sexta-feira, 10 de abril de 2009

PALAVRAS DE SABEDORIA, VERDADE, PAZ E AMOR




A VERDADE E A MENTIRA

São irmãs, a Verdade e a Mentira.
E as suas faces são os dois lados de um mesmo rosto: e são iguais as suas vestes, e as mesmas as suas palavras.
E isso acontece porque assim o quer o homem, que muitas vezes prefere aceitar as mentiras que envaidecem, às verdades que o desagradam.
Conta-se que houve um dia em que dois amigos viajavam juntos pelas estradas de suas vidas, e encontraram a Verdade e a Mentira; e com elas seguiram a conversar.
Mas a Verdade e a Mentira são como o Céu e a Terra, que embora pareçam tocar-se no horizonte não conseguem caminhar juntos.
Assim, logo se separaram; e cada uma conversava com um dos viajantes.
E, como os homens conversam sempre sobre os mesmos assuntos, ambos falaram sobre si próprios. Contaram da sua sabedoria, das suas qualidades, dos seus sonhos e projetos.
A Mentira ouviu, embevecida. E animou o interlocutor que lhe coube; gabou a sua sabedoria, as suas qualidades. Discorreu sobre a grandiosidade dos seus sonhos, o acerto dos seus projetos.
E a Verdade, depois de ouvir, buscou as palavras mais doces para não ofender quem lhe falava. Com elas procurou mostrar as suas qualidades e defeitos, os erros e os acertos de seus projetos; dimensionar os seus sonhos.
Pois são estas as diferenças entre a Mentira e a Verdade: uma acalenta, a outra desperta; uma oferece a glória, a outra a luta. Uma faz sonhar, a outra ensina como realizar os sonhos.
Assim, caminharam os quatro. E, enquanto um ouviu apenas o que queria ouvir, o outro ouviu aquilo que precisava ouvir.
Enfim, chegaram ao ponto em que se separavam as estradas. E os dois amigos despediram-se das duas irmãs, e voltaram a seguir os seus caminhos.
Então, disse o que conversara com a Mentira:
- Acabo de conversar com a Verdade.
E o outro, o que conversara com a Verdade:
- Foste feliz. A mim, coube a Mentira.
http://www.vidaalmaepoesia.com/hassan2/24_A_verdade_e_a_mentira.htm


Hoje, como em outros tempos...
Vozes se erguerão contra mim. E dirão que prego a dissolução da família, sobre a qual se constrói a sociedade.
Porém, o meu desejo é fazê-la assentar sobre o Amor; para que não desmorone com o passar dos anos, que modifica a vaidade dos homens.
Dirão que ataco as instituições que regem os destinos da humanidade. Mas tudo que desejo é que o homem possa reger o seu próprio destino.
Hoje, como em outros tempos...
Hei de pregar no deserto; a minha recompensa será o viajante solitário, que ouça as minhas palavras e nelas reconheça a sua verdade.
E que rica recompensa terei!
Pois, há dois mil anos, alguém diferente trilhou os nossos caminhos; e aos ouvidos do homem entregou as suas ricas palavras.
Porém, se hoje voltasse a andar entre nós, precisaria repetir as mesmas palavras. E, por certo, teria o mesmo destino.
Hoje, como em outros tempos...
É preciso que eu volte a partir. Que embarque em outros navios; que singre mares desconhecidos e aporte em lugares iguais.
E, nas minhas viagens, o vento que se renova há de ser sempre o mesmo, a enfunar as minhas velas e conduzir as minhas embarcações.
Pois, se são outras as roupas e os corpos que as usam, são as mesmas as almas que habitam esses corpos.
E, se algum dia houver algo de novo em um porto:
- se os pássaros pousarem nas mãos dos homens;
- se a lua não for um objeto a ser conquistado, mas o adorno da noite;
- se a chuva não for apenas água, mas a fonte da vida;
- se o amor não for uma palavra, mas uma canção na alma dos homens,
Então terá chegado o fim das minhas viagens.
E me deixarei ficar, entre os meus irmãos, que me reconhecerão e chamarão o meu nome. Assim como tantas vezes, antes, os chamei por seus nomes, sem que reconhecessem a minha voz aflita.
Hoje, como em outros tempos...

http://www.vidaalmaepoesia.com/hassan2/3_hoje_como_em_outros__tempos.htm

ORAÇÃO DA DESCOBERTA

Deixai-me, Senhor, ter sempre em mente a certeza da partida, para que saiba gozar cada minuto da estada.
E deixai que o meu coração jamais se esqueça de lembrar que chegará o dia da separação, para que eu saiba desfrutar cada minuto da companhia.
Pois, quando esta jornada terminar e ao descanso obrigatório me chamardes, não Vos desejo levar as lamentação de quem desperdiçou o seu tempo. E sim a confiança serena de quem buscou as verdades da vida.
Que desapareçam, pois, as contrariedades do dia-a-dia, diante da dádiva de existir, amar e ser amado. E possa eu quedar-me extasiado, ante as maravilhas que a cada dia se renovam:- os alvos cabelos de meus pais
- o sorriso confiante de meus filhos
- o brilho dos olhos da minha amada.
Diante dos meus tesouros, Senhor, o que são as coisas que me faltam?
E, entretanto, são tantos os que desperdiçam o que possuem, perdidos na angústia do que desejam!
Que eu não seja um deles, Senhor!
Pois a felicidade é como um sopro de brisa e pode ser detida por um muro de ansiedade. Ou como a luz do sol e pode perder-se entre as nuvens cinzentas do pessimismo cotidiano.
Deixai-me acreditar sempre, Senhor!
E, para que eu o possa fazer, é necessário ter consciência da pequenez do que aparento ser; e da grandeza do meu verdadeiro Eu.
Assim, não me julgarei tão grande a ponto de querer que todo o Universo se curve aos meus desejos; nem tão pequenino que não mereça a Vossa atenção.
Não deixeis, Senhor, que as minhas certezas se diluam entre as minhas dúvidas; mas que se modifiquem, a cada nova descoberta.
E nem que eu me julgue dono daqueles a quem amo; para que a sua companhia não seja uma morna certeza, mas uma dádiva sempre renovada.
Deixai-me sentir que o mundo não me pertence, para que as surpresas agradáveis me deliciem e as desagradáveis não me causem revolta.
E não deixeis que a minha poesia naufrague nas poças de amargura; mas delas extraia forças para cantar novas alegrias.
Pois é no conceito de morte que descobrimos o valor da vida.
E no medo da separação que percebemos a dádiva do amor.
http://www.vidaalmaepoesia.com/hassan2/4_Oracao_da_descoberta.htm

A Sabedoria de Hassan

Pessoas existem, que são verdadeiramente sábias.

E o seu saber não vem apenas dos livros.

Pois não pode o homem aprender tão somente com as palavras alheias. As lições ensinadas são como gotas de chuva, e as experiências próprias são como os grãos que formam a terra; unidas farão brotar a semente do Conhecimento, adormecida em cada verdadeiro Eu.

Por isto, os sábios espalham as suas lições. O saber é como as moedas, que o néscio entesoura, em nome de uma falsa segurança; enquanto o sensato faz circular, sabendo que assim aumentará as suas posses.

Pois a sabedoria não pertence apenas a um homem, mas a toda a humanidade. Eis que os primeiros conhecimentos vos foram legados por vossos pais e os deveis transmitir a vossos filhos; assim tem sido, desde o início dos tempos.

Hassan, o mercador, foi um destes sábios. E, se aos parentes deixou os haveres do seu corpo, aos que o ouviram distribuiu os tesouros que descobrira em seu verdadeiro Eu.

As suas palavras nasciam das suas próprias experiências; contavam das suas próprias alegrias e tristezas. Assim, tinham o dom de encantar aos seus ouvintes.

Pois os homens são como as folhas de uma árvore que, embora distintas, são iguais entre si; e precisam conhecer os sentimentos alheios, para que melhor possam entender os próprios sentimentos.

Por muitos anos, andou Hassan entre os homens, as mulheres e as crianças de sua terra. E a todos distribuiu os seus ensinamentos.

Muitas foram as suas mensagens, as suas parábolas, as suas lições. E muitos os que, ao ouvi-lo, descobriram em si novas idéias e emoções; sentiram despertar o seu verdadeiro Eu.

E agora me cabe trazer-vos algumas mensagens de Hassan.

Para que outros possam conhecê-las; para que a palavra continue a ser ouvida, e a fazer brotar a sua própria continuidade. Como as águas de um rio que, ao seguirem adiante, asseguram a perenidade de seu curso.

Não importa quantos anos se tenham passado, as suas palavras continuam atuais. Porque existem coisas que o passar do tempo não consegue alterar. Como o encanto do Amor, a essência do Ser humano e a libertação que reside na Verdade.

Busquemos, então, a Verdade.

Nas palavras de Hassan.







2 comentários:

ruiva disse...

legal essa materia gostei.

Olhos de mel disse...

Querida amiga, esses são textos inconfundíveis, do escritor Flávio Cruz. Esses livros dele, inclusive editados, que tiveram suas edições esgotadas, felizmente, tenho todos, pois sou fã, da sua maravilhosa obra.
Beijos