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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

AHMADINEJAD, BEM-VINDO AO BRASIL


“O Brasil tem uma relação amistosa com todos os países do Oriente Médio e de harmonia e respeito às políticas internas”.
Irã quer propor ao Brasil
ampliação das relações comerciais
e
culturais


Teerã (Irã) - O Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, quer propor ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sua visita ao Brasil, marcada para 23 de novembro, uma nova dimensão nas relações econômicas e culturais entre os dois países.


O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Alireza Salari, disse à Agência Brasil que seu país espera elevar dos atuais US$ 2 bilhões para US$ 15 bilhões o fluxo de comércio, com novos acordos envolvendo as áreas de petroquímica, produção de gás, adubos, medicina e energia nuclear.


O Brasil é o oitavo fornecedor do Irã, com uma diversificada pauta de exportações que vai de alimentos a carros e minérios.


As pequenas importações brasileiras concentram-se em produtos como sal, enxofre, frutas secas, tapetes, peles e combustíveis.


"Houve uma troca de documentos. Estamos em fase final de negociações para elevar as atuais relações de simples comércio a relações econômicas mais amplas", disse Salari, que vem tratando do assunto no Brasil com o subsecretário-geral de Assuntos Políticos do Itamaraty, Roberto Jaguaribe.


Também estarão na pauta de negociações a troca de tecnologia e a concessão de vistos nos dois países.


Os iranianos podem fornecer adubo ao Brasil e o Brasil pode passar a tecnologia da produção de alimentos.


Salari acha que há complementaridade das duas economias, além do interesse especial na produção de energia nuclear para fins pacíficos.


"A partir do desenvolvimento nuclear, o Irã já produziu diversos medicamentos e três deles estão sendo comercializados em vários países da Ásia e na Venezuela".


Segundo Salari, há três ou quatro tipos de remédios para combate ao câncer e um para tratamento do diabetes. Oitenta por cento dos remédios são produzidos no próprio país.


"São medicamentos que estão à disposição para serem exportados ou produzidos no Brasil".
UMA NOVA ERA NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS


Novas estruturas, que promovam a justiça e paz sustentável. Esta a tônica do memorável discurso do Excelentíssimo Senhor Presidente da República Islâmica do Irã, Mahmud Ahmadinejad, na 64ª Sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas, no último dia 23 de agosto. A imprensa brasileira não deu uma linha sobre o seu discurso, preocupada que está, muito mais, em acompanhar o "script" de Tel Aviv e Washington e demonizá-lo em lugar de prestar atenção em suas palavras. Acompanhe a rara oportunidade de conhecer seu pensamento abaixo:

“Em nome de Deus, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo, Graças a Allah, o Senhor do Universo, e que a paz e as bênçãos estejam com nosso Mestre e Profeta, Muhammad, e com a sua Descendência Purificada e seus Nobres Companheiros. Ó, Deus, apressa a chegada do Imam Al-Mahdi e dê a ele boa saúde e a vitória e faz de nós seus seguidores e aqueles que atestam seu direito.”
“Sr. Presidente, Excelências, Senhoras e Senhores, eu agradeço ao Deus Todo-Poderoso por me oferecer, mais uma vez, a oportunidade de dirigir-me a esta importante reunião internacional. Eu desejo começar cumprimentando-o, Sr. Presidente, por ter assumido a presidência da 64ª Sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas e desejo ao Sr. todo o sucesso.”

“Eu também estendo meus agradecimentos ao Sr. Miguel d’Escoto Brockmann, presidente da 63ª Sessão da Assembléia Geral, pela excelente condução dos trabalhos durante o seu mandato. Nos últimos quatro anos eu tenho falado convosco sobre as mudanças mais importantes que nosso mundo enfrenta. Eu tenho falado a respeito das raízes e das causas subjacentes destes desafios e sobre a necessidade das potências mundiais reverem suas posições e trabalhar para a criação de novos mecanismos que possam solucionar os problemas internacionais.”
“Eu tenho falado sobre duas visões conflitantes que prevalecem em nosso mundo; uma que é baseada no predomínio dos interesses materialistas, disseminando a iniqüidade e a opressão, a pobreza e o desprovimento, a agressão, ocupação e a falsidade, tentando colocar o mundo inteiro sob seu controle, impondo sua vontade às nações. Esta visão tem produzido nada mais do que frustração, desapontamento e delineado um futuro negro para a humanidade toda.”

A outra visão desposa a crença na Unicidade do Todo-Poderoso Deus, segue os ensinamentos dos Seus Mensageiros, respeita a dignidade humana e procura construir um mundo seguro para todos os membros da comunidade humana, na qual todo mundo pode, igualmente, desfrutar das bênçãos da paz sustentável e da espiritualidade. Esta é uma visão que respeita todos os seres humanos, nações e as culturas valiosas, desafiando todos os tipos de discriminação no mundo, comprometendo-se com a luta constante para promover a igualdade para todos diante da lei, baseada na justiça e fraternidade, repousando sobre uma fundação sólida, que garanta acesso igual a todos os seres humanos na sua busca por excelência no conhecimento e na ciência. Eu tenho dado ênfase e reforço a necessidade de realizar mudanças fundamentais nas atitudes correntes em relação ao mundo e aos seres humanos, com o objetivo de nos habilitarmos a criar um amanhã brilhante.”
Amigos e colegas: Hoje, eu desejo dividir com vocês alguns pontos sobre as mudanças que devem ocorrer. Primeiro, claramente, a continuidade das circunstâncias atuais no mundo é impossível. As condições atuais, injustas e desfavoráveis, vão contra a natureza da humanidade e movem-se em uma direção que contradiz a verdade e o objetivo por trás da criação do mundo. Não é mais possível injetar milhões e bilhões de dólares de uma riqueza irreal simplesmente imprimindo papel sem valor, ou transferir inflação, assim como problemas sociais e econômicos, para os outros, criando déficits orçamentários severos. O motor descontrolado do capitalismo, com seu sistema injusto de pensamento, chegou ao fim da estrada e não tem condições mais de se mover. A era do pensamento capitalista e da imposição dos pensamentos de uma pessoa sobre a comunidade internacional, objetivando dominar o mundo em nome da globalização e da era dos impérios acabou. Não é mais possível humilhar as nações e impor políticas de duplo padrão à comunidade mundial.”
”Considerações nas quais a realização dos interesses de certas potências é considerada como o único critério de promoção da democracia, usando os métodos mais horríveis de intimidação e enganação sob o manto da liberdade como uma prática democrática, e observações por meio das quais algumas vezes os ditadores são retratados como democratas, perdem legitimidade e devem ser totalmente rejeitadas. O fim chegou para aqueles que definem a democracia e a liberdade e estabelecem padrões enquanto eles mesmos são os primeiros a violar os seus princípios fundamentais. Eles não podem mais arvorar-se ao mesmo tempo o papel de juizes e executores, desafiando os governos estabelecidos real e democraticamente. O despertar das nações e a expansão da liberdade no mundo inteiro não permitem mais que eles continuem com sua hipocrisia e atitudes viciosas.”

“Por todas estas razões, muitas nações, incluindo o povo dos Estados Unidos, estão esperando por mudanças reais e profundas. Elas dão as boas-vindas e continuarão a dar boas-vindas às mudanças. Como alguém pode imaginar que as políticas desumanas na Palestina possam continuar? Forçar a população inteira para fora do seu país por mais de 60 dias sob uso da força e coerção; atacá-los com todos os tipos de armamentos e mesmo com armamento proibido; negar a eles seu legítimo direito a auto-defesa, enquanto boa parte da comunidade internacional, que deveria envergonhar-se, chama os ocupantes de amantes da paz, retratando as vítimas como terroristas. Como podem estes crimes dos ocupantes contra mulheres e crianças indefesas, a destruição de seus lares, fazendas, hospitais e escolas, serem apoiados incondicionalmente por certos governos e, ao mesmo tempo, os homens e mulheres oprimidos serem sujeitados ao genocídio e a um pesadíssimo bloqueio econômico, sendo-lhes negadas suas necessidades básicas como alimento, água e medicamentos?”
“Eles não têm nem permissão para reconstruir suas casas, que foram destruídas durante o bárbaro ataque de 22 dias, no começo deste ano, pelo regime sionista, enquanto o inverno vem se aproximando. Enquanto isso, os agressores e seus apoiadores, falsamente, continuam sua defesa retórica dos direitos humanos, com o objetivo de colocar os outros sob pressão. Não é mais aceitável que uma pequena minoria continue a dominar a política, a economia e a cultura da maior parte do mundo, por meio de redes complicadas, estabelecendo uma nova forma de escravidão, manchando a reputação de outras nações, mesmo das nações europeias e dos Estados Unidos, para conquistar suas ambições.”

“Não é mais aceitável que aqueles que estão a muitos milhares de quilômetros distantes do Oriente Médio mandem suas tropas para intervenção militar e disseminação da guerra, derramamento de sangue, agressão, terror e intimidação, enquanto condenam os protestos dos países da região, que estão preocupados com o seu destino e segurança nacional, como movimentos contra a paz e interferência nos assuntos dos outros. Olhemos para o Iraque e o Afeganistão.”
“Não é mais possível manter um país sob ocupação militar em nome da luta contra o terrorismo e o tráfico de drogas enquanto a produção de drogas ilícitas se multiplica, o terrorismo de expande e aperta suas garras, milhares de pessoas inocentes são assassinadas, feridas ou deslocadas, as infraestruturas são destruídas e a segurança regional é seriamente ameaçada. E aqueles que criaram esta corrente desastrosa continuam a culpar os outros. Como vocês podem falar em amizade e solidariedade com as outras nações enquanto aumentam suas bases militares em diferentes partes do mundo, incluindo a América Latina?”
”Esta situação não pode continuar. É impossível continuar esta expansão das políticas desumanas com base na lógica militar. A lógica da coerção e intimidação produzirá conseqüências terríveis, exacerbando os atuais problemas globais. Não é aceitável que o orçamento militar de alguns governos exceda em muito o de alguns países inteiros. Eles exportam bilhões de dólares em armamento todos os anos, estocam armas biológicas e químicas, estabelecem bases militares ou têm presença militar em outros países, enquanto acusam os outros de militarismo, mobilizando todos os seus recursos no mundo para impedir o progresso científico e tecnológico de outras nações, sob o pretexto de enfrentar a proliferação do armamento.”
“Não é aceitável que as Nações Unidas e o Conselho de Segurança, cujas decisões deveriam representar todas as nações e governos pela aplicação dos métodos mais democráticos em seus processos de tomada de decisões, sejam dominados por alguns governos e sirvam aos seus interesses. Num mundo onde culturas, pensamentos e a opinião pública deveriam ser os fatores determinantes, a continuidade da situação presente é impossível e mudanças fundamentais parecem ser inevitáveis. Em segundo lugar, qualquer mudança deve ser estrutural e fundamental, seja na teoria quanto na prática, envolvendo todos os domínios da nossa vida.”
“Os mecanismos ultrapassados que são eles mesmos instrumentos e raiz dos problemas presentes nas sociedades humanas nunca poderão ser usados para trazer mudanças e criar o mundo dos nossos desejos. O liberalismo e o capitalismo, que alienaram os seres humanos dos seus valores morais e celestiais, nunca trarão a felicidade para a humanidade, pois são a principal fonte das guerras, pobreza e desprovimento. Nós todos temos visto como as estruturas econômicas, que são injustas, controladas por certos interesses politicos, são usadas para saquear a riqueza das nações em benefício de um grupo de gigantes econômicos corruptos.”
“As estruturas atuais são incapazes de reformar a situação presente. As estruturas políticas e econômicas criadas após a Segunda Guerra Mundial, que eram baseadas na intenção de dominar o mundo falharam em promover a justiça e garantir a segurança. Os governantes, cujos corações não batem por amor à humanidade e que sacrificaram o espírito da justiça em suas mentes, nunca ofereceram a promessa da paz e amizade à humanidade.”
“Pela Graça de Deus, o marxismo se foi. Agora, é história. O capitalismo expansionista também terá, certamente, o mesmo destino. Com base nas tradições divinas, referidas como princípios no Alcorão Sagrado, o erro, como bolhas na superfície da água, desaparecerá. Permanecerá apenas o que pode ser usado para sempre no interesse das sociedades humanas. Nós todos devemos estar vigilantes para prevenir os objetivos colonialistas, discriminatórios e desumanos sob a capa dos slogans de mudança, travestidos em novos formatos.”
“O mundo precisa dedicar-se a mudanças fundamentais e todos devemos nos engajar coletivamente para que isso aconteça numa direção correta. Por meio de tais esforços, ninguém e nenhum governo deverá considerar-se exceção ou superior aos outros, tentando impor sua vontade sobre os demais, proclamando sua liderança. Todos os problemas que existem em nosso mundo atualmente emanam do fato de que governantes se distanciaram os valores humanos, da moralidade e dos ensinamentos dos Mensageiros Divinos.”
“Infelizmente, nas atuais relações internacionais, o egoísmo e a ganância insaciável tomaram o lugar dos conceitos humanitários do amor, sacrifício, dignidade e justiça. A crença em Um Deus foi substituída pelo egoísmo. Alguns tomaram o lugar de Deus e insistem em impor os seus valores e desejos aos outros. Mentiras tomaram o lugar da honestidade; a hipocrisia substituiu a integridade e o egoísmo tomou o lugar do sacrifício. A dissimulação nos relacionamentos é denominada “previsão” e competência administrativa; saquear a riqueza das demais nações é chamado “esforço de desenvolvimento”; ocupação é apresentada como um presente pela promoção da liberdade e democracia e nações indefesas são sujeitadas à repressão em nome da defesa dos direitos humanos.”
“Amigos e colegas, a solução dos problemas globais, a administração da justiça e a manutenção da paz só serão materializadas mediante a determinação coletiva e a cooperação de todas as nações e estados. A era da polarização do mundo pelas premissas da hegemonia ou dominação de poucos governos acabou.”

“Hoje nós devemos nos levantar juntos em um compromisso coletivo contra os desafios presentes. Nós devemos assumir este desafio seriamente e ajudar os outros por meio de um trabalho coletivo, retornando à moral básica e aos valores humanos. Os mensageiros que foram enviados por Deus para mostrar a luz da verdade à humanidade vieram para tornar as pessoas atentas quanto a suas obrigações individuais e sociais.”

“A piedade, com fé em Allah e em seu julgamento do comportamento humano ou sua conduta no mundo do além, a crença na primazia da justiça em ambas as vidas, a busca da felicidade, do bem-estar e da segurança na felicidade, o bem-estar e a segurança para os outros, o respeito à humanidade, fazer esforços para expandir o amor e a compaixão contra a hostilidade estão todos no topo dos ensinamentos dos Mensageiros de Deus, de Adão a Noé, de Noé a Abraão, Moisés, Jesus Cristo e o último deles, o Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele).”
“Todos eles vieram para fazer algo que eliminasse a guerra e a ignorância, erradicasse a pobreza e arrancasse a discriminação com o propósito de disseminar a felicidade em todo o mundo. Eles foram os melhores presentes de Deus Todo-Poderoso à humanidade. Se a crença na Intizar (a espera paciente pelo Imam que voltará) tornar-se algo comum nós podemos juntar nossas mãos para conquistar a prosperidade para todos. Então, haverá uma esperança real e crescente de reforma.”

“Na minha opinião, nós temos algumas agendas importantes diante de nós. O secretário-geral da Assembléia Gerald as Nações Unidas pode assumir a liderança ao adotar as medidas necessárias para cumprir nossos objetivos compartilhados com base em:”

“1 – Reestruturação das Nações Unidas com o objetivo de tranformar este corpo mundial numa organização eficiente e totalmente democrática, capaz de desempenhar um papel imparcial, equitativo e efetivo nas relações internacionais. A reforma da estrutura do Conselho de Segurança, especialmente abolindo o privilégio discriminatório do “direito de veto”; a restauração dos direitos inalienáveis do povo palestino, organizando um referendo e eleições livres na Palestina, com o propósito de preparar um caminho para que todas as populações da Palestina, incluindo muçulmanos, cristãos e judeus, vivam juntos em paz e harmonia; colocando um fim em todos os tipos de interferência nos assuntos internos do Iraque, Afeganistão, Oriente Médio e em todos os países da África, América Latina, Ásia e Europa. Como nosso Grande Profeta dizia, um governo pode até sobreviver mediante a blasfêmia, mas jamais com opressão. A opressão contra os Palestinos e a violação dos seus direitos continua; um novo grupo de palestinos que vivem em Al-Qods Asharif foram novamente forçados a deixar suas casas, pois a destruição de seus lares continua por parte dos ocupantes; os bombardeios no Afeganistão e no Paquistão ainda não terminaram; e a Prisão de Guantanamo ainda não foi fechada, havendo ainda prisões secretas na Europa. A continuidade da atual situação aumenta as hostilidades e a violência. A opressão e a agressão militar têm de parar. Infelizmente, os relatórios oficiais a respeito das brutalidades do regime sionista em Gaza não foram completamente publicados. O secretário-geral das Nações Unidas tem responsabilidades cruciais a este respeito e a comunidade internacional está esperando impacientemente pela punição dos agressores pelo assassinato de pessoas indefesas em Gaza;”
“2 – Reforma das atuais estruturas econômicas, firmando uma nova ordem internacional baseada nos valores e obrigações humanos e morais. Uma nova orientação é necessária, que promova a justiça e o progresso mundialmente pelo florescimento dos potenciais e talentos de todas as nações, trazendo, assim, bem-estar para todos e para as futuras gerações;”

“3 – Reforma das relações políticas internacionais, baseada na promoção de uma paz e uma amizade duradouras, erradicação da corrida armamentista e eliminação e todas as armas nucleares, químicas e biológicas;”
“4 – Reforma das estruturas culturais, respeito pelos diferentes costumes e tradições de todas as nações, promoção dos valores morais e espiritualidade destacando a instituição da família como suporte de todas as sociedades humanas;”
“5 – Esforços mundiais para proteger o meio-ambiente e respeitar os acordos e tratados internacionais para prevenir a aniquilação dos recursos naturais não-renováveis;”
“Nossa nação teve recentemente uma gloriosa eleição democrática, abrindo um novo capítulo para nosso país em sua marcha em direção ao progresso nacional e desenvolvimento de relações internacionais. O povo confiou-me mais uma vez, por larga maioria, esta grande responsabilidade.”
“E agora eu quero declarar que nossa grande nação, que deu uma grande contribuição para a civilização mundial, a República Islâmica do Irã, que tem um dos governos mais democráticos e progressistas do mundo, está pronta para mobilizar toda a sua capacidade cultural, política e econômica para engajar-se num processo construtivo dirigido a atender as preocupações e desafios internacionais. Nosso país tem sido a maior vítima do terrorismo e alvo de agressões militares durante a primeira década da revolução. Ao longo dos últimos 30 anos nós estivemos sujeitos a atitudes hostis daqueles que apoiaram a agressão militar de Saddam (Hussein, ex-ditador do Iraque) e o uso de armas químicas contra nós e que, depois disso, realizaram uma ação militar para livrar-se dele.”

“Atualmente, nossa nação procura criar um mundo no qual a justiça e a compaixão prevaleçam. Nós anunciamos nosso compromisso de participar do processo de construer uma paz e segurança duradouras em todo o mundo, para todas as nações, baseadas na justiça, espiritualidade e dignidade humanas, dedicando-nos a defender de forma intransigente nossos direitos legais e legítimos. Para materializar estes objetivos, nossa nação está preparada para, de forma calorosa, apertar as mãos que nos sejam estendidas honestamente. Nenhuma nação pode declarar-se livre da necessidade de mudança e reforma nesta caminhada remo à perfeição. Nós damos as boas-vindas às mudanças reais e humanas e permanecemos em pé para nos engajar nestas reformas globais e fundamentais.”
“Além disso, nós enfatizamos que: O único caminho para permanecermos seguros é o retorno ao Monoteísmo (a crença na Unidade de Deus) e à justiça. Esta é a grande esperança e oportunidade em todas as eras e gerações. Sem a crença em Deus e o compromisso com a causa da justiça e luta contra a injustiça e discriminação, o Arquiteto do Mundo não terá sido entendido.”
“O homem está no centro do Universo. A característica distinta do homem é sua humanidade. A mesma característica que busca a justiça, piedade, amor, conhecimento, cautela e todos os demais valores elevados. Estes valores humanos devem ser apoiados e cada um dos nossos irmãos deve ter a oportunidade de adquiri-los. Negligenciar qualquer um deles é equivalente a omitir-se enquanto parte constituinte da humanidade.”

“Estes são elementos comuns que conectam todas as comunidades humanas e constituem a base da paz, segurança e amizade. As religiões divinas dão atenção a todos os aspectos da vida humana, incluindo a obediência a Deus, moralidade, justiça, a luta contra a opressão e o esforço no estabelecimento de um governo justo e bom. O Profeta Abraão conclamou a Unicidade de Deus contra Nimrod, assim como o Profeta Moisés fez contra o Faraó e Jesus Cristo e o Profeta Muhammad (que a paz esteja com eles) fizeram contra os opressores de seu tempo. Todos eles foram ameaçados de morte e foram expulsos de sua terra natal. Sem resistência e protesto, as injustiças não serão removidas da face da terra.”

. “Caros amigos e colegas, o mundo está em continua mudança e evolução. O destino prometido à humanidade é o estabelecimento de uma vida humana pura. Chegará o tempo quando a justiça prevalecerá em todo o globo e cada ser humano desfrutará de respeito e dignidade. Este será o tempo em que o caminho da humanidade para a perfeição moral e espiritual estará aberto e sua jornada a Deus e a manifestação dos Nomes Divinos de Deus tornar-se-á realidade. A humanidade deveria esforçar-se para representar a “sabedoria e conhecimento” de Deus, Sua “compaixão e benevolência”, Sua “Justiça e Equidade”, Sua “Força e Arte” e Sua “Gentileza e Perdão”.”
“Isso tudo se tornará verdade sob o governo do Homem Perfeito, a Última Fonte Divina na terra, Hadhrat Mahdi (que a paz esteja com ele), um descendente do Profeta do Islã que re-emergirá, e Jesus Cristo (que a paz esteja com ele) e outros nobres homens que o acompanharão no cumprimento desta grande missão universal. Esta é a crença no Intizar (espera paciente pelo Imam que retornará). Esperando com paciência pelo governo do bem e do Melhor, que é uma noção humana universal e fonte da esperança das nações na melhoria do mundo. Eles voltarão e com a ajuda de pessoas corretas e crentes verdadeiros materializarão os desejos há muito acalentados de liberdade, perfeição, maturidade, segurança e tranqüilidade, paz e beleza.”
“Eles voltarão para colocar um fim à guerra e agressão, oferecendo todo o seu conhecimento , espiritualidade e fraternidade a todo o mundo. Sim, um brilhante futuro para a humanidade chegará. Queridos amigos, na espera desta era brilhante e do compromisso coletivo com ela, vamos contribuir para pavimentar o caminho e preparar as condições de construção de um brilhante futuro. Longa vida ao amor e espiritualidade! Longa vida à paz e segurança! Longa vida à justiça e liberdade! Que a paz e as bênçãos de Deus estejam com todos vocês!”
http://www.ibeipr.com.br/noticias.php?id_noticia=510

quinta-feira, 25 de junho de 2009

FÁBRICAS DE NOTÍCIAS OCIDENTAIS E OUTRAS

O IRÃ FALOU NAS URNAS Quem disse que as iranianas são feias ?????
Mahmoud AhmadiNejad ganhou as suas eleições.

Os Meios de Comunicação Ocidentais, entre outros não estão contentes e começam a mostrar-nos todo e cada um dos protestos no Irã e em Teerã.......
O Presidente AhmadiNejad obteve 63% dos votos
contra os outros três candidatos.
se 3% for a margem de erro
e se
15% for a margem de erro de uma eventual alegada fraude
AhmadiNejad continua a ser o vencedor
Eu estive em Teerã mais de 20 vezes
e reconheco o "nível" dos seus habitantes
e dos seus vizinhos....
Os Meios de Comunicação ocidentais estão tão atarefados
a filmar os bairros chiques e a entrevistar
apenas os iranianos-modernos-janotas-chiques......enquanto evitam as massas populares
que realmente deram a vitória a AhmadiNejad
De fato, as classe altas de Teerã
teriam preferido que ganhasse outro candidato
mas um cidadão tem direito a um voto
independentemente do tamanho da sua conta bancária......
AhmadiNejad ganhou, e os Meios de Comunicação ocidentais
deviam parar de manipular as nossas opiniões
e deviam antes ver o que está a acontecer
na Coreia do Sul porque cheira-me bastante
a Armas de Destruição em Massa,
como as que o Presidente Saddam nunca teve.
Há pequenos genocídios no Afeganistão e no Paquistão, também
como os que o Presidente Saddam nunca fez.....
Os Meios de Comunicação deviam relatar as notícias
em vez de as fabricarem.
Raja Chemayel

INVERDADES DA MÍDIA SOBRE AS ELEIÇÕES IRANIANAS

BBC mente na cobertura de Teerã

A rede de notícias inglesa BBC apresentou em seu site imagens de manifestação a favor do presidente iraniano reeleito, Mahmoud Ahmadinejad, e informou que se tratava de protestos contra o governo e em favor do candidato derrotado Houssein Mousavi.
A manipulação da BBC foi apontada pelo
site norte-americano
“What Really Happened”.
A legenda da foto divulgada pela BBC afirma: “Partidários de Mir Hossein Mousavi desafiam novamente o veto a protestos”.

A imagem é facilmente confrontada com outra fotografia divulgada pelo jornal norte-americano “Los Angeles Times” em sua página na internet na quinta-feira, que apresenta o presidente iraniano saudando os apoiadores.
Apesar disso, o LATimes colocou a legenda: “centenas de milhares protestam no Irã contra o resultado eleitoral”, mesmo com a presença de Ahmadinejad no primeiro plano da foto.

Denunciada a manipulação, a BBC alterou a legenda da foto em seu artigo original que agora afirma: “Teerã tem visto maciças manifestações dos dois lados desde a eleição”.
Apesar de flagrantes desse tipo, o site da BBC mantém a seguinte definição a respeito dos seus “valores”: “Confiança é o alicerce da BBC: somos independentes, imparciais e honestos”.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

ABECEDÁRIO DAS ELEIÇÕES IRANIANAS

Quem é quem na política iraniana
M.K. BHADRAKUMAR*

“A oposição cenográfica dos habitantes dos bairros ricos de Teerã cumpriu o papel de acrescentar cor, óculos ‘de griffe’ e hinos pró-mercado à campanha de Mousavi. Tido com reformador e progressista, Mousavi jamais foi nem uma coisa nem outra”, diz o indiano M.K. Bhadrakumar
A política iraniana nunca é fácil de decifrar.
A agitação criada em torno do resultado das eleições presidenciais da 6ª-feira passada intrigou muitos dos sempre presentes jornalistas e analistas autoproclamados decifradores bem informados dos códigos políticos iranianos.
Tanto se escreveu sobre tantas pistas falsas que, hoje, já ninguém parece saber quem é quem na disputa política no Irã, e o que mais interessa a cada um.
O grande vitorioso foi o Líder Supremo, o Aiatolá Ali Khamenei; esse, sim, alcançou vitória retumbante.
A ‘eminência parda’ da política iraniana, Akbar Hashemi Rafsanjani, é o perdedor, obrigado agora a lidar com os efeitos de uma acachapante derrota.
Resta saber se, afinal, estará caindo a cortina, depois de encerrado o último ato da tumultuada carreira do “Tubarão” –, apelido que ‘colou’ em Rafsanjani, desde o tempo em que nadava no poço sem fundo de intrigas que é o Parlamento ( Majlis) iraniano.
Naquele poço, Rafasanjani acostumou-se a nadar sem qualquer restrição, como predador político e como deputado porta-voz da Revolução Iraniana, desde os primeiros dias.

Com a enormíssima porcentagem de 64% dos votos, o presidente Mahmud Ahmedinejad venceu as eleições em 2009. E é difícil resistir à tentação de escrever que, como a grande baleia de Herman Melville em Moby Dick – a força, a fúria, a premeditação e a maldade –, Rafsanjani foi profundamente ferido pelo arpão eleitoral; e resta-lhe agora afundar, o mais silenciosamente possível, rumo ao esquecimento, no oceano da política iraniana. Isso, é claro, se a política iraniana fosse facilmente previsível; mas não é.

O governo do presidente Barack Obama nos EUA parece ter conseguido adivinhar o que viria, ou interpretou corretamente o significado alegórico da eleição iraniana; seja como for, antecipou-se ao terremoto que viria, desencadeado pelo vingancismo de Rafsanjani-Mousavi; e fez o melhor que havia a ser feito: manteve-se à distância, cuidadosamente afastado das eleições iranianas, resultados, protestos.
Começa agora a parte mais difícil, para Obama: seduzir o Conselho dos Anciãos que Khamenei preside como monarca quase absoluto.

Primeiro, um ‘abecedário’ das eleições.

Quem é Mir Hossein Mousavi, principal adversário que Ahmedinejad derrotou nas eleições?
É um enigma, travestido em mistérios. Impressionou a juventude e as classes médias urbanas como reformador e progressista. Jamais foi nem uma coisa nem outra.
Como primeiro-ministro iraniano, de 1981 a 1989, Mousavi jamais passou de político linha-dura, sem qualquer refinamento político. Estranhamente, a campanha eleitoral caríssima e over high-tech pôs em circulação outro Mousavi, que ninguém jamais vira antes, no Irã: como se o personagem tivesse sido desmontado peça a peça e, depois, se tivesse remontado, ele mesmo, para outras finalidades operacionais.
Para avaliar a mudança, basta ler as declarações de Mousavi, em 1981, depois da ‘crise dos reféns’ (como ficou conhecido o cerco de 444 dias à embaixada norte-americana em Teerã, quando estudantes, da jovem guarda revolucionária iraniana mantiveram presos, no prédio da embaixada, os diplomatas norte-americanos): “Foi o começo do segundo estágio da revolução islâmica. Depois da tomada da embaixada dos EUA descobrimos nossa verdadeira identidade islâmica. Depois daquela ação, sentimos que podíamos enfrentar cara à cara a política ocidental e analisá-la com a frieza com que o ocidente sempre nos analisou e avaliou ao longo de muitos anos.”
Há quem diga que Mousavi também participou da organização e criação do Hizbollah no Líbano.
Ali Akbar Mohtashami, mártir reverenciado pelo Hizbollah, foi ministro do Interior no governo de Mousavi nos anos 80.
Mousavi também teve participação no ‘affair’ conhecido como “Irangate” em 1985.
O caso conhecido como “Irangate” foi negócio costurado pelo governo Ronald Reagan, no qual os EUA forneceriam armas ao Irã; em troca, Teerã trabalharia para obter que o Hizbollah liberasse os reféns presos em Beirute.
Ironia é que, naqueles idos dos anos 80s, Mousavi aparecia como perfeita antítese de Rafsanjani; aliás, o primeiro ato de Rafsanjani, quando afinal assumiu a presidência em 1989, foi demitir Mousavi.
Rafsanjani não perderia nem um segundo de tempo, com os delírios “antiocidentais” de Mousavi, ou com suas manifestações de rejeição visceral ao ‘mercado’.
A plataforma eleitoral de Mousavi foi uma estranhíssima mistura de políticas contraditórias e interesses ocultados mas muito claramente dirigidos para uma única meta, como uma espécie de obscessão maníaca: retirar poderes da presidência da República, no Irã.

Por isso conseguiu reunir autoproclamados ‘reformistas’ que apoiavam o ex-presidente Mohammad Khatami, e, também as alas mais ultraconservadoras do regime.
Rafsanjani é o único político iraniano capaz de reunir grupos tão completamente diferentes; e sempre trabalhou ao lado de Khatami para fazer diminuir os poderes da presidência da República.

Se se deixa de lado a ‘oposição’ cenográfica feita pelos habitantes dos bairros ricos de Teerã (“multidão Gucci”, como se disse em Teerã), que cumpriu o papel de acrescentar cor, maquiagem, óculos ‘de griffe’ e hinos pró-mercado à campanha de Mousavi, o núcleo duro de sua plataforma política foram poderosos interesses que, nessa eleição, fizeram sua derradeira tentativa para derrubar o regime liderado pelo Aiatolá Khamenei.

Por outro lado, esses grupos de interesse sempre se opuseram furiosamente às políticas econômicas implantadas durante a presidência de Ahmadinejad, políticas que ameaçaram o controle que aqueles grupos sempre tiveram sobre setores-chave da economia, como comércio internacional, educação privada, propriedade da terra e produção agrícola.

Para quem conheça melhor o Irã, basta dizer que a família (clânica) Rafsanjani é proprietária de vários impérios financeiros no Irã, empresas de exportação-importação, latifúndios e da maior rede de universidades privadas do país.
O grupo, conhecido como “Azad” tem mais de 300 universidades espalhadas pelo Irã; não são unidades produtoras apenas de pensamento ‘privatista’, também chamado ‘neoliberal’; também serviram como importante instrumento de propaganda da candidatura Mousavi: no total, foram cerca de 3 milhões de estudantes ativistas anti-Ahmadinejad, organizados nas universidades da família Rafsanjani.

As universidades do grupo “Azad” e grupos associados foram a espinha dorsal da campanha de Mousavi nas províncias.
A ideia geral foi mobilizar os estudantes das universidades do grupo “Azad” para levar a campanha até os mais pobres nas provínciais e ‘desmontar’ as bases consideradas chave para a reeleição do presidente Ahmadinejad.

Rafsanjani é político cujo estilo sempre o levou a construir redes extensas em praticamente todos os escalões da estrutura do poder, com especial atenção a corpos político-administrativos como o Conselho de Guardiães, o “Expediency Council”, os clérigos Qom, o Parlamento, os tribunais, a burocracia, o bazar e, até, com elementos infiltrados nos grupos mais próximos de Khamenei.
Construídas suas redes, Rafsanjani põe-se a jogar com esses bolsões de influência.

O eixo Rafsanjani e Khatami foi a base da plataforma política de Mousavi, que reuniu reformistas e conservadores.
Tudo estava preparado para levar a eleição para um segundo turno, dia 19/6, com o Irã, sim, já completamente dividido ao meio.
A candidatura do ex-comandante do Corpo de Guardas Revolucionários Iranianos [ing. Iranian Revolutionary Guards Corps, IRGC] foi incluída na disputa para arrancar uma fatia de votos dos mais conservadores.

Esperava-se também que o programa “reformista” do quarto candidato, Mehdi Karrubi, contribuísse para arrancar votos de Ahmedinejad, mediante a propaganda de políticas econômicas de justiça social, como o programa imensamente popular de distribuição da renda do petróleo entre os cidadãos, em vez de esses lucros serem acrescentados diretamente no orçamento do governo.

O plano de Rafsanjani visava, de certo modo, a levar a eleição para fora da disputa eleitoral; esperava-se que Mousavi capitalizasse todos os votos ‘anti- Ahmedinejad’ – estimando-se que Ahmedinejad teria, no primeiro turno, 10-12 milhões dos 28-30 milhões de votos (de um total de 46,2 milhões de eleitores). Por esses cálculos – mas só se houvesse 2º turno – Mousavi seria o grande beneficiário, se os votos para Rezai e Karrubi fossem essencialmente votos ‘anti-Ahmadinejad’.

O regime já estava bastante envolvido na campanha eleitoral, quando afinal percebeu que, por trás do clamor por ‘mudanças’, Rafsanjani trabalhava, de fato, contra, sobretudo, a liderança de Khamenei; a batalha eleitoral não passava de simulacro e pretexto.
De fato, a luta entre Rafsanjani e Khamenei tem longa história, desde o final dos anos 80; e foi, então, vencida por Khamenei, que assumiu a liderança em 1989.
Rafsanjani foi um dos indicados pelo Imam Khomeini para o primeiro Conselho da Revolução Islâmica; Khamenei chegou bem depois, quando o Conselho aumentou o número de membros. Por isso, Rafsanjani sempre cultivou um ressentimento; sempre entendeu que Khamenei usurpou o lugar que seria seu, como Líder Supremo.
O establishment clerical mais próximo de Rafsanjani difundiu a ideia de que Khamenei não teria as credenciais religiosas necessárias; que seria indeciso; e que o processo eleitoral seria questionável, o que gerou dúvidas sobre a legalidade do poder de Khamenei.

Clérigos de prestígio, estimulados por Rafsanjani, insistiram na ideia de que o Líder Supremo não seria apenas autoridade religiosa ( mujtahid), mas deveria ser também fonte de emulação e proselitismo (marja ou um mujtahid com ‘adeptos’, seguidores religiosos) e que Khamenei não satisfaria esse requisito; mas Rafsanjani, sim.

Os ataques contra Khamenei passaram a ser construídos a partir do argumento, vil sob vários aspectos, de que sua educação religiosa não seria satisfatória. O trabalho de desconstrução, pelos clérigos ligados a Rafsanjani, continuaram até os primeiros anos da década de 90. Então, Khamenei escolheu recolher-se e permaneceu recolhido, consciente de que estava sob cerco, durante os anos em que Rafsanjani ocupou a presidência (1989-1997).

Resultado disso, Rafsanjani foi o presidente que mais poder teve, em todos os tempos, em Teerã. Mas enquanto isso, Khamenei, recolhido, também construía novos poderes.
Se não tinha prestígio entre a elite do establishment clerical iraniano, cuidou de atrair para seu lado o establishment da segurança, sobretudo o ministro da Inteligência, os Guardas Islâmicos Revolucionários e as milícias Basij.

Enquanto Rafsanjani mais e mais se envolvia com os clérigos e com o ‘mercado’, Khamenei procurou apoio num grupo de jovens políticos brilhantes, com experiência de organização e de luta, e que estavam voltando ao Irã depois da guerra Irã-Iraque; por exemplo, Ali Larijani, atual líder do governo no Parlamento; Said Jalili, atual secretário do Conselho de Segurança Nacional; Ezzatollah Zarghami, presidente da Rádio e Televisão Estatais; e, sim, também o próprio Ahmadinejad.

O poder político real começou a tender na direção de Khamenei, depois de ele ter atraído para seu campo os Guardas Revolucionários e as milícias Basij.
Quando o mandato presidencial de Rafsanjani chegou ao fim, Khamenei já comandava os três principais braços do poder governamental e toda a mídia estatal; já era comandante-em-chefe das Forças Armadas e, também, de várias instituições estatais, como a “Imam Reza Shrine” ou a “Fundação pelos Oprimidos”, máquinas praticamente ilimitadas para gerar apoios políticos.

Hoje, toda a estrutura de poder assumiu a forma de um complexo aparelho de liderança patriarcal.
Analistas bem informados e sensíveis anotaram, com precisão, que Ahmadinejad não teria qualquer interesse pessoal ou eleitoral que justificasse atacar diretamente Rafsanjani, durante o debate do dia 4/6, em Teerã, com Mousavi.
O ataque a Rafsanjani não foi ataque eleitoral: foi ataque em disputa política mais profunda.

Ahmadinejad disse, naquele debate: “Hoje, nesse debate, não enfrento apenas o Dr. Mousavi, nem ele está sozinho, aqui à minha frente. Aí estão três governos passados: do Dr. Mousavi, do Dr. Khatami e do Dr. Rafsanjani, todos reunidos contra a minha presidência e o desejo dos eleitores iranianos.”
Mirou e atirou diretamente contra Rafsanjani, acusando-o de organizar golpe contra as eleições.
Disse que Rafsanjani prometera à Arábia Saudita que não haveria segundo governo de Ahmadinejad.

Rafsanjani respondeu fogo com fogo, dias depois, em carta a Khamenei, em que exigia que Ahmadinejad se retratasse, “para evitar que [Rafsanjani] fosse forçado a tomar medidas judiciais cabíveis”.

“Espero que o senhor resolva esse impasse, e apague o fogo, cuja fumaça já se vê de longe; e que evite desdobramentos perigosos. Mesmo que eu estivesse disposto a relevar esse tipo de agressão, não duvide de que há gente, partidos, grupos, facções, que não a relevariam”Rafsanjani ameaçou Khamenei sem meias-palavras.
Simultaneamente, Rafsanjani convocou toda a sua base clerical: uma claque de 14 altos clérigos reuniram-se em Qom, à volta dele.

Já foi ato de desespero, acionado por interesses ocultos que já sabiam do crescimento muito significativo dos movimentos dos Guardas Revolucionários, nos últimos anos. Mas, se Rafsanjani supusera que seria fácil criar um ‘motim’ entre os clérigos, e que isso ‘desequilibraria’ Khamenei... errou muito gravemente no cálculo do poder político em Teerã.

Khamenei fez o que de melhor poderia ter feito para esvaziar o ‘movimento’ golpista de Rafsanjani: Khamenei simplesmente ignorou o “Tubarão”.
Dezenas de milhões de voluntários da Guarda Revolucionária e das milícias Basij foram rapidamente mobilizados para votar; somaram-se aos milhões de pobres das áreas rurais que se vêem manifestos em Ahmadinejad. Daí em diante, foi só esperar que se repetisse o que já acontecera nas eleições de 2005. O comparecimento às urnas – 85% dos eleitores votaram – foi o maior da história do Irã.
Esse comparecimento às urnas, não qualquer tipo de ‘fraude’ eleitoral, determinou a vitória de Ahmadinejad, sem 2º turno; horas depois de anunciados os resultados, aplaudiu o comparecimento dos eleitores às urnas, que, segundo suas palavras, mereceria “verdadeira celebração”.
Khamenei

Disse Khamenei: “Congratulo-me (...) com o povo iraniano por esse sucesso de todos. Todos temos muito o que agradecer, por tantas bênçãos recebidas”. Preveniu os jovens e “os que apoiam o candidato eleito e demais candidatos e apoiadores”, para que todos se mantivessem bem alertas, “para evitar os discursos e as ações de provocação.”

A mensagem de Khamenei a Rafsanjani foi bem clara: aceite a derrota e não volte a envolver-se em movimentos golpistas.
Os resultados da eleição de 6ª-feira asseguram que a casa do Aiatolá Khamenei, Líder Supremo, continuará a ser o ponto focal do poder político no Irã.
É o quartel-general do Presidente, das forças armadas iranianas e, sobretudo, dos Guardas Revolucionários. É fonte legítima do poder dos três braços do governo e é ponto nodal de todas as políticas econômicas, de segurança e de relações internacionais no Irã.

O presidente Barack Obama já deveria já estar pensando em construir caminho para aproximar-se (amistosamente, não beligerantemente, nem mediante sanções econômicas) e buscar vias de entendimento com o Aiatolá Khamenei.
Difícil imaginar desafio maior e mais complexo.
*M. K. Bhadrakumar é diplomata de carreira do MRE indiano. Serviu na União Soviética, na Coreia do Sul, no Sri Lanka, na Alemanha, no Paquistão, Uzbequistão, Kuwait e Turquia.

terça-feira, 23 de junho de 2009

MAHMOUD AHMADINEJAD PRESIDENTE REELEITO DO IRÃ

Mahmoud Ahmadinejad (em pársi: محمود احمدی‌نژاد; Garmsar, 28 de outubro de 1956) é o sexto presidente do Irã.

Seu mandato teve início em 3 de agosto de 2005.


Ahmadinejad, Ph.D. em Engenharia de Transportes, Professor Universitário em Ciências Políticas e humilde Presidente da República Islâmica do Irã que nunca aceitou os luxos da vida presidencial.


Presidente do Irã

Ahmadinejad

Discurso que o resto do mundo não viu




A notícia que o resto do mundo não viu 2

segunda-feira, 26 de maio de 2008

JUDAÍSMO VERSUS SIONISMO



Neturei Karta
Rabbi Amram Blau considerado o maior líder dos Neturei Karta



Neturei Karta (em hebraico נטורי קרתא do aramaico "guardiões da cidade") é um grupo de judeus ultra-ortodoxos que rejeita todas as formas de sionismo e se opõem ativamente contra o Estado de Israel , o que lhes vale a acusação de outros grupos judaicos de "pró-árabes".

Seu número é de cerca de 5000 membros , concentrados principalmente em Jerusalém .

Há diversos outros pequenos grupos associados aos Neturei Karta em Israel , nos EUA e na Inglaterra.

Ideologia


Os Neturei Karta crêem que a Diáspora judaica é resultado dos pecados do povo judeu, e que qualquer forma de tentar recontruir um estado judaico é uma violação da vontade de Deus (Talmud Babilônico, tratado Ketuboth 111).

Os líderes do movimento também defendem que o Holocausto é uma punição divina sobre o povo judeu , principalmente pela adoção do sionismo como ideologia .

O sionismo é tratado em sua visão ,como uma afronta contra Deus, já que é uma tentativa humana de estabelecer um estado judaico.

Os Neturei Karta defendem que os judeus devem permanecer no exílio até que este estado judaico seja trazido não por homens , mas por Deus quando ocorrer a vinda do Messias.

Por suas declarações de apoio aos palestinos e ao presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad, assim como a visão de que o judaísmo através do sionismo provocou o holocausto valeram-lhes o desafeto e a oposição por parte de diversas comunidades judaicas.

Página oficial dos Neturei Karta : http://www.nkusa.org/

Entrevista com rabinos do Neturei Karta na TV iraniana :http://switch5.castup.net/frames/20041020_MemriTV_Popup/video_480x360.asp?ai=214&ar=1070wmv&ak=null

http://pt.wikipedia.org/wiki/Neturei_Karta

O judaísmo acredita num só Deus, O qual revelou a Torah.

Defende a providência Divina e, de acordo com esta, vislumbra o exílio dos judeus como sendo um castigo causado pelos seus pecados.

A redenção poderá ser obtida apenas pela penitência e pela oração.

O judaísmo apela a todos os judeus que obedeçam integralmente à Torah, incluindo o mandamento que os obriga a serem cidadãos patriotas.


O sionismo rejeita o Criador, a Sua revelação, as Suas oferendas e a Sua penitência.

Entre os seus frutos encontramos a perseguição do povo palestino bem como a ameaça física e espiritual em que coloca o povo judeu.

Encoraja a traição e a dupla lealdade entre os ingénuos judeus espalhados pelo mundo.

O sionismo encara, de raiz, a realidade como algo estéril e desprovido de santidade. É uma antítese ao judaísmo da Torah.


Existe uma vil mentira que persegue o povo judeu por todo o globo.

Uma mentira tão hedionda e tão distante da verdade que só ganhou popularidade devido à cumplicidade de forças poderosas existentes na comunicação social e no aparelho educativo do “sistema”.

É uma mentira que trouxe um sofrimento sem antecedentes a muitas pessoas inocentes e que se não for rebatida tem o potencial de dar origem a uma tragédia extraordinária no futuro.


É a mentira que afirma que o judaísmo e o sionismo são idênticos.
Nada poderia estar mais longe da verdade.


O judaísmo é a crença nas revelações do monte Sinai. É a crença de que o exílio é o castigo originado pelos pecados judeus.
O sionismo tem vindo a negar, há mais de um século, as revelações de Sinai. Acredita que se pode dar por terminado o exílio judaico por meio da agressão militar.


O sionismo passou o último século a expulsar estrategicamente o povo palestino. Ignorou as suas justas argumentações e sujeitou-os à perseguição, à tortura e à morte.


Judeus seguidores da Torah por todo o mundo encontram-se chocados e penitenciam-se por este breve dogma de irreligiosidade e de crueldade.

Milhares de santos e de catedráticos da Torah condenam este movimento desde o seu surgimento.

Sabiam que as anteriores boas relações entre os judeus e os muçulmanos na Terra Santa estavam destinadas a ser afectadas pelo avanço do sionismo.

O proclamado “Estado de Israel” mantém-se rejeitado em fundamentos religiosos com base na Torah.

A sua monstruosa insensibilidade para com as leis mais básicas da decência e da justiça chocam qualquer ser humano, seja ou não judeu.


Nós da Neturei Karta temos estado na frente da batalha contra o sionismo há mais de um século.

A nossa presença serve para refutar a mentira basilar de que o mal, que é o sionismo, de algum modo representa o povo judeu.
O que sucede é o oposto.


Entristecemos todos os dias com a terrível contagem de mortes que emana da Terra Santa. Nenhuma delas teria ocorrido se o sionismo não tivesse soltado as suas energias maléficas sobre o mundo.


Como judeus temos o dever de viver pacificamente e em harmonia com todos os homens.

É-nos pedido que sejamos cidadãos tementes à lei e patriotas em todas as terras.


Condenamos as actuais atrocidades sionistas levadas a cabo na Terra Santa.

Ansiamos pela paz baseada no respeito mútuo.

Estamos convencidos de que este respeito mútuo está condenado a não existir enquanto existir um Estado israelita.

Ansiamos pela sua abolição de um modo pacífico.


Que possamos ser dignos da verdadeira redenção quando todos os homens se unam irmãmente em Sua adoração.

http://nkinportuguese.blogspot.com/2007/06/judasmo-versus-sionismo.html