domingo, 23 de agosto de 2009

MOMENTOS POÉTICOS

O poeta precisa de sonhos para sonhar...
Ah... esse tempo que passa e as lembranças que ficam...
O mundo sonhado e o mundo real a nos trazer desenganos
E nosso coração a manter acessa a luz da esperança
para que não se apague em nossa alma
a cor da claridade,
que é a cor do querer as coisas simples,
puras e belas.

A COR DA CLARIDADE
Quando aqui cheguei
Era diferente este Mundo
No celeste havia mais estrelas
No Mar o azul era mais profundo
Adormeci na partida
Foi uma viagem pelo impensável
Flutuei num mar feito de carinho no tempo
No embalo de canções de voz amável
Mundos!
Entre os dois se faz a claridade
Moldado ser de barro cru
Uma parte sonho a outra verdade
Esta roda onde ganho forma
Tem a frieza do Inverno dos anos
Gira entre o dia e cada noite
Numa comédia de desenganos
Mas esta lava incandescente
Derramada no meu peito
Faz de mim um ser ardente
Que o amor o faz completo
A chuva não pára
Novelos de hortênsias pintam a ilha
São pingos do céu solto dos olhos
De um deus que proclama a maravilha
Pedras desenham o caminho
Conheço os dons da terra
Este verde inunda-me os olhos
Esta alma declara uma guerra…
...Ao meu querer!
Dias noites, estações esquecidas
Inventei sonhos para sonhar
Lavei mágoas, dores perdidas
Uma árvore toca as águas da lagoa
O nevoeiro faz desenhos nas cumeeiras
Um Melro negro solta um pio ao acaso
A palavra quero-te diz-se de mil maneiras
Quero-te simplesmente!
Mas apenas uma soa à verdade
Entre dois mundos vive em espera
Que soltes da alma a…Cor da claridade…
Mar revolto, mar revolto
Senhor de todas as conquistas,
Inspiração de muitas almas.
Tu, deus dos oceanos,
Que em tuas águas
Banhas sentimentos,
Que curas feridas deixadas pelo tempo.
Tu, que fazes sonhar
Os seres mais nobres,
Que levas a calma aos mais turbulentos.
Oh, mar da minha vida,
Que despertas o mais profundo do meu ser.
Faz-me apaixonar por tuas ondas,
E fantasiar com a esperança.
Mar da minha paixão,
Que transportas no teu dorso a sabedoria,
Que escondes e guardas segredos,
Nunca revelados.
Mar revolto, mar calmo
Leva-me em teu colo
E guarda contigo....
Todos os meus pensamentos.
Quero ver o sol sorrindo
abrir-se em raios amarelo-ouro
a circundar-me a luz de sua auréola
acariciando a alma, me aquecendo a pele.
Quero ver de perto a primavera
após a despedida do frio do inverno,
pra avaliar e apreciar o belo
e com ele, estabelecer um elo.
Quero banhos de cachoeira
sentindo o impacto de suas águas brancas
a energizar meu corpo, fazê-lo de remanso
e da mansidão da paz, eterna companheira.
Ver, nas tardes lânguidas de outono,
folhas caindo; alimentar meus sonhos
de imagens ricas que vão se formando
e quando concretizados, pensar que estou sonhando.
Quero andar de bem com a vida,
em harmonia com o ontem, hoje e amanhã...
fazer da dor uma aliada, não uma vilã;
despir-me de rancores, vestir todos amores.
Que as incertezas geradas pela imposição da vida não bifurquem meu caminho;
Que as asperezas sofridas não me separem do carinho;
Que o frio do inverno não congele meus sentimentos;
Que o breu da noite não me impeça de imaginar a lua;
Que o espinho da rosa não me afaste de sua beleza;
Que os erros cometidos me façam refletir e um dia acertar;
Que ao buscar a liberdade a encontre primeiro em mim;
Que eu saiba discernir desejo e prazer, amor e paixão, ser e ter, para que me complete como ser humano;
Que a razão esteja na mesma proporção da emoção e que se manifeste a que mais se requer , no momento que melhor aprouver;
Que minhas expectativas caminhem ao lado dos sonhos e que eles não voem mais alto que eu possa alcançar;
Que a distância por mim percorrida não me desvincule de minhas raízes;
Que cada derrota vivida seja um trampolim para recomeçar;
Que após cada vendaval eu creia num novo sol a sorrir;
Que a justiça seja meu escudo no combate aos preconceitos e desigualdades sociais;
Que o universo conspire a meu favor a cada apelo, a cada grito de dor;
Que antes de mais nada seja lida minha alma e não prevaleçam as aparências;
Que o amor fale mais alto, calando a insensatez do ódio;
Que as cores do arco-íris descortinem as brumas do oceano refletindo as belezas do mundo;
E quando a aridez do solo sangrar os meus pés, que eu crie asas e possa voar...

2 comentários:

O Árabe disse...

O poeta precisa de sonhos para sonhar, sim... mas, com certeza, vale a pena! :) Boa semana

Sol do Deserto disse...

E... como vale a pena!!!
O que seria da nossa vida sem os nossos sonhos que ... um dia ... poderão se tornar em realidade?!