

Todo o nosso sistema económico depende da continuidade do actual arranjo monetário, o qual significa que a reciclagem do dólar é crucial.

Actualmente, emprestamos mais de US$700 mil milhões todos os anos dos nossos graciosos benfeitores, que trabalham arduamente e recebem o nosso papel pelos seus bens.

A seguir, tomamos emprestado todo o dinheiro que precisamos para assegurar o império (orçamento do Departamento da Defesa: US$ 450 mil milhões) e ainda mais.

O poder militar que desfrutamos torna-se o "suporte" da nossa divisa.

Não há outros países que possam desafiar nossa superioridade militar, e portanto eles têm poucas opções além de aceitar os dólares que declaramos ser o "ouro" de hoje.


É por isso que os países que desafiam o sistema — como o Iraque, Irão e Venezuela — tornam-se alvos dos nossos planos para mudança de regime. Ironicamente, a superioridade do dólar depende da nossa fortaleza militar, e a nossa fortaleza militar depende do dólar.


Enquanto receptores estrangeiros tomarem nossos dólares por bens reais e estiverem dispostos a financiar nosso consumo e militarismo extravagantes, o status quo continuará não importando quão enorme venha a ser nossa dívida externa e nosso défice em transações correntes.

Mas ameaças reais vêm dos nossos adversários políticos que são incapazes de nos confrontar militarmente, ainda que não tenham embaraços em nos confrontar economicamente.

Eis porque consideramos que o novo desafio do Irão deve ser encarado com seriedade.

Os argumentos urgentes acerca de o Irão apresentar uma ameaça militar à segurança dos Estados Unidos não são mais plausíveis do que as falsas acusações levantadas contra o Iraque.

Mas ainda não há esforços para resistir a esta marcha para a confrontação por parte daqueles que por razões políticas se pronunciam contra a guerra do Iraque. Parece que o povo e o Congresso são facilmente persuadidos pelo nacionalismo extremado (jingoism) dos promotores da guerra antecipativa (preemptive).

É só depois de o custo em vidas humanas e dólares ser calculado que o povo objecta contra o militarismo insensato.

A coisa estranha é que o fracasso no Iraque agora é evidente para uma grande maioria do povo americano, mas ainda assim ele e o Congresso estão aquiescentes ao apelo de uma desnecessária e perigosa confrontação com o Irão.

Mas apesar de tudo, nosso fracasso em descobrir Osama bin Laden e destruir a sua rede não nos dissuadiu de enfrentar os iraquianos numa guerra totalmente desvinculada do 11/Set.

A preocupação com a cotação do petróleo apenas em dólares ajuda a explicar nossa propensão para desencadear tudo e dar uma lição a Saddam Hussein pelo seu desafio ao exigir euros pelo petróleo.

E mais uma vez há este apelo urgente a sanções e ameaças de força contra o Irão no preciso momento em que o Irão está a abrir uma nova Bolsa de Petróleo com todas as transações em euros.

Utilizar força para obrigar povos a aceitarem dinheiro sem valor real pode funcionar só a curto prazo.

Isto acaba por levar a deslocações económicas, tanto internas como internacionais, e o preço acaba sempre por ser pago.

A lei económica de que o intercâmbio honesto exige apenas coisas com valor real como moeda não pode ser revogada.

O caos que um dia sobrevirá do nosso experimento de 35 anos com dinheiro fiduciário à escala mundial exigirá o retorno a uma moeda de valor real. Saberemos que este dia está a aproximar-se quando países produtores de petróleo exigirem ouro, ou seu equivalente, pelo seu óleo — ao invés de dólares ou euros.

Quanto mais cedo melhor.


Sobre o mesmo assunto ver também:



Discurso pronunciado perante a U.S. House of Representatives em 15/Fevereiro/2006.

O original encontra-se em http://www.energybulletin.net/12987.html .

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
22/Fev/06